Passagens sobre Excitação

25 resultados
Frases sobre excita√ß√£o, poemas sobre excita√ß√£o e outras passagens sobre excita√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Beleza ou a Excitação Aparecem no Mundo por Omissão

O que faz quando l√™? Vou dar-lhe j√° a resposta: a sua leitura deixa de lado aquilo que n√£o lhe conv√©m. O mesmo fez j√° o autor antes. Omitem-se tamb√©m coisas nos sonhos e na imagina√ß√£o. Daqui concluo: a beleza ou a excita√ß√£o aparecem no mundo por omiss√£o. Parece evidente que o modo como nos situamos na realidade corresponde a um compromisso, um estado interm√©dio em que os sentimentos se impedem mutuamente de chegar a paix√Ķes e se misturam em tons de cinzento. As crian√ßas que desconhecem este modo de estar no mundo s√£o, por isso, mais e menos felizes do que os adultos. E acrescento j√°: tamb√©m as pessoas est√ļpidas omitem; como se sabe, a estupidez faz-nos felizes.

Os homens t√™m necessidade da culpa porque ela funciona como um excitante para criar. T√™m que criar as excita√ß√Ķes da culpa. T√™m que ser criminosos. √Č t√£o simples como isso.

Pornografia √© usada no estupro ‚ÄĒ para planej√°-lo, para execut√°-lo, para coreograf√°-lo, para gerar a excita√ß√£o em cometer o ato.

O Amor na Lama

– Esteban, o homem n√£o poderia fazer grandes obras sem trabalhos pequenos; na maqueta do carpinteiro est√° todo o edif√≠cio do arquiteto, n√£o h√° profiss√Ķes grandes e pequenas: alegro-me que tenhas decidido ficar connosco na carpintaria, mas conv√©m que te lembres disso. N√£o te esque√ßas de que Deus tamb√©m se senta numa cadeira e come a uma mesa e dorme numa cama. Como qualquer um. Pode prescindir dos ret√°bulos, das est√°tuas e dos livros que lhe dedicam, incluindo a B√≠blia, mas n√£o da cadeira, da mesa e da cama. ‚ÄĒ O meu tio esfor√ßava-se muito. Queria que eu me sentisse bem na profiss√£o. Que come√ßasse a gostar dela. Acreditava que eu vivia como um fracasso a decis√£o de ter abandonado a Escola de Belas–Artes. Intu√≠a certamente que eu precisava de desenvolver a minha autoestima. Mas tudo isso me parecia mera ret√≥rica ‚ÄĒ e era-o ‚ÄĒ, a verdade √© que por essa altura j√° tinha come√ßado a sair com Leonor e era ela quem eu amava, aprendia a gostar de mim atrav√©s dela. Descobria o meu corpo em cada palmo do corpo dela, e o meu corpo ganhava valor porque lhe pertencia, era o seu complemento: acreditava que partilh√°vamos dois corpos que jamais poderiam separar-se e viver cada um por si.

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A √ļnica Doen√ßa √© n√£o Haver Paix√£o

A √ļnica doen√ßa √©
n√£o haver paix√£o.

H√° pessoas que encontram no mundo um mero
local de passagem, pessoas que n√£o sentem o que
vêem, que não tocam o que encontram; há pessoas
que n√£o percebem que tudo o que existe foi criado
para apaixonar, para absolutamente apaixonar.

Se n√£o houver paix√£o
para que serve haver a vida?

H√° pessoas
e depois existes tu.

Tu e a loucura de quereres devorar o que te
rodeia, tu e essa puls√£o incontrol√°vel para todos
os segundos serem os finais, para todos os instantes
da vida terem desesperadamente de valer pela vida toda.

Se não houver o que tu és
para que serve haver o amor?

E depois existo eu. A apaixonada que ensinaste
a apaixonar-se. Antes de ti n√£o havia o tes√£o, havia
talvez uma ligeira excitação quando algo de muito
grande me acontecia. Antes de ti n√£o sabia a
beleza do medo, a sensação sem igual de um coração nas
mãos. Antes de ti não sabia que um coração ou está
nas m√£os ou anda a rastejar pelos ch√£os.

