Cita√ß√Ķes sobre Caos

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Frases sobre caos, poemas sobre caos e outras cita√ß√Ķes sobre caos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Diante de um grande poeta, tem-se a sensação de que as coisas que permaneceram escondidas no caos emergem.

Dem√īnios

A l√≠ngua vil, ign√≠voma, purp√ļrea
Dos pecados mortais bava e braveja,
Com os seres impoluídos mercadeja,
Mordendo-os fundo inj√ļria por inj√ļria.

√Č um grito infernal de atroz lux√ļria,
Dor de danados, dor do Caos que almeja
A toda alma serena que viceja,
S√≥ f√ļria, f√ļria, f√ļria, f√ļria, f√ļria!

S√£o pecados mortais feitos hirsutos
Dem√īnios maus que os venenosos frutos
Morderam com vol√ļpia de quem ama…

Vermes da Inveja, a lesma verde e oleosa,
An√Ķes da Dor torcida e cancerosa,
Abortos de almas a sangrar na lama!

Apenas no prazer da reprodução linguística nasce um mundo a partir do caos.

Os homens s√£o uma parte pequena do mundo, e eu n√£o compreendo os homens. Sei o que fazem e as raz√Ķes imediatas do que fazem, mas saber isso √© saber o que est√° √† vista, √© n√£o saber nada. Penso: talvez os homens existam e sejam, e talvez para isso n√£o haja qualquer explica√ß√£o; talvez os homens sejam peda√ßos de caos sobre a desordem que encerram, e talvez seja isso que os explique.

Aprender a Ser Feliz

√Č imposs√≠vel exigir a estabilidade plena da energia ps√≠quica, pois ela organiza-se, desorganiza-se (caos) e reorganiza-se continuamente. N√£o existem pessoas que sejam sempre calmas, alegres e serenas. Nem mesmo existem pessoas ansiosas, irritadas e incoerentes permanentemente. Ningu√©m √© emocionalmente est√°tico, a n√£o ser que esteja morto. Devemos reagir e comportar-nos segundo determinado padr√£o para n√£o sermos inst√°veis, mas este padr√£o reflectir√° sempre uma emo√ß√£o flutuante.

A pessoa mais tranquila perderá a paciência. A pessoa mais ansiosa terá momentos de calma. Só os computadores são rigorosamente estáveis. Por isso, eles são lógicos, programáveis e, portanto, de baixa complexidade. Nós, pelo contrário, somos tão complexos que a nossa disposição, humor e interesses mudam com frequência. Devemos estar preparados para enfrentar os problemas internos e externos. Devemos ter consciência de que os problemas nunca vão desaparecer nesta sinuosa e bela existência. Podemos evitar alguns, outros porém são imprevisíveis.

Mas os problemas existem para serem resolvidos e n√£o para nos controlarem. Infelizmente, muitos s√£o controlados por eles. A melhor maneira de ter dignidade diante das dificuldades e dos sofrimentos existenciais √© extrair li√ß√Ķes deles. Caso contr√°rio, o sofrimento √© in√ļtil. Ser feliz, do ponto de vista da psicologia, n√£o √© ter uma vida perfeita,

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Eu vos digo: é preciso ter um caos em si, parar poder dar à luz uma estrela dançante. Eu vos digo: ainda tendeis um caos dentro de vós.

Corpo de Ambiguidade

posso e n√£o posso ir-me noite fora
nestes pilares do medo desta dor
Рé quando os dedos ferem (não se tocam)
é quando hesito e coro

é quando vou não vou neste mergulho
em seco a imergir em pobre ch√£o
de caos e flor e vinho e confus√£o

é quando sem chorar me escondo e choro

Leve os jovens a enxergar os singelos momentos, a força que surge nas perdas, a segurança que brota no caos, a grandeza que emana dos pequenos gestos!!!

