Cita√ß√Ķes sobre Hip√≥tese

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Frases sobre hip√≥tese, poemas sobre hip√≥tese e outras cita√ß√Ķes sobre hip√≥tese para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Saber Discernir

Primeiro p√°ra, senta-te e pensa o que pretendes de bem. Depois, pondera, n√£o as hip√≥teses te√≥ricas, mas as possibilidades reais. Ent√£o, entre duas realidades, podes escolher a melhor. Discernir n√£o √© descobrir a √ļnica hip√≥tese boa, √© decidir, entre coisas boas, qual √© a melhor, a mais construtiva para si e para os outros. Se √© f√°cil ou dif√≠cil, isso n√£o conta.

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A Insustent√°vel Leveza do Ser

Eis que ao despedir-vos, esse teu amigo te diz que ele n√£o √© esse teu amigo mas sim um seu irm√£o g√©meo. Imediatamente uma altera√ß√£o profunda se instalou nas vossas rela√ß√Ķes. Mas se te perguntares em qu√™, n√£o √© f√°cil responderes. Naturalmente dirias que esse teu amigo n√£o era ele, que era outra pessoa. Mas outra em qu√™? O corpo √© igual nos m√≠nimos pormenores, igual a face e os gestos e a voz e os olhos. Iguais as ideias, os sentimentos, as recorda√ß√Ķes, o todo integral da sua vida e do que ele √©. Se percorreres todos os pormenores, encontr√°-los-√°s em hip√≥tese absolutamente iguais. Come√ßa onde quiseres, examina cada min√ļcia que constitui o teu amigo, progride at√© ao mais extremo limite e verificar√°s que nada escapa a uma integral igualdade. Mas se isto √© assim, deveria ser-te indiferente seres amigo deste como eras amigo do outro. Pois se uma pessoa √© aquilo que ela nos √©, se uma pessoa √© aquilo que a manifesta, se aquilo que nos define √© aquilo que somos e se esse algu√©m que encontr√°mos em nada difere, em hip√≥tese, do algu√©m que esper√°vamos encontrar, nenhuma raz√£o havia para que as rela√ß√Ķes com ele se perurbassem.

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Este N√£o-Futuro que a Gente Vive

Ser√° que nos resta muito depois disto tudo, destes dias assim, deste n√£o-futuro que a gente vive? (…) Bom, tudo seria mais f√°cil se eu tivesse um curso, um motorista a conduzir o meu carro, e usasse gravatas sempre. √Äs vezes uso, mas √© diferente usar uma gravata no pesco√ßo e us√°-la na cabe√ßa. Tudo aconteceu a partir do momento em que eu perdi a no√ß√£o dos valores. Todos os valores se me gastaram, mesmo √† minha frente. O dinheiro gasta-se, o corpo gasta-se. A mem√≥ria. (…) N√£o me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. H√° pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manh√£ com muito orvalho, restos de geada‚Ķ De resto, n√£o tenho grandes projectos. Acho que o planeta est√° perdido e que, provavelmente, a hip√≥tese de Ant√≥nio Jos√© Saraiva est√° certa: √© melhor que isto se estrague mais um bocadinho, para ver se as pessoas t√™m mais tempo para olhar para os outros.

Quando se esconde tanto, estimula-se a imagina√ß√£o na mesma medida. O c√©rebro prop√Ķe hip√≥teses para as perguntas que n√£o s√£o respondidas. √Č essa a natureza do c√©rebro.

A verdade na ciência pode ser mais bem definida como a hipótese de trabalho mais adequada para abrir o caminho até a próxima hipótese.

Se eu precisar de alguma coisa material para lembrar de você é porque eu estou admitindo a hipótese de que, em algum momento, eu possa te esquecer

Porque Te Devo Amar

Porque te devo amar,
perguntas,
e eu falo-te no barulho do vento na janela quando me apertas, a tua cabe√ßa no mist√©rio que fica entre os bra√ßos e os ombros, escondo os dedos no interior do teu cabelo e ou√ßo-te respirar, pessoas como n√≥s n√£o procuram explica√ß√Ķes mas sobreviv√™ncias,
Devíamos aprender a querer devagar,
arriscas,
mas entretanto já pousei os meus lábios nos teus, é insuportável o teu cheiro se não puder tocar-te, ficaríamos completos se apenas houvesse palavras, e o mais absurdo é que nem precisamos de falar, pessoas como nós não procuram a eternidade mas os sentidos,
Cada instante merece um orgasmo,
invento,
tento provar-te que os poemas s√£o feitos de carne, nunca de versos, estranhamente n√£o ripostas e deixas-te olhar, fico mais de uma hora s√≥ a ver-te e √© tudo, pe√ßo-te que te coloques nas mais diversas posi√ß√Ķes, h√°-de haver um √Ęngulo qualquer em que n√£o seja completamente teu e o teu sorriso o quase c√©u, mas n√£o o encontro, pessoas como n√≥s n√£o procuram a pele mas a faca,
H√° uma certa dignidade na maneira como nos abandonamos,
despeço-me,
visto-me com lentid√£o enquanto te amo finalmente,

