Passagens sobre Facilidade

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Frases sobre facilidade, poemas sobre facilidade e outras passagens sobre facilidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Supremo Palhaço da Criação

A velha no√ß√£o antropom√≥rfica de que todo o universo se centraliza no homem ‚Äď de que a exist√™ncia humana √© a suprema express√£o do processo c√≥smico ‚Äď parece galopar alegremente para o ba√ļ das ilus√Ķes perdidas. O facto √© que a vida do homem, quanto mais estudada √† luz da biologia geral, parece cada vez mais vazia de significado. O que no passado deu a impress√£o de ser a principal preocupa√ß√£o e obra-prima dos deuses, a esp√©cie humana come√ßa agora a apresentar o aspecto de um sub-produto acidental das maquina√ß√Ķes vastas, inescrut√°veis e provavelmente sem sentido desses mesmos deuses.
(…) O que n√£o quer dizer, naturalmente, que um dia a tal teoria seja abandonada pela grande maioria dos homens. Pelo contr√°rio, estes a abra√ßar√£o √† medida que ela se tornar cada vez mais duvidosa. De fato, hoje, a teoria antropom√≥rfica ainda √© mais adoptada do que nas eras de obscurantismo, quando a doutrina de que um homem era um quase Deus foi no m√≠nimo aperfei√ßoada pela doutrina de que as mulheres inferiores. O que mais est√° por tr√°s da caridade, da filantropia, do pacifismo, da ‚Äúinspira√ß√£o‚ÄĚ e do resto dos atuais sentimentalismos? Uma por uma, todas estas tolices s√£o baseadas na no√ß√£o de que o homem √© um animal glorioso e indescrit√≠vel,

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Tenho certeza (‚Ķ) de que n√£o se pode ser feliz sem dinheiro. S√≥ isso. N√£o gosto nem da facilidade, nem do romantismo. Gosto de compreender. Pois bem, reparei que em certas pessoas da elite h√° uma esp√©cie de esnobismo espiritual em acreditar que o dinheiro n√£o √© necess√°rio √† felicidade. √Č bobagem, est√° errado e, de certa forma, √© covardia.

Temos que ter cautela sobre a facilidade com que invadimos a alma dos outros. Quem nos autoriza a falar com tanta ligeireza dos outros? Nenhuma cidadania me pode dar esse direito de falar em p√ļblico sobre a intimidade de seja quem for. Podemos discutir casos gerais, princ√≠pios, ideias, mas n√£o temos o direito de trazer para o jornal os assuntos da alma e do cora√ß√£o de qualquer cidad√£o.

A Import√Ęncia de Aprender v√°rias L√≠nguas

Pessoas com poucas capacidades n√£o conseguir√£o realmente assimilar com facilidade uma l√≠ngua estrangeira: embora aprendam as suas palavras, empregam-nas apenas no significado do equivalente aproximado da sua l√≠ngua materna e continuam a manter as constru√ß√Ķes e frases pr√≥prias desta √ļltima. Com efeito, esses indiv√≠duos n√£o conseguem assimilar o esp√≠rito da l√≠ngua estrangeira, que depende essencialmente do facto do seu pensamento n√£o se dar por meios pr√≥prios, mas, em grande parte, de ser emprestado pela l√≠ngua materna, cujas frases e locu√ß√Ķes habituais substituem os seus pr√≥prios pensamentos. Eis, portanto, a raz√£o de eles sempre se servirem, tamb√©m na pr√≥pria l√≠ngua, de express√Ķes idiom√°ticas desgastadas, combinando-as de modo t√£o in√°bil, que logo se percebe qu√£o pouco se d√£o conta do seu significado e qu√£o pouco todo o seu pensamento supera as palavras, de modo que tudo se reduz a um palrat√≥rio de papagaios. Pela raz√£o oposta, a originalidade das locu√ß√Ķes e a adequa√ß√£o individual de cada express√£o usada por algu√©m s√£o o sintoma inequivoc√°vel de um esp√≠rito preponderante.
Por conseguinte, de tudo isso resultam os seguintes factores: no aprendizado de toda a língua estrangeira, são formados novos conceitos para dar significado a novos signos; certos conceitos separam-se uns dos outros, enquanto antes constituíam juntos um conceito mais amplo e,

