Cita√ß√Ķes sobre Bibliotecas

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Frases sobre bibliotecas, poemas sobre bibliotecas e outras cita√ß√Ķes sobre bibliotecas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Grande e vagaroso vento da biblioteca do mar. Aqui posso descansar.

Um livro de contos √© um livro ligeiro de emo√ß√Ķes curtas: deve portanto ser leve, port√°til, f√°cil de se levar na algibeira para debaixo de uma √°rvore, e confort√°vel para se ter √† cabeceira da cama. N√£o pode ter o formato dum relat√≥rio, que, sendo destinado em definitivo a embrulhar objectos, deve ter de antem√£o o tamanho c√≥modo do papel de embrulho; nem pode ter o volume dum calhama√ßo de erudi√ß√£o hist√≥rica, impresso com o fim de ornamentar uma biblioteca.

A maior parte do tempo de um escritor é passado na leitura, para depois escrever; uma pessoa revira metade de uma biblioteca para fazer um só livro.

O Meu Primeiro Poema

T√™m-me perguntado muitas vezes quando escrevi o primeiro poema, quando nasceu a minha poesia. Tentarei record√°-lo. Muito para tr√°s, na minha inf√Ęncia, mal sabendo ainda escrever, senti uma vez uma intensa como√ß√£o e rabisquei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas para mim, diferentes da linguagem quotidiana. Passei-as a limpo num papel, dominado por uma ansiedade profunda, um sentimento at√© ent√£o desconhecido, misto de ang√ļstia e de tristeza. Era um poema dedicado √† minha m√£e, ou seja, √†quela que conheci como tal, a ang√©lica madrasta cuja sombra suave me protegeu toda a inf√Ęncia. Completamente incapaz de julgar a minha primeira produ√ß√£o, levei-a aos meus pais. Eles estavam na sala de jantar, afundados numa daquelas conversas em voz baixa que dividem mais que um rio o mundo das crian√ßas e o dos adultos. Estendi-lhes o papel com as linhas, tremente ainda da primeira visita da inspira√ß√£o. O meu pai, distraidamente, tomou-o nas m√£os, leu-o distraidamente, devolveu-mo distraidamente, dizendo-me:
‚ÄĒ Donde o copiaste?

E continuou a falar em voz baixa com a minha mãe dos seus importantes e remotos assuntos. Julgo recordar que nasceu assim o meu primeiro poema e que assim tive a primeira amostra distraída de crítica literária.

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O Intelecto Como Auxiliar da Felicidade

A filosofia tem de admitir que n√£o √© nela, mas sim na vida, que o homem deve encontrar as suas maiores satisfa√ß√Ķes; n√£o na biblioteca ou na cela mon√°stica, mas na satisfa√ß√£o dos seus instintos mais antigos. A felicidade √© inconsciente; s√≥ nos bafeja quando somos naturais; se nos detemos a analis√°-la, desaparece, porque n√£o √© natural determo-nos a analisar uma coisa. Se o intelecto contribui para a felicidade n√£o o faz como fonte prim√°ria, mas sim como meio de coordena√ß√£o, como instrumento harmonizador dos desejos. Neste sentido o intelecto pode ser um precioso auxiliar; e de contr√°rio de nada valeria realizarmos todos os nossos fins, porque os desejos cancelar-se-iam uns aos outros, dando como resultado uma triste futilidade.

Pela grossura da camada de p√≥ que cobre a lombada dos livros de uma biblioteca p√ļblica pode medir-se a cultura de um povo.

M√°quina Alguma de Poupar Trabalho

M√°quina alguma de poupar trabalho
eu fiz, nada inventei,
nem sou capaz de deixar para tr√°s
nenhum rico donativo
para fundar um hospital ou uma biblioteca,
reminiscência alguma
de um acto de bravura pela América,
nenhum sucesso liter√°rio ou intelectual,
nem mesmo um livro bom para as estantes
‚ÄĒ apenas uns poucos cantos
vibrando no ar eu deixo
aos camaradas e amantes.

Escuta, Amor

Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra.

Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos.

Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti,

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O Amor por Matilde e os Versos do Capit√£o

E vou contar-lhes agora a hist√≥ria deste livro, um dos mais controvertidos daqueles que escrevi. Foi durante muito tempo um segredo, durante muito tempo n√£o ostentou o meu nome na capa, como se o renegasse ou o pr√≥prio livro n√£o soubesse quem era o pai. Tal como os filhos naturais, filhos do amor natural, ¬ęLos versos del capit√°n¬Ľ eram, tamb√©m, um ¬ęlibro natural¬Ľ.

Os poemas que cont√©m foram escritos aqui e ali, ao longo do meu desterro na Europa. Foram publicados anonimamente em N√°poles, em 1952. O amor por Matilde, a nostalgia do Chile, as paix√Ķes c√≠vicas, recheiam as p√°ginas desse livro, que teve muitas edi√ß√Ķes sem trazer o nome do autor.

Para a 1¬™ edi√ß√£o, o pintor Paolo Ricci conseguiu um papel admir√°vel e antigos tipos de imprensa ¬ębodonianos¬Ľ, bem como gravuras extra√≠das dos vasos de Pompeia. Com fraternal fervor, Paolo elaborou tamb√©m a lista dos assinantes. Em breve apareceu o belo volume, com tiragem limitada a cinquenta exemplares. Festej√°mos largamente o acontecimento, com mesa florida, ¬ęfrutti di mare¬Ľ, vinho transparente como √°gua, filho √ļnico das vinhas de Capri. E com a alegria dos amigos que amaram o nosso amor.
Alguns críticos suspicazes atribuíram a motivos políticos a publicação anónima do livro.

