Passagens sobre Gosto

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Frases sobre gosto, poemas sobre gosto e outras passagens sobre gosto para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Não gosto dos que se acham com mérito por terem trabalhado penosamente. Porque, se o que fizeram foi penoso, seria por certo melhor que tivessem feito outra coisa. A sinceridade do meu prazer é o mais importante dos meus guias.

O Eterno é a Própria Vida

Segundo a express√£o de Lavelle, a morte d√° ¬ęa todos os acontecimentos que a precederam esta marca do absoluto que nunca possuiriam se n√£o viessem a interromper-se¬Ľ. O absoluto habita em cada uma das nossas empresas, na medida em que cada uma se realiza de uma vez para sempre e n√£o ser√° nunca recome√ßada. Entra na nossa vida atrav√©s da sua pr√≥pria temporalidade. Assim o eterno torna-se fluido e reflui do fim ao cora√ß√£o da vida. A morte j√° n√£o √© a verdade da vida, a vida j√° n√£o √© a espera do momento em que a nossa ess√™ncia ser√° alterada. O que h√° sempre de incoactivo, de incompleto e de constrangedor no presente n√£o √© j√° um sinal de menor realidade.
Mas ent√£o a verdade de um ser j√° n√£o √© aquilo em que se tornou no fim ou a sua ess√™ncia, mas o seu devir activo ou a sua exist√™ncia. E se, como Lavelle dizia em tempos, nos julgamos mais perto dos mortos que am√°mos do que dos vivos, √© porque j√° nos n√£o p√Ķem em d√ļvida e daqui para o futuro podemos sonh√°-los a nosso gosto. Esta piedade √© quase √≠mpia. A √ļnica recorda√ß√£o que lhes diz respeito √© a que se refere ao uso que faziam de si pr√≥prios e do seu mundo,

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O Amor Nunca Salva, mas alguém Tem uma Ideia Melhor?

Descobri, um pouco tarde, que afinal todos os meus livros s√£o hist√≥rias de amor. S√≥ que as daninhas estavam t√£o bem disfar√ßadas que eu pr√≥prio n√£o tinha reparado. √Äs vezes, amo entre duas pessoas, outras de amor entre uma pessoa e uma ideia. Idalina enamora-se por ¬ęuma dan√ßa sem m√ļsica¬Ľ. Sam Espinosa apaixona-se por uma mulher uns anitos mais velha (duzentos, coisa pouca), Greg quase √© salvo da perdi√ß√£o por uma s√≥sia de Angelina Jolie. O amor est√° no ar e tamb√©m, como diria um poeta, o amor est√° no mar. O amor n√£o salva, nunca salva, mas algu√©m tem uma ideia melhor?
Tão sensacional descoberta levou-me a cogitar no seguinte: e qual será a melhor forma de amar? Carente de modelos reais na vida humana, decidi procurá-los na natureza. Com a ajuda da televisão, claro, Canal Odisseia, National Geographic, Canal Panda, essas coisas. Pode-se lá chegar à natureza, nos dias que correm, senão pela televisão! Três rolos modelos logo me saltaram à vista: o Amor do Louva-a-deus; o Amor do Cisne; o Amor do Urso Polar.
Após alguma esmiuçação, concluí que qualquer um me parece bem, e tem as suas vantagens e desvantagens.
No romance do louva-a-deus,

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Espinosa

Gosto de ver-te, grave e solit√°rio,
Sob o fumo de esqu√°lida candeia,
Nas m√£os a ferramenta de oper√°rio,
E na cabeça a coruscante idéia.

E enquanto o pensamento delineia
Uma filosofia, o p√£o di√°rio
A tua m√£o a labutar granjeia
E achas na independência o teu salário.

Soem c√° fora agita√ß√Ķes e lutas,
Sibile o bafo aspérrimo do inverno,
Tu trabalhas, tu pensas, e executas

S√≥brio, tranq√ľilo, desvelado e terno,
A lei comum, e morres, e transmutas
O suado labor no prêmio eterno.

A Doutrina é o Verdadeiro Mantimento do Engenho

Os estudos d√£o saz√£o e gosto √† alegria: amansam e consolam a tristeza; refreiam os √≠mpetos loucos da mocidade; aliviam o peso da velhice; em casa ou fora de casa, em p√ļblico ou em segredo, na solid√£o ou na pra√ßa, na ociosidade ou no labor, sempre vos acompanham; est√£o presentes, guiam-vos, ajudam-vos, servem-vos. A doutrina √© o verdadeiro mantimento do engenho, aquilo que o nutre e sust√©m; tanto que √© grande desprop√≥sito ter o cuidado de manter o corpo quando o √Ęnimo tem fome e carece de mantimento. Este manjar do √Ęnimo d√° verdadeiros deleites, traz gozos e regozijos firmes e perp√©tuos, que, nascidos uns dos outros e renovando-se entre si, jamais nos desertam nem nos fatigam.