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Atingir a Felicidade

Embora seja poss√≠vel atingir a felicidade, a felicidade n√£o √© uma coisa simples. Existem muitos n√≠veis. O Budismo, por exemplo, refere-se a quatro factores de contentamento ou felicidade: os bens materiais, a satisfa√ß√£o mundana, a espiritualidade e a ilumina√ß√£o. O conjunto destes factores abarca a totalidade da busca pessoal de felicidade. Deixemos de lado, por ora, as aspira√ß√Ķes √ļltimas a n√≠vel religioso ou espiritual, como a perfei√ß√£o e a ilumina√ß√£o, e concentremo-nos unicamente sobre a alegria e a felicidade, tal como as concebemos a n√≠vel mundano. A este n√≠vel, existem certos elementos-chave que n√≥s reconhecemos convencionalmente como contribuindo para o bem-estar e a felicidade. A sa√ļde, por exemplo, √© considerada como um factor necess√°rio para o bem-estar. Um outro factor s√£o as condi√ß√Ķes materiais ou os bens que possu√≠mos. Ter amigos e companheiros, √© outro. Todos n√≥s concordamos que para termos uma vida feliz precisamos de um c√≠rculo de amigos com quem nos possamos relacionar emocionalmente e em quem possamos confiar.

Portanto, todos estes factores s√£o causas de felicidade. Mas para que um indiv√≠duo possa utiliz√°-los plenamente e gozar de uma vida feliz e preenchida, a chave √© o estado de esp√≠rito. √Č crucial. Se utilizarmos as condi√ß√Ķes favor√°veis que possu√≠mos,

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Seguro Emocional

Com frequência, comento com os meus alunos da licenciatura em psicanálise e psicologia multifocal que uma das tarefas mais nobres e relevantes do Eu é mapear, esquadrinhar os nossos fantasmas e reeditar as nossas janelas traumáticas. De outro modo, podemos fazer parte do rol dos que falam sobre maturidade mas são verdadeiras crianças no território da emoção, pois não sabem ser minimamente criticados, contrariados e, além disso, têm a necessidade neurótica de poder e de que o mundo gravite na sua órbita.

Certa vez, perguntei a executivos das cinquenta empresas psicologicamente mais saud√°veis do pa√≠s: ¬ęQuem tem algum tipo de seguro?¬Ľ Todos responderam que tinham. Em seguida, indaguei: ¬ęQuem tem um seguro emocional?¬Ľ Ningu√©m arriscou levantar a m√£o. Foram sinceros. Como podemos falar de empresas saud√°veis sem mencionar os mecanismos b√°sicos para proteger a emo√ß√£o? S√≥ fazemos um seguro daquilo que nos √© caro. Mas, infelizmente, a mais importante propriedade tem tido um valor irrelevante.

Em geral, estes profissionais s√£o √≥timos para a empresa, mas carrascos de si mesmos. Acertam no trivial, mas erram muito no essencial. E eu? E o leitor? Ainda que possamos dizer que a mente humana √© a mais complexa de todas as ¬ęempresas¬Ľ,

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Saber Zangar-se

O que me parece √© que as pessoas, em geral, como que deixaram de saber zangar-se. Deixaram de saber zangar-se com aquilo que consideram errado ‚Äď e, pior ainda, deixaram de saber diz√™-lo na cara umas das outras. A n√£o ser, naturalmente, que haja uma agenda.

Ainda nos zangamos muito, √© verdade. Mas zangamo-nos mal. Com a maior das facilidades nos zangamos contra inimigos abstractos, como ¬ęo Governo¬Ľ, ¬ęo capitalismo selvagem¬Ľ ou mesmo apenas ¬ęa crise¬Ľ. Com a maior das facilidades nos zangamos com aqueles que entendemos como nossos subordinados, no trabalho e na vida em geral (afinal, os nossos ¬ęsuperiores¬Ľ acabam de p√īr-nos a pata em cima. algu√©m vai ter de pagar a conta). Com aqueles que est√£o, de alguma forma, em ascendente sobre n√≥s, j√° n√£o nos zangamos: amuamos, que √© a forma mais cobarde de nos zangarmos. Aos nossos iguais simplesmente n√£o dizemos nada: engolimos e tornamos a engolir, convencendo-nos de que do outro lado est√°, afinal, um pobre diabo, t√£o pobre que nem sequer merece uma zanga ‚Äď e, quando enfim nos zangamos, √© para dar-lhe um tiro na cabe√ßa, como todos os dias nos mostram os jornais.

