Passagens sobre Batalha

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Frases sobre batalha, poemas sobre batalha e outras passagens sobre batalha para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Problema em Amar

O problema em amar quem te ama √© o de quem te ama te amar como tu amas quem te ama. E depois o encadeamento √© simples: quem te ama quer-te presente por dentro dele a toda a hora, por todo o lado do teu lado; e tu queres quem te ama presente em ti a toda a hora, por todo o lado do teu lado. Mas os corpos ‚Äď por mais que a alma n√£o seja palp√°vel tamb√©m ela tem um corpo ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. A partir de uma certa altura: p√°ra. E j√° n√£o alarga mais. E tu queres enfiar o espa√ßo que quem ama ocupa em ti mesmo ao lado do espa√ßo do que te amas. E n√£o d√°. N√£o d√° para te amares como amas quem amas. E depois quem te ama como tu amas quem te ama vai querer fazer o mesmo contigo. E n√£o d√°. Os corpos ‚Äď repito ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. E chega uma altura em que uma parte de ti n√£o cabe na parte toda de quem amas; e chega uma altura em que uma parte de quem amas n√£o cabe na parte toda de ti.

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A Acção Vai Bem sem a Paixão

Fazemos coisas iguais com for√ßas diversas e diferente esfor√ßo de vontade. A ac√ß√£o vai bem sem a paix√£o. Pois quantas pessoas se arriscam diariamente em guerras que n√£o lhes importam, e se sujeitam aos perigos de batalhas cuja perda n√£o lhes perturbar√° o pr√≥ximo sono? Um homem na sua casa, longe desse perigo que n√£o teria ousado encarar, est√° mais interessado no desfecho dessa guerra e tem a alma mais inquieta do que o soldado que p√Ķe nela o seu sangue e a sua vida. Essa impetuosidade e viol√™ncia de desejo mais atrapalha do que auxilia a condu√ß√£o do que empreendemos, enche-nos de acrim√≥nia e suspei√ß√£o contra aqueles com quem tratamos. Nunca conduzimos bem a coisa pela qual somos possu√≠dos e conduzidos.
Quem emprega nisso apenas o seu discernimento e a sua habilidade procede com mais vivacidade: amolda, dobra, difere tudo √† vontade, de acordo com as exig√™ncias das circunst√Ęncias; erra o alvo sem tormento e sem afli√ß√£o, pronto e intacto para uma nova iniciativa; avan√ßa sempre com as r√©deas na m√£o. Naquele que est√° embriagado por essa intensidade violenta e tir√Ęnica vemos necessariamente muita imprud√™ncia e injusti√ßa; a impetuosidade do seu desejo arrebata-o: s√£o movimentos temer√°rios e, se a fortuna n√£o ajudar muito,

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Tamb√©m Jesus viveu em tempos de viol√™ncia. Ele ensinou que o verdadeiro campo de batalha, no qual se afrontam a viol√™ncia e a paz, √© o cora√ß√£o humano: ¬ęPorque √© do interior do cora√ß√£o dos homens que saem as m√°s inten√ß√Ķes¬Ľ (Marcos 7:21).

Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.

Todo o Confronto é Fruto de um Mal-Entendido

Todo o confronto é fruto de um mal-entendido; se as partes em disputa se conhecessem uma à outra, o confronto cessaria. Nenhum homem, no fundo, tenciona cometer injustiças; é sempre por uma imagem distorcida e obscura de algo moralmente correcto que ele batalha: uma imagem obscura, difractada, exagerada da forma mais assombrosa pela natural obtusão e egoísmo, uma imagem que se distorce dez vezes mais pelo acirramento da contenda, até tornar-se virtualmente irreconhecível, mas ainda assim a imagem de algo moralmente correcto. Se um homem pudesse admitir perante si próprio que aquilo pelo que luta é errado e contrário à equidade e à lei da razão, admitiria também, por conta disso, que a sua causa ficou condenada e desprovida de esperança; ele não conseguiria continuar a lutar por ela.

Aquella Orgia

Nós eramos uns dez ou onze convidados,
– Todos buscando o gozo e achando o abatimento,
E todos afinal vencidos e quebrados
No combate da Vida inutil e incruento.

