Cita√ß√Ķes sobre Ateus

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Frases sobre ateus, poemas sobre ateus e outras cita√ß√Ķes sobre ateus para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Deus

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E ent√£o eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.

Do Contraditório como Terapêutica de Libertação

Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas pol√≠ticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro h√°bito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opini√Ķes continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez n√£o seja tarde para estabelecer, sobre t√£o delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude cient√≠fica.
Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coer√™ncia, a convic√ß√£o, a certeza s√£o al√©m disso, demonstra√ß√Ķes evidentes ‚ÄĒ quantas vezes escusadas ‚ÄĒ de falta de educa√ß√£o.

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A Imagem Divina

Compaix√£o, Pena, Paz & Amor,
Todos lhes rezam no seu sofrimento;
E a estas virtudes de tanto fulgor
Entregam o seu agradecimento.

Compaix√£o, Pena, Paz & Amor
√Č Deus, nosso pai adorado,
Compaix√£o, Pena, Paz & Amor
√Č o Homem, seu filho amado.

Tem Compaixão humano coração,
E tem a Pena uma face humana,
Amor, a forma divina de eleição
E a Paz, o traje que irmana.

Todo o homem, em todo o clima,
Que, com dor, reza como é capaz,
Reza à forma humana divina,
Amor, Compaix√£o, Pena & Paz.

A humana forma amar é um dever,
Para os ateus, os turcos, os judeus;
Compaix√£o, Amor & Pena, haja onde houver,
Também é lá que encontrareis Deus.

Tradução de Hélio Osvaldo Alves

As Desvantagens do Ateísmo

Parece-nos que o homem feliz n√£o colhe vantagem alguma em ser ateu. √Č-lhe t√£o agrad√°vel cismar que os seus dias se prolongar√£o al√©m da vida! Com que desespero n√£o deixaria ele este mundo, se acreditasse separar-se para sempre da felicidade! Debalde sobre a sua cabe√ßa se acumulariam todos os bens do s√©culo, que serviriam apenas para lhe tornar mais tormentoso o nada.
O rico pode tamb√©m contar com que a religi√£o lhe amplie os prazeres, mesclando-os com inexplic√°vel ternura; n√£o se lhe endurecer√° o cora√ß√£o, o gozo, escolho inevit√°vel das grandes prosperidades, n√£o o infastiar√°; que a religi√£o refrigera as sequid√Ķes da alma: √© o que representa esse √≥leo santo com que o cristianismo consagrava a realeza, a inf√Ęncia, e a morte, para as salvar da esterilidade.
O guerreiro arremessa-se ao combate: ser√° ateu esse filho da gl√≥ria? O que busca uma vida infinita consentir√° em termin√°-la? Aparecei sobre as vossas nuvens fulminantes, soldados inumer√°veis, antigas legi√Ķes da p√°tria! Famosas mil√≠cias de Fran√ßa, e agora mil√≠cias do c√©u, aparecei! Dizei aos her√≥is da nossa idade, do alto da cidade santa, que o bravo n√£o cai inteiro no tumulo, e que, ap√≥s ele, permanece alguma coisa mais que um v√£o renome.

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O Ateu é Deus

Deus n√£o existe (…) A salva√ß√£o de todos consiste agora em provar essa ideia a toda a gente, percebes? Quem √© que h√°-de prov√°-la? Eu! N√£o entendo como √© que at√© agora um ateu podia saber que Deus n√£o existe e n√£o se suicidava logo. Reconhecer que Deus n√£o existe e n√£o reconhecer ao mesmo tempo que o pr√≥prio se tornou deus √© um absurdo, pois de outra maneira suicidar-se-ia inevitavelmente. Se tu o reconheces, √©s um rei e n√£o te matar√°s, mas viver√°s na maior gl√≥ria. Mas s√≥ o primeiro a perceber isso √© que deve inevitavelmente matar-se, sen√£o o que √© que principiaria e provaria?

Sou eu que me vou suicidar para iniciar e para provar. Ainda só sou deus sem querer e sofro porque tenho o DEVER de proclamar a minha própria vontade. Todos são infelizes porque todos têm medo de afirmar a sua vontade. Se o homem até hoje tem sido tão infeliz e tão pobre, é precisamente porque tem tido medo de afirmar o ponto capital da sua vontade, recorrendo a ela às escondidas como um jovem estudante.

Eu sou profundamente infeliz porque tenho medo profundamente. O medo √© a maldi√ß√£o do homem…

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A voz de Deus nos diz constantemente: uma falsa ciência faz um homem ateu, mas uma verdadeira ciência leva o homem a Deus.

Perguntaram um dia a alguém se havia ateus verdadeiros. Você acredita, respondeu ele, que haja cristãos verdadeiros?

Religião Cósmica

√Č muito dif√≠cil transmitir este sentimento a algu√©m completamente desprovido dele, especialmente porque n√£o lhe corresponde qualquer concep√ß√£o antropom√≥rfica de Deus.
Os g√©nios religiosos de todos os tempos distinguiram-se por possu√≠rem este tipo de sentimento religioso, que n√£o reconhece nenhum dogma nem nenhum deus concebido √† imagem do homem; por isso n√£o pode existir nenhuma igreja cujos ensinamentos centrais se baseiem nele. Logo, √© precisamente entre os her√©ticos de todos os tempos que encontramos homens cheios deste tipo de sentimento religioso e que foram olhados em muitos casos pelos seus contempor√Ęneos como ateus, por vezes tamb√©m como santos. A esta luz, homens como Dem√≥crito, Francisco de Assis e Spinoza s√£o muito parecidos entre si.
Como pode o sentimento religioso cósmico ser comunicado por uma pessoa a outra se não conduz a nenhuma noção definida de Deus e a nenhuma teologia? Na minha perspectiva, a função mais importante da arte e da ciência consiste em despertar e manter vivo este sentimento em todos os que sejam receptivos a ele.
Chegamos deste modo a uma concep√ß√£o da rela√ß√£o entre ci√™ncia e religi√£o muito diferente da habitual. Quando consideramos o assunto de um ponto de vista hist√≥rico, somos levados a olhar para a ci√™ncia e para a religi√£o como antagonistas irreconcili√°veis e por raz√Ķes bastante √≥bvias.

