Cita√ß√Ķes sobre Brutalidade

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Como defender uma civilização que somente o é de nome, já que representam o culto da brutalidade que existe em nós, o culto da matéria.

A Cegueira da Especialidade

Foi preciso esperar até o começo do século XX para se presenciar um espectáculo incrível: o da peculiarísssima brutalidade e agressiva estupidez com que se comporta um homem quando sabe muito de uma coisa e ignora todas as demais.

Façam a Barba, Meus Senhores!

A barba, por ser quase uma máscara, deveria ser proibida pela polícia. Além disso, enquanto distintivo do sexo no meio do rosto, ela é obscena: por isso é apreciada pelas mulheres.
Dizem que a barba √© natural ao homem: n√£o h√° d√ļvida, e por isso ela √© perfeitamente adequada ao homem no estado natural; do mesmo modo, por√©m, no estado civilizado √© natural ao homem fazer a barba, uma vez que assim ele demonstra que a brutal viol√™ncia animalesca – cujo emblema, percebido imediatamente por todos, √© aquela excresc√™ncia de p√™los, caracter√≠stica do sexo masculino – teve de ceder √† lei, √† ordem e √† civiliza√ß√£o.
A barba aumenta a parte animalesca do rosto e ressalta-a. Por essa raz√£o, confere-lhe um aspecto brutal t√£o evidente. Basta observar um homem barbudo de perfil enquanto ele come! Este pretende que a barba seja um ornamento. No entanto, h√° duzentos anos era comum ver esse ornamento apenas em judeus, cossacos, capuchinhos, prisioneiros e ladr√Ķes. A ferocidade e a atrocidade que a barba confere √† fisionomia dependem do facto de que uma massa respectivamente sem vida ocupa metade do rosto, e justamente aquela que expressa a moral. Al√©m disso, todo o tipo de p√™lo √© animalesco.

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Para que existo? E a resposta é: a fome me justifica. Ah, é assim, não é? Pois bem, já que é assim eu me vingarei e viverei minha vida com brutalidade, sem piedade.

O football √© uma escola de viol√™ncia e brutalidade e n√£o merece nenhuma prote√ß√£o dos poderes p√ļblicos, a menos que estes nos queiram ensinar o assassinato.

Temos de Ser Mais Humanos

Abram os olhos. Somos umas bestas. No mau sentido. Somos primitivos. Somos prim√°rios. Por nossa causa corre um oceano de sangue todos os dias. N√£o √© auscultando todos os nossos instintos ou encorajando a nossa natureza biol√≥gica a manifestar-se que conseguiremos afastar-nos da crueza da nossa condi√ß√£o. √Č lendo Plat√£o. E construindo pontes suspensas. √Č tendo ins√≥nias. √Č desenvolvendo paran√≥ias, conceitos filos√≥ficos, poemas, desequil√≠brios neuroqu√≠micos insan√°veis, frisos de portas, birras de amor, grafismos, sistemas pol√≠ticos, receitas de bacalhau, pormenores.

√Č engra√ßado como cada √©poca se foi considerando ¬ęde charneira¬Ľ ao longo da hist√≥ria. A pretens√£o de se ser definitivo, a arrog√Ęncia de ser ¬ęo √ļltimo¬Ľ, a vaidade de se ser futuro √©, h√° mil√©nios, a mesm√≠ssima cantiga.
Temos de ser mais humanos. Reconhecer que somos as bestas que somos e arrependermo-nos disso. Temos de nos reduzir à nossa miserável insensibilidade, à pobreza dos nossos meios de entendimento e explicação, à brutalidade imperdoável dos nossos actos. O nosso pé foge-nos para o chinelo porque ainda não se acostumou a prender-se aos troncos das árvores, quanto mais habituar-se a usar sapato.

A √ļnica atitude verdadeiramente civilizada √© a fraqueza, a curiosidade, o desespero, a experi√™ncia, o amor desinteressado,

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Existimos em Função do Futuro

Tentai apreender a vossa consciência e sondai-a. Vereis que está vazia, só encontrareis nela o futuro. Nem sequer falo dos vossos projectos e expectativas: mas o próprio gesto que surpreendeis de passagem só tem sentido para vós se projectardes a sua realização final para fora dele, fora de vós, no ainda-não. Mesmo esta taça cujo fundo não se vê Рque se poderia ver, que está no fim de um movimento que ainda não se fez -, esta folha branca cujo reverso está escondido (mas poderia virar-se a folha) e todos os objectos estáveis e sólidos que nos rodeiam ostentam as suas qualidades mais imediatas, mais densas, no futuro.
O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente? O acontecimento não nos assalta como um ladrão, visto que é, por natureza, um Tendo-sido-Futuro.

