Passagens sobre Ato

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Frases sobre ato, poemas sobre ato e outras passagens sobre ato para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Liberdade não Existe sem Coerção

Que n√£o haja oposi√ß√£o entre a coer√ß√£o e a liberdade; que, ao contr√°rio, elas se auxiliem – toda a liberdade exerce-se para contornar ou superar uma coer√ß√£o, e toda a coer√ß√£o apresenta fissuras ou pontos de menor resist√™ncia que s√£o incita√ß√Ķes √† cria√ß√£o -, nada, sem d√ļvida, consegue dissipar melhor a ilus√£o contempor√Ęnea de que a liberdade n√£o suporta entraves e de que a educa√ß√£o, a vida social, a arte requerem para desabrochar um acto de f√© na omnipot√™ncia da espontaneidade: ilus√£o que certamente n√£o √© a causa, mas na qual √© poss√≠vel ver um aspecto significativo da crise que o Ocidente atravessa hoje.

O Princípio da Simpatia e Antipatia

O princípio da simpatia e antipatia tende ao máximo a pecar por severidade excessiva. Tende ele a aplicar castigo em muitos casos em que é injusto fazê-lo, e, em casos em que se justifica uma punição, a aplicar severidade maior do que a merecida. Não existe acto algum imaginável, por mais trivial e por menos censurável que seja, que o princípio da simpatia e antipatia não encontre algum motivo para punir. Quer se trate de diferenças de gosto, quer se trate de diferenças de opinião, sempre se encontra motivo para punir. Não existe nenhum desacordo, por mais trivial que seja, que a perseverança não consiga transformar num incidente sério. Cada qual se torna, aos olhos do seu semelhante, um inimigo e, se a lei o permitir, um criminoso. Este é um dos aspectos sob os quais a espécie humana se distingue Рpara seu desabono Рdos animais.
Por princ√≠pio de simpatia e antipatia entendo o princ√≠pio que aprova ou desaprova certas ac√ß√Ķes, n√£o na medida em que estas tendem a aumentar ou a diminuir a felicidade da parte interessada, mas simplesmente pelo facto de que algu√©m se sente disposto a aprov√°-las ou reprov√°-las.Os partid√°rios deste princ√≠pio mant√™m que a aprova√ß√£o ou a reprova√ß√£o constituem uma raz√£o suficiente em si mesma,

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Em Toda a Biblioteca há Espíritos

Penso que em toda a biblioteca h√° esp√≠ritos. Esses s√£o os esp√≠ritos dos mortos que s√≥ despertam quando o leitor os busca. Assim, o acto est√©tico n√£o corresponde a um livro. Um livro √© um cubo de papel, uma coisa entre coisas. O acto est√©tico ocorre muito poucas vezes, e cada vez em situa√ß√Ķes inteiramente diferentes e sempre de modo preciso. (…) Detenhamo-nos nesta ideia: onde est√° a f√© do leitor? Porque, para ler um livro, devemos acreditar nele? Se n√£o acreditamos no livro, n√£o acreditamos no prazer da leitura. (…) Acompanhamos a fic√ß√£o como acontece, de alguma maneira, no sonho.

Imagem Verdadeira da Vida ‚Äď este √© o objeto de contempla√ß√£o da Seicho-No-Ie. A Imagem Verdadeira da Vida manifesta-se como Buda, como Jesus Cristo, como todas as boas religi√Ķes. Em Atos dos Ap√≥stolos 10.43, est√° escrito: ‚ÄėDele todos os profetas d√£o testemunho de que todos os que cr√™em nele recebem, por meio do seu nome, remiss√£o dos pecados‚Äô. ‚ÄėEle‚Äô da frase citada, portanto, refere-se √† Imagem Verdadeira da Vida. Bem-aventurados s√£o os que cr√™em na Imagem Verdadeira da Vida, reverenciam-na e unem-se a ela.

Os Amantes n√£o Contam Nada de Novo uns aos Outros

A alma s√≥ acolhe o que lhe pertence; de certo modo, ela j√° sabe de antem√£o tudo aquilo por que vai passar. Os amantes n√£o contam nada de novo uns aos outros, e para eles tamb√©m n√£o existe reconhecimento. De facto, o amante n√£o reconhece no ser que ama nada a n√£o ser que √© transportado por ele, de modo indescrit√≠vel, para um estado de dinamismo interior. E reconhecer uma pessoa que n√£o ama significa para ele trazer o outro ao amor como uma parede cega sobre a qual cai a luz do Sol. E reconhecer uma coisa inerte n√£o significa identificar os seus atributos uns a seguir aos outros, mas sim que um v√©u cai ou uma fronteira se abre, e nenhum deles pertence ao mundo da percep√ß√£o. Tamb√©m o inanimado, desconhecido como √©, mas cheio de confian√ßa, entra no espa√ßo fraterno dos amantes. A natureza e o singular esp√≠rito dos amantes olham-se nos olhos, e s√£o as duas direc√ß√Ķes de um mesmo agir, um rio que corre em dois sentidos, um fogo que arde em dois extremos.
E então é impossível reconhecer uma pessoa ou uma coisa sem relação connosco próprios, pois o acto de tomar conhecimento toma das coisas qualquer coisa;

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Porque não há raciocínio nem documento que nos explique melhor a intenção de um acto do que o próprio autor do acto.

