Cita√ß√Ķes sobre Divis√£o

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Frases sobre divis√£o, poemas sobre divis√£o e outras cita√ß√Ķes sobre divis√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Passei Ontem A Noite Junto Dela.

Passei ontem a noite junto dela.
Do camarote a divis√£o se erguia
Apenas entre nós Рe eu vivia
No doce alento dessa virgem bela…

Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! Só a via!
M√ļsica mais do c√©u, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela!

Como era doce aquele seio arfando!
Nos l√°bios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!

Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
√Č sentir todo o seio palpitando…
Cheio de amores! E dormir solteiro!

A Habilidade Específica do Político

A habilidade espec√≠fica do pol√≠tico consiste em saber que paix√Ķes pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele pr√≥prio e aos seus aliados. Na pol√≠tica como na moeda h√° uma lei de Gresham; o homem que visa a objectivos mais nobres ser√° expulso, excepto naqueles raros momentos (principalmente revolu√ß√Ķes) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paix√£o interesseira. Al√©m disso, como os pol√≠ticos est√£o divididos em grupos rivais, visam a dividir a na√ß√£o, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem √† custa do ¬ęru√≠do e da f√ļria, que nada significam¬Ľ. N√£o podem prestar aten√ß√£o a nada que seja dif√≠cil de explicar, nem a nada que n√£o acarrete divis√£o (seja entre na√ß√Ķes ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos pol√≠ticos como classe.

As opini√Ķes reproduzem-se por divis√£o, os pensamentos, por germina√ß√£o.

O socialismo √© a filosofia da falha, o credo da ignor√Ęncia e o evangelho da inveja, sua virtude inerente √© a divis√£o igualit√°ria da mis√©ria.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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O Dilema do Conhecimento

Como todos sabemos, aprender pouco é algo perigoso. Mas o excesso de aprendizado altamente especializado também é uma coisa perigosa, e por vezes pode ser ainda mais perigoso do que aprender só um pouco. Um dos principais problemas da educação superior agora é conciliar as exigências da muita aprendizagem, que é essencialmente uma aprendizagem especializada, com as exigências da pouca aprendizagem, que é a abordagem mais ampla, mas menos profunda, dos problemas humanos em geral.
(…) O que precisamos fazer √© arranjar casamentos, ou melhor, trazer de volta ao seu estado original de casados os diversos departamentos do conhecimento e das emo√ß√Ķes, que foram arbitrariamente separados e levados a viver em isolamento nas suas celas mon√°sticas. Podemos parodiar a B√≠blia e dizer: “Que o homem n√£o separe o que a natureza juntou”; n√£o permitamos que a arbitr√°ria divis√£o acad√©mica em disciplinas rompa a teia densa da realidade, transformando-a em absurdo.
Mas aqui deparamo-nos com um problema muito grave: qualquer forma de conhecimento superior exige especializa√ß√£o. Precisamos de nos especializar para entrar mais profundamente em certos aspectos separados da realidade. Mas se a especializa√ß√£o √© absolutamente necess√°ria, pode ser absolutamente fatal, se levada longe demais. Por isso, precisamos de descobrir algum meio de tirar o maior proveito de ambos os mundos –

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N√£o Choro pela P√°tria

Não choro pela pátria Ninguém chora pela pátria
Retém-se o grito que lavra pelo corpo
sulcos sangrentos e o faz sentir em si a pele
que se separa e se encolhe ante a violência
da dispers√£o comum e do falso fulgor
que encobre a irrepar√°vel divis√£o
de se ter perdido o universo e a viva comunidade
Onde est√£o aqueles que poderiam metamorfosear
a indigência da separação real
abrindo um espaço de respiração solar
e reunir num todo os que conhecem a sua solid√£o
e os que nem sequer sentem a vertigem de a nada pertencerem
senão à negação que se afirma em lugar da integridade viva?

De que Serve Discutir as Ideologias?

Para compreendermos o homem e as suas necessidades, para o conhecermos naquilo que ele tem de essencial, n√£o precisamos de p√īr em confronto as evid√™ncias das nossas verdades. Sim, t√™m raz√£o. T√™m todos raz√£o. A l√≥gica demonstra tudo. Tem raz√£o aquele que rejeita que todas as desgra√ßas do mundo recaiam sobre os corcundas. Se declararmos guerra aos corcundas, aprenderemos rapidamente a exaltar-nos. Vingaremos os crimes dos corcundas. E, sem d√ļvida, tamb√©m os corcundas cometem crimes.
A fim de tentarmos separar este essencial, √© necess√°rio esquecermos por um instante as divis√Ķes que, uma vez admitidas, implicam todo um Cor√£o de verdades inabal√°veis e o inerente fanatismo. Podemos classificar os homens em homens de direita e em homens de esquerda, em corcundas e n√£o corcundas, em fascistas e em democratas, e estas distin√ß√Ķes s√£o incontest√°veis.
Mas sabem que a verdade é aquilo que simplifica o mundo, e não aquilo que cria o caos. A verdade é a linguagem que desencadeia o universal.
Newton n√£o ¬ędescobriu¬Ľ uma lei h√° muito disfar√ßada de solu√ß√£o de enigma, Newton efectuou uma opera√ß√£o criativa. Instituiu uma linguagem de homem capaz de exprimir simultaneamente a queda da ma√ß√£ num prado ou a ascens√£o do sol.

