Cita√ß√Ķes sobre Cidade

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Frases sobre cidade, poemas sobre cidade e outras cita√ß√Ķes sobre cidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Valor da Crónica de Jornal

A cr√≥nica √© como que a conversa √≠ntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o l√™em: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo, espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, dos enfeites, fala em tudo baixinho, como quando se faz um ser√£o ao braseiro, ou como no Ver√£o, no campo, quando o ar est√° triste. Ela sabe anedotas, segredos, hist√≥rias de amor, crimes terr√≠veis; espreita, porque n√£o lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a Lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o Sol; a cr√≥nica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e fac√©cias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o p√© da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo esp√≠rito, pela beleza, pela mocidade; ela n√£o tem opini√Ķes, n√£o sabe do resto do jornal; est√° nas suas colunas contando, rindo, pairando; n√£o tem a voz grossa da pol√≠tica, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do cr√≠tico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiu√ßando.

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Estes Sítios!

Olha bem estes sítios queridos,
V√™-os bem neste olhar derradeiro…
Ai! o negro dos montes erguidos,
Ai! o verde do triste pinheiro!
Que saudade que deles teremos…
Que saudade! ai, amor, que saudade!
Pois n√£o sentes, neste ar que bebemos,
No acre cheiro da agreste ramagem,
Estar-se alma a tragar liberdade
E a crescer de inocência e vigor!
Oh! aqui, aqui só se engrinalda
Da pureza da rosa selvagem,
E contente aqui só vive Amor.
O ar queimado das salas lhe escalda
De suas asas o níveo candor,
E na frente arrugada lhe cresta
A inocência infantil do pudor.
E oh! deixar tais delícias como esta!
E trocar este céu de ventura
Pelo inferno da escrava cidade!
Vender alma e razão à impostura,
Ir saudar a mentira em sua corte,
Ajoelhar em seu trono à vaidade,
Ter de rir nas ang√ļstias da morte,
Chamar vida ao terror da verdade…
Ai! n√£o, n√£o… nossa vida acabou,
Nossa vida aqui toda ficou
Diz-lhe adeus neste olhar derradeiro,
Dize à sombra dos montes erguidos,
Dize-o ao verde do triste pinheiro,

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O Medo do Aborrecimento

O género de aborrecimento de que sofre a população das cidades modernas está intimamente ligado à sua separação da vida da Terra. Essa separação torna o seu viver ardente, poeirento e ansioso, tal como uma peregrinação no deserto. Nos que são suficientemente ricos para escolher o seu género de vida, o estigma peculiar de insuportável aborrecimento que os distingue é devido, por muito paradoxal que isso possa parecer, ao seu medo do aborrecimento. Ao fugirem do aborrecimento que é fecundo, são vítimas de outro de natureza pior. Uma vida feliz deve ser, em grande medida, uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer.

Recusa

a Alberto de Serpa

Serei sempre um poeta provinciano.
Um poeta triste, esquivo,
Com medo de apertar a m√£o aos poetas da cidade
E de me sentar com eles
À mesa do Café.
N√£o falarei de minha poesia.
N√£o rimarei minha ang√ļstia
Com a solenidade de suas quest√Ķes.
A poesia n√£o est√° na discuss√£o.
A poesia n√£o est√° no n√£o estar com este ou com aquele.
A poesia est√° em matar esta morte
Que anda dentro de nós
Para que a vida renasça.
A poesia está em gritar do alto dos arranha-céus
E das planuras e concavidades sertanejas
Que o mundo vai acabar
Que o mundo est√° maduro para o sangue
Que o mundo perverso e caótico vai vagar.
Serei sempre um poeta provinciano.
Um poeta esquivo defendendo sua solid√£o
De todos os truques de todos os ódios de todas as invejas.
Os poetas rendilheiros n√£o perdoar√£o.
Os poetas vaidosos v√£o barafustar
E exigir a expuls√£o imediata
Do √ļltimo vendilh√£o do Templo,
Em nome da religi√£o,
Em nome da estética,
Em nome da dignidade amarfanhada,

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Uma Cidade

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e ger√Ęnios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algod√£o, esporas
de √°gua e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crep√ļsculo, um bal√£o
aceso

numa noite
de junho.

Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

Acendem-se as Luzes

Acendem-se as luzes
nas ruas da cidade.

Ainda h√° claridade
ao alto das cruzes
da igreja da praça
e para l√° dos telhados
j√° meio esfumados
na mesma cor baça
do casario velho
que recobre a encosta
e mal entremostra
as cores de Botelho,
sobranceiro à massa
fluida e movente
das cordas de gente
por onde perpassa
um ar de alegria
que é do tempo quente
e deste andar contente
que no fim do dia
leva para casa,
a paz das varandas,
o √°lcool das locandas,
tanta vida rasa
minha semelhante.
Solid√£o povoada
que a tarde cansada
suspende um instante
ao acender das luzes.

Em cada olhar uma rosa
de propósito formosa
para que a uses.

