Passagens sobre Aproximação

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Frases sobre aproxima√ß√£o, poemas sobre aproxima√ß√£o e outras passagens sobre aproxima√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Mais dif√≠cil √© quebrar a dificuldade de mostrar a realidade ao povo: tirando-o da alucina√ß√£o em que vive, cercado por informa√ß√Ķes que n√£o refletem a realidade. E, para consolidar a democracia, a maior dificuldade est√° em aproximar eleitores e eleitos, separados pela brecha entre a realidade e as informa√ß√Ķes produzidas pela m√≠dia.

O Maior Triunfo do Homem

O maior triunfo do homem é quando se convence de que o ridículo é uma coisa sua que existe só para os outros, e, mesmo, sempre que outros queiram. Ele então deixa de importar-se com o ridículo, que, como não está em si, ele não pode matar.

Três coisas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade Рo ridículo, o trabalho e a dedicação.
Como não se dedica a ninguém, também nada exige da dedicação alheia. Sóbrio, casto, frugal, tocando o menos possível na vida, tanto para não se incomodar como para não aproximar as coisas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveniência do orgulho e da desilusão. Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente é submeter-se Рsubmeter-se à acção da coisa sentida.

Vive nas dores e nas alegrias alheias, Whitman ol√≠mpico, Proteu da compreens√£o, sem partilhar de viv√™-las realmente. Pode, a seu talante, embarcar ou ficar nas partidas de navios e pode ficar e embarcar ao mesmo tempo, porque n√£o embarca nem fica. Esteve com todos em todas as sensa√ß√Ķes de todas as horas da sua vida.

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Para consolidar a democracia, a maior dificuldade est√° em aproximar eleitores e eleitos, separados pela brecha entre a realidade e as informa√ß√Ķes produzidas pela m√≠dia.

A Percepção do Poeta

Sim, o que √© o pr√≥prio homem sen√£o um cego insecto inane a zumbir (?) contra uma janela fechada; instintivamente sente para al√©m do vidro uma grande luz e calor. Mas √© cego e n√£o pode v√™-la; nem pode ver que algo se interp√Ķe entre ele e a luz. De modo que pregui√ßosamente (?) se esfor√ßa por se aproximar dela. Pode afastar-se da luz, mas n√£o pode ir al√©m do vidro. Como o ajudar√° a Ci√™ncia? Pode descobrir a aspereza e nodosidade pr√≥prias do vidro, pode chegar a conhecer que aqui √© mais espesso, ali mais fino, aqui mais grosseiro, ali mais delicado: com tudo isto, am√°vel fil√≥sofo, qu√£o mais perto est√° da luz? Qu√£o mais perto alcan√ßa ver? E contudo, acredito que o homem de g√©nio, o poeta, de algum modo consegue atravessar o vidro para a luz do outro lado; sente calor e alegria por estar t√£o mais al√©m de todos os homens (?), mus mesmo assim n√£o continuar√° ele cego?

Como Escrever

Minhas intui√ß√Ķes se tornam mais claras ao esfor√ßo de transp√ī-las em palavras. √Č neste sentido, pois, que escrever me √© uma necessidade. De um lado, porque escrever √© um modo de n√£o mentir o sentimento (a transfigura√ß√£o involunt√°ria da imagina√ß√£o √© apenas um modo de chegar); de outro lado, escrevo pela incapacidade de entender, sem ser atrav√©s do processo de escrever. Se tomo um ar herm√©tico, √© que n√£o s√≥ o principal √© n√£o mentir o sentimento como porque tenho incapacidade de transp√ī-lo de um modo claro sem que o minta ‚ÄĒ mentir o pensamento seria tirar a √ļnica alegria de escrever. Assim, tantas vezes tomo um ar involuntariamente herm√©tico, o que acho bem chato nos outros. Depois da coisa escrita, eu poderia friamente torn√°-la mais clara? Mas √© que sou obstinada. E por outro lado, respeito uma certa clareza peculiar ao mist√©rio natural, n√£o substitu√≠vel por clareza outra nenhuma. E tamb√©m porque acredito que a coisa se esclarece sozinha com o tempo: assim como num copo de √°gua, uma vez depositado no fundo o que quer que seja, a √°gua fica clara. Se jamais a √°gua ficar limpa, pior para mim. Aceito o risco. Aceitei risco bem maior, como todo o mundo que vive.

