Passagens sobre Caos

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Frases sobre caos, poemas sobre caos e outras passagens sobre caos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Sexo

Neste corpo, a densa neblina, quase um h√°bito,
lentamente descida, sedimento e sede,
subtilmente o acalma. Ancora que se desloca,
movediça e infirme. Só no olhar, além

da luz e da cal, se distinguem os desejos
e a mestria das palavras. E n√£o h√° remos
nem astros. Convido a neblina a esta
mesa de chumbo, onde nada levanta o fogo

solar ou os signos se alteiam. √Č a hora
em que o corpo treme e a sombra lavra as frouxas
manhãs. O que serão as tardes, sob a névoa,

quando o vigor agoniza e o v√£o das √°guas abre
o caos e os ecos? Estaremos em paz,
usando a palavra, √ļltima herdeira das areias.

Quando o comandante demonstrar fraqueza, não tiver autoridade, suas ordens não forem claras e seus oficiais e tropas forem indisciplinados, o resultado será o caos e a desorganização absoluta.

Alarga os Teus Horizontes

Por que é que combateis? Dir-se-á, ao ver-vos,
Que o Universo acaba aonde chegam
Os muros da cidade, e nem h√° vida
Além da órbita onde as vossas giram,
E além do Fórum já não há mais mundo!

Tal é o vosso ardor! tão cegos tendes
Os olhos de mirar a própria sombra,
Que dir-se-á, vendo a força, as energias
Da vossa vida toda, acumuladas

Sobre um s√≥ ponto, e a √Ęnsia, o ardente v√≥rtice,
Com que girais em torno de vós mesmos,
Que limitais a terra √† vossa sombra…
Ou que a sombra vos torna a terra toda!
Dir-se-√° que o oceano imenso e fundo e eterno,
Que Deus h√° dado aos homens, por que banhem
O corpo todo, e nadem à vontade,
E vaguem a sabor, com todo o rumo,
Com todo o norte e vento, v√£o e percam-se
De vista, no horizonte sem limites…
Dir-se-√° que o mar da vida √© gota d’√°gua
Escassa, que nas mãos vos há caído,
De avara nuvem que fugiu, largando-a…
Tamanho é o ódio com que a uns e a outros
A disputais,

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Ver Correr a Esperança

De bru√ßos sobre o lavat√≥rio, abro a torneira, tapo o ralo, fico alguns momentos a ver correr a esperan√ßa, que vai enchendo aos poucos a bacia. Depois fecho a torneira e, retirando a tampa, vejo-a escoar-se em gorgolejos que cada vez s√£o mais humanos e mais fundos. √Č a respira√ß√£o do ralo, que s√≥ ent√£o dou conta de que est√° dentro de mim, por uma dessas distor√ß√Ķes a que √© costume eu ser atreito e que me impede ainda de me ver no pr√≥prio espelho, que, apesar de se encontrar √† minha frente, n√£o consigo deslocar do avesso dos meus olhos.

Os meus sentidos rangem, solid√°rios com os canos, eles que eu gostaria de poder assimilar ao mar, a um c√©u azul, desanuviado, e que jamais me d√£o do esp√≠rito vis√Ķes onde n√£o se encastoem nuvens e rebentem tempestades.

Repito a operação. Mergulho às vezes as mãos na minha esperança, mas retiro-as ao cabo de algum tempo, antes que se transformem em raízes. Destapo uma vez mais o ralo. Assim corre a amizade Рpenso, olhando o redemoinho -, assim correm os afectos, que, depois de encherem a bacia onde a custo nos lavamos sem os fazermos transbordar,

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A Ordem das Coisas

Natura deficit, fortuna mutatur, deus omnia cernit. A natureza trai-nos, a sorte muda, um deus v√™ do alto todas estas coisas. Apertava ao dedo a mesa de um anel onde, num dia de amargura, mandava gravar estas palavras tristes; ia mais longe no desengano, talvez na blasf√©mia; acabava por achar natural, sen√£o justo, que dev√≠amos perecer. As nossas letras esgotam-se; as nossas artes adormecem; P√Ęncrates n√£o √© Homero; Arriano n√£o √© Xenofonte; quando tentei imortalizar na pedra a forma de Ant√≠noo n√£o encontrei Prax√≠teles. Depois de Arist√≥teles e de Arquimedes, as nossas ci√™ncias n√£o progridem; os nossos progressos t√©cnicos n√£o resistiriam ao desgaste de uma longa guerra; mesmo os nossos voluptuosos desgostam-se da felicidade. O abrandamento dos costumes, o avan√ßo das ideias no decorrer do √ļltimo s√©culo √© obra de uma infima minoria de bons esp√≠ritos; a massa continua ignara, feroz, quando pode, de qualquer forma ego√≠sta e limitada, e h√° raz√Ķes para apostar que ficar√° sempre assim. Procuradores a mais, publicanos √°vidos, demasiados senadores desconfiados, demasiados centuri√Ķes brutais comprometeram adiantadamente a nossa obra; e os imp√©rios, como os homens, j√° n√£o t√™m tempo para se instru√≠rem √† custa das suas faltas. Onde quer que um tecel√£o remendar o seu pano,

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Beethoven Surdo

Surdo, na universal indiferença, um dia,
Beethoven, levantando um desvairado apelo,
Sentiu a terra e o mar num mudo pesadelo.
E o seu mundo interior cantava e restrugia.

Torvo o gesto, perdido o olhar, hirto o cabelo,
Viu, sobre a orquestra√ß√£o que no seu cr√Ęnio havia,
Os astros em torpor na imensidade fria,
O ar e os ventos sem voz, a natureza em gelo.