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Espírito Aniquilado pelo Corpo

O corpo encerra o espírito numa fortaleza; depressa a fortaleza é cercada por todos os lados, e por fim o espírito tem de se render. Mas, limitando-me a distinguir as duas espécies de perigos que ameaçam o espírito, e começando pelo exterior, lembrava-me de que já muitas vezes na vida me acontecera, em momentos de excitação intelectual em que uma circunstãncia qualquer suspendera em mim toda a actividade física (por exemplo, ao deixar de carruagem, meio embriagado, o restaurante de Rivebelle a caminho de um casino qualquer nas proximidades), sentir muito nitidamente dentro de mim o objecto actual do meu pensamento e compreender até que ponto dependia de um acaso, não apenas que tal objecto não entrasse ainda nos meus pensamentos, mas que fosse aniquilado com o meu próprio corpo.

Para a Psicologia do Artista

Para que haja arte, para que haja alguma ac√ß√£o e contempla√ß√£o est√©ticas, torna-se indispens√°vel uma condi√ß√£o fisiol√≥gica pr√©via: a embriaguez. A embriaguez tem de intensificar primeiro a excitabilidade da m√°quina inteira: antes disto n√£o acontece arte alguma. Todos os tipos de embriaguez, por muito diferentes que sejam os seus condicionamentos, t√™m a for√ßa de conseguir isto: sobretudo a embriaguez da excita√ß√£o sexual, que √© a forma mais antiga e origin√°ria de embriaguez. Tamb√©m a embriaguez que se segue a todos os grandes apetites, a todos os afectos fortes; a embriaguez da festa, da rivalidade, do feito temer√°rio, da vit√≥ria, de todo o movimento extremo; a embriaguez da crueldade; a embriaguez da destrui√ß√£o; a embriaguez resultante de certos influxos meteorol√≥gicos, por exemplo a embriaguez primaveril; ou a devida ao influxo dos narc√≥ticos; por fim, a embriaguez da vontade, a embriaguez de uma vontade sobrecarregada e dilatada. ‚ÄĒ O essencial na embriaguez √© o sentimento de plenitude e de intensifica√ß√£o das for√ßas. Deste sentimento fazemos part√≠cipes as coisas, contragemo-las a que participem de n√≥s, violentamo-las, ‚ÄĒ idealizar √© o nome que se d√° a esse processo. Libertemo-nos aqui de um preconceito: o idealizar n√£o consiste, como se cr√™ comummente, num subtrair ou diminuir o pequeno,

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Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Aspiro a um Repouso Absoluto

Aspiro a um repouso absoluto e a uma noite cont√≠nua. Poeta das loucas voluptuosidades do vinho e do √≥pio, n√£o tenho outra sede a n√£o ser a de um licor desconhecido na Terra e que nem mesmo a farmacopeia celeste poderia proporcionar-me; um licor que n√£o √© feito nem de vitalidade, nem de morte, nem de excita√ß√£o, nem de nada. Nada saber, nada ensinar, nada querer, nada sentir, dormir e sempre dormir, tal √© actualmente a minha √ļnica aspira√ß√£o. Aspira√ß√£o infame e desanimadora, por√©m sincera.

O Abraço

O abra√ßo. O abra√ßo que parece estar a acabar. O abra√ßo raro, o abra√ßo verdadeiro. Da m√£e que recebe o filho, da mulher que recebe o marido, do amigo que recebe o amigo. O abra√ßo que n√£o se pensa, que n√£o se imagina. O abra√ßo que n√£o √©; o abra√ßo que tem de ser. O abra√ßo que serve para viver. O abra√ßo que acontece ‚Äď e que n√£o se esquece. Um dia hei-de passar todo o dia a ensinar o abra√ßo. A visitar as escolas e a explicar que abra√ßar n√£o √© dois corpos unidos e apertados pelos bra√ßos. Abra√ßar √© dois instantes que se fundem por dentro do que une dois corpos. Abra√ßar √© um orgasmo de vida, um cl√≠max de partilha ‚Äď uma orgia de gente. Abra√ßar √© fechar os olhos e abrir a alma, apertar os m√ļsculos e libertar o sonho. Abra√ßar √© fazer de conta que se √© her√≥i ‚Äď e s√™-lo mesmo. Porque nada √© mais her√≥ico do que um abra√ßo que se deixa ser. Porque nada √© mais her√≥ico do que ter a coragem de abra√ßar, em frente do mundo, em frente da dor, em frente do fim, em frente da derrota. Abra√ßar √© a vit√≥ria do homem sobre o homem,

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Quando j√° conhecemos o que est√° √† volta, pequenos pormenores podem ser grandes excita√ß√Ķes. Na l√≥gica contr√°ria, se uma pessoa se habitua a ansiar por novas coisas, h√° uma certa subst√Ęncia de excita√ß√£o que leva a ter de aumentar a quantidade.