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Ignição

Meus versos, desejo-vos na rua,
nas padiolas, pelo ch√£o, encardidos
como quem ganha com eles a vida,
e o papel v√° escurecendo ao sol,
a chuva o manche, a capa
ganhe dedadas, a companhia
aderente de um insecto,
as palavras se humildem mais
e chegue a sua vez de comoverem alguém
que compre, um faminto ajudando.

Meus versos, desejo-vos nas bibliotecas
itinerantes, gostaríeis de viajar
por aldeias, praias, escolas prim√°rias,
despertar o rápido olhar das crianças,
estar nas suas m√£os
completamente indefeso
e, sobretudo, que n√£o vos compreendam.
Oxal√° escrevam, risquem, atirem no recreio
umas às outras como pélas os livros
e sonhem, se possível, com algum verso
que s√ļbito se esgueire pela sua alma.

L√ļbrica

Mandaste-me dizer,
No teu bilhete ardente,
Que h√°s de por mim morrer,
Morrer muito contente.

Lançastes, no papel
As mais lascivas frases;
A carta era um painel
De cenas de rapazes!

√ď c√°lida mulher,
Teus dedos delicados
Traçaram do prazer
Os quadros depravados!

Contudo, um teu olhar
√Č muito mais fogoso,
Que a febre epistolar
Do teu bilhete ansioso:

Do teu rostinho oval
Os olhos t√£o nefandos
Traduzem menos mal
Os vícios execrandos.

Teus olhos sensuais,
Libidinosa Marta,
Teus olhos dizem mais
Que a tua própria carta.

As grandes como√ß√Ķes
Tu neles, sempre, espelhas;
S√£o l√ļbricas paix√Ķes
As v√≠vidas centelhas…

Teus olhos imorais,
Mulher, que me dissecas,
Teus olhos dizem mais
Que muitas bibliotecas!

Liberdade

Ai que prazer
N√£o cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E n√£o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De t√£o naturalmente matinal,
Como o tempo n√£o tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebasti√£o,
Quer venha ou n√£o!

Grande √© a poesia, a bondade e as dan√ßas…
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, m√ļsica, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
√Č Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

arte poética

o poema n√£o tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que n√£o
se escrevem, Lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,

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No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ”Tesouro dos rem√©dios da alma”. De facto √© nelas que se cura a ignor√Ęncia, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.

A Vida n√£o Cabe numa Teoria

A vida… e a gente p√Ķe-se a pensar em quantas maravilhosas teorias os fil√≥sofos arquitectaram na severidade das bibliotecas, em quantos belos poemas os poetas rimaram na pobreza das mansardas, ou em quantos fechados dogmas os te√≥logos n√£o entenderam na solid√£o das celas. Nisto, ou ent√£o na conta do sapateiro, na degrada√ß√£o moral do s√©culo, ou na triste pequenez de tudo, a come√ßar por n√≥s.
Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem.
A vida √© o que eu estou a ver: uma manh√£ majestosa e nua sobre estes montes cobertos de neve e de sol, uma manta de panasco onde uma ovelha acabou de parir um cordeiro, e duas crian√ßas ‚ÄĒ um rapaz e uma rapariga ‚ÄĒ silenciosas, pasmadas, a olhar o milagre ainda a fumegar.

Villa Dei Misteri

Tiro os óculos e recua o mundo:
torno à mais árdua intimidade.
Diónisos ou Penteus, antes do sangue
pesa j√° a vinha sobre as colinas
de Outubro.

As bodas místicas
do deus e da noviça, meu destino
branco, minha face nocturna,
não os preserva a ciência
dos três livros, nem figurariam,

por certo, na cinza dos restantes.
Sei, entre névoas e azul, de uma
biblioteca deserta, cujas estantes,
por desnudas, n√£o enjeitam
a mais discreta sabedoria.

Em sua transparência se inscrevem,
como a luz √† luz se sobrep√Ķe.
Trago na pele e nos olhos,
sobre a língua e o palato,
a memória escaldante

de uma mulher.
Devora-me
um √°lcool lento e sedicioso.
De todas as mortes sofridas,
só esta temo e não desejo.

Onde Est√£o os Crist√£os?

O homem civilizado construiu um coche, mas perdeu o uso dos p√©s. Sust√©m-se com o aux√≠lio de muletas, mas falta-lhe todo o apoio do m√ļsculo. Possui um belo rel√≥gio de Genebra, mas perdeu a habilidade de calcular as horas pelo sol. Seguro de que obter√° no almanaque n√°utico de Greenwich a informa√ß√£o desejada quando dela carecer, o homem da rua n√£o sabe reconhecer estrela nenhuma no c√©u. N√£o observa o solst√≠cio, nem tampouco o equin√≥cio, e a sua mente n√£o logra visualizar o quadrante do claro calend√°rio do ano. O livro de notas prejudica-lhe a mem√≥ria; as bibliotecas sobrecarregam-lhe a intelig√™ncia; a ag√™ncia de seguros aumenta o n√ļmero de acidentes; e talvez constitua um problema saber se a maquinaria n√£o entorpece, se o refinamento n√£o nos fez perder alguma energia, se o Cristianismo entrincheirado nas institui√ß√Ķes e nos ritos n√£o nos roubou o vigor da vida selvagem. Pois todo est√≥ico era um est√≥ico; mas, na