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O Homem n√£o Deseja a Paz

Que estranho bicho o homem. O que ele mais deseja no conv√≠vio inter-humano n√£o √© afinal a paz, a conc√≥rdia, o sossego colectivo. O que ele deseja realmente √© a guerra, o risco ao menos disso, e no fundo o desastre, o infort√ļnio. Ele n√£o foi feito para a conquista de seja o que for, mas s√≥ para o conquistar seja o que for. Poucos homens afirmaram que a guerra √© um bem (Hegel, por exemplo), mas √© isso que no fundo desejam. A guerra √© o perigo, o desafio ao destino, a possibilidade de triunfo, mas sobretudo a inquieta√ß√£o em ac√ß√£o. Da paz se diz que √© ¬ępodre¬Ľ, porque √© o estarmos reca√≠dos sobre n√≥s, a inactividade, a derrota que sobrev√©m n√£o apenas ao que ficou derrotado, mas ainda ou sobretudo ao que venceu. O que ficou derrotado √© o mais feliz pela necessidade inilud√≠vel de tentar de novo a sorte. Mas o que venceu n√£o tem paz sen√£o por algum tempo no seu cora√ß√£o alvoro√ßado. A guerra √© o estado natural do bicho humano, ele n√£o pode suportar a felicidade a que aspirou. Como o grupo de futebol, qualquer vit√≥ria alcan√ßada √© o est√≠mulo insuport√°vel para vencer outra vez.

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O Mais Fundo de Nós Mesmos

A uma certa altura do auto-conhecimento, quando est√£o presentes outras circunst√Ęncias que favorecem a auto-seguran√ßa, invariavelmente e sem outra hip√≥tese sentimo-nos execr√°veis. Todas as medidas do bem ‚ÄĒ por muito que as opini√Ķes possam diferir sobre isto ‚ÄĒ parecer√£o demasiado altas. Vemos que n√£o passamos de um ninho de ratos feito de dissimula√ß√Ķes miser√°veis. O mais insignificante dos nossos actos n√£o deixa de estar contaminado por estas dissimula√ß√Ķes. Estas inten√ß√Ķes dissimuladas s√£o t√£o horr√≠veis que no decurso do nosso exame de consci√™ncia n√£o vamos querer ponder√°-las de perto, mas, pelo contr√°rio, ficaremos contentes de as avistar de longe. Estas inten√ß√Ķes n√£o s√£o todas elas feitas apenas de ego√≠smo, o ego√≠smo em compara√ß√£o parece um ideal do bem e do belo. A porcaria que vamos encontrar existe por si s√≥; reconheceremos que viemos ao mundo pingando este fardo e sairemos outra vez irreconhec√≠veis, ou ent√£o demasiado reconhec√≠veis, por causa dela. Esta porcaria √© o fundo mais profundo que encontraremos; nos fundos mais profundos n√£o haver√° lava, n√£o, mas porcaria. √Č o mais fundo e o mais alto e at√© as d√ļvidas que o exame de consci√™ncia origina em breve enfraquecer√£o e se tornar√£o complacentes como o espojar de um porco na imund√≠cie.

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O Homem é o Animal Menos Preparado

A capacidade do homem para o pensamento abstracto, que parece faltar √† maioria dos outros mam√≠feros, conferiu-lhe sem d√ļvida o seu actual dom√≠nio sobre a superf√≠cie da Terra ‚Äď um dom√≠nio disputado apenas por centenas de milhares de tipos de insectos e organismos microsc√≥picos. Este pensamento abstracto √© o respons√°vel pela sua sensa√ß√£o de superioridade e pelo que, sob esta sensa√ß√£o, corresponde a uma certa medida de realidade, pelo menos dentro de estreitos limites. Mas o que √© frequentemente subestimado √© o facto de que a capacidade de desempenhar um acto n√£o √©, de forma alguma, sin√≥nima de seu exerc√≠cio salubre. √Č f√°cil observar que a maior parte do pensamento do homem √© est√ļpida, sem sentido e injuriosa para ele. Na realidade, de todos os animais, ele parece o menos preparado para tirar conclus√Ķes apropriadas nas quest√Ķes que afectam mais desesperadamente o seu bem-estar.
Tente imaginar um rato, no universo das ideias dos ratos, chegando a no√ß√Ķes t√£o ocas de plausibilidade como, por exemplo, o Swedenborgianismo, a homeopatia ou a telepatia mental. O instinto natural do homem, de facto, nunca se dirige para o que √© s√≥lido e verdadeiro; prefere tudo que √© especioso e falso. Se uma grande na√ß√£o moderna se confrontar com dois problemas antag√≥nicos ‚Äď um deles baseado em argumentos prov√°veis e racionais,

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√Č um bom exerc√≠cio para um pesquisador livrar-se de uma hip√≥tese favorita todo dia, antes do caf√© da manh√£. Isso o manter√° jovem.

