Cita√ß√Ķes sobre Dentes

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Frases sobre dentes, poemas sobre dentes e outras cita√ß√Ķes sobre dentes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Ira é uma Loucura Breve

Alguns s√°bios afirmaram que a ira √© uma loucura breve; por n√£o se controlar a si mesma, perde a compostura, esquece as suas obriga√ß√Ķes, persegue os seus intentos de forma obstinada e ansiosa, recusa os conselhos da raz√£o, inquieta-se por causas v√£s, incapaz de discernir o que √© justo e verdadeiro, semelhante √†s ru√≠nas que se abatem sobre quem as derruba. Mas, para que percebas que est√£o loucos aqueles que est√£o possu√≠dos pela ira, observa o seu aspecto; na verdade, s√£o claros ind√≠cios de loucura a express√£o ardente e amea√ßadora, a fronte sombria, o semblante feroz, o passo apressado, as m√£os trementes, a mudan√ßa de cor, a respira√ß√£o forte e acelerada, ind√≠cios que est√£o tamb√©m presentes nos homens irados: os olhos incendiam-se e fulminam, a cara cobre-se totalmente de um rubor, por causa do sangue que a ela aflui do cora√ß√£o, os l√°bios tremem, os dentes comprimem-se, os cabelos arrepiam-se e eri√ßam-se, a respira√ß√£o √© ofegante e ruidosa, as articula√ß√Ķes retorcem-se e estalam, entre suspiros e gemidos, irrompem frases praticamente incompreens√≠veis, as m√£os entrechocam-se constantemente, os p√©s batem no ch√£o e todo o corpo se agita amea√ßador, a face fica inchada e deformada, horrenda e assutadora. Ficas sem saber se o que h√° de pior neste v√≠cio √© ele ser detest√°vel ou t√£o disforme.

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Labirinto ou Alguns Lugares de Amor

O outono
por assim dizer
pois era ver√£o
forrado de agulhas

a cal
rumorosa
do sol dos cardos

sem outras m√£os que lentas barcas
vai-se aproximando a √°gua

a nudez do vidro
a luz
a prumo dos mastros

os prados matinais
os pés
verdes quase

o brilho
das magnólias
apertado nos dentes

uma espécie de tumulto
as unhas
t√£o fatigadas dos dedos

o bosque abre-se beijo a beijo
e é branco

Rebeca se levantou √† meia-noite e comeu punhados de terra no jardim, com avidez suicida, chorando de dor e f√ļria, mastigando minhocas macias e espeda√ßando os dentes nas cascas de carac√≥is.

Meu Coração é um Enorme Estrado

Conclus√£o a sucata !… Fiz o c√°lculo,
Saiu-me certo, fui elogiado…
Meu coração é um enorme estrado
Onde se exp√Ķe um pequeno anim√°lculo…

A microsc√≥pio de desilus√Ķes
Findei, prolixo nas min√ļcias f√ļteis…
Minhas conclus√Ķes pr√°ticas, in√ļteis…
Minhas conclus√Ķes te√≥ricas, confus√Ķes…

Que teorias h√° para quem sente
O cérebro quebrar-se, como um dente
Dum pente de mendigo que emigrou ?

Fecho o caderno dos apontamentos
E faço riscos moles e cinzentos
Nas costas do envelope do que sou…

[O leite] não é alimento do homem, mas sim dos filhos das vacas, dos cabritos, dos jumentos, etc., antes de terem dentes para comer as ervas dos montes e prados!

Esta Gente / Essa Gente

O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente

Gente que n√£o seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente

Gente com mente
com s√£ mente
que sinta que n√£o mente
que sinta o dente s√£o e a mente

Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente

O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente

Essa gente dominada por essa gente
n√£o sente como a gente
n√£o quer
ser dominada por gente

NENHUMA!

A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente

Talvez o Vento Saiba

Talvez o vento saiba dos meus passos,
das sendas que os meus pés já não abordam,
das ondas cujas cristas n√£o transbordam
senão o sal que escorre dos meus braços.

As sereias que ouvi n√£o mais acordam
à cálida pressão dos meus abraços,
e o que a inf√Ęncia teceu entre sarga√ßos
as agulhas do tempo j√° n√£o bordam.

Só vejo sobre a areia vagos traços
de tudo o que meus olhos mal recordam
e os dentes, por in√ļteis, n√£o concordam

sequer em mastigar como bagaços.
Talvez se lembre o vento desses laços
que a dura mão de Deus fez em pedaços.

Por que escovar os dentes quatro vezes ao dia e fazer sexo duas vezes por semana? Por que n√£o o contr√°rio?

Envelhecem os Anos

Envelhecem os anos, mas nunca os meses
com seu crédito de imagens para quem morre
ou vive. √Č o t√≠tulo de quem se ergue pelos dentes
mais que o riso nesse colar de sonhos ao fim das tardes.
Aqui a coisa alheia tem a metade do j√° sentido
e n√£o pode parar no mundo.