Era o nada, a evers√£o do caos no cataclismo,
A síncope do som no páramo profundo,
O silêncio, a algidez, o vácuo, o horror no abismo.

E Beethoven, no seu supremo desconforto,
Velho e pobre, caiu, como um deus moribundo,
Lançando a maldição sobre o universo morto!

S√°tira

Besta e mais besta! O positivo √© nada…
(Perdoa, se em gram√°tica te falo,
Arte que ignoras, como ignoras tudo.)
Besta e mais besta! Na palavra embirro;
Que a besta anexa ao mais teu ser define.

D√°s-me louvor servil na voz do prelo,
Grande me crês, proclamas-me famoso,
Excelso, transcendente, incompar√°vel,
Confessas que d’Elmano a f√ļria temes…
E, débil estorninho, águias provocas,
Aves de Jove, que o corisco empunham!

√Čs de r√°bula vil corrupta imagem;
Tu vendes o louvor, como ele as partes,
Mas ele na enxovia inf√Ęmias paga,
E tu, com t√ļstios, que aos caloiros pilhas,
Compras gravatas, em que a tromba enorme
Sumas ao dia, que de a ver se embrusca,
Qual em tenra m√£ozinha esconde a face
Mimoso infante de pap√Ķes vexado.
√ötil descuido aos c√°rceres te furta,
À digna habitação de ti saudosa
(Digo, o Castelo), est√Ęncia equivalente
Aos méritos morais, que em ti reluzem.

De saloios vinténs larápio sujo,
A glória do teu ódio restitui
A quem no teu louvor desacreditas.
Se honrada pelos s√°bios d’Ulisseia
(D’Ulisseia n√£o s√≥,

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O caos √© impens√°vel, j√° que a mistura √© uma ordem e n√£o h√° para o esp√≠rito do homem, ou no esp√≠rito do homem, nada que n√£o seja rela√ß√£o. O que acontece √© que chamamos desordem √† ordem que nos n√£o agrada, ao conjunto de rela√ß√Ķes em que n√£o entendemos ou n√£o aceitamos a rela√ß√£o connosco.

Diante de um grande poeta, tem-se a sensação de que as coisas que permaneceram escondidas no caos emergem.

Dem√īnios

A l√≠ngua vil, ign√≠voma, purp√ļrea
Dos pecados mortais bava e braveja,
Com os seres impoluídos mercadeja,
Mordendo-os fundo inj√ļria por inj√ļria.

√Č um grito infernal de atroz lux√ļria,
Dor de danados, dor do Caos que almeja
A toda alma serena que viceja,
S√≥ f√ļria, f√ļria, f√ļria, f√ļria, f√ļria!

S√£o pecados mortais feitos hirsutos
Dem√īnios maus que os venenosos frutos
Morderam com vol√ļpia de quem ama…

Vermes da Inveja, a lesma verde e oleosa,
An√Ķes da Dor torcida e cancerosa,
Abortos de almas a sangrar na lama!

Apenas no prazer da reprodução linguística nasce um mundo a partir do caos.

Os homens s√£o uma parte pequena do mundo, e eu n√£o compreendo os homens. Sei o que fazem e as raz√Ķes imediatas do que fazem, mas saber isso √© saber o que est√° √† vista, √© n√£o saber nada. Penso: talvez os homens existam e sejam, e talvez para isso n√£o haja qualquer explica√ß√£o; talvez os homens sejam peda√ßos de caos sobre a desordem que encerram, e talvez seja isso que os explique.

Aprender a Ser Feliz

√Č imposs√≠vel exigir a estabilidade plena da energia ps√≠quica, pois ela organiza-se, desorganiza-se (caos) e reorganiza-se continuamente. N√£o existem pessoas que sejam sempre calmas, alegres e serenas. Nem mesmo existem pessoas ansiosas, irritadas e incoerentes permanentemente. Ningu√©m √© emocionalmente est√°tico, a n√£o ser que esteja morto. Devemos reagir e comportar-nos segundo determinado padr√£o para n√£o sermos inst√°veis, mas este padr√£o reflectir√° sempre uma emo√ß√£o flutuante.

A pessoa mais tranquila perderá a paciência. A pessoa mais ansiosa terá momentos de calma. Só os computadores são rigorosamente estáveis. Por isso, eles são lógicos, programáveis e, portanto, de baixa complexidade. Nós, pelo contrário, somos tão complexos que a nossa disposição, humor e interesses mudam com frequência. Devemos estar preparados para enfrentar os problemas internos e externos. Devemos ter consciência de que os problemas nunca vão desaparecer nesta sinuosa e bela existência. Podemos evitar alguns, outros porém são imprevisíveis.

Mas os problemas existem para serem resolvidos e n√£o para nos controlarem. Infelizmente, muitos s√£o controlados por eles. A melhor maneira de ter dignidade diante das dificuldades e dos sofrimentos existenciais √© extrair li√ß√Ķes deles. Caso contr√°rio, o sofrimento √© in√ļtil. Ser feliz, do ponto de vista da psicologia, n√£o √© ter uma vida perfeita,

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Eu vos digo: é preciso ter um caos em si, parar poder dar à luz uma estrela dançante. Eu vos digo: ainda tendeis um caos dentro de vós.

Corpo de Ambiguidade

posso e n√£o posso ir-me noite fora
nestes pilares do medo desta dor
Рé quando os dedos ferem (não se tocam)
é quando hesito e coro

é quando vou não vou neste mergulho
em seco a imergir em pobre ch√£o
de caos e flor e vinho e confus√£o

é quando sem chorar me escondo e choro

Leve os jovens a enxergar os singelos momentos, a força que surge nas perdas, a segurança que brota no caos, a grandeza que emana dos pequenos gestos!!!