O Segredo das Mulheres

Como os homens andam sempre atrasados em relação às mulheres (porque só pensam numa coisa de cada vez e acham que falar acerca das coisas é pior do que fazê-las), quem sabe se não é estudando o comportamento feminino de hoje que poderemos vislumbrar o nosso macaquismo masculino de amanhã?
As mulheres de hoje sabem quem lhes pode fazer mal: são as outras mulheres. Os homens, por muito amados e queridos, nem sequer são considerados competidores. São como são, têm a inteligência e o material que têm Рe que Deus os abençoe por ser assim, como os pêssegos-rosa e os arcos-íris e todos os outros fenómenos naturais que são difíceis de prever e de controlar.

O segredo das mulheres, que nenhum homem pode perceber, a n√£o ser que seja amado por alguma que se sinta suficientemente amada por um para lhe contar mais do que o suficiente para ele continuar a existir tal como √© (que mais n√£o se lhe pede) √©: os homens n√£o entram na equa√ß√£o. √Č tudo uma quest√£o entre elas.
Elas s√£o espertas. √Č por isso que morrem de medo umas das outras. Conhecem o perigo e sabem quem pode emperig√°-las.

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O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento

Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que h√° a saber ‚ÄĒ e mais um bocado. Do amor, ningu√©m sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que √© um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer √© procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa √© o amor que se tem, ou de que s√≠tio vem o amor que se faz.

Do amor √© bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que n√£o √© t√£o bom amar. Todos os pa√≠ses h√£o-de ter a sua pr√≥pria cultura amorosa. A portuguesa √© excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, √© muito maior a diferen√ßa que se faz entre o amor e a paix√£o. Faz-se de conta que o amor √© uma coisa ‚ÄĒ mais tranquila e pura e duradoura ‚ÄĒ e a paix√£o √© outra ‚ÄĒ mais do√≠da e complicada e ef√©mera. Em Portugal, por√©m, n√£o gostamos de dizer que nos ¬ęenamoramos¬Ľ, e o ¬ęenamoramento¬Ľ e outras palavras que contenham a palavra ¬ęamor¬Ľ s√£o-nos sempre um pouco estranhas. Quando n√≥s nos perdemos de amores por algu√©m, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se l√° por que atavismos atl√Ęnticos,

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Grandes São os Desertos, e Tudo é Deserto

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
N√£o s√£o algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes s√£o os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque n√£o passa por elas sen√£o elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes s√£o os desertos, minha alma!
Grandes s√£o os desertos.

N√£o tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
N√£o houve vontade ou ocasi√£o que eu n√£o perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que n√£o cabem,
Hoje n√£o me resta (√† parte o inc√īmodo de estar assim sentado)
Sen√£o saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,

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A Solid√£o em Perspectiva

√Č exactamente porque n√£o h√° solid√£o que dizes que h√° solid√£o. Imagina que eras o √ļnico homem no universo. Imagina que nascias de uma √°rvore, ou antes, porque eu quero p√īr a hip√≥tese de que n√£o h√° √°rvores, nem astros, nem nada com que te confrontes: sup√Ķe que o universo √© s√≥ o vazio e que tu nascias no meio desse vazio, sem nada para te confrontares. Como dizeres ¬ęeu estou sozinho¬Ľ? Para pensares em ¬ęeu¬Ľ e em ¬ęsozinho¬Ľ tinhas de pensar em ¬ętu¬Ľ e em ¬ęcompanhia¬Ľ. S√≥ h√° solid√£o ¬ęporque¬Ľ vivemos com os outros…

O Paradoxo da Sabedoria

S√£o muito raros no g√©nero humano os homens verdadeiramente s√°bios; o concurso de condi√ß√Ķes e circunst√Ęncias especiais necess√°rio para que os haja, ocorre com tanta dificuldade que n√£o deve admirar a sua raridade: demais a sua apari√ß√£o pouco ou nada aproveita aos outros homens que os desprezam, perseguem ou motejam, incapazes de compreend√™-los, e os obrigam finalmente ao sil√™ncio, retiro e reclus√£o.
(…) N√£o esperem os homens por, maior que seja o progresso da sua intelig√™ncia, chegar a conhecer as verdades capitais e primitivas sobre a ess√™ncia e natureza das coisas: mudar√£o de erros, f√°bulas, hip√≥teses e teorias, mas nunca poder√£o alcan√ßar conhecimentos que hajam de mudar a natureza humana, e fazer os homens diversos do que far√£o e do que s√£o.
O mundo varia aos olhos e nas opini√Ķes dos homens, conforme as idades e condi√ß√Ķes da vida.