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Amo o Caminho que Estendes

Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divis√Ķes.
Ignoro se um p√°ssaro morto continua o seu voo
Se se recorda dos movimentos migratórios
E das esta√ß√Ķes.
Mas n√£o me importo de adoecer no teu colo
De dormir ao relento entre as tuas m√£os.

Requiem para um Defunto Vulgar

Antoninho morreu. Seu corpo resignado
é como um rio incolor, regressando à nascente
num silêncio de espanto e mistério revelado.
Est√° ali – estando ausente.

Jaz de corpo inteiro e fato preto.
Ele, da cabeça aos pés,
trivial e completo,
estátua de proa e moço de convés.

Jaz como se dormisse (pelo menos
é o que dizem as velhas carpideiras).
Jaz imóvel, sem gestos, sem acenos.
Jaz morto de todas as maneiras.

Jaz morto de cansaço, de pobreza, de fome
(sobretudo, de fome). Jaz morto sem remédio.
√Č apenas, sobre um papel azul, um nome.
De ser mais qualquer coisa, a morte impede-o.

Jaz alheio a tudo à sua volta,
à grita dos parentes, companheiros,
como um cavalo à rédea solta
ou no mar largo, os r√°pidos veleiros.

Jaz in√ļtil, feio, pesado,
a colcha de crochet aconchega-o na cama.
Nunca esteve t√£o quente e animado.
Nunca foi t√£o menino de mama.

Os filhos olham-no e fazem contas cuidadosas:
padre, enterro, velório, certidão
de √≥bito… E discutem, com manhas de raposas,

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Presente: a parte da eternidade que assinala a divisão entre o domínio da frustração e o reino da esperança.

Plano de Vida

Um plano geral para a vida deve implicar, antes de mais, alcan√ßar-se qualquer forma de estabilidade financeira. Marquei como limite para essa coisa humilde a que chamo estabilidade financeira cerca de sessenta d√≥lares‚ÄĒquarenta para o necess√°rio, e vinte para as coisas sup√©rfluas da vida. A forma de o alcan√ßar √© adicionar aos trinta e um d√≥lares dos dois escrit√≥rios (P & FF) vinte e nove d√≥lares de proveni√™ncia a determinar. Em rigor, para viver apenas, cinquenta d√≥lares bastariam, pois, tomando trinta e cinco como base necess√°ria, quinze j√° davam para o resto.

A coisa essencial que vem logo a seguir √© residir numa casa com bastante espa√ßo, espa√ßo quanto a divis√Ķes e divis√Ķes com os requisitos necess√°rios, para arrumar todos os meus pap√©is e livros na devida ordem; e tudo isto sem grande possibilidade de me mudar dentro de pouco tempo. Parece que o mais f√°cil seria alugar eu pr√≥prio uma casa ‚ÄĒ √† base de, suponhamos, oito ou, quando muito, nove d√≥lares ‚ÄĒ e viver l√° √† vontade, combinando que me levassem o jantar (e o pequeno-almo√ßo) todos os dias, ou coisa parecida. Mas seria este sistema absolutamente conveniente?

Substituir, no tocante à ordem dos papéis,

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A Vaidade como Base da Sociedade

Nada contribui tanto para a sociedade dos homens, como a mesma vaidade deles: os Imp√©rios, e Rep√ļblicas, n√£o tiveram outra origem, ou ao menos n√£o tiveram outro princ√≠pio, em que mais seguramente se fundassem: na reparti√ß√£o da terra, n√£o s√≥ fez ajuntar os homens os mesmos g√©neros de interesses, mas tamb√©m os mesmos g√©neros de vaidades, e nisto se v√™ dois efeitos contr√°rios; porque sendo pr√≥prio na vaidade o separar os homens, tamb√©m serve muitas vezes de os unir. H√° vaidades, que s√£o universais, e compreendem Vilas, Cidades, e Na√ß√Ķes Inteiras; as outras s√£o particulares, e pr√≥prias de cada um de n√≥s; das primeiras resulta a sociedade, das segundas a divis√£o.

O desporto tem o poder de superar velhas divis√Ķes e criar o la√ßo de aspira√ß√Ķes comuns.