A impress√£o com que eu fico √© que tudo isto vem dessa mania das social skills e do team building e dos demais chav√Ķes moderninhos que os gurus dos livros de Economia nos enfiaram pela garganta abaixo,

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O Pressuposto Indispens√°vel para se Ser um Grande-Escritor

O pressuposto indispens√°vel para se ser um grande-escritor √©, ent√£o, o de escrever livros e pe√ßas de teatro que sirvam para todos os n√≠veis, do mais alto ao mais baixo. Antes de produzir algum bom efeito, √© preciso primeiro produzir efeito: este princ√≠pio √© a base de toda a exist√™ncia como grande-escritor. √Č um princ√≠pio miraculoso, eficaz contra todas as tenta√ß√Ķes da solid√£o, por excel√™ncia o princ√≠pio goethiano do sucesso: se nos movermos apenas num mundo que nos √© prop√≠cio, tudo o resto vir√° por si. Pois quando um escritor come√ßa a ter sucesso d√°-se logo uma transforma√ß√£o significativa na sua vida. O seu editor p√°ra de se lamentar e de dizer que um comerciante que se torna editor se parece com um idealista tr√°gico, porque faria muito mais dinheiro negociando com tecidos ou papel virgem. A cr√≠tica descobre nele um objecto digno da sua actividade, porque os cr√≠ticos muitas vezes at√© nem s√£o m√°s pessoas, mas, dadas as circunst√Ęncias epocais pouco prop√≠cias, ex-poetas que precisam de um apoio do cora√ß√£o para poderem p√īr c√° fora os seus sentimentos;s√£o poetas do amor ou da guerra, consoante o capital interior que t√™m de aplicar com proveito, e por isso √© perfeitamente compreens√≠vel que escolham o livro de um grande-escritor e n√£o o de um comum escritor.

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Comparação de Obras de Arte

√Ä quest√£o de saber se se devem ou n√£o fazer compara√ß√Ķes quando se observam diferentes obras de arte gostar√≠amos de dar a resposta que se segue. O conhecedor que tem forma√ß√£o adequada deve comparar: a ideia paira √† sua frente, apreendeu o conceito relativo ao que pode e ao que deve ser produzido. O amador, que √© apanhado ainda no trajecto da sua forma√ß√£o, s√≥ tem a ganhar se n√£o fizer compara√ß√Ķes e se observar em separado cada realiza√ß√£o: √© assim que o seu gosto e o seu sentido do geral se ir√£o formando a pouco e pouco. Quanto √† compara√ß√£o levada a cabo pelo n√£o iniciado √© apenas uma solu√ß√£o de facilidade que dispensa qualquer ju√≠zo.

A Mediocridade do Talento

Quem entre n√≥s n√£o tem talento? Mesmo aqueles que nada t√™m, t√™m talento at√© os pol√≠ticos – at√© os jornalistas… Fique pois dito de uma vez para sempre: quem me disser que eu tenho talento, ofende-me; quem me disser que sou um homem de talento, aflige-me.
Renego o vosso talento; despejo-o com os jornais na latrina. Falo-vos claro; para mim o talento n√£o √© sen√£o o grau sublime da mediocridade. O talento √© aquela forma superior de intelig√™ncia que todos podem compreender, apreciar e amar. O talento √© aquela mistura saborosa de facilidade, de esp√≠rito, de lugares-comuns afectados, de filite√≠smo um tanto brilhante que agrada √†s senhoras, aos professores, aos advogados, aos mundanos, √†s famosas pessoas cultas, em suma, a todos os que est√£o meio por meio entre o c√©u e a terra, entre o para√≠so e o inferno, a igual dist√Ęncia da animalidade profunda e do g√©nio grande.

Predisposição de Espírito

A nossa tristeza faz-nos parecer tudo o que vemos triste; a nossa alegria tudo nos mostra alegre; e o nosso contentamtento tudo nos mostra com agrado; os objectos influem menos em n√≥s, do que n√≥s influ√≠mos em n√≥s mesmos. Vemos como de fora as apar√™ncias de que o mundo se comp√Ķe, por isso n√£o conhecemos o seu verdadeiro ser, nem gozamos delas no estado em que as achamos, mas sim naquele em que elas nos acham. A del√≠cia dos olhos, e do gosto, dependem mais da nossa disposi√ß√£o que da sua efic√°cia; o mesmo, que ontem nos atraiu hoje nos aborrece; ontem porque estava sem perturba√ß√£o o nosso √Ęnimo, hoje porque est√° com desassossego; e tudo porque n√£o somos hoje, o que ontem fomos: o mesmo que hoje nos agrada, amanh√£ nos desgosta, e os objectos, por serem os mesmos, n√£o causam sempre em n√≥s as mesmas impress√Ķes; por motivos diferentes recebemos altera√ß√Ķes iguais. O pouco que basta para afligir-nos, ou para contentar-nos, bem mostra o pouco constantes, que s√£o em n√≥s a afli√ß√£o, e o contentamento; por isso uma, e outra coisa nos deixa com a mesma facilidade com que nos penetra.