Amar e Ser Livre ao mesmo Tempo

Tudo o que posso dizer √© que estou louco por ti. Tentei escrever uma carta e n√£o consegui. Estou constantemente a escrever-te… Na minha cabe√ßa, e os dias passam, e eu imagino o que pensar√°s. Espero impacientemente por te ver. Falta tanto para ter√ßa-feira! E n√£o s√≥ ter√ßa-feira… Imagino quando poder√°s ficar uma noite… Quando te poderei ter durante mais tempo… Atormenta-me ver-te s√≥ por algumas horas e, depois, ter de abdicar de ti. Quando te vejo, tudo o que queria dizer desaparece… O tempo √© t√£o precioso e as palavras sup√©rfluas… Mas fazes-me t√£o feliz… porque eu consigo falar contigo. Adoro o teu brilhantismo, as tuas prepara√ß√Ķes para o voo, as tuas pernas como um torno, o calor no meio das tuas pernas. Sim, Anais, quero desmascarar-te. Sou demasiado galante contigo. Quero olhar para ti longa e ardentemente, pegar no teu vestido, acariciar-te, examinar-te. Sabes que tenho olhado escassamente para ti? Ainda h√° demasiado sagrado agarrado a ti.

A tua carta… Ah, estas moscas! Fazes-me sorrir. E fazes-me adorar-te tamb√©m. √Č verdade, n√£o te dou o devido valor. √Č verdade. Mas eu nunca disse que n√£o me d√°s o devido valor. Acho que deve haver um erro no teu ingl√™s.

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LXXX

Quando cheios de gosto, e de alegria
Estes campos diviso florescentes,
Então me vêm as lágrimas ardentes
Com mais √Ęnsia, mais dor, mais agonia.

Aquele mesmo objeto, que desvia
Do humano peito as m√°goas inclementes,
Esse mesmo em imagens diferentes
Toda a minha tristeza desafia.

Se das flores a bela contextura
Esmalta o campo na melhor fragr√Ęncia,
Para dar uma idéia da ventura;

Como, √≥ C√©us, para os ver terei const√Ęncia,
Se cada flor me lembra a formosura
Da bela causadora de minha √Ęnsia?

O Princípio da Simpatia e Antipatia

O princípio da simpatia e antipatia tende ao máximo a pecar por severidade excessiva. Tende ele a aplicar castigo em muitos casos em que é injusto fazê-lo, e, em casos em que se justifica uma punição, a aplicar severidade maior do que a merecida. Não existe acto algum imaginável, por mais trivial e por menos censurável que seja, que o princípio da simpatia e antipatia não encontre algum motivo para punir. Quer se trate de diferenças de gosto, quer se trate de diferenças de opinião, sempre se encontra motivo para punir. Não existe nenhum desacordo, por mais trivial que seja, que a perseverança não consiga transformar num incidente sério. Cada qual se torna, aos olhos do seu semelhante, um inimigo e, se a lei o permitir, um criminoso. Este é um dos aspectos sob os quais a espécie humana se distingue Рpara seu desabono Рdos animais.
Por princ√≠pio de simpatia e antipatia entendo o princ√≠pio que aprova ou desaprova certas ac√ß√Ķes, n√£o na medida em que estas tendem a aumentar ou a diminuir a felicidade da parte interessada, mas simplesmente pelo facto de que algu√©m se sente disposto a aprov√°-las ou reprov√°-las.Os partid√°rios deste princ√≠pio mant√™m que a aprova√ß√£o ou a reprova√ß√£o constituem uma raz√£o suficiente em si mesma,

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A Leitura √© a Mais Nobre das Distrac√ß√Ķes

Se o gosto pelos livros aumenta com a intelig√™ncia, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um esp√≠rito original sabe subordinar a leitura √† actividade pessoal. Ela √© para ele apenas a mais nobre das distra√ß√Ķes, sobretudo a mais enobrecedora, pois, s√≥ a leitura e o saber conferem ¬ęas boas maneiras¬Ľ do esp√≠rito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa intelig√™ncia, s√≥ o podemos desenvolver dentro de n√≥s pr√≥prios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas √© nesse contacto com os outros esp√≠ritos que a leitura √©, que se faz a educa√ß√£o das “maneiras” do esp√≠rito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas not√°veis da intelig√™ncia, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ci√™ncia liter√°ria, ser√° sempre, mesmo num homem de g√©nio, uma marca de grosseria intelectual. A distin√ß√£o e a nobreza consistem na ordem do pensamento tamb√©m, numa esp√©cie de franco-ma√ßonaria de costumes, e numa heran√ßa de tradi√ß√Ķes.

A Noite n√£o me Deu nenhum Sossego

Como voltar feliz ao meu trabalho
se a noite n√£o me deu nenhum sossego?
A noite, o dia, cartas dum baralho
sempre trocadas neste jogo cego.