A Doce Incerteza do Romance

N√£o vejo nada de rom√Ęntico numa proposta de noivado. √Č certo que √© rom√Ęntico uma pessoa estar apaixonada. Mas numa proposta concreta n√£o h√° romance nenhum; podemos at√© vir a ser aceites, e na grande maioria dos casos √© isso que acontece, segundo creio, cessando nesse momento qualquer excita√ß√£o. A pr√≥pria ess√™ncia do romance √© a incerteza. Se algum dia me casar, farei tudo para me esquecer desse facto.

Cont√°gio Mental

O cont√°gio mental representa o elemento essencial da propaga√ß√£o das opini√Ķes e das cren√ßas. A sua for√ßa √©, muitas vezes, bastante consider√°vel para fazer agir o indiv√≠duo contra os seus interesses mais evidentes. As inumer√°veis narra√ß√Ķes de mart√≠rios, de suic√≠dios, de mutila√ß√Ķes, etc., determinados por cont√°gio mental fornecem uma prova disso.
Todas as manifesta√ß√Ķes da vida ps√≠quica podem ser contagiosas, mas s√£o, especialmente, as emo√ß√Ķes que se propagam desse modo. As ideias contagiosas s√£o s√≠nteses de elementos afectivos.
Na vida comum, o cont√°gio pode ser limitado pela ac√ß√£o inibidora da vontade, mas, se uma causa qualquer – violenta mudan√ßa de meio em tempo de revolu√ß√£o, excita√ß√Ķes populares, etc. – v√™m paralis√°-la, o cont√°gio exercer√° facilmente a sua influ√™ncia e poder√° transformar seres pac√≠ficos em ousados guerreiros, pl√°cidos burgueses em terr√≠veis sect√°rios. Sob a sua influ√™ncia, os mesmos indiv√≠duos passar√£o de um partido para outro e empregar√£o tanta energia em reprimir uma revolu√ß√£o quanto em foment√°-la.
O contágio mental não se exerce somente pelo contacto direto dos indivíduos. Os livros, os jornais, as notícias telegráficas, mesmo simples rumores, podem produzi-lo.
Quanto mais se multiplicam os meios de comunicação tanto mais se penetram e se contagiam. A cada dia estamos mais ligados àqueles que nos cercam.

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O Estado de Transe

O estado de transe √© um estado quase normal no ser humano; basta muito pouco para provoc√°-lo. Uma coisa de nada, um pouco de √°lcool no sangue, um pouco de droga, excesso de oxig√©nio, a c√≥lera, o cansa√ßo. Mas este estado √© interessante na medida em que √© orient√°vel. Trata-se de um balan√ßo, mas esse lan√ßa m√£o das regi√Ķes desconhecidas do nosso esp√≠rito. De facto, n√£o h√° fundamentalmente nenhuma diferen√ßa, entre um homem intoxicado pelo √°lcool e um santo que se entregue ao √™xtase. E no entanto h√° apesar de tudo uma diferen√ßa: a da interpreta√ß√£o. O momento de loucura √© preparado por uma etapa onde o assunto √© mergulhado numa esp√©cie de vacila√ß√£o da consci√™ncia, de excita√ß√£o cerebral violenta. √Č esse momento que fabrica verdadeiramente o √™xtase e lhe d√° o sentido. Enquanto o √™xtase em si mesmo √© cego. √Č o vazio total, sem ascens√£o nem queda. A calma plana. Tanto quanto se possa dizer que o santo nunca conhecer√° Deus. Aproxima-O, depois regressa. E estas duas etapas s√£o as que s√£o. Entre as duas, √© o nada. O vazio, a amn√©sia completa. No momento X do √™xtase, o santo e o intoxicado s√£o semelhantes, est√£o no mesmo local.