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Se fazemos algo de bom só pelo amor de Deus e uma crença que o agrada, então de onde vem a moralidade do ateu?

O vosso Deus n√£o √© sen√£o o medo do vosso primeiro dia, que se mant√©m ativo at√© ao derradeiro momento e vai crescendo cada vez mais. √Č por isso que quando uma pessoa √© jovem pode ser ateia, pode permitir-se s√™-lo. √Ä medida que envelhece, no entanto, ser ateu vai-se tornando dif√≠cil.

Religião e Superstição

√Č t√£o grande a fraqueza do g√©nero humano, tamanha a sua perversidade, que, sem d√ļvida, lhe vale mais estar subjugado por todas as supersti√ß√Ķes poss√≠veis – desde que n√£o tenham car√°cter assassino – do que viver sem religi√£o. O homem sempre teve necessidade de um freio e, por rid√≠culo que fosse sacrificar aos faunos, aos silvanos ou √†s n√°iades, era mais razo√°vel e mais √ļtil adorar essas imagens fant√°sticas da Divindade do que entregar-se ao ate√≠smo. Um ateu que fosse razoador, violento e poderoso, seria um flagelo t√£o funesto como um supersticioso sanguin√°rio.
Quando os homens n√£o disp√Ķem de s√£s no√ß√Ķes acerca da Divindade, as ideias falsas suprem-lhes a falta, tal como nos tempos de desgra√ßa se fazem neg√≥cios com moeda falsa quando falta a moeda boa. O pag√£o, se cometia um crime, temia ser punido pelos seus falsos deuses; o malabar teme ser punido pelo seu pagode. Em todo o lado onde h√° uma sociedade estabelecida, √© necess√°ria uma religi√£o. As leis exercem vigil√Ęncia sobre os crimes conhecidos, a religi√£o exerce-a sobre os crimes secretos.
Mas, a partir do momento em que os homens chegam a abra√ßar uma religi√£o pura e santa, a supersti√ß√£o torna-se n√£o apenas in√ļtil,

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A Verdade Universal N√£o Existe

Consultei os fil√≥sofos, folheei os seus livros, examinei as suas diversas opini√Ķes; achei-os todos orgulhosos, afirmativos, dog¬≠m√°ticos – mesmo no seu pretenso cepticismo -, n√£o ignorando nada, n√£o demonstrando nada, tro√ßando uns dos outros; e esse ponto, que √© comum a todos eles, pareceu-me ser o √ļnico em que todos concordavam. Triunfantes quando atacam, n√£o t√™m vigor quando se defendem. Se examinais as suas raz√Ķes, s√≥ as t√™m pa¬≠ra destruir; se contais os seus caminhos, cada um est√° limitado ao seu; s√≥ se p√Ķem de acordo para discutir; prestar-lhes ouvidos n√£o era o meio de me livrar da minha incerteza. Compreendi que a insufici√™ncia do esp√≠rito humano √© a pri¬≠meira causa dessa prodigiosa diversidade de sentimentos, e que o orgulho √© a segunda.
N√≥s n√£o temos a medida dessa imensa m√°qui¬≠na, n√£o podemos calcular as suas propor√ß√Ķes; n√£o lhe conhecemos nem as primeiras leis nem a causa final; ignoramo-nos a n√≥s mes¬≠mos; n√£o conhecemos nem a nossa natureza nem o nosso princ√≠pio activo; mal sabemos se o homem √© um ser simples ou composto: mist√©rios impenetr√°veis rodeiam-nos por todos os lados; pairam por cima da regi√£o sens√≠vel; para os compreendermos, supomos ter intelig√™ncia, e apenas temos imagina√ß√£o. Cada um de n√≥s abre¬≠ atrav√©s desse mundo imagin√°rio –

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As Pessoas Sensatas

Platão comparava a vida a um jogo de dados, no qual devêssemos fazer um lance vantajoso e, depois, bom uso dos pontos obtidos, quaisquer que fossem. O primeiro item, o lance vantajoso, não depende do nosso arbítrio; mas receber de maneira apropriada o que a sorte nos conceder, assinalando a cada coisa um lugar tal que o que mais apreciamos nos cause o maior bem e o que mais aborrecemos o menor mal Рisso nos incumbe, se formos sensatos. Os homens que defrontam a vida sem habilidade ou inteligência são como enfermos que não podem tolerar nem o calor nem o frio; a prosperidade exalta-os e a adversidade desalenta-os. São perturbados por uma e por outra, ou melhor, por si próprios, numa ou noutra, não menos na prosperidade que na adversidade.
Teodoro, chamado o Ateu, costumava dizer que oferecia os seus discursos com a m√£o direita, mas os seus ouvintes recebiam-nos com a esquerda; os ignaros frequentemente d√£o mostras da sua in√©pcia oferecendo √† Fortuna uma recep√ß√£o canhestra quando ela se apresenta de modo destro. Mas as pessoas sensatas agem como as abelhas, que extraem mel do tomilho, planta muito seca e azeda; similarmente, as pessoas sensatas muitas vezes obt√™m para si algo de √ļtil e apraz√≠vel das mais adversas situa√ß√Ķes.

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