Cita√ß√Ķes sobre Ira

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Frases sobre ira, poemas sobre ira e outras cita√ß√Ķes sobre ira para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Ira é uma Loucura Breve

Alguns s√°bios afirmaram que a ira √© uma loucura breve; por n√£o se controlar a si mesma, perde a compostura, esquece as suas obriga√ß√Ķes, persegue os seus intentos de forma obstinada e ansiosa, recusa os conselhos da raz√£o, inquieta-se por causas v√£s, incapaz de discernir o que √© justo e verdadeiro, semelhante √†s ru√≠nas que se abatem sobre quem as derruba. Mas, para que percebas que est√£o loucos aqueles que est√£o possu√≠dos pela ira, observa o seu aspecto; na verdade, s√£o claros ind√≠cios de loucura a express√£o ardente e amea√ßadora, a fronte sombria, o semblante feroz, o passo apressado, as m√£os trementes, a mudan√ßa de cor, a respira√ß√£o forte e acelerada, ind√≠cios que est√£o tamb√©m presentes nos homens irados: os olhos incendiam-se e fulminam, a cara cobre-se totalmente de um rubor, por causa do sangue que a ela aflui do cora√ß√£o, os l√°bios tremem, os dentes comprimem-se, os cabelos arrepiam-se e eri√ßam-se, a respira√ß√£o √© ofegante e ruidosa, as articula√ß√Ķes retorcem-se e estalam, entre suspiros e gemidos, irrompem frases praticamente incompreens√≠veis, as m√£os entrechocam-se constantemente, os p√©s batem no ch√£o e todo o corpo se agita amea√ßador, a face fica inchada e deformada, horrenda e assutadora. Ficas sem saber se o que h√° de pior neste v√≠cio √© ele ser detest√°vel ou t√£o disforme.

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Reflua a mão se erguê-la para agredir quem ama. O corpo de quem ama está pronto para o carinho, não para a ira. Quem é capaz de agredir quem ama, o que não fará com quem odeia?

Deixa a ira, abandona o furor, não te irrites: só farias o mal

Deixa a ira, abandona o furor, não te irrites: só farias o mal.

A √Ārvore Da Serra

РAs árvores, meu filho, não têm alma!
E esta √°rvore me serve de empecilho…
√Č preciso cort√°-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

– Meu pai, por que sua ira n√£o se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros… no junquilho…
Esta √°rvore, meu pai, possui minh’alma! …

– Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:
“N√£o mate a √°rvore, pai, para que eu viva!”
E quando a √°rvore, olhando a p√°tria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

A Ira Nunca √© S√ļbita

A ira nunca √© s√ļbita. Nasce de um longo roer precedente, que ulcerou o esp√≠rito e nele acumulou a for√ßa reactiva necess√°ria para a explos√£o. Daqui resulta que um belo acesso de c√≥lera n√£o √©, de forma alguma, sinal de uma √≠ndole franca e directa. √Č, pelo contr√°rio, revela√ß√£o involunt√°ria de uma tend√™ncia para nutrir dentro de si o rancor – isto √©, de um temperamento fechado, invejoso, e de um complexo de inferioridade.
O conselho de ¬ęestar em guarda contra quem nunca se irrita¬Ľ, significa, portanto, que – todos os homens, acumulando inevitavelmente √≥dio – conv√©m ter especial cuidado com os que nunca se traem por acessos de ira. Quanto a ti, n√£o fazes mal em ser insicero no teu remoer interior, mas em te tra√≠res na explos√£o.

Coragem Ilusória

H√° cinco esp√©cies de coragem, assim denominadas segundo a semelhan√ßa: suportam as mesmas coisas, mas n√£o pelos mesmos motivos. Uma √© a coragem pol√≠tica: prov√©m da vergonha; a segunda √© pr√≥pria dos soldados: nasce da experi√™ncia e do facto de conhecer, n√£o – como dizia S√≥crates – os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experi√™ncia e da ignor√Ęncia, e por ela s√£o induzidas as crian√ßas e os loucos, estes quando enfrentam a f√ļria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra esp√©cie √© a de quem tem esperan√ßa: gra√ßas a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (…) e os √©brios; o vinho, de facto, excita a confian√ßa.
Outra ainda dimana da paix√£o irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se algu√©m est√° enamorado, √© mais temer√°rio que cobarde e enfrenta muitos perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala a lenda; o mesmo se passa com a c√≥lera e com a ira. Pois a ira √© capaz de nos p√īr fora de n√≥s. Por isso, se afiguram tamb√©m corajosos os javalis, embora n√£o sejam; quando fora de si, t√™m uma qualidade semelhante,

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O Le√£o e o Porco

O rei dos animais, o rugidor le√£o,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.
Quis empreg√°-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;
Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.
Notando-lhe a ignor√Ęncia, o desmazelo, a inc√ļria,
Soltavam contra ele inj√ļria sobre inj√ļria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:
¬ęOra o que o ber√ßo d√°, somente a cova o tira!¬Ľ
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
N√£o h√° poder algum que mude a natureza:
Um porco h√°-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.

O Amor Limitado

Algum homem indigno de ser possuidor
De amor velho ou novo, sendo ele próprio falso ou fraco,
Pensou que a sua dor e vergonha seriam menores
Se a sua ira sobre as mulheres descarregasse.
E ent√£o uma lei nasceu:
Que cada uma um só homem conhecesse.
Mas s√£o assim as outras criaturas?