O Homem é um Deus que se Ignora

Dentro do homem existe um Deus desconhecido: n√£o sei qual, mas existe – dizia S√≥crates soletrando com os olhos da raz√£o, √† luz serena do c√©u da Gr√©cia, o problema do destino humano. E Cristo com os olhos da f√© lia no horizonte anuveado das vis√Ķes do profeta esta outra palavra de consola√ß√£o – dentro do homem est√° o reino dos c√©us. Profundo, alt√≠ssimo, acordo de dois g√©nios t√£o distantes pela p√°tria, pela ra√ßa, pela tradi√ß√£o, por todos os abismos que uma fatalidade misteriosa cavou entre os irm√£os infelizes, violentamente separados, duma mesma fam√≠lia! Dos dois p√≥los extremos da hist√≥ria antiga, atrav√©s dos mares insond√°veis, atrav√©s dos tempos tenebrosos, o g√©nio luminoso e humano das ra√ßas √≠ndicas e o g√©nio sombrio, mas profundo, dos povos sem√≠ticos se enviam, como primeiro mas firme penhor da futura unidade, esta sauda√ß√£o fraternal, palavra de vida que o mundo esperava na ang√ļstia do seu caos – o homem √© um Deus que se ignora.
Grande, soberana consolação de ver essa luz de concórdia raiar do ponto do horizonte aonde menos se esperava, de ver uma vez unidos, conciliados esses dois extremos inimigos, esses dois espíritos rivais cuja luta entristecia o mundo, ecoava como um tremendo dobre funeral no coração retalhado da humanidade antiga!

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De que Serve Discutir as Ideologias?

Para compreendermos o homem e as suas necessidades, para o conhecermos naquilo que ele tem de essencial, n√£o precisamos de p√īr em confronto as evid√™ncias das nossas verdades. Sim, t√™m raz√£o. T√™m todos raz√£o. A l√≥gica demonstra tudo. Tem raz√£o aquele que rejeita que todas as desgra√ßas do mundo recaiam sobre os corcundas. Se declararmos guerra aos corcundas, aprenderemos rapidamente a exaltar-nos. Vingaremos os crimes dos corcundas. E, sem d√ļvida, tamb√©m os corcundas cometem crimes.
A fim de tentarmos separar este essencial, √© necess√°rio esquecermos por um instante as divis√Ķes que, uma vez admitidas, implicam todo um Cor√£o de verdades inabal√°veis e o inerente fanatismo. Podemos classificar os homens em homens de direita e em homens de esquerda, em corcundas e n√£o corcundas, em fascistas e em democratas, e estas distin√ß√Ķes s√£o incontest√°veis.
Mas sabem que a verdade é aquilo que simplifica o mundo, e não aquilo que cria o caos. A verdade é a linguagem que desencadeia o universal.
Newton n√£o ¬ędescobriu¬Ľ uma lei h√° muito disfar√ßada de solu√ß√£o de enigma, Newton efectuou uma opera√ß√£o criativa. Instituiu uma linguagem de homem capaz de exprimir simultaneamente a queda da ma√ß√£ num prado ou a ascens√£o do sol.

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O Interior da Alma

O olho do espírito em parte nenhuma pode encontrar mais deslumbramentos, nem mais trevas, do que no homem, nem fixar-se em coisa nenhuma, que seja mais temível, complicada, misteriosa e infinita. Há um espectáculo mais solene do que o mar, é o céu; e há outro mais solene do que o céu, é o interior da alma.
Fazer o poema da consci√™ncia humana, mas que n√£o fosse sen√£o a respeito de um s√≥ homem, e ainda nos homens o mais √≠nfimo, seria fundir todas as epopeias numa epopeia superior e definitiva. A consci√™ncia √© o caos das quimeras, das ambi√ß√Ķes e das tentativas, o cadinho dos sonhos, o antro das ideias vergonhosas: √© o pandem√≥nio dos sofismas, √© o campo de batalha das paix√Ķes. Penetrai, a certas horas, atrav√©s da face l√≠vida de um ser humano, e olhai por tr√°s dela, olhai nessa alma, olhai nessa obscuridade. H√° ali, sob a superf√≠cie l√≠mpida do sil√™ncio exterior, combates de gigante como em Homero, brigas de drag√Ķes e hidras, e nuvens de fantasmas, como em Milton, espirais vision√°rias como em Dante.