Sócrates foi o primeiro a evocar a filosofia do céu à terra, deu-lhe a cidadania nas cidades, introduziu-a também nas casas e obrigou-a a ocupar-se da vida e dos costumes, das coisas boas e das más.

Os Poetas

Nunca os vistes
Sentados nos cafés que há na cidade,
Um livro aberto sobre a mesa e tristes,
Incógnitos, sem oiro e sem idade?

Com magros dedos, coroando a fronte,
Sugerem o nost√°lgico sentido
De quem rasgasse um pouco de horizonte
Proibido…

Fingem de reis da Terra e do Oceano
(E filhos são legítimos do vício!)
Tudo o que neles nos pareça humano
√Č fogo de artif√≠cio.

Por vezes, fecham-lhes as portas
‚ÄĒ √ďdio que a nada se resume ‚ÄĒ
Voltam, depois, a horas mortas,
Sem um queixume.

E mostram sempre novos laivos
De poesia em seu olhar…

Adolescentes! Afastai-vos
Quando algum deles vos fitar!

Quanto Morre um Homem

Quando eu um dia decisivamente voltar a face
daquelas coisas que só de perfil contemplei
quem procurar√° nelas as linhas do teu rosto?
Quem dar√° o teu nome a todas as ruas
que encontrar no coração e na cidade?
Quem te por√° como fruto nas √°rvores ou como paisagem
no brilho de olhos lavados nas quatro esta√ß√Ķes?
Quando toda a alegria for clandestina
alguém te dobrará em cada esquina?

O Autofagismo do Meio Urbano

O momento presente √© o momento do autofagismo do meio urbano. O rebentar das cidades sobre campos recobertos de ¬ęmassas informes de res√≠duos urbanos¬Ľ (Lewis Mumford) √©, de um modo imediato, presidido pelos imperativos do consumo. A ditadura do autom√≥vel, produto-piloto da primeira fase da abund√Ęncia mercantil, estabeleceu-se na terra com a prevalesc√™ncia da auto-estrada, que desloca os antigos centos e exige uma dispers√£o cada vez maior. Ao passo que os momentos de reorganiza√ß√£o incompleta do tecido urbano polarizam-se passageiramente em torno das ¬ęf√°bricas de distribui√ß√£o¬Ľ que s√£o os gigantescos supermercados, geralmente edificados em terreno aberto e cercados por um estacionamento; e estes templos de consumo precipitado est√£o, eles pr√≥prios, em fuga num movimento centr√≠fugo, que os repele √† medida que eles se tornam, por sua vez, centros secund√°rios sobrecarregados, porque trouxeram consigo uma recimposi√ß√£o parcial da aglomera√ß√£o. Mas a organiza√ß√£o t√©cnica do consumo n√£o √© outra coisa sen√£o o arqu√©tipo da dissolu√ß√£o geral que conduziu a cidade a consumir-se a si pr√≥pria.
A história económica, que se desenvolveu intensamente em torno da oposição cidade-campo, chegou a um tal grau de sucesso que anula ao mesmo tempo os dois termos. A paralisia actual do desenvolvimento histórico total, em proveito da exclusiva continuação do movimento independente da economia,

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Acendimento

Seria bom sentir no quarto qualquer m√ļsica
enquanto nos banham os perfis ateados
pelo aroma da tília, sem voz, em abandono.
A entrada por detr√°s das ruas principais
onde a morrinha parece que nem molha
e se chega perdido onde se vai.
Não, não é só um beijo que te quero dar.

Quantas vezes nesta hora de desvalimento
vejo orion e as plêiades devagar no céu de inverno.
Mas hoje
com a calma inesperada de chuvas que n√£o cessam
acordo já depois. Caí numa hibernação que não norteia
o desequilíbrio do sentimento.

Espelhos sem paz tocam-nos no rosto.
Na cega mancha de roupagem aconchego
cada intempérie com sua mentira
e depois sigo pela torrente, pelo enredo
dos outeiros, cada espelho continua
a caução pacificadora do engano.
√Č isso que te levo, isso que me d√°s
quando dizes, j√° sem o dizeres, eu amo-te.

Pela berma da humidade cerrada
um risco de merc√ļrio trespassa.
Na gravilha passos que n√£o h√°
esmagam a m√ļsica que ningu√©m escuta.
Sabiam de cor tudo o que falhava,

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A Trágica Necessidade de Conquista e de Mudança

Em todos os tempos os homens, por algum pedaço de terra de mais ou de menos, combinaram entre si despojarem-se, queimarem-se, trucidarem-se, esganarem-se uns aos outros; e para fazê-lo mais engenhosamente e com maior segurança, inventaram belas regras às quais se deu o nome de arte militar; ligaram à prática dessas regras a glória, ou a mais sólida reputação; e depois ultrapassaram-se uns aos outros na maneira de se destruirem mutuamente.
Da injusti√ßa dos primeiros homens, como da sua origem comum, veio a guerra, assim como a necessidade em que se acharam de adoptar senhores que fixassem os seus direitos e pretens√Ķes. Se, contente com o que se tinha, se tivesse podido abster-se dos bens dos vizinhos, ter-se-ia para sempre paz e liberdade.
O povo tranquilo nos lares, nas famílias e no seio de uma grande cidade onde nada tem a temer para os seus bens nem para a vida, anseia por fogo e sangue, ocupa-se de guerras, ruínas, braseiros e matanças, suporta impacientemente que os exércitos que mantêm a campanha não tenham recontros, ou se já se encontraram e não sustentem combate, ou se enfrentam e não seja sangrento o combate, e haja menos de dez mil homens no local.

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Foi Contigo que Aprendi a Amar

Foi contigo que aprendi a cidade,
sílaba a sílaba,
pedra, aço e lascas de cristal.

A cidade dos p√°ssaros interditos
na ocasionalidade
de um galho por acaso.

A cidade das buganvílias
viol√°ceas de medo,
excrescentes de lirismo.

A cidade dos p√£es calcetados
e dos meninos que, de
fome, os apetecem.

A cidade das culatras
inevit√°veis
para o alvo que lhes sobra.

A cidade protestada a prazo
de um dia
de nunca mais.

A cidade geometrizada
na infalibilidade
dos seus labirintos.

Foi contigo, foi.
Foi contigo que aprendi a amar
desordenadamente.

O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…

(√Č nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

H√° tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que n√£o andei
(E h√° uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste j√° t√£o longo andar!)

E talvez de meu repouso…

O Ciclo do Progresso

Da sociedade e do luxo que ela engendra, nascem as artes liberais e mec√Ęnicas, o com√©rcio, as letras, e todas essas inutilidades que fazem florescer a ind√ļstria, enriquecem e perdem os Estados. A raz√£o desse deperecimento √© muito simples. √Č f√°cil ver que, pela sua natureza, a agricultura deve ser a menos lucrativa de todas as artes, porque, sendo o seu produto de uso mais indispens√°vel para todos os homens, o pre√ßo deve estar proporcionado √†s faculdades dos mais pobres. Do mesmo princ√≠pio pode-se tirar a regra de que, em geral, as artes s√£o lucrativas na raz√£o inversa da sua utilidade, e de que as mais necess√°rias, finalmente, devem tornar-se as mais negligenciadas. Por ai se v√™ o que se deve pensar das verdadeiras vantagens da ind√ļstria e do efeito real que resulta dos seus progressos. Tais s√£o as causas sens√≠veis de todas as mis√©rias em que a opul√™ncia precipita, finalmente, as na√ß√Ķes mais admiradas.
√Ä medida que a ind√ļstria e as artes se estendem e florescem, o cultivador desprezado, carregado de impostos necess√°rios √† manuten√ß√£o do luxo, e condenado a passar a vida entre o trabalho e a fome, abandona o campo para ir procurar na cidade o p√£o que devia levar para l√°.

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Três Poemas da Solidão

I

Nem aqui nem ali: em parte alguma.
Não é este ou aquele o meu lugar.
Desço à praia, mergulho as mãos no mar,
mas do mar, nos meus dedos, fica a espuma.

Meu jardim, minha cerca, meu pomar.
Perpassa a Ideia e mói, como verruma.
Falar mas para quê? Só por falar?
J√° nada quer dizer coisa nenhuma.

Os instintos à solta, como feras,
e eu a pensar em velhas primaveras,
no antigo sortilégio das palavras.

Agora é tudo igual, prazer e dor,
e a tua sementeira n√£o d√° flor,
ó triste solidão que as almas lavras.

II

Tão só!
Cada vez s√£o mais longos os caminhos
que me levam à gente.
(E os pensamentos fechados em gaiolas,
as ideias em jaulas.)

Ah, n√£o fujam de mim!
N√£o mordo, n√£o arranho.
Direi:
‚ÄĒ ¬ęPois n√£o! Ora essa! Tem raz√£o¬Ľ.

Entanto, na gaiola,
cantarão em silêncio
os sonhos, as ideias,
como p√°ssaros mudos.

III

Solid√£o.
A multid√£o em volta
e o pensamento à solta
como alado corcel.

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As Profecias

(fragmentos)

I

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

minguantes novos
cidades mortas
ruas desconhecidas

barcos de vento
perdidos sons

foi l√° que brinquei de longe
e perdi-me de mim
foi l√° a primeira tosquia
quando me tiraram tudo

nem o leque
para afugentar a maturação
nem a haste
para defender-me das feras
nem o silêncio
para vestir-me no esquecimento

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

foi l√° que brinquei de longe
e me perdi de mim

II

A flor abre-se em terra
para o forte a ser nosso.

Perto estamos
dos rios coagulados
de mel colhido aos tempos.
Perto estamos
da nocturna fé de ser impuro
benvinda das lonjuras.

Perto estamos dos infantes campos
junto ao longe tranquilo de viver.
Ouvi, solit√°rias meninas, solit√°rios meninos:
o vento ch√£o que varre os prados
onde somos horizontais,
afinal.

III

Trago a palma na m√£o, aqui estou,

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