Tocava o termo a ceia – e ia surgindo o alvor
Da madrugada vaga, etherea e crystallina,
A alguns trazendo a vida, e enchendo outros de horor,
Branca como uma flor de prata florentina.

Todos riam sem causa. – A estolida batalha
Da Materia e da Luz travara-se afinal,
E eram j√° c√īr de vinho os risos e a toalha,
– E arrojavam-se ao ar os copos de crystal.

Crusavam-se no ar ditos como facadas;
Escandalos de amor, historias sensuaes…
– Rolavam nos divans caindo, √°s gargalhadas,
Sujos como tru√Ķes, torpes como animaes.

Um agitando o ar com risos desmanchados,
Recitava can√ß√Ķes, far√ßas, Hamlet e Ophelia;
РOutro perdido o olhar, e os braços encruzados,
De bru√ßos, n’um divan, roia uma camelia!

Outros fingindo a d√īr, fallavam dos ausentes,
Das amantes, dos paes, com gritos d’afflic√ß√£o,
– Um brandia um punhal, com ditos incoherentes;

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Os Grandes Homens

Daqueles que comandaram batalh√Ķes e esquadr√Ķes s√≥ resta o nome. O g√©nero humano nada tem para mostrar duma centena de batalhas travadas. Mas os grandes homens de que vos falo prepararam puros e perenes prazeres para os homens que ainda h√£o-de nascer. Uma eclusa a ligar dois mares, um quadro de Poussin, uma bela trag√©dia, uma nova verdade – s√£o coisas mil vezes mais preciosas do que todos os anais da corte ou todos os relatos de campanhas militares. Sabeis que, comigo, os grandes homens s√£o os primeiros e os her√≥is os √ļltimos.
Chamo ¬ęgrandes homens¬Ľ a todos aqueles que se distinguiram na cria√ß√£o daquilo que √© √ļtil ou agrad√°vel. Os saqueadores de prov√≠ncias s√£o meros her√≥is.

Respeito pelo Advers√°rio ?

Tratar o seu adversário com respeito é dar-lhe uma vantagem para a qual não está intitulado. A maior parte dos homens não julga através de argumentos racionais, e são impressionados pelo carácter; de forma que, se você permitir ao seu adversário um carácter respeitável, ele pensará que, embora você difira dele, pode estar errado. Tratar o seu adversário com respeito é o mesmo que golpear de forma macia numa batalha.

As batalhas mais invencíveis são as do entendimento, porque onde as feridas não tiram sangue, nem a fraqueza se vê pela cor, nenhum sábio se confessa vencido.

C√Ęntico da Esperan√ßa

Não peça eu nunca
para me ver livre de perigos,
mas coragem para afront√°-los.

N√£o queira eu
que se apaguem as minhas dores,
mas que saiba domin√°-las
no meu coração.

N√£o procure eu amigos
no campo da batalha da vida,
mas ter forças dentro de mim.

N√£o deseje eu ansiosamente
ser salvo,
mas ter esperança
para conquistar pacientemente
a minha liberdade.

N√£o seja eu t√£o cobarde, Senhor,
que deseje a tua misericórdia
no meu triunfo,
mas apertar a tua m√£o
no meu fracasso!

Tradu√ß√£o de Manuel Sim√Ķes

A Hipocrisia do Amor ao Povo

Estes amam o povo, mas n√£o desejariam, por interesse do pr√≥prio amor, que sa√≠sse do passo em que se encontra; deleitam-se com a ingenuidade da arte popular, com o imperfeito pensamento, as supersti√ß√Ķes e as lendas; v√™em-se generosos e sens√≠veis quando se debru√ßam sobre a classe inferior e traduzem, na linguagem adamada, o que dela julgam perceber; √© muito interessante o animal que examinam, mas que n√£o tente o animal libertar-se da sua condi√ß√£o; estragaria todo o quadro, toda a equilibrada posi√ß√£o; em nome da est√©tica e de tudo o resto conv√©m que se mantenha.
H√° tamb√©m os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam do que um meio; a meta a atingir √© o dom√≠nio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um cora√ß√£o de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas ou aqui viram maneira mais segura de satisfazer o v√£o desejo de mandar; nestes n√£o encontraremos a frase preciosa, a afectada sensibilidade, o retoque liter√°rio; preferem o estilo de barricada; mas, como nos outros, √© o som do oco tambor ret√≥rico o √ļltimo que se ouve.

