Cita√ß√Ķes sobre Disfarce

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Frases sobre disfarce, poemas sobre disfarce e outras cita√ß√Ķes sobre disfarce para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Hipocrisia do Amor-Próprio

A natureza do amor-pr√≥prio e deste eu humano √© de s√≥ se amar a si e de s√≥ se considerar a si. Mas que h√°-de fazer? N√£o saberia impedir que este objecto que ama esteja cheio de defeitos e de mis√©rias: quer ser grande e v√™-se pequeno; quer ser feliz e v√™-se miser√°vel; quer ser perfeito – v√™-se cheio de imperfei√ß√Ķes; quer ser objecto do amor e da estima dos homens e v√™ que os seus defeitos s√≥ merecem a sua avers√£o e o seu desprezo. Este embara√ßo em que se encontra produz nele a mais injusta e a mais criminosa paix√£o que √© poss√≠vel imaginar; porque concebe um √≥dio mortal contra esta verdade que o repreende, e que o convence dos seus defeitos. Ele desejaria aniquil√°-la, e n√£o a podendo destruir em si mesma, destr√≥i-a, tanto quanto pode, no seu conhecimento e no dos outros, isto √©, p√Ķe todos os cuidados em encobrir os seus defeitos, aos outros e a si mesmo, e n√£o suporta que lhos fa√ßam ver, nem que lhos vejam.
√Č sem d√ļvida um mal estar cheio de defeitos; mas √© ainda um mal muito maior estar cheio e n√£o os querer reconhecer, visto que √© acrescentar-lhe ainda o de uma ilus√£o volunt√°ria.

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A Floresta

Em v√£o com o mundo da floresta privas!…
РTodas as hermenêuticas sondagens,
Ante o hieróglifo e o enigma das folhagens,
S√£o absolutamente negativas!

Araucárias, traçando arcos de ogivas,
Bracejamentos de √°lamos selvagens,
Como um convite para estranhas viagens,
Tornam todas as almas pensativas!

Há uma força vencida nesse mundo!
Todo o organismo florestal profundo
√Č dor viva, trancada num disfarce…

Vivem só, nele, os elementos broncos,
– As ambi√ß√Ķes que se fizeram troncos,
Porque nunca puderam realizar-se!

Civilização Racional

O nosso conhecimento do valor hist√≥rico de certas doutrinas religiosas aumenta o nosso respeito por elas, mas n√£o invalida a nossa posi√ß√£o, segundo a qual devem deixar de ser apresentadas como os motivos para os preceitos da civiliza√ß√£o. Pelo contr√°rio! Esses res√≠duos hist√≥ricos auxiliaram-nos a encarar os ensinamentos religiosos como rel√≠quias neur√≥ticas, por assim dizer, e agora podemos arguir que provavelmente chegou a hora, tal como acontece num tratamento anal√≠tico, de substituir os efeitos da repress√£o pelos resultados da opera√ß√£o racional do intelecto. Podemos prever, mas dificilmente lamentar, que tal processo de remodela√ß√£o n√£o se deter√° na ren√ļncia √† transfigura√ß√£o solene dos preceitos culturais, mas que a sua revis√£o geral resultar√° em que muitos deles sejam eliminados. Desse modo, a nossa tarefa de reconciliar os homens com a civiliza√ß√£o estar√°, at√© um grande ponto, realizada. N√£o precisamos de deplorar a ren√ļncia √† verdade hist√≥rica quando apresentamos fundamentos racionais para os preceitos da civiliza√ß√£o. As verdades contidas nas doutrinas religiosas s√£o, afinal de contas, t√£o deformadas e sistematicamente disfar√ßadas, que a massa da humanidade n√£o pode identific√°-las como verdade. O caso √© semelhante ao que acontece quando dizemos a uma crian√ßa que os rec√©m-nascidos s√£o trazidos pela cegonha. Aqui, tamb√©m estamos a contar a verdade sob uma roupagem simb√≥lica,

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Sonhar é Preciso

Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas s√£o insuper√°veis, as perdas s√£o insuport√°veis, as decep√ß√Ķes transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo.
Voltaire disse que os sonhos e a esperan√ßa nos foram dados como compensa√ß√£o √†s dificuldades da vida. Mas precisamos de compreender que os sonhos n√£o s√£o desejos superficiais. Os sonhos s√£o b√ļssolas do cora√ß√£o, s√£o projectos de vida. Os desejos n√£o suportam o calor das dificuldades. Os sonhos resistem √†s mais altas temperaturas dos problemas. Renovam a esperan√ßa quando o mundo desaba sobre n√≥s.