Um País de Canalhas

Pensar Portugal. N√≥s somos um pa√≠s de ¬ęelites¬Ľ, de indiv√≠duos isolados que de repente se p√Ķem a ser gente. N√≥s somos um pa√≠s de ¬ęher√≥is¬Ľ √† Carlyle, de excep√ß√Ķes, de singularidades, que t√™m tomado √†s costas o fardo da nossa hist√≥ria. N√≥s n√£o temos sequer n√ļcleos de grandes homens. Temos s√≥, de longe em longe, um original que se levanta sobre a canalhada e toma √† sua conta os destinos do pa√≠s. A canalhada cobre-os de insultos e de esc√°rnio, como √© da sua condi√ß√£o de canalha. Mas depois de mortos, p√Ķe-os ao peito por jact√Ęncia ou simplesmente ignora que tenham existido. N√≥s n√£o somos um pa√≠s de voca√ß√Ķes comuns, de consci√™ncia comum. A que fomos tendo foi-nos dada por empr√©stimo dos grandes homens para a ocasi√£o. Os nossos populistas √© que dizem que n√£o. Mas foi. A independ√™ncia foi Afonso Henriques, mas sem patriotismo que ainda n√£o existia. Aljubarrota foi Nuno √Ālvares. Os descobrimentos foi o Infante, mas porque o neg√≥cio era bom. O Iluminismo foi Verney e alguns outros, para ser deles todos s√≥ Pombal. O liberalismo foi Mouzinho e a Fran√ßa. A reac√ß√£o foi Salazar. O comunismo √© o Cunhal. Quanto √† sarrabulhada √© que √© uma data deles.

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Mais do que Amor

O amor veio afirmar todas as coisas velhas de cuja exist√™ncia apenas sabia sem nunca ter aceito e sentido. O mundo rodava sob seus p√©s, havia dois sexos entre os humanos, um tra√ßo ligava a fome √† saciedade, o amor dos animais, as √°guas das chuvas encaminhavam-se para o mar, crian√ßas eram seres a crescer, na terra o broto se tornaria planta. N√£o poderia mais negar… o qu√™? ‚ÄĒ perguntava-se suspensa. O centro luminoso das coisas, a afirma√ß√£o dormindo em baixo de tudo, a harmonia existente sob o que n√£o entendia.

Erguia-se para uma nova manh√£, docemente viva. E sua felicidade era pura como o reflexo do sol na √°gua. Cada acontecimento vibrava em seu corpo como pequenas agulhas de cristal que se espeda√ßassem. Depois dos momentos curtos e profundos vivia com serenidade durante largo tempo, compreendendo, recebendo, resignando-se a tudo. Parecia-lhe fazer parte do verdadeiro mundo e estranhamente ter-se distanciado dos homens. Apesar de que nesse per√≠odo conseguia estender-lhes a m√£o com uma fraternidade de que eles sentiam a fonte viva. Falavam-lhe das pr√≥prias dores e ela, embora n√£o ouvisse, n√£o pensasse, n√£o falasse, tinha um olhar bom ‚ÄĒ brilhante e misterioso como o de uma mulher gr√°vida.

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A Evolução da Criatividade

A experi√™ncia humana √© apenas ponto de partida, n√ļcleo s√≥lido e permanente onde assenta a experi√™ncia posterior da cria√ß√£o. Considero a cria√ß√£o o encaminhamento, at√© √†s consequ√™ncias extremas, de uma experi√™ncia em si mesma n√£o organizada. A descoberta do mundo n√£o possui, por ela pr√≥pria, finalidade ou coer√™ncia, nem constitui a salva√ß√£o desse mundo. Desde que seja poss√≠vel criar um corpo org√Ęnico em que a experi√™ncia, devidamente articulada, se baste, surge uma harmonia entre o sujeito e a sua experi√™ncia, quero dizer, o sujeito participa do cosmos. Este esfor√ßo da supera√ß√£o do caos exprime-se pela busca de uma linguagem. √ą ali√°s na linguagem que a experi√™ncia se vai tornando real. Se nela n√£o h√°, em sentido rigoroso, experi√™ncia do mundo. A esta conclus√£o vem chegando uma moderna filosofia da arte. A forma√ß√£o da linguagem √© um paciente, extenso, doloroso e, muitas vezes, desesperante caminho. O erro aparece como uma constante, mas existe a possibilidade de ser sempre menor. Entre um grau m√°ximo e um grau m√≠nimo de erro, situa-se a evolu√ß√£o. Progresso de linguagem, de adequa√ß√£o √†s finalidades, supera√ß√£o da experi√™ncia, purifica√ß√£o do tema ‚Äď eis onde se pode situar o sentido da evolu√ß√£o.

Cá nesta Babilónia

Cá nesta Babilónia, donde mana
Matéria a quanto mal o mundo cria;
C√°, onde o puro Amor n√£o tem valia,
Que a M√£e, que manda mais, tudo profana;

C√°, onde o mal se afina, o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
C√°, onde a errada e cega Monarquia
Cuida que um nome v√£o a Deus engana;

C√°, neste labirinto, onde a Nobreza,
O Valor e o Saber pedindo v√£o
Às portas da Cobiça e da Vileza;

C√°, neste escuro caos de confus√£o,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!