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Amigos para Sempre

Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer.
Nesta semana, tenho almo√ßado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, n√£o vejo h√° muitos anos. Cada um come√ßa a falar comigo como se n√£o tiv√©ssemos passado um √ļnico dia sem nos vermos.
Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera ‚Äď e est√° ‚Äď na massa do sangue: a excita√ß√£o de contar coisas e partilhar ninharias; as risotas por piadas de h√° muito repetidas; as promessas de esperan√ßas que est√£o h√° que d√©cadas por realizar.
H√° grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na import√Ęncia da Presen√ßa com letra grande. At√© agora nunca concordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o cora√ß√£o √© mais sens√≠vel √† lembran√ßa do que √† repeti√ß√£o. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas t√™m a fazer √© verem-se cada vez que podem. √Č verdade que, mesmo tendo passado dez anos, sente-se o prazer inencontr√°vel de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar.

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A Livre Discuss√£o dos Problemas

A nossa orienta√ß√£o tem sido sempre contra o reacender de lutas pol√≠ticas, atrav√©s de cuja viol√™ncia e tr√°gicos desfechos vemos outros procurarem a sua felicidade. A pol√≠tica s√≥ em sentido deturpado se pode confundir com agita√ß√£o est√©ril, referver de √≥dios, estadear de ambi√ß√Ķes pessoais ou de grupos para a conquista e usufrui√ß√£o de altos lugares. Nada do que afirmo se op√Ķe evidentemente ‚ÄĒ v√™-se que n√£o se tem oposto ‚ÄĒ √† livre discuss√£o dos problemas. Mas quer dizer que a consci√™ncia p√ļblica se h√°-de sobretudo formar na reflex√£o de argumentos s√≥lidos, sobre o conhecimento do factos certos e bem interpretados, √† luz de posi√ß√Ķes desinteressadas: n√£o na excita√ß√£o das paix√Ķes e na adultera√ß√£o da verdade.

A Educação das Crianças

A educa√ß√£o das crian√ßas como conspira√ß√£o da parte dos adultos. Atra√≠mo-las dos seus livres rompantes para as nossas moradas estreitas com ilus√Ķes em que talvez acreditemos, mas n√£o no sentido que pretendemos. (Quem n√£o gostaria de ser nobre? Fechar a porta.)
O valor do acto de dar rédeas livres aos nossos vícios consiste em que eles se erguem à vista com toda a sua força e todo o seu tamanho, mesmo que, na excitação da indulgência, só tenhamos deles um leve vislumbre. Não se aprende a ser marinheiro com exercícios numa poça de água, embora demasiados exercícios nessa poça de água nos possam provavelmente tornar incapazes de ser marinheiros.

Em verdade, as coisas boas acontecem a despeito de nossos desejos, por vezes até mesmo em oposição ao que desejamos, e muitas vezes, após nossa excitação e sofrimento por causa de coisas sem mérito.

As Oscila√ß√Ķes da Personalidade

Pretender que a nossa personalidade seja m√≥vel e suscept√≠vel de grandes mudan√ßas √©, por vezes, no√ß√£o um pouco contr√°ria √†s id√©ias tradicionais atinentes √† estabilidade do ‚Äúeu‚ÄĚ. A sua unidade foi durante muito tempo um dogma indiscut√≠vel. Factos numerosos vieram provar quanto esta ideia era fict√≠cia.
O nosso ‚Äúeu‚ÄĚ √© um total. Comp√Ķe-se da adi√ß√£o de inumer√°veis ‚Äúeu‚ÄĚ celulares. Cada c√©lula concorre para a unidade de um ex√©rcito. A homogeneidade dos milhares de indiv√≠duos que o comp√Ķem resulta somente de uma comunidade de ac√ß√£o que numerosas coisas podem destruir.
√Č in√ļtil objectar que a personalidade dos seres parece, em geral, bastante est√°vel. Se ela nunca varia, com efeito, √© porque o meio social permanece mais ou menos constante. Se subitamente esse meio se modifica, como em tempo de revolu√ß√£o, a personalidade de um mesmo indiv√≠duo poder√° transformar-se por completo. Foi assim que se viram, durante o Terror, bons burgueses reputados pela sua brandura tornarem-se fan√°ticos sanguin√°rios. Passada a tormenta e, por conseguinte, representando o antigo meio e o seu imp√©rio, eles readquiriram sua personalidade pacifica. Desenvolvi, h√° muito tempo, essa teoria e mostrei que a vida dos personagens da Revolu√ß√£o era incompreens√≠vel sem ela.
De que elementos se comp√Ķe o ‚Äúeu‚ÄĚ,

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