John F. Kennedy disse que precisamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram. Tem fundamento o seu pensamento, pois os sonhos abrem as janelas da mente, arejam a emoção e produzem um agradável romance com a vida.
Quem n√£o vive um romance com a sua vida ser√° um miser√°vel no territ√≥rio da emo√ß√£o, ainda que habite em mans√Ķes, tenha carros luxuosos, viaje em primeira classe nos avi√Ķes e seja aplaudido pelo mundo.

Precisamos de perseguir os nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem de ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar, ainda que nem todas as metas sejam atingidas.

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Véspera

Amor: em teu regaço as formas sonham
o instante de existir: ainda é bem cedo
para acordar, sofrer. Nem se conhecem
os que se destruir√£o em teu bruxedo.

Nem tu sabes, amor, que te aproximas
a passo de veludo. √Čs t√£o secreto,
reticente e ardiloso, que semelhas
uma casa fugindo ao arquitecto.

Que presságios circulam pelo éter,
que signos de paix√£o, que suspir√°lia
hesita em consumar-se, como fl√ļor,
se não a roça enfim tua sandália?

Não queres morder célere nem forte.
Evitas o clar√£o aberto em susto.
Examinas cada alma. √Č fogo inerte?
O sacrifício há de ser lento e augusto.

Ent√£o, amor, escolhes o disfarce.
Como brincas (e és sério) em cabriolas,
em risadas sem modo, pés descalços,
no círculo de luz que desenrolas!

Contempla este jardim: os namorados,
dois a dois, l√°bio a l√°bio, v√£o seguindo
de teu capricho o hermético astrolábio,
e perseguem o sol no dia findo.

E se deitam na relva; e se enlaçando
num desejo menor, ou na indecisa
procura de si mesmos,

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C√Ęntico de Humanidade

Hinos aos deuses, n√£o.
Os homens é que merecem
Que se lhes cante a virtude.
Bichos que lavram no ch√£o,
Actuam como parecem,
Sem um disfarce que os mude.

Apenas se os deuses querem
Ser homens, nós os cantemos.
E à soga do mesmo carro,
Com os aguilh√Ķes que nos ferem,
Nós também lhes demonstremos
Que s√£o mortais e de barro.

Vivemos sob rótulos e amarras, mascarados de verdades postiças e de disfarces emprestados.

Hoje fala-se com disfarces e com palidez e as ac√ß√Ķes s√£o o oposto das palavras e a sociedade √© t√£o corrompida, que pais e maridos ofendidos passeiam de bra√ßo dado com os her√≥is de sala.

Como uma Voz de Fonte que Cessasse

Como uma voz de fonte que cessasse
(E uns para os outros nossos v√£os olhares
Se admiraram), p’ra além dos meus palmares
De sonho, a voz que do meu tédio nasce

Parou… Apareceu j√° sem disfarce
De m√ļsica long√≠nqua, asas nos ares,
O mistério silente como os mares,
Quando morreu o vento e a calma pasce…

A paisagem longínqua só existe
Para haver nela um silêncio em descida
P‚Äôra o mist√©rio, sil√™ncio a que a hora assiste…

E, perto ou longe, grande lago mudo,
O mundo, o informe mundo onde h√° a vida…
E Deus, a Grande Ogiva ao fim de tudo…

A guerra é o maior dos crimes, mas não existe agressor que não disfarce seu crime com pretexto de justiça.

Nas riquezas est√° a raiz dos males que afagam e enganam por disfarces e sedu√ß√Ķes a cegueira

Nas riquezas est√° a raiz dos males que afagam e enganam por disfarces e sedu√ß√Ķes a cegueira da mente humana.

Chove ? Nenhuma Chuva Cai…

Chove? Nenhuma chuva cai…
Então onde é que eu sinto um dia
Em que ruído da chuva atrai
A minha in√ļtil agonia ?