√Č que algu√©m n√£o d√° tempo ao cora√ß√£o
e solit√°rio bate na coisa dura de sempre.
H√° horas antigas agora: teu destino indeclin√°vel,
um jogo antigo de olhos com lágrimas prontas desde o início
e adiante a demora dos ausentes, o universo fechado
em sua idade. Tu te juntas e deixas a monótona vida

exagerar a fé, estimular o preço num feriado
de diferenças. Então a natureza nesse dia de chuva fina,
ela e o vidro da janela que se turva,
tenta o início e arrasta os desejos da existência.

Suporte Real para a Emoção

Um fidalgo dos nossos, extremamente sujeito √† gota, sendo pressionado pelos m√©dicos a abandonar totalmente o uso das carnes salgadas, acostumara-se a responder muito espirituosamente que desejava ter o que culpar pelos ataques e tormentos do mal e que vituperando e maldizendo ora o salsich√£o, ora a l√≠ngua de boi e o presunto, sentia-se proporcionalmente aliviado. Mas, seriamente, assim como o bra√ßo que √© erguido para bater nos d√≥i se o golpe falhar e ele for ao vento; e assim como para tornar agrad√°vel uma vista √© preciso que ela n√£o esteja perdida e isolada no vazio do ar, mas tenha uma proemin√™ncia para apoi√°-la a razo√°vel dist√Ęncia,

Assim como o vento, se espessas florestas n√£o lhe op√Ķem resist√™ncia, perde as for√ßas e se dissipa no espa√ßo vazio… (Lucano)

Da mesma forma parece que a alma estimulada e posta em movimento se perde em si mesma se não lhe dermos uma presa: é preciso sempre fornecer-lhe um objecto sobre o qual ela se lance e actue.
Diz Plutarco, a prop√≥sito dos que se afei√ßoam a macacos e cachorrinhos, que a parte amorosa que existe em n√≥s, na falta de um alvo leg√≠timo, em vez de ficar in√ļtil forja assim para si um alvo falso e f√ļtil.

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Poema da Terra Adubada

Por detr√°s das √°rvores n√£o se escondem faunos, n√£o.
Por detr√°s das √°rvores escondem-se os soldados
com granadas de m√£o.

As √°rvores s√£o belas com os troncos dourados.
S√£o boas e largas para esconder soldados.

Não é o vento que rumoreja nas folhas,
não é o vento, não.
S√£o os corpos dos soldados rastejando no ch√£o.

O brilho s√ļbito n√£o √© do limbo das folhas verdes reluzentes.
√Č das l√Ęminas das facas que os soldados apertam entre os dentes.

As rubras flores vermelhas n√£o s√£o papoilas, n√£o.
√Č o sangue dos soldados que est√° vertido no ch√£o.

N√£o s√£o vespas, nem besoiros, nem p√°ssaros a assobiar.
S√£o os silvos das balas cortando a espessura do ar.

Depois os lavradores
rasgar√£o a terra com a l√Ęmina aguda dos arados,
e a terra dar√° vinho e p√£o e flores
adubada com os corpos dos soldados.

O Amor na Lama

– Esteban, o homem n√£o poderia fazer grandes obras sem trabalhos pequenos; na maqueta do carpinteiro est√° todo o edif√≠cio do arquiteto, n√£o h√° profiss√Ķes grandes e pequenas: alegro-me que tenhas decidido ficar connosco na carpintaria, mas conv√©m que te lembres disso. N√£o te esque√ßas de que Deus tamb√©m se senta numa cadeira e come a uma mesa e dorme numa cama. Como qualquer um. Pode prescindir dos ret√°bulos, das est√°tuas e dos livros que lhe dedicam, incluindo a B√≠blia, mas n√£o da cadeira, da mesa e da cama. ‚ÄĒ O meu tio esfor√ßava-se muito. Queria que eu me sentisse bem na profiss√£o. Que come√ßasse a gostar dela. Acreditava que eu vivia como um fracasso a decis√£o de ter abandonado a Escola de Belas–Artes. Intu√≠a certamente que eu precisava de desenvolver a minha autoestima. Mas tudo isso me parecia mera ret√≥rica ‚ÄĒ e era-o ‚ÄĒ, a verdade √© que por essa altura j√° tinha come√ßado a sair com Leonor e era ela quem eu amava, aprendia a gostar de mim atrav√©s dela. Descobria o meu corpo em cada palmo do corpo dela, e o meu corpo ganhava valor porque lhe pertencia, era o seu complemento: acreditava que partilh√°vamos dois corpos que jamais poderiam separar-se e viver cada um por si.

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Os novos amigos que criamos, depois de certa idade, e pelos quais procuramos substituir aqueles que perdemos, estão para os nossos velhos amigos, como os olhos de vidro, os dentes postiços e as pernas de pau estão para os verdadeiros olhos, para os dentes naturais e para as pernas de carne e osso.

Perante A Morte

Perante a Morte empalidece e treme,
Treme perante a Morte, empalidece.
Coroa-te de l√°grimas, esquece
O Mal cruel que nos abismos geme.

Ah! longe o Inferno que flameja e freme,
Longe a Paiz√£o que s√≥ no horror floresce…
A alma precisa de silêncio e prece,
Pois na prece e silêncio nada teme.

Silêncio e prece no fatal segredo,
Perante o pasmo do sombrio medo
Da morte e os seus aspectos reverentes…

Silêncio para o desespero insano,
O furor gigantesco e sobre-humano,
A dor sinistra de ranger os dentes!