Virtude Representa Muito Mais que Bondade

Parece-me que a virtude √© coisa diferente e mais nobre do que as inclina√ß√Ķes para a bondade que nascem em n√≥s. As almas bem ajustadas por si mesmas e bem nascidas seguem o mesmo andamento e apresentam nas suas a√ß√Ķes a mesma apar√™ncia que as virtuosas. Por√©m a virtude significa n√£o sei qu√™ de maior e mais activo do que, por uma √≠ndole favorecida, deixar-se conduzir docemente e tranquilamente na esteira da raz√£o. Aquele que com uma do√ßura e complac√™ncia naturais menosprezasse as ofensas recebidas faria coisa mui bela e digna de louvor; mas aquele que, espica√ßado e ultrajado at√© o √Ęmago por uma ofensa, se armasse com as armas da raz√£o contra o furio¬≠so apetite de vingan√ßa e ap√≥s um grande conflito finalmen¬≠te o dominasse, sem a menor d√ļvida seria muito mais. Aquele agiria bem, e este virtuosamente: uma ac√ß√£o poder-¬≠se-ia dizer bondade; a outra, virtude, pois parece que o nome de virtude pressup√Ķe dificuldade e oposi√ß√£o, e que ela n√£o pode se exercer sem combate. Talvez seja por isso que chamamos Deus de bom, forte e liberal, e justo; mas n√£o O chamamos de virtuoso: Os Seus actos s√£o todos natu¬≠rais e sem esfor√ßo.
Metelo, o √ļnico de todos os senadores romanos a se ter proposto,

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A Liberdade Nunca é Real

Se examinarmos um indiv√≠duo isolado sem o relacionarmos com o que o rodeia, todos os seus actos nos parecem livres. Mas se virmos a m√≠nima rela√ß√£o entre esse homem e quanto o rodeia, as suas rela√ß√Ķes com o homem que lhe fala, com o livro que l√™, com o trabalho que est√° fazendo, inclusivamente com o ar que respira ou com a luz que banha os objectos √† sua roda, verificamos que cada uma dessas circunst√Ęncias exerce influ√™ncia sobre ele e guia, pelo menos, uma parte da sua actividade. E quantas mais influ√™ncias destas observamos mais diminui a ideia que fazemos da sua liberdade, aumentando a ideia que fazemos da necessidade a que est√° submetido.
(…) A grada√ß√£o da liberdade e da necessidade maiores ou menores depende do lapso de tempo maior ou menor desde a realiza√ß√£o do acto at√© √† aprecia√ß√£o desse mesmo acto. Se examino um acto que pratiquei h√° um minuto em condi√ß√Ķes quase as mesmas em que me encontro actualmente, esse acto parece-me absolutamente livre. Mas se aprecio um acto realizado h√° um m√™s, ao encontrar-me em circunst√Ęncias diferentes, a meu pesar, se n√£o tivesse realizado esse acto, n√£o existiriam muitas coisas in√ļteis, agrad√°veis e necess√°rias que derivam dele.

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Intragável é Estar Parado

Intragável é estar parado. Não mudar. Aguentar. Sobreviver. Permanecer. Mesmo que seja pouco, mesmo que seja insuficiente. Manter tudo como está apenas para não correr o risco de ficar pior. Intragável é não perdoar, não ilibar. E só criticar, só apontar, só atacar. E não criar, não refazer, não imaginar. Intragável é não acreditar. Intragável é o que não é maravilhoso, o que não é delicioso, o que não é fantástico, monumental, abençoado, miraculoso, espantoso. Intragável é acordar para o dia a recusar o dia, a não querer o dia, a não apetecer o dia, a não pensar nas mil e uma maneiras de o tornar inesquecível. Deixar estar. Não mexer, não querer a ferida se for através da ferida que se chega à cura. Ser cauteloso, prevenido. Intragável é o que não é exagerado, o que não é desproporcionado, o que não parece incomportável. Se não parece incomportável, é insuportável. Não quero. Não admito. Não me admito. Intragável é repetir. Hoje como réplica exacta de ontem e como réplica exacta de amanhã. As mesmas coisas, as mesmas palavras, os mesmos actos, os mesmos movimentos. Sempre igual. Sempre o mesmo. Intragável é continuar por continuar, andar por andar, viver por viver.

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O Corpo Insurrecto

Sendo com o seu ouro, aurífero,
o corpo é insurrecto.
Consome-se, combustível,
no sexo, boca e recto.

