Passagens sobre Leis

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A Liberdade de Escolha

Realmente, se um dia de facto se descobrisse uma fórmula para todos os nossos desejos e caprichos Рisto é, uma explicação do que é que eles dependem, por que leis se regem, como se desenvolvem, a que é que eles ambicionam num caso e noutro e por aí fora, isto é uma fórmula matemática exacta Рentão, muito provavelmente, o homem deixaria imediatamente de sentir desejo.
Pois quem aceitaria escolher por regras? Além disso, o ser humano seria imediatamente transformado numa peça de um orgão ou algo do género; o que é um homem sem desejos, sem liberdade de desejo e de escolha, senão uma peça num orgão?

Beleza

Vem do amor a Beleza,
Como a luz vem da chama.
√Č lei da natureza:
Queres ser bela? – ama.

Formas de encantar,
Na tela o pincel
As pode pintar;
No bronze o buril
As sabe gravar;
E est√°tua gentil
Fazer o cinzel
Da pedra mais dura…
Mas Beleza é isso? РNão; só formosura.

Sorrindo entre dores
Ao filho que adora
Inda antes de o ver
– Qual sorri a aurora
Chorando nas flores
Que est√£o por nascer ‚Äď
A mãe é a mais bela das obras de Deus.
Se ela ama! РO mais puro do fogo dos céus
Lhe ateia essa chama de luz cristalina:

√Č a luz divina
Que nunca mudou,
√Č luz… √© a Beleza
Em toda a pureza
Que Deus a criou.

Tudo Est√° ao Nosso Alcance

A vida traz a cada um a sua tarefa e, seja qual for a ocupa√ß√£o escolhida, √°lgebra, pintura, arquitectura, poesia, com√©rcio, pol√≠tica ‚ÄĒ todas est√£o ao nosso alcance, at√© mesmo na realiza√ß√£o de miraculosos triunfos, tudo na depend√™ncia da selec√ß√£o daquilo para que temos aptid√£o: comece pelo come√ßo, prossiga na ordem certa, passo a passo. √Č t√£o f√°cil retorcer √Ęncoras de ferro e talhar canh√Ķes como entrela√ßar palha, t√£o f√°cil ferver granito como ferver √°gua, se voc√™ fizer tudo na ordem correcta. Onde quer que haja insucesso √© porque houve titubeio, houve alguma supersti√ß√£o sobre a sorte, algum passo omitido, que a natureza jamais perdoa. Condi√ß√Ķes felizes de vida podem ser obtidas nos mesmos termos. A atrac√ß√£o que elas suscitam √© a promessa de que est√£o ao nosso alcance. As nossas preces s√£o profetas. √Č preciso fidelidade; √© preciso ades√£o firme. Qu√£o respeit√°vel √© a vida que se aferra aos seus objectivos! As aspira√ß√Ķes juvenis s√£o coisas belas, as suas teorias e planos de vida s√£o leg√≠timos e recomend√°veis: mas voc√™ ser√° fiel a eles? Nem um homem sequer, receio eu, naquele p√°tio repleto de gente, ou n√£o mais que um em mil. E, se tentar cobrar deles a trai√ß√£o cometida,

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O Amor e a Morte

Canção cruel

Corpo de √Ęnsia.
Eu sonhei que te prostrava,
E te enleava
Aos meus m√ļsculos!

Olhos de êxtase,
Eu sonhei que em vós bebia
Melancolia
De há séculos!

Boca s√īfrega,
Rosa brava
Eu sonhei que te esfolhava
Pétala a pétala!

Seios rígidos,
Eu sonhei que vos mordia
Até que sentia
Vómitos!

Ventre de m√°rmore,
Eu sonhei que te sugava,
E esgotava
Como a um c√°lice!

Pernas de est√°tua,
Eu sonhei que vos abria,
Na fantasia,
Como pórticos!

Pés de sílfide,
Eu sonhei que vos queimava
Na lava
Destas m√£os √°vidas!

Corpo de √Ęnsia,
Flor de vol√ļpia sem lei!
N√£o te apagues, sonho! mata-me
Como eu sonhei.

Toda a concep√ß√£o moderna do mundo tem como fundamento a ilus√£o de que as chamadas leis da natureza sejam as explica√ß√Ķes dos fen√≥menos naturais.

Interrogado sobre o que havia aprendido com a filosofia, disse: ‘A fazer, sem ser comandado, aquilo que os outros fazem apenas por medo da lei’.

Entregou-se tanto ao v√≠cio da lux√ļria
que em sua lei tornou lícito aquilo que desse prazer,
para cancelar a censura que merecia.

Ode ao Destino

Destino: desisti, regresso, aqui me tens.

Em vão tentei quebrar o círculo mágico
das tuas coincidências, dos teus sinais, das ameaças,
do recolher felino das tuas unhas retracteis
Рah então, no silêncio tranquilo, eu me encolhia ansioso
esperando já sentir o próximo golpe inesperado.

Em v√£o tentei n√£o conhecer-te, n√£o notar
como tudo se ordenava, como as pessoas e as coisas chegavam
que eu, de soslaio, e disfarçando, observava                               [em bandos,
pura conter as palavras, as minhas e as dos outros,
para dominar a tempo um gesto de amizade inoportuna.

Eu sabia, sabia, e procurei esconder-te,
afogar-te em sistemas, em esperanças, em audácias;
descendo à fé só em mim próprio, até busquei
sentir-te imenso, exacto, magn√Ęnimo,
√ļnico mist√©rio de um mundo cujo mist√©rio eras tu.

Lei universal que a sem-razão constrói,
de um Deus ínvio caminho, capricho dos Deuses,
soberana essência do real anterior a tudo,
Providência, Acaso, falta de vontade minha,
superstição, metafísica barata, medo infantil, loucura,
complexos variados mais ou menos freudianos,
contradição ridícula não superada pelo menino burguês,
educação falhada,

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Interpretação Facciosa

Coment√°rios geram coment√°rios, e explica√ß√Ķes d√£o novos motivos para explica√ß√Ķes. [… ] N√£o ocorre com frequ√™ncia que um homem de capacidade comum entende muito bem um texto ou uma lei que ele l√™ at√© que v√° consultar um comentarista ou procure conselheiros, os quais, quando tiverem terminado de lhe explicar, fazem as palavras n√£o significar coisa alguma ou significar o que ele desejar?
(…) H√°s-de concordar comigo, creio, que n√£o existe coisa alguma em que os homens mais se enganam e desencaminham outros do que na leitura e escrita de livros, [mas] n√£o discutirei se os escritores desencaminham os leitores ou vice-versa: pois parecem ambos dispostos a enganar e ser enganados.

A justiça é o vínculo das sociedades humanas; as leis emanadas da justiça são a alma de um povo.

Espinosa

Gosto de ver-te, grave e solit√°rio,
Sob o fumo de esqu√°lida candeia,
Nas m√£os a ferramenta de oper√°rio,
E na cabeça a coruscante idéia.

E enquanto o pensamento delineia
Uma filosofia, o p√£o di√°rio
A tua m√£o a labutar granjeia
E achas na independência o teu salário.

Soem c√° fora agita√ß√Ķes e lutas,
Sibile o bafo aspérrimo do inverno,
Tu trabalhas, tu pensas, e executas

S√≥brio, tranq√ľilo, desvelado e terno,
A lei comum, e morres, e transmutas
O suado labor no prêmio eterno.