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A Psicologia de Grupo

O indiv√≠duo num grupo est√° sujeito, atrav√©s da influ√™ncia deste, ao que com frequ√™ncia constitui uma profunda altera√ß√£o na sua actividade mental. A sua submiss√£o √† emo√ß√£o torna-se extraordinariamente intensificada, enquanto que a sua capacidade intelectual √© acentuadamente reduzida, com ambos os processos evidentemente dirigindo-se para uma aproxima√ß√£o com os outros indiv√≠duos do grupo; e esse resultado s√≥ pode ser alcan√ßado pela remo√ß√£o daquelas inibi√ß√Ķes aos instintos que s√£o peculiares a cada indiv√≠duo, e pela resigna√ß√£o deste √†quelas express√Ķes de inclina√ß√Ķes que s√£o especialmente suas. Aprendemos que essas consequ√™ncias, ami√ļde importunas, s√£o, at√© certo ponto pelo menos, evitadas por uma ¬ęorganiza√ß√£o¬Ľ superior do grupo, mas isto n√£o contradiz o fato fundamental da psicologia de grupo: as duas teses relativas √† intensifica√ß√£o das emo√ß√Ķes e √† inibi√ß√£o do intelecto nos grupos primitivos.

Estou Tonto

Estou tonto,
Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
Ou de ambas as coisas.
O que sei é que estou tonto
E n√£o sei bem se me devo levantar da cadeira
Ou como me levantar dela.
Fiquemos nisto: estou tonto.

Afinal
Que vida fiz eu da vida?
Nada.
Tudo interstícios,
Tudo aproxima√ß√Ķes,
Tudo função do irregular e do absurdo,
Tudo nada.
√Č por isso que estou tonto …

Agora
Todas as manh√£s me levanto
Tonto …

Sim, verdadeiramente tonto…
Sem saber em mim e meu nome,
Sem saber onde estou,
Sem saber o que fui,
Sem saber nada.

Mas se isto é assim, é assim.
Deixo-me estar na cadeira,
Estou tonto.
Bem, estou tonto.
Fico sentado
E tonto,
Sim, tonto,
Tonto…
Tonto.

Toda a Aproximação é um Conflito

Que somos todos diferentes, é um axioma da nossa naturalidade. Só nos parecemos de longe, na proporção, portanto, em que não somos nós. A vida é, por isso, para os indefinidos; só podem conviver os que que nunca se definem, e são, um e outro, ninguéns.
Cada um de nós é dois, e quando duas pessoas se encontram, se aproximam, se ligam, é raro que as quatro possam estar de acordo. O homem que sonha em cada homem que age, se tantas vezes se malquista com o homem que age, como não se malquistará com o homem que age e o homem que sonha no Outro?
Somos for√ßas porque somos vidas. Cada um de n√≥s tende para si pr√≥prio com escala pelos outros. Se temos por n√≥s mesmos o respeito de nos acharmos interessantes (…) Toda a aproxima√ß√£o √© um conflito. O outro √© sempre o obst√°culo para quem procura. S√≥ quem n√£o procura √© feliz; porque s√≥ quem n√£o busca, encontra, visto que quem n√£o procura j√° tem, e j√° ter, seja o que for, √© ser feliz, como n√£o pensar √© a parte melhor de ser rico.
Olho para ti, dentro de mim, noiva suposta,

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A Necessidade do Próximo

N√≥s s√≥ sentimos agrado para com os semelhantes – ou seja pelas imagens de n√≥s pr√≥prios – quando sentimos comprazimento connosco. E quanto mais estamos contentes connosco, mais detestamos o que nos √© estranho: a avers√£o pelo que nos √© estranho est√° na propor√ß√£o da estima que temos por n√≥s. √Č em consequ√™ncia dessa avers√£o que n√≥s destru√≠mos tudo o que √© estranho, ao qual assim mostramos o nosso distanciamento.
Mas o menosprezo por nós próprios pode levar-nos a uma compaixão geral para com a humanidade e pode ser utilizado, intencionalmente, para uma aproximação com os demais.
Temos necessidade do próximo para nos esquecermos de nós mesmos: o que leva à sociabilidade com muita gente.
Somos dados a supor que também os outros têm desgosto com o que são; quando isto se verifica, então receberemos uma grande alegria: afinal, estamos na mesma situação.
E, talqualmente nos vemos forçados a suportar-nos, apesar do desgosto que temos com aquilo que somos, assim nos habituamos a suportar os nossos semelhantes.
Assim, nós deixamos de desprezar os outros; a aversão para com eles diminui, e dá-se a reaproximação.
Eis porque, em virtude da doutrina do pecado e da condenação universal,