Ainda antes que pegue
aos cinco sentidos a chama,
por um aceso acesso
da imaginação
ateiam-se à cama
ou a sítio algures,
terra de ninguém,
(quem desliza é o espaço
para o corpo que vem),

labaredas tais
que, lume, crepitam
nos ciclos mais extremos,
nas réstias mais íntimas,
as gl√Ęndulas, esponjas
que os corpos apoiam,
zonas aqu√°ticas
onde os órgãos boiam.

No amor, dizendo acto de o sagrar,
apertado o corpo do recém-nascido
no ovo solar, h√° ainda um outro
corpo incluído,
mas um corpo aquém
de ser s√£o ou podre,
um repuxo, um magma,
subst√Ęncia solta,
com pulm√Ķes.

Neste amor equívoco
(ou respiração),
sendo um corpo humano,
sendo outro mais alto,
suspenso da morte,
mortalmente intenso,
mais alto e mais denso,

mais talhado é o golpe
quando o p√Ķem em pr√°tica
com desassossego na respiração
e o sossego cru de quem,

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Certos pecados existem cujo fascínio estava mais na lembrança do que no ato de fazê-lo

Amor Desmistificado

O sentimento de um homem apaixonado produz por vezes efeitos c√≥micos ou tr√°gicos, porque em ambos os casos, √© dominado pelo esp√≠rito da esp√©cie que o domina ao ponto de o arrancar a si pr√≥prio; os seus actos n√£o correspondem √† sua individualidade. Isto explica, nos n√≠veis superiores do amor, essa natureza t√£o po√©tica e sublimadora que caracteriza os seus pensamentos, essa eleva√ß√£o transcendente e hiperf√≠sica, que parece faz√™-lo afastar da finalidade meramente f√≠sica do seu amor. √Č porque o impelem ent√£o o g√©nio da esp√©cie e os seus interesses superiores.
Recebeu a miss√£o de iniciar uma s√©rie indefinida de gera√ß√Ķes dotadas de determinadas caracter√≠sticas e constitu√≠das por certos elementos que s√≥ se podem encontrar num √ļnico pai e numa √ļnica m√£e; s√≥ essa uni√£o pode dar exist√™ncia √† gera√ß√£o determinada que a objectiva√ß√£o da vontade expressamente exige. O sentimento que o amante tem de agir em circunst√Ęncias de semelhantes transcend√™ncia, eleva-o de tal modo sobre as coisas terrestres e mesmo acima de si pr√≥prio, e tranforma-lhe os desejos f√≠sicos numa apar√™ncia de tal modo suprasens√≠vel, que o amor √© um acontecimento po√©tico, mesmo na exist√™ncia do homem mais prosaico, o que o faz cair por vezes em rid√≠culo.

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No fundo, era tudo t√£o maquinal e coreografado, tudo t√£o simples e ing√©nuo, que j√° n√£o podia ofender ningu√©m, aquele primeiro acto da nossa farsa anual. Mas a verdade √© que por detr√°s da com√©dia se ocultavam m√°goas antigas, demasiado antigas – e que, nessas m√°goas, todos √©ramos, ao mesmo tempo, v√≠timas e algozes. Cada fam√≠lia seu manic√īmio, dizia o povo, e talvez at√© o dissesse bem.

O melhor ato de bondade é transmitir o ensinamento que anula os pecados, as doenças, a morte e a carência, e conduz o ser humano à compreensão de que sua Vida é dotada de todas as coisas boas.

Os Exemplos são Guias que nos Desencaminham com Frequência

Seja qual for a diferen√ßa que exista entre os bons e os maus exemplos, convenhamos que ambos d√£o mau resultado. Nem sequer sei se os crimes de Tib√©rio ou de Nero nos afastam mais dos v√≠cios do que os exemplos paradigm√°ticos dos grandes homens que supostamente nos encaminham para a virtude. Veja-se como a valentia de Alexandre produziu gabarolas! Veja-se at√© que ponto a gl√≥ria de C√©sar permitiu actos antip√°ticos! Repare-se como Roma e Esparta louvaram virtudes selvagens! Di√≥genes criou tantos fil√≥sofos importunos, C√≠cero citou tagarelas, Pomp√≥nio √Ātico citou pessoas med√≠ocres e pregui√ßosas, M√°rio e Sila, pessoas vingativas, Lucullus, pessoas voluptuosas, Alcib√≠ades e Ant√≥nio citaram debochados e Cap√£o citou pessoas teimosas! Todos estes famosos prot√≥tipos produziram um n√ļmero enorme de m√°s reprodu√ß√Ķes. As virtudes s√£o vizinhas dos v√≠cios. Os exemplos s√£o guias que nos desencaminham com frequ√™ncia e, como estamos t√£o cheios de mentiras, n√£o deixamos de us√°-las tanto para nos afastarmos do caminho da virtude como para segui-lo.

Numa vida média de 50 anos, 80 a 100 dias são empregados pelos homens só no ato de fazer a barba. Ignora-se o que as mulheres fazem com esse tempo.

Uma vida radiante, em que a alma pode se regozijar, em que n√£o paira nenhuma sombra, seja quanto aos pensamentos, seja quanto aos atos ‚Äď assim deve ser tua vida.