Estamos a Cair na Mediocridade Governativa

Estamos a cair na mediocridade porque estamos muito subservientes aos padr√Ķes de efic√°cia e da racionalidade europeia. Os tempos festivos da revolu√ß√£o passaram. Teriam naturalmente que passar, mas aplica-se a terap√™utica da racionaliza√ß√£o tecnocr√°tica e isso mata o sonho. Devia haver outras vias. Vias apropriadas √†quilo que somos. N√£o somos um Pa√≠s de grandes voos capitalistas. Se o quisermos ser ca√≠mos, inexoravelmente, nas garras do monopolismo. Portanto, dev√≠amos cultivar as pequenas e m√©dias empresas. Esta devia ser a l√≥gica da economia portuguesa. Devia dar-se grande valor √†s pequenas e m√©dias empresas e realmente deixarmo-nos de ambi√ß√Ķes que nos alcem aos grandes padr√Ķes europeus.

(…) Os (partidos pol√≠ticos t√™m) os mesmos defeitos e algumas qualidades em comum. Evidentemente que os partidos s√£o um defeito necess√°rio, porque dividem, mas √© uma divis√£o necess√°ria para agrupar, para reunir a ideia da democracia parlamentar que temos. Agora, o erro das pessoas √© adorn√°-los com m√©ritos extraordin√°rios, porque isso faz-nos cair numa partidolatria, impr√≥pria de esp√≠ritos livres! N√£o penso que a nossa classe pol√≠tica seja pior do que a classe pol√≠tica de outros pa√≠ses. Ponhamos as coisas neste p√©: as minhas exig√™ncias est√©ticas e √©ticas n√£o tornam muito f√°ceis as minhas rela√ß√Ķes com a classe pol√≠tica.

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Como Queiras, Amor…

Como queiras, Amor, como tu queiras.
Entregue a ti, a tudo me abandono,
seguro e certo, num terror tranquilo.
A tudo quanto espero e quanto temo,
entregue a ti, Amor, eu me dedico.

Nada há que eu não conheça, que eu não saiba,
e nada, n√£o, ainda h√° por que eu n√£o espere
como de quem ser vida é ter destino.

As pequeninas coisas da maldade, a fria
t√£o tenebrosa divis√£o do medo
em que os homens se mordem com rosnidos
de malcontente crueldade imunda,
eu sei quanto me aguarda, me deseja,
e sei até quanto ela a mim me atrai.

Como queiras, Amor, como tu queiras.
De frágil que és, não poderás salvar-me.
Tua nobreza, essa ternura tépida
quais olhos marejados, carne entreaberta,
será só escárneo, ou, pior, um vão sorriso
em l√°bios que se fecham como olhares de raiva.
N√£o poder√°s salvar-me, nem salvar-te.
Apenas como queiras ficaremos vivos.

Ser√° mais duro que morrer, talvez.
Entregue a ti, porém, eu me dedico
àquele amor por qual fui homem, posse
e uma tão extrema sujeição de tudo.

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Que Todos os Dias Sejam Dias de Amor

Jo√£o Brand√£o pergunta, prop√Ķe e decreta:
Se h√° o Dia dos Namorados, por que n√£o haver o Dia dos Amorosos, o Dia dos Amadores, o Dia dos Amantes? Com todo o fogo desta √ļltima palavra, que circula entre o carnal e o sublime?
E o Dia dos Amantes Exemplares e o Dia dos Amantes Plat√īnicos, que tamb√©m s√£o exemplares √† sua maneira, e dizem at√© que mais?
Por que não instituir, ó psicólogos, ó sociólogos, ó lojistas e publicitários, o Dia do Amor?
O Dia de Fazê-lo, o Dia de Agradecer-lhe, o de Meditá-lo em tudo que encerra de mistério e grandeza, o Dia de Amá-lo? Pois o Amor se desperdiça ou é incompreendido até por aqueles que amam e não sabem, pobrezinhos, como é essencial amar o Amor.
E mais o Dia do Amor Tranq√ľilo, t√£o raro e vestido de linho alvo, o Dia do Amor Violento, o Dia do Amor Que N√£o Ousava Dizer o Seu Nome Mas Agora Ousa, na arrebenta√ß√£o geral do s√©culo?
Amor Complicado pede o seu Dia, n√£o para tornar-se pedestre, mas para requintar em sua complica√ß√£o cheia de v√īos fora do hor√°rio e da visibilidade. Amor √† Primeira Vista,

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A Temporalidade

A temporalidade √© evidentemente uma estrutura organizada, e esses tr√™s pretensos “elementos” do tempo, passado, presente , futuro, n√£o devem ser considerados como uma colec√ß√£o de “dados” cuja soma deve ser feita – por exemplo, como uma s√©rie infinita de “agora”, alguns dos quais ainda n√£o s√£o, outros que n√£o s√£o mais -, mas como momentos estruturados de uma s√≠ntese original. Sen√£o encontraremos, em primeiro lugar, este paradoxo: o passado n√£o √© mais, o futuro ainda n√£o √©, quanto ao presente instant√Ęneo, todos sabem que ele n√£o √© tudo, √© o limite de uma divis√£o infinita, como o ponto sem dimens√£o.