Eles dois, inimigos de m√£os dadas,
me torturam, envolvem no seu cerco
de fadiga, de d√ļbias madrugadas:
e tu, quanto mais sofro mais te perco.

Digo ao dia que brilhas para ele,
que desfazes as nuvens do seu rosto;
digo à noite sem estrelas que és o mel

na sua pele escura: o oiro, o gosto.
Mas dia a dia alonga-se a jornada
e cada noite a noite é mais fechada.

Tradução de Carlos de Oliveira

A Segunda Juventude

Nos anos da juventude venera-se ou despreza-se ainda sem aquela arte da nuance que √© o melhor partido da vida e paga-se, com justi√ßa, muito caro o ter assaltado deste modo as coisas e as pessoas com sim e n√£o. Tudo se predisp√Ķe de modo que o pior de todos os gostos, o gosto do absoluto, seja cruelmente achicalhado e abusado, at√© que o homem aprenda a p√īr um pouco de arte nos seus sentimentos e prefira ousar fazer uma tentativa com o artificial: tal como o fazem os verdadeiros artistas da vida. A tend√™ncia para a c√≥lera e o instinto da venera√ß√£o, pr√≥prios da juventude, parecem n√£o descansar enquanto n√£o tiverem falseado homens e coisas para os poder dominar: – a juventude, j√° de si, √© algo que engana e falseia.

Mais tarde, quando a alma jovem, martirizada por mil desilus√Ķes, se volta por fim, desconfiada, contra si mesma, ardente e selvagem ainda, mesmo nas suas suspeitas e remorsos: como se encoleriza consigo mesmo, como se dilacera com impaci√™ncia, como se vinga da sua longa cegueira, como se ela tivesse sido volunt√°ria! Neste per√≠odo de transi√ß√£o autocastiga-se pela desconfian√ßa para com os seus pr√≥prios sentimentos; martiriza-se o entusiasmo pela d√ļvida;

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As Mulheres S√£o Profundamente Diferentes dos Homens

S√£o profundamente diferentes, felizmente. At√© o c√©rebro tem uma outra organiza√ß√£o. A mulher √© extraordin√°ria… Gosto muito da est√°tua da V√©nus de Milo, a√≠ √© que est√° o sentido. N√£o h√° nada dela que eu tire para o sexo. O sexo √© um prazer, um v√≠cio, como fumar, tomar caf√©, beber uma droga. A V√©nus de Milo: a gente n√£o sabe a posi√ß√£o das m√£os, mas o seio √© muito bonito, nada provocativo, nem a cara, que √© muito serena, muito feminina; mas o ventre √© o que sobressai mais. E √© o ventre onde se gera a humanidade. A Agustina Bessa-Lu√≠s diz mesmo que Cristo, Deus, nasceu do ventre da mulher. Veja a import√Ęncia que tem e que se n√£o d√° √† mulher: a de criar humanidade. E essa est√°tua, por coincid√™ncia, √© a mais conhecida de todas as do mundo ocidental.

Justiça: mais vale deixar-se roubar do que usar espantalhos; tal é o meu gosto. E é sempre questão de gosto, nada mais além de questão de gosto.

Eu Gosto da Paisagem

Eu gosto da paisagem. Mas amo-a duma maneira casta, comovida, sem poder macular a sua intimidade em descri√ß√Ķes a vint√©m por palavra. Chego a uma terra e n√£o resisto: tenho de me meter pelos campos fora, pelas serras, pelos montes, saber das culturas, beber o vinho e provar o p√£o. E quando anoitece volto, como agora, cheio do enigma que fez cada regi√£o do seu feitio, tal e qual como p√īs nas costas do dromed√°rio aquela incr√≠vel marreca, e no pesco√ßo do le√£o aquela fant√°stica juba.

Olhar e Chorar

Not√°vel criatura s√£o os olhos! Admir√°vel instrumento da natureza; prodigioso artif√≠cio da Provid√™ncia! Eles s√£o a primeira origem da culpa; eles a primeira fonte da Gra√ßa. S√£o os olhos duas v√≠boras, metidas em duas covas, e que a tenta√ß√£o p√īs o veneno, e a contri√ß√£o a triaga. S√£o duas setas com que o Dem√≥nio se arma para nos ferir e perder; e s√£o dois escudos com que Deus depois de feridos nos repara para nos salvar. Todos os sentidos do homem t√™m um s√≥ of√≠cio; s√≥ os olhos t√™m dois. O Ouvido ouve, o Gosto gosta, o Olfacto cheira, o Tacto apalpa, s√≥ os olhos t√™m dois of√≠cios: Ver e Chorar. Estes ser√£o os dois p√≥los do nosso discurso.
Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber por que ajuntou a Natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu a mesma potência o ofício de chorar, e o de ver? O ver é a acção mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é o ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma,

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Gosto de amigos com mentes independentes, pois tendem a fazer com que vejas os problemas de todos os √Ęngulos.