S√£o o sol, a lua, as estrelas proibidos por lei
De sorrir para onde lhes apetece, ou de esbanjar a sua luz?
Divorciam-se os p√°ssaros, ou s√£o censurados
Se abandonam o seu par, ou dormem fora uma noite?
Os animais n√£o perdem as suas pens√Ķes
Ainda que escolham novos amantes,
Mas nós fizémo-nos piores do que eles.

Quem j√° armou belos navios para ancorar nos portos,
Em vez de buscar novas terras, ou negociar com todos?
Ou construiu belas casas, plantou √°rvores e arbustos,
Apenas para as trancar, ou ent√£o deix√°-los cair?
O Bom não é bom, a não ser
Que mil coisas possua,
Mas arruína-se com a avidez.

Tradução de Helena Barbas

Inania Verba

Ah! quem h√° de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca n√£o diz, o que a m√£o n√£o escreve?
– Ardes, sangras, pregada a’ tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava…

O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, √© um sepulcro de neve…
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e dano, refulgia e voava.

Quem o molde achar√° para a express√£o de tudo?
Ai! quem h√° de dizer as √Ęnsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?

E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confiss√Ķes de amor que morrem na garganta?!

Desafogo

Onde estás, oh Filósofo indefesso
Pio sequaz da rígida Virtude,
T√£o terna a alheios, quanto a si severa?
Com que m√°goa, com que ira olharas hoje
Desprezada dos homens, e esquecida
Aquela √Ęnsia, que em n√≥s pousou Natura
No √Ęmago do peito, ‚ÄĒ de acudir-nos
Co’as for√ßas, c’o talento, co’as riquezas
À pena, ao desamparo do homem justo!
Que (baldão da fortuna iníqua) os Deuses
Puseram para símbolo do esforço,
Lutando a bra√ßos c’o √°spero infort√ļnio?
Pedra de toque em que luzisse o ouro
De sua alma viril, onde encravassem
Seus farp√Ķes mais agudos as Desgra√ßas,
E os peitos de virtude generosa
Desferissem poderes de árduo auxílio?
Que nunca os homens s√£o mais sobre-humanos
Mais comparados c’os sublimes Numes,
Que quando acodem com socorro activo,
Não manchado de sórdido interesse,
Nem do fumo de frívola ufania;
Ou cheios de valor e de const√Ęncia
Arrostam co’a medonha catadura
Da Desgraça, que apura iradas mágoas
Na casa nua do var√£o honesto.
Mas Grécia e Roma há muito que acabaram;
E as cinzas dos Heróis fortes e humanos,

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Não há Descoberta sem Violência

Devemos a quase totalidade das nossas descobertas às nossas violências, à exacerbação do nosso desequilíbrio. Mesmo Deus, na medida em que nos intriga, não é no mais íntimo de nós que o discernimos, mas antes no limite exterior da nossa febre, no ponto preciso em que, confrontando-se a nossa ira com a sua, se produz um choque, um encontro tão ruinoso para Ele como para nós. Ferido pela maldição que se liga aos actos, o violento só força a sua natureza, só se ultrapassa a si próprio, para a ela regressar, furioso e agressor, seguido pelas suas empresas, que o punem por as ter feito nascer. Não há obra que não se volte contra o seu autor: o poema esmagará o poeta, o sistema o filósofo, o acontecimento o homem de acção. Destrói-se quem, respondendo à sua vocação e cumprindo-a, se agita no interior da história; apenas se salva aquele que sacrifica dons e talentos para, desprendido da sua qualidade de homem, poder repousar no ser. Se aspiro a uma carreira metafísica, não posso por preço algum conservar a minha identidade: terei de liquidar o menor resíduo que dela possa guardar; se, pelo contrário, escolho a aventura de um papel histórico,

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Romance

Para as Festas da Agonia
Vi-te chegar, como havia
Sonhado j√° que chegasses:
Vinha teu vulto t√£o belo
Em teu cavalo amarelo,
Anjo meu, que, se me amasses,
Em teu cavalo eu partira
Sem saudade, pena, ou ira;
Teu cavalo, que amarraras
Ao tronco de minha glória
E pastava-me a memória,
Feno de ouro, gramas raras.
Era t√£o c√°lido o peito
Angélico, onde meu leito
Me deixaste ent√£o fazer,
Que pude esquecer a cor
Dos olhos da Vida e a dor
Que o Sono vinha trazer.
T√£o celeste foi a Festa,
T√£o fino o Anjo, e a Besta
Onde montei t√£o serena,
Que posso, Damas, dizer-vos
E a vós, Senhores, tão servos
De outra Festa mais terrena ‚ÄĒ

N√£o morri de mala sorte,
Morri de amor pela Morte.

Noli Me Tangere

A exaltação emocional do Gozo,
O Amor, a Glória, a Ciência, a Arte e a Beleza
Servem de combustíveis à ira acesa
Das tempestades do meu ser nervoso!

Eu sou, por conseq√ľ√™ncia um ser monstruoso!
Em minha arca encef√°lica indefesa
Choram as forças más da Natureza
Sem possibilidades de repouso!

Agregados an√īmalos malditos
Despedaçam-se, mordem-se, dão gritos
Nas minhas camas cerebrais fun√©reas…

Ai! N√£o toqueis em minhas faces verdes,
Sob pena, homens felizes, de sofrerdes
A sensação de todas as misérias!

Se males faz Amor, em mim se vêem;
……………………………
Mas todas suas iras s√£o de Amor;
Todos estes seus males s√£o um bem,
Que eu por todo outro bem n√£o trocaria.

O vinho n√£o embriaga tanto ao homem como o primeiro movimento da ira, pois ele cega o entendimento sem deixar luz para a raz√£o.