Onde é que chove, que eu o ouço?
Onde é que é triste, ó claro céu?
Eu quero sorrir-te, e n√£o posso,
√ď c√©u azul, chamar-te meu…

E o escuro ruído da chuva
√Č constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Tra√ßada pelo som do vento…

E eis que ante o sol e o azul do dia,
Como se a hora me estorvasse,
Eu sofro… E a luz e a sua alegria
Cai aos meus pés como um disfarce.

Ah, na minha alma sempre chove.
H√° sempre escuro dentro de mim.
Se escuro, alguém dentro de mim ouve
A chuva, como a voz de um fim…

Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas…

No claustro sequestrando a lucidez
Um espasmo apagado em √≥dio √† √Ęnsia
P√Ķe dias de ilhas vistas do conv√©s

No meu cansaço perdido entre os gelos,

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√Č somente pelo amaciamento e disfarce da carne morta atrav√©s do preparo culin√°rio, que ela √© tornada suscept√≠vel de mastiga√ß√£o ou digest√£o e que a vis√£o de seus sucos sangrentos e horror puro n√£o criam um desgosto e abomina√ß√£o intoler√°veis.

A um Poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma de disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
√Č a for√ßa e a gra√ßa na simplicidade.

Um Campo Batido pela Brisa

A tua nudez inquieta-me.

H√° dias em que a tua nudez
é como um barco subitamente entrado pela barra.
Como um temporal. Ou como
certas palavras ainda n√£o inventadas,
certas posi√ß√Ķes na guitarra
que o tocador n√£o conhecia.

A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo
para um lado misterioso e fr√°gil.
Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe
contorno, peso. Destrói o meu corpo.
A tua nudez é uma violência
suave, um campo batido pela brisa
no mês de Janeiro quando sobem as flores
pelo ventre da terra fecundada.

Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas
com o vocabul√°rio da tua nudez.
Tenho ¬ęum pensamento despido¬Ľ;
matura√ß√£o; altas combust√Ķes.
De m√£o dada contigo entro por mim dentro
como em outros tempos na piscina
os leprosos cheios de esperança.
E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete
que lanço com mão tremente desastrada
para rebentar e encher a minha carne
de transparência.

Sete dias ao longo da semana,
trinta dias enquanto dura um mês
eu ando corajoso e sem disfarce,

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Tecido

O texto tem sua face
de avesso na superfície:
é dia e noite, sintaxe
do que se pensa, ou se disse.

Tudo no texto é disfarce,
ritual de voz e artifício,
como se tudo falasse
por si mesmo, na planície.

Seja por dentro ou por fora,
seja de lado ou durante,
o texto é sempre demora:

o descompasso da escrita
e da leitura no grande
intervalo dos sentidos.

Sentimento do Tempo

Os sapatos envelheceram depois de usados
Mas fui por mim mesmo aos mesmos descampados
E as borboletas pousavam nos dedos de meus pés.
As coisas estavam mortas, muito mortas,
Mas a vida tem outras portas, muitas portas.
Na terra, três ossos repousavam
Mas h√° imagens que n√£o podia explicar; me ultrapassavam.
As l√°grimas correndo podiam incomodar
Mas ninguém sabe dizer porque deve passar
Como um afogado entre as correntes do mar.
Ninguém sabe dizer porque o eco embrulha a voz
Quando somos crianças e ele corre atrás de nós.
Fizeram muitas vezes minha fotografia
Mas meus pais n√£o souberam impedir
Que o sorriso se mudasse em zombaria
E um coração ardente em coisa fria.
Sempre foi assim: vejo um quarto escuro
Onde só existe a cal de um muro.
Costumo ver nos guindastes do porto
O esqueleto funesto de outro mundo morto
Mas n√£o sei ver coisas mais simples como a √°gua.
Fugi e encontrei a cruz do assassinado
Mas quando voltei, como se n√£o houvesse voltado,
Comecei a ler um livro e nunca mais tive descanso.

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Antes do Nome

N√£o me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os s√≠tios escuros onde nasce o ¬ęde¬Ľ, o ¬ęali√°s¬Ľ,
o ¬ęo¬Ľ, o ¬ępor√©m¬Ľ e o ¬ęque¬Ľ, esta incompreens√≠vel
muleta que me apoia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poder√° apanh√°-la: um peixe vivo com a m√£o.
Puro susto e terror.