Como é bom o instante de precisar que antecede o instante de se ter. Mas ter facilmente, não. Porque essa aparente facilidade cansa.

Normalmente, convencem-nos com mais facilidade as raz√Ķes que n√≥s pr√≥prios encontramos do que as que vieram ao esp√≠rito dos outros.

Poeminha de Homenagem à Preguiça Universal

Que nada é impossível
não é verdade;
todo o mundo faz nada
com facilidade

Tudo ser√° harmoniosamente realizado, sem precipita√ß√£o e com facilidade, se confiarmos tudo a Deus e acreditarmos que ‚Äėn√£o sou eu que fa√ßo, √© Deus quem me faz realizar‚Äô.

Todos Pensam de Forma Diferente, e Muitas Vezes Efémera

Cada indiv√≠duo v√™ o mundo – e o que este tem de acabado, de regular, de complexo e de perfeito – como se se tratasse apenas de um elemento da Natureza a partir do qual tivesse que constituir um outro mundo, particular, adaptado √†s suas necessidades. Os homens mais capazes tomam-no sem hesita√ß√Ķes e procuram na medida do poss√≠vel comportar-se de acordo com ele. H√° outros que n√£o se conseguem decidir e que ficam parados a olhar para ele. E h√° ainda os que chegam ao ponto de duvidar da exist√™ncia do mundo.
Se algu√©m se sentisse tocado por esta verdade fundamental, nunca mais entraria em disputas e passaria a considerar, quer as representa√ß√Ķes que os outros possam fazer das coisas, quer a sua, como meros fen√≥menos. Porque de facto verificamos quase todos os dias que aquilo que um indiv√≠duo consegue pensar com toda a facilidade pode ser imposs√≠vel de pensar para um outro. E n√£o apenas em rela√ß√£o a quest√Ķes que tivessem uma qualquer influ√™ncia no bem estar ou no sofrimento das pessoas, mas tamb√©m a prop√≥sito de assuntos que nos s√£o totalmente indiferentes.

Os Juízos Ligeiros da Imprensa

Incontestavelmente foi a imprensa, com a sua maneira superficial e leviana de tudo julgar e decidir, que mais concorreu para dar ao nosso tempo o funesto e j√° irradic√°vel h√°bito dos ju√≠zos ligeiros. Em todos os s√©culos se improvisaram estouvadamente opini√Ķes: em nenhum, por√©m, como no nosso, essa improvisa√ß√£o impudente se tornou a opera√ß√£o corrente e natural do entendimento. Com excep√ß√£o de alguns fil√≥sofos mais met√≥dicos, ou de alguns devotos mais escrupulosos, todos n√≥s hoje nos desabituamos, ou antes nos desembara√ßamos alegremente do penoso trabalho de reflectir. √Č com impress√Ķes que formamos as nossas conclus√Ķes. Para louvar ou condenar em pol√≠tica o facto mais complexo, e onde entrem factores m√ļltiplos que mais necessitem de an√°lise, n√≥s largamente nos contentamos com um boato escutado a uma esquina. Para apreciar em literatura o livro mais profundo, apenas nos basta folhear aqui e al√©m uma p√°gina, atrav√©s do fumo ondeante do charuto.
O m√©todo do velho Cuvier, de julgar o mastodonte pelo osso, √© o que adoptamos, com magn√≠fica inconsci√™ncia, para decidir sobre os homens e sobre as obras. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza √© fulminante. Com que espl√™ndida facilidade exclamamos, ou se trate de um estadista, ou se trate de um artista: ¬ę√Č uma besta!

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Para uma fam√≠lia ser feliz, √© necess√°rio haver sedu√ß√£o. Os filhos t√™m de ser charmosos para encantar os pais, os pais t√™m de se esfor√ßar para educarem convincentemente os filhos. E marido e mulher, caso queiram permanecer juntos, t√™m de passar a vida inteira a engatar-se. O mal da fam√≠lia √© a facilidade. √Č pensar que aquele amor j√° √© assunto arrumado.