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O amigo leal √© aquele que, depois de se sacrificar em p√ļblico pelo amigo, ajudando-o a vencer, lhe diz em particular ¬ęOlha que aqui para n√≥s, n√£o merecias ganhar¬Ľ. √Č aquele que, em nome da amizade, aguenta com as d√ļvidas e diz, partindo para a batalha: ¬ęIsto vai acabar mal, mas tu l√° sabes…¬Ľ.

Corpo A Corpo, À Campanha Embravecida

Corpo a corpo, à campanha embravecida,
Braço a braço, à batalha rigorosa,
Sai Vieira com sanha belicosa,
De impaciente a Morte sai vestida.

Investem-se cruéis; e na investida,
A Morte se admirou menos lustrosa;
Que Vieira, com força portentosa,
Sua cruel força prostrou vencida.

Porém, vendo ele então, que se na empresa
Vencia à própria Morte, ninguém nega
Que seus foros perdia a Natureza:

Porque ela se exercite, bruta e cega,
Em devorar as vidas com fereza,
Ao seu poder Vieira a sua entrega.

O Maior Triunfo do Homem

O maior triunfo do homem é quando se convence de que o ridículo é uma coisa sua que existe só para os outros, e, mesmo, sempre que outros queiram. Ele então deixa de importar-se com o ridículo, que, como não está em si, ele não pode matar.

Três coisas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade Рo ridículo, o trabalho e a dedicação.
Como não se dedica a ninguém, também nada exige da dedicação alheia. Sóbrio, casto, frugal, tocando o menos possível na vida, tanto para não se incomodar como para não aproximar as coisas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveniência do orgulho e da desilusão. Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente é submeter-se Рsubmeter-se à acção da coisa sentida.

Vive nas dores e nas alegrias alheias, Whitman ol√≠mpico, Proteu da compreens√£o, sem partilhar de viv√™-las realmente. Pode, a seu talante, embarcar ou ficar nas partidas de navios e pode ficar e embarcar ao mesmo tempo, porque n√£o embarca nem fica. Esteve com todos em todas as sensa√ß√Ķes de todas as horas da sua vida.

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Vencidos tornam-se Vencedores

Só os povos bárbaros aumentam subitamente após uma vitória; são como a vaidade passageira das torrentes opulentas com as águas da tempestade.
Aos povos civilizados, por√©m, mormente no tempo em que vivemos, n√£o os eleva ou abate a boa ou m√° fortuna de um capit√£o, porque o seu peso espec√≠fico no g√©nero humano resulta de mais alguma coisa do que de um combate. Gra√ßas a Deus, a sua honra, dignidade, luz e g√©nio n√£o s√£o n√ļmeros que os her√≥is conquistadores, que s√£o verdadeiros jogadores, arrisquem na lotaria das batalhas. Muitas vezes a perda de uma batalha √© a conquista do progresso. Deslustra-se a gl√≥ria, mas engrandece-se, alarga-se, torna-se mais ampla a liberdade; emudece o tambor para deixar falar a raz√£o. Jogo √© este, pois, em que quem perde ganha.

(…) se n√£o √© vantajoso, nunca envie suas tropas; se n√£o lhe rende ganhos, nunca utilize seus homens; se n√£o √© uma situa√ß√£o perigosa, nunca lute uma batalha precipitada…

A Import√Ęncia de uma Resolu√ß√£o Forte

Uma resolução forte muda no mesmo instante a maior infelicidade num estado suportável. À tarde, depois de uma batalha perdida, um homem foge a toda a velocidade, num cavalo meio-morto; ouve distintamente o galope do grupo de cavaleiros, volta a carregar a carabina e as pistolas, e toma a resolução de se defender. No mesmo instante, em vez de ver a morte, vê a cruz da legião de Honra.