√Č porque ainda n√£o sou eu mesma, e ent√£o o castigo √© amar um mundo que n√£o √© ele. √Č tamb√©m porque me ofendo √† toa. √Č porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa.

A Import√Ęncia da Mulher no Progresso da Civiliza√ß√£o

Se na hist√≥ria n√£o procurarmos s√≥ uma data ou um facto descarnado, mas tentarmos nela descobrir alguma coisa mais, um princ√≠pio harm√≥nico e as leis que governam esses factos, ainda nas suas menores evolu√ß√Ķes, veremos que a hist√≥ria da civiliza√ß√£o da mulher, do seu desenvolvimento e da sua moralidade, anda sempre ligada aos factos do desenvolvimento da civiliza√ß√£o e da moralidade dos povos: veremos que aonde a sua condi√ß√£o se amesquinha, onde desce em dignidade, onde a mulher em vez do triplo e sagrado car√°cter de amante, esposa e m√£e passa a ser escrava sem liberdade nem vontade, s√≥ destinada a saciar as paix√Ķes brutais dum senhor devasso, a√≠ tamb√©m veremos descer o n√≠vel da civiliza√ß√£o e moralidade: √† do√ßura dos costumes suceder a fereza e a brutalidade; e em vez do amor, essa flor do sentimento pura e recatada, s√≥ apareceram a paix√£o instintiva e brutal, necessidade puramente f√≠sica do animal que obedece √† lei da reprodu√ß√£o, √† devassid√£o e √† poligamia!

O comer carne é a sobrevivência da maior brutalidade; a mudança para o vegetarianismo é a primeira consequência natural da iluminação.

Amor com Incompreens√£o

Porque eu fazia do amor um c√°lculo matem√°tico errado: pensava que, somando as compreens√Ķes, eu amava. N√£o sabia que, somando as incompreens√Ķes, √© que se ama verdadeiramente. Porque eu, s√≥ por ter tido carinho, pensei que amar √© f√°cil. √Č porque eu n√£o quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreens√£o e a transforma em oferenda. E √© tamb√©m porque sempre fui de brigar muito, meu modo √© brigando. √Č porque sempre tento chegar pelo meu modo. √Č porque ainda n√£o sei ceder. √Č porque no fundo eu quero amar o que eu amaria ‚Äď e n√£o o que √©. √Č porque ainda sou eu mesma, e ent√£o o castigo √© amar um mundo que n√£o √© ele. √Č tamb√©m porque me ofendo √† toa. √Č porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa.

Catolicismo e Comunismo

Ao contr√°rio do catolicismo, o comunismo n√£o tem uma doutrina. Enganam-se os que sup√Ķem que ele a tem. O catolicismo √© um sistema dogm√°tico perfeitamente definido e compreens√≠vel, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo n√£o √© um sistema: √© um dogmatismo sem sistema ‚ÄĒ o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolu√ß√£o. Se o que h√° de lixo moral e mental em todos os c√©rebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o √© tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de n√≥s.
O comunismo n√£o √© uma doutrina porque √© uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, at√© hoje, de espiritualidade moral e mental ‚ÄĒ isto √© de civiliza√ß√£o e de cultura ‚ÄĒ, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que n√£o tem.

A Busca das Coisas

S√≥ o combate nos apraz, mas n√£o a vit√≥ria: gostamos de ver os combates de animais, n√£o o vencedor a encarni√ßar-se sobre o vencido; que desej√°mos ver, sen√£o o fim da vit√≥ria? E logo que ela √© alcan√ßada, ficamos saciados. Assim no jogo, assim na busca da verdade. Gostamos de ver, nas disputas, a luta de opini√Ķes; mas n√£o de contemplar a verdade encontrada: para a saudarmos gostosamente temos de v√™-la nascer da disputa. Do mesmo modo, nas paix√Ķes, o que d√° prazer √© assistir ao combate de duas contr√°rias; mas quando uma delas domina, tudo se reduz a brutalidade. Nunca buscamos as coisas, mas sim a busca das coisas.

A felicidade a dois resulta de uma d√ļzia de pequenas coisas feitas com carinho; mas, a infelicidade, de uma pequena coisa feita com brutalidade.

