Cita√ß√Ķes sobre Maravilha

87 resultados
Frases sobre maravilha, poemas sobre maravilha e outras cita√ß√Ķes sobre maravilha para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Provençal

Em um solar de algum dia
Cheiinho de alma e valia,
Foi ali
Que ao gosto de olhos a vi

Como dantes inda vasto
Agora
N√£o tinha pombas nem mel.
E à opulência de outrora,
Esmoronado e j√° gasto,
Pedia m√£os de alvenel.

Foi ali
Que ao gosto de olhos a vi.

O seu chapéu, que trazia
Do calor contra as ardências,
Era o que a pena daria
Num certo sabor e arrimo
Com jeitos de circunferências
A morrer todas no cimo.

Davam-lhe franco nos ombros
As pontas do lenço branco:
E sem que ninguém as ouça,
Eram palavras da moça
Com a voz alta de chamar;

Palavras feitas em gesto,
Igualzinho e manifesto,
Como um relance de olhar.

E bela, fechada em gosto,
Fazia o seu rosto dela
A gente mestre de amar.

Foi num solar de algum dia,
Cheiinho de alma e valia,
Que eu disse de mim para ela
Por este falar assim:

Vem, meu amor!

Continue lendo…

Ela é pura Alice no País das Maravilhas, e no porte tem uma mistura bem dosada de Rainha de Copas com um flamingo.

A Manh√£

A rosada manh√£ serena desce
Sobre as asas do Zéfiro orvalhadas;
Um cristalino alj√īfar resplandece
Pelas serras de flores marchetadas;
Fugindo as lentas sombras dissipadas
V√£o em sutil vapor, que se converte
Em transparentes nuvens prateadas.
Sa√ļdam com sonora melodia
As doces aves na frondosa selva
O astro que benéfico alumia
Dos altos montes a florida relva;

Uma a cantiga exprime modulada
Com suave gorjeio, outra responde
Cos brandos silvos da garganta inflada,
Como os raios, partindo do horizonte,
Ferem, brilhando com diversas cores,
As claras √°guas de serena fonte.

Salve, benigna luz, que os resplandores,
Qual perene corrente cristalina,
Que de viçoso prado anima as flores,
Difundes da celeste azul campina,
Vivificando a lassa natureza,
Que no seio da noite tenebrosa
O moribundo sonho tinha presa.

Como alegre desperta e radiosa!
De encantos mil ornada se levanta,
Qual do festivo leito a nova esposa!
A mesma anosa, carcomida planta
Co matutino orvalho reverdece.
A √ļmida cabe√ßa ergue vi√ßosa
A flor, que rociada resplandece,
E risonha,

Continue lendo…

A Grande Originalidade

√Č curioso. S√≥ se julga profundo o que disser coisas diferentes de toda a gente. E todavia a grande originalidade est√° em dizer as mesmas coisas, mas ao n√≠vel do espanto e maravilha que nos despertam. Toda a gente sabe que o homem √© mortal, mas poucos v√™em isso e se espantam de que seja assim. Toda a gente sabe que h√° bichos e plantas e estrelas e o mais. Mas conhec√™-lo ao n√≠vel do extraordin√°rio que a√≠ existe √© raro como ser doido.
A grande originalidade não é dizer coisas novas mas ser novo diante das coisas velhas.

Os meus amigos dizem-me que sou uma insuport√°vel orgulhosa, e √© √† viva for√ßa que me arrancam da gaveta, para os lan√ßar √†s feras, como eu costumo dizer, os meus versos que s√£o um pouco de mim mesma, e agora a minha prosa que, a dar-lhes ouvidos, seria a oitava maravilha do mundo! Resignei-me de vez e, presentemente, estou decidida a enveredar pelo caminho da “escrevinha√ß√£o”, j√° que para outra coisa n√£o me sinto apta neste mundo.

Descalça Vai para a Fonte

Descalça vai para a fonte,
Leanor pela verdura;
Vai fermosa, e n√£o segura.

A talha leva pedrada,
Pucarinho de feição,
Saia de cor de lim√£o,
Beatilha soqueixada;
Cantando de madrugada,
Pisa as flores na verdura:
Vai fermosa, e n√£o segura.

Leva na m√£o a rodilha,
Feita da sua toalha;
Com uma sustenta a talha,
Ergue com outra a fraldilha;
Mostra os pés por maravilha,
Que a neve deixam escura:
Vai fermosa, e n√£o segura.

As flores, por onde passa,
Se o p√© lhe acerta de p√īr,
Ficam de inveja sem cor,
E de vergonha com graça;
Qualquer pegada que faça
Faz florescer a verdura:
Vai formosa, e n√£o segura.

N√£o na ver o Sol lhe val,
Por n√£o ter novo inimigo;
Mas ela corre perigo,
Se na fonte se vê tal;
Descuidada deste mal,
Se vai ver na fonte pura:
Vai fermosa, e n√£o segura.

Também nós imos já perto da Fonte;
E, Em quanto no cantar nos entretemos,
Temo que a vinda c√° pouco nos monte.

Continue lendo…

√Čs Feliz?

Só há uma forma de seres feliz: tens de fazer por isso.

√Čs feliz? Queres ser? Fazes alguma coisa por isso?

Se fores, maravilha, transportas a bel√≠ssima responsