Cita√ß√Ķes sobre Decl√≠nio

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Frases sobre decl√≠nio, poemas sobre decl√≠nio e outras cita√ß√Ķes sobre decl√≠nio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Cérebro Sempre Jovem

A sociedade est√° a ser varrida por um movimento chamado nova velhice. A norma social para as pessoas de idade era passiva e sombria; confinadas a cadeiras de baloi√ßo, esperava-se que entrassem em decl√≠nio f√≠sico e mental. Agora o inverso √© verdade. As pessoas mais velhas t√™m expetativas mais elevadas de que permanecer√£o ativas e com vitalidade. Consequentemente, a defini√ß√£o de velhice mudou. Num inqu√©rito perguntou-se a uma amostra de baby boomers: “Quando tem in√≠cio a velhice?” A resposta m√©dia foi aos 85. √Ä medida que aumentam as expetativas, o c√©rebro deve claramente manter-se a par e adaptar-se √† nova velhice. A antiga teoria do c√©rebro fixo e estagnado sustentava ser inevit√°vel um c√©rebro que envelhecesse. Supostamente as c√©lulas cerebrais morriam continuamente ao longo do tempo √† medida que uma pessoa envelhecia, e a sua perda era irrevers√≠vel.

Agora que compreendemos qu√£o flex√≠vel e din√Ęmico √© o c√©rebro, a inevitabilidade da perda celular j√° n√£o √© v√°lida. No processo de envelhecimento ‚ÄĒ que progride √† raz√£o de 1% ao ano depois dos trinta anos de idade ‚ÄĒ n√£o h√° duas pessoas que envelhe√ßam de maneira igual. At√© os g√©meos id√™nticos, nascidos com os mesmos genes, ter√£o muito diferentes padr√Ķes de atividade gen√©tica aos setenta anos,

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C√Ęmara Escura

A meu pai

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A biografia. Revejo-a em tecidos
fibrosos, retraindo-se. √Č j√° vis√≠vel
a anquilose o vento austero
disperso pelos gestos, mais lentos

e difíceis. A migração das aves
inicia-se. Junto à costa
atl√Ęntica, falava-me do tempo, a vira√ß√£o
nefasta, o nevoeiro

poroso, sobre os ossos. Era o período
de estado: rajadas cubitais, golpes
de vento, as migra√ß√Ķes da dor, articulares…
As metáforas clínicas. Procura,

apesar disso, algum sossego. Invoca ainda
o elemento natal, o livro prematuro
do inverno. E a dureza da neve,
os domínios do gelo, imprevisíveis.

Com as chuvas de abril, a migração
atinge órgãos vitais. A violência
perdida pelos móveis, nas janelas
transl√ļcidas, no rumo vagaroso

da voz. Vigia os gestos, os indícios de
p√Ęnico, a previs√≠vel eclos√£o
da crise. Deforma√ß√Ķes, desvio dos
dedos no lado cubital, arthritis

– o peso das no√ß√Ķes.
Endurecem os sons, as linhas vistas
até ao declínio, o vento imóvel
semeado nos campos. Todo o regresso

persiste na matéria: os vários
motores de frio,

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Tu Dás-me Objectivos, Direcção e Felicidade

Eu estava √† procura na ci√™ncia da satisfa√ß√£o que o esfor√ßo da pesquisa e o momento da descoberta oferecem; eu nunca fui daquelas pessoas que n√£o aguentam o pensamento de terem desperdi√ßado a sua vida antes de terem conseguido escrever o seu nome na rocha pelo meio das ondas. Mas quando penso como √© que eu seria se n√£o te tivesse encontrado ‚Äď sem ambi√ß√£o, sem saber desfrutar os pequenos prazeres da vida, sem qualquer fasc√≠nio pela magia do ouro, e ao mesmo tempo dotado de uma intelig√™ncia moderada e sem quaisquer meios materiais ‚Äď iria sentir-me muito miser√°vel e entraria em decl√≠nio. Tu d√°s-me n√£o apenas objectivos e direc√ß√£o, mas tamb√©m tanta felicidade, que nunca poderia sentir-me insatisfeito com o presente infortunado que vivo neste momento; tu d√°s-me esperan√ßa e a certeza do sucesso. Eu sabia-o mesmo antes de tu me amares e sei-o agora que tu me amas, e √© gra√ßas a ti que me tornei um homem auto-confiante e corajoso.

As mais belas civiliza√ß√Ķes tiveram um r√°pido decl√≠nio, exactamente porque elas foram demasiado longe na dissimula√ß√£o.

Soneto

Agora é tarde para novo rumo
Dar ao sequioso espírito; outra via
Não terei de mostrar-lhe e à fantasia
Além desta em que peno e me consumo.

Aí, de sol nascente a sol a prumo,
Deste ao declínio e ao desmaiar do dia,
Tenho ido empós do ideal que me alumia,
A lidar com o que é vão, é sonho, é fumo.

Aí me hei de ficar até cansado
Cair, inda abençoando o doce e amigo
Instrumento em que canto e a alma me encerra;

Abençoando-o por sempre andar comigo
E bem ou mal, aos versos me haver dado
Um raio do esplendor de minha terra.

O Lado Mau da História

Um dos grandes v√≠cios da hist√≥ria √© que ela descreve muito mais os homens pelos seus lados ruins do que pelos seus lados bons; como s√≥ √© interessante pelas revolu√ß√Ķes, pelas cat√°strofes, enquanto um povo cresce e prospera na calma de um governo pac√≠fico; ela nada diz dele; s√≥ come√ßa a mencion√°-lo quando, n√£o podendo mais bastar a si mesmo, participa dos neg√≥cios dos seus vizinhos ou os deixa participar dos seus; s√≥ o cita quando j√° est√° no seu decl√≠nio: todas as nossas hist√≥rias come√ßam onde deviam acabar.

O Amor Verdadeiro Não Pensa Senão em Si Próprio

O primeiro amor dum homem que entre na sociedade √© geralmente um amor ambicioso. Raramente esse amor se declara por uma rapariga doce, am√°vel e inocente. Como tremer, adorar, sentir-se em presen√ßa duma divindade? Um adolescente tem necessidade de amar um ser cujas qualidades o elevem aos seus pr√≥prios olhos. √Č no decl√≠nio da vida que voltamos tristemente a amar o simples e o inocente, desesperando do que √© sublime. Entre os dois, existe o amor verdadeiro, que n√£o pensa sen√£o em si pr√≥prio.

Encontro-me em Plena Posse das Leis Fundamentais da Arte Liter√°ria

Deixei para trás o hábito de ler. Já nada leio a não ser um ou outro jornal, literatura ligeira e ocasionalmente livros técnicos relacionados com o que porventura estudo e em que o simples raciocínio possa ser insuficiente.
O género definido de literatura quase o abandonei. Poderia lê-lo para aprender ou por gosto. Mas nada tenho a aprender, e o prazer que se obtém dos livros é do género que pode ser substituído com proveito pelo que me pode proporcionar directamente o contacto com a natureza e a observação da vida.
Encontro-me agora em plena posse das leis fundamentais da arte liter√°ria. Shakespeare j√° n√£o me pode ensinar a ser subtil, nem Milton a ser completo. O meu intelecto atingiu uma flexibilidade e um alcance tais que me permitem assumir qualquer emo√ß√£o que deseje e penetrar √† vontade em qualquer estado de esp√≠rito. Quanto √†quilo por que sempre se luta com esfor√ßo e ang√ļstia, ser-se completo, n√£o h√° livro que valha.
Isto não significa que eu tenha sacudido a tirania da arte literária. Aceito-a apenas sujeita a mim próprio.
H√° um livro de que ando sempre acompanhado – ¬ęAs Aventuras de Pickwick¬Ľ. Li v√°rias vezes os livros de Mr.

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A Minha Infelicidade

A evolu√ß√£o foi simples. Quando eu ainda estava contente queria estar descontente, e, com todos os meios que o tempo e a tradi√ß√£o me ofereciam, lancei-me no descontentamento ‚ÄĒ e ent√£o queria outra vez voltar a tr√°s. Assim, fui sempre descontente, at√© com o meu contentamento. Estranho, como uma coisa a fingir, se usada sistematicamente, se pode tornar realidade. Jogos infantis (embora eu tivesse bem consci√™ncia de que eles eram infantis) marcaram o come√ßo do meu decl√≠nio intelectual. Cultivei deliberadamente um tique facial, por exemplo, ou ent√£o andava pelo Graben com os bra√ßos cruzados atr√°s da cabe√ßa. Um jogo repugnantemente infantil mas com √™xito (o meu trabalho liter√°rio come√ßou da mesma maneira; s√≥ mais tarde, durante a sua evolu√ß√£o, √© que veio uma paragem, infelizmente). Se √© poss√≠vel for√ßar assim a infelicidade sobre n√≥s, √© poss√≠vel for√ßar o que quer que seja sobre n√≥s. Uma grande parte da minha evolu√ß√£o parece contradizer-me, na medida em que contradiz a minha natureza pensar nisso, n√£o posso afian√ßar que os primeiros laivos da minha infelicidade eram j√° uma necessidade interior; eles devem de facto ter uma necessidade, mas n√£o uma necessidade interior ‚ÄĒ eles lan√ßaram-se sobre mim como um enxame de moscas e poderiam ter sido afastados de mim com a mesma facilidade.

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Mesmo diante do desastre possível e total, a filosofia continuaria a preservar a dignidade do homem em declínio.

A Filosofia é Essencial para Compreender a Vida

Bem longe de se assustar ou mesmo de enrubescer com o nome de fil√≥sofo, n√£o existe ningu√©m no mundo que n√£o devesse possuir fortes laivos de filosofia. Ela conv√©m a todos; a sua pr√°tica √© √ļtil em todas as idades, para todos os sexos e para todas as condi√ß√Ķes: ela consola-nos da felicidade do outro, das prefer√™ncias indignas, dos fracassos, do decl√≠nio das nossas for√ßas ou da nossa beleza; arma-nos contra a pobreza, a velhice, a doen√ßa e a morte, contra os tolos e os maus zombeteiros; faz-nos viver sem uma mulher ou faz-nos suportar aquela com quem vivemos!

A Vida é uma Eternidade

Sabemos que vamos morrer e que estaremos mortos tanto tempo como n√£o estivemos √† espera para nascer. √Č banal dizer-se que a vida √© um intervalo ou uma passagem ou um instante. N√£o √©. A vida √© uma excep√ß√£o generosamente comprida √† regra nem triste nem alegre da inexist√™ncia.
A vida est√° para o nada como o planeta Terra est√° para o sistema solar a que pertence. Sim, pode haver vida noutros planetas. Mas ser√° uma vida que vale a pena viver? Ou que apenas vale a pena estudar?

Sabemos que temos muito tempo de vida: muito mais do que precisamos. O direito à preguiça e à procrastinação está consagrado na nossa vida e faz logo, à partida, parte dela.
Sabemos que somos obrigados a pensar, errada e repetidamente, que o tempo em que estamos vivos √© importante. E que as nossas no√ß√Ķes de decl√≠nio (“dantes √© que era bom; os jovens de hoje n√£o sabem o que perdem”) s√£o lugares-comuns de todas as gera√ß√Ķes antes de n√≥s.

Sabemos que não há ninguém que não envelheça, desde o bebé que nasceu neste segundo até ao velho que, por ter morrido agora mesmo, deixou de envelhecer.

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O Apogeu

Cada ser humano atinge o seu apogeu de maneira diferente, num dado momento. Uma vez alcançado esse ponto alto, é sempre a descer. Fatal como o destino. E o pior é que ninguém sabe onde é que se situa o seu próprio auge. A linha divisória pode desenhar-se de repente, quando uma pessoa pensa que ainda estava a pisar terreno seguro. Ninguém tem maneira de saber. Alguns atingem esse pico aos doze anos, e depois espera-os uma vida perfeitamente monótona e sem chama. Outros continuam sempre em ascensão até à morte; outros morrem no seu máximo esplendor. Muitos poetas e compositores vivem em estado de permanente arrebatamento e estão mortos quando chegam aos trinta anos. Depois há aqueles, como é o caso de Picasso, que aos oitenta e muitos anos ainda pintava quadros cheios de vigor e teve uma morte tranquila, sem saber o que era o declínio.

Glória

Vive dentro de mim um mundo raro
T√£o v√°rio, t√£o vibrante, t√£o profundo
Que o meu amor indómito e avaro
O oculto raivoso ao outro mundo

E nele vivo audaz, ardentemente,
Sentindo consumir-se a sua chama
Que oscila e desce e sobe inquietamente;
Ouvindo a minha voz que por mim chama

Em situa√ß√Ķes grotescas que me ferem,
Ou conquistando o que meus olhos querem:
Príncipe ou Rei sonhando com domínios.