A Inutilidade dos Sindicatos

A sindica√ß√£o, sa√≠da da liberdade como o monop√≥lio espont√Ęneo, √© igualmente inimiga dela, e sobretudo das vantagens dela; √©-o com menos brutalidade e evid√™ncia e, por isso mesmo, com mais seguran√ßa. Um sindicato ou associa√ß√£o de classe ‚ÄĒ comercial, industrial, ou de outra qualquer esp√©cie ‚ÄĒ nasce aparentemente de uma congrega√ß√£o livre dos indiv√≠duos que comp√Ķem essa classe; como, por√©m, quem n√£o entrar para esse sindicato fica sujeito a desvantagens de diversa ordem, a sindica√ß√£o √© realmente obrigat√≥ria. Uma vez constitu√≠do o sindicato, passam a dominar nele ‚ÄĒ parte m√≠nima que se substitui ao todo ‚ÄĒ n√£o os profissionais (comerciantes, industriais, ou o que quer que sejam), mais h√°beis e representativos, mas os indiv√≠duos simplesmente mais aptos e competentes para a vida sindical, isto √©, para a pol√≠tica eleitoral dessas agremia√ß√Ķes. Todo o sindicato √©, social e profissionalmente, um mito.
Mais incisivamente ainda: nenhuma associa√ß√£o de classe √© uma associa√ß√£o de classe. No caso especial da sindica√ß√£o na ind√ļstria e no com√©rcio, o resultado √© desaparecerem todas as vantagens da concorr√™ncia livre, sem se adquirir qualquer esp√©cie de coordena√ß√£o √ļtil ou ben√©fica. O car√°ter natural do reg√≠men livre atenua-se, porque surge em meio dele este elemento estranho e essencialmente oposto √† liberdade.

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As Discuss√Ķes Nunca S√£o Feitas de Boa F√©

S√≥ os ing√©nuos podem crer que uma discuss√£o visa resolver um problema ou esclarecer uma quest√£o dif√≠cil. Na realidade, a sua √ļnica justifica√ß√£o √© testar a capacidade de os participantes derrubarem o advers√°rio. O que est√° em jogo n√£o √© a verdade, mas o amor pr√≥prio. O bem falante leva a melhor sobre o que tartamudeia, o temer√°rio sobre o t√≠mido e o arrebatado sobre o escrupuloso. Estar de boa f√© equivale a potenciar as desvantagens, porquanto os escr√ļpulos se somam √† circunspec√ß√£o, dificultando a express√£o. O que √© a boa f√©? Uma conduta de fracasso, um aut√™ntico suic√≠dio… Quem participa em debates fala sem escutar, espezinha qualquer racioc√≠nio que n√£o seja conduzido por si pr√≥prio, despreza as oposi√ß√Ķes, ignora as obstruc√ß√Ķes e, de certo modo, conquista a vit√≥ria √† for√ßa de palavras.
Cultiva a má fé com o profissionalismo do jardineiro que cria uma planta venenosa cujo veneno possui suavidades tão profundas que quem o prova já não passa sem ele. Para dar melhor resultado, a má fé não deve ser demasiado subtil. Com efeito, o seu impacte não será suficiente para desnortear o outro, rápida e duradouramente. Nesta matéria, a subtileza não substitui a brutalidade que, não obstante a detestável fama em certos meios intelectuais,

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Nós mantivemos a humanidade viva e, no entanto, permitimos que os homens nos desprezassem e venerassem nossos destruidores. Permitimos que eles reverenciassem a incompetência e a brutalidade, os que recebiam o que não mereciam e davam o imerecido. Ao aceitar o castigo não por nossas faltas, mas por nossas virtudes, traímos nosso código e tornamos o deles possível.

A Subjectividade dos Comportamentos

Podemos ter para com as coisas que nos acontecem ou que fazemos uma atitude mais geral ou mais pessoal. Podemos sentir uma pancada n√£o apenas como dor, mas tamb√©m como ofensa, e neste caso ela torna-se cada vez mais insuport√°vel; mas tamb√©m aceit√°-la desportivamente, como um obst√°culo que n√£o nos intimidar√° nem nos arrastar√° para uma ira cega, e ent√£o n√£o √© raro nem sequer darmos por ela. Neste segundo caso, por√©m, o que aconteceu foi apenas que integr√°mos essa pancada num contexto mais geral, o do combate, e em fun√ß√£o disso a natureza do golpe revelou-se dependente da tarefa que tem de desempenhar. E precisamente este fen√≥meno, que leva a que um acontecimento receba o seu significado, e mesmo o seu conte√ļdo, mediante a sua inser√ß√£o numa cadeia de ac√ß√Ķes consequentes, produz-se em todos os indiv√≠duos que n√£o o encaram apenas como acontecimento pessoal, mas como desafio √† sua capacidade intelectual.
Tamb√©m ele ser√° mais superficialmente afectado nas suas emo√ß√Ķes pelo que faz. Mas, estranhamente, aquilo que se v√™ como sinal de intelig√™ncia superior num pugilista √© visto como frieza e insensibilidade em pessoas que n√£o sabem de boxe e nas quais isso se deve √† sua inclina√ß√£o para uma determinada forma de vida intelectual.

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