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O Silêncio

Peço apenas o teu silêncio,
como uma criança pede uma flor
ou um velho pedinte um bocado de p√£o.
Um silêncio
onde a tua alma se embrulha, friorenta,
trémula, à aproximação das invernias.
Um sil√™ncio com resson√Ęncias de antigas primaveras,
de outonos descoloridos
e da chuva a cair no negrume da noite.

– V√°, motorista de t√°xi,
transporta-me
através das ruas da cidade inextricável,
vertiginosamente,
buzinando, buzinando,
abafando o ruído de um outro silêncio!

No sil√™ncio dos pensamentos, as mentes esquadrinham t√°ticas para a aproxima√ß√£o. √Č assim a vida: na arena da felicidade, cora√ß√Ķes entram em luta pra ganhar um grande amor!

Cada ci√™ncia, cada estudo, tem o seu pr√≥prio e inintelig√≠vel cal√£o, que apenas parece ter sido inventado para evitar as aproxima√ß√Ķes.

A Serenidade

A serenidade n√£o √© feita nem de tro√ßa nem de narcisismo, √© conhecimento supremo e amor, afirma√ß√£o da realidade, aten√ß√£o desperta junto √† borda dos grandes fundos e de todos os abismos; √© uma virtude dos santos e dos cavaleiros, √© indestrut√≠vel e cresce com a idade e a aproxima√ß√£o da morte. √Č o segredo da beleza e a verdadeira subst√Ęncia de toda a arte.
O poeta que celebra, na dan√ßa dos seus versos, as magnific√™ncias e os terrores da vida, o m√ļsico que lhes d√° os tons de duma pura presen√ßa, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por l√°grimas e emo√ß√Ķes dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solit√°rio, e o m√ļsico um sonhador melanc√≥lico: isso n√£o impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos d√£o, n√£o s√£o mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, √© uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, l√≠nguas inteiras, procuram explorar as profundezas c√≥smicas em mitos, cosmogonias, religi√Ķes, o √ļltimo e supremo termo que poder√£o atingir √© essa serenidade.

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A Intimidade na Amizade

Se dois homens ou duas mulheres t√™m de partilhar por algum tempo o mesmo espa√ßo (em viagem, numa carruagem-cama ou numa pens√£o superlotada), n√£o √© raro nascerem nessas situa√ß√Ķes amizades muito singulares. Cada um tem a sua maneira especial de lavar os dentes, de se curvar para descal√ßar os sapatos ou de encolher as pernas para dormir. A roupa interior, e o resto do vestu√°rio, embora semelhantes, revelam, no pormenor, in√ļmeras pequenas diferen√ßas a um olhar atento. A princ√≠pio – provavelmente devido ao individualismo excessivo do modo de vida actual – existe qualquer coisa como uma resist√™ncia semelhante a uma leve repugn√Ęncia e que rejeita uma aproxima√ß√£o maior, uma ofensa contra a pr√≥pria personalidade, at√© ao momento em que essa resist√™ncia √© superada para dar lugar a uma comunidade que revela uma estranha origem, como uma cicatriz. Muitas pessoas mostram-se, depois de uma tal transforma√ß√£o, mais alegres do que normalmente s√£o; a maior parte mais inofensivas; uma boa parte delas mais faladoras; e quase todas mais am√°veis. A sua personalidade mudou, quase se poderia dizer que foi trocada, subcutaneamente, por outra, menos marcada: no lugar do eu surge o primeiro ind√≠cio de um n√≥s, claramente sentido como um mal-estar e uma diminui√ß√£o,

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