Sinto bem que s√£o v√£s pra me prenderem
As m√£os da Vida, muito embora imperem
Sobre a noção real dos meus declínios.

O Serviço Militar Obrigatório

Deixem-me come√ßar com uma confiss√£o de f√© pol√≠tica: o Estado √© feito para o homem, n√£o o homem para o Estado. Isto √© igualmente verdade em ci√™ncia. Estas s√£o convic√ß√Ķes antigas pronunciadas por aqueles para quem o homem em si √© o valor humano mais alto. N√£o teria de repeti-las se n√£o fosse o facto de estarem constantemente em perigo de serem esquecidas, especialmente nos dias que correm, de standardiza√ß√£o e de estereotipia. Creio que a miss√£o mais importante do Estado √© a de proteger o indiv√≠duo e tornar poss√≠vel o desenvolvimento de uma personalidade criativa.
O Estado deve ser nosso servo; n√£o devemos ser escravos do Estado. O Estado viola este princ√≠pio quando nos for√ßa ao servi√ßo militar obrigat√≥rio, especialmente porque o objectivo e efeito de tal servid√£o √© matar pessoas de outras terras ou restringir-lhes a liberdade. De facto, somente devemos fazer sacrif√≠cios em nome do Estado se servirem o livre desenvolvimento do homem (…)
O nacionalismo, actualmente elevado a alturas excessivas, está, em minha opinião, intimamente associado à instituição do serviço militar obrigatório ou, utilizando um eufemismo, à milícia. Qualquer Estado que exija o serviço militar aos seus cidadãos é compelido a cultivar neles o espírito do nacionalismo,

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O Amor e a Vida

O amor √© uma imagem da nossa vida. Tanto o primeiro como a segunda est√£o sujeitos √†s mesmas revolu√ß√Ķes e mudan√ßas. A sua juventude √© resplandecente, alegre e cheia de esperan√ßas porque somos felizes por ser jovens tal como somos felizes por amar. Este agradabil√≠ssimo estado leva-nos a procurar outros bens muito s√≥lidos. N√£o nos contentamos nessa fase da vida com o facto de susbsistirmos, queremos progredir, ocupamo-nos com os meios para nos aperfei√ßoarmos e para assegurar a nossa boa sorte. Procuramos a protec√ß√£o dos ministros, mostrando-nos sol√≠citos e n√£o aguentamos que outrem queira o mesmo que temos em vista. Este est√≠mulo cumula-nos de mil trabalhos e esfor√ßos que logo se apagam quando alcan√ßamos o desejado. Todas as nossas paix√Ķes ficam ent√£o satisfeitas e nem por sombras podemos imaginar que a nossa felicidade tenha fim.
No entanto, esta felicidade raramente dura muito e fatiga-se da graça da novidade. Para possuirmos o que desejámos não paramos de desejar mais e mais. Habituamo-nos ao que temos, mas os mesmos haveres não conservam o seu preço, como nem sempre nos tocam do mesmo modo. Mudamos imperceptivelmente sem disso nos apercebermos. O que já adquirimos torna-se parte de nós mesmos e sofreríamos muito com a sua perda,

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O Medo da Morte só se Justifica na Juventude

Algumas pessoas idosas vivem obcecadas com o medo da morte. Este sentimento s√≥ se justifica na juventude. Os jovens que receiam, com raz√£o, morrer na guerra, podem legitimamente sentir a amargura do pensamento de terem sido defraudados do melhor que a vida lhes podia oferecer. Mas num velho que conheceu j√° as alegrias e dores humanas e que cumpriu a sua miss√£o, qualquer que fosse, o receio da morte √© algo de abjecto e ign√≥bil. O melhor meio de o vencer – pelo menos quanto a mim – √© aumentar gradualmente as nossas preocupa√ß√Ķes, torn√°-las cada vez mais impessoais, at√© ao momento em que, a pouco e pouco, os limites da nossa personalidade recuem e a nossa vida mergulhe mais ainda na vida universal.
Pode-se comparar a existência de um indivíduo a um rio Рpequeno a princípio, estreitamente encerrado entre duas margens, arremetendo, com entusiasmo, primeiro os seixos e depois as cataratas. A pouco e pouco, o rio alarga-se, as suas margens afastam-se, a água corre mais calmamente e, por fim, sem nenhuma mudança brusca, desagua no oceano e perde sem sofrimento a sua existência individual.
O homem que na velhice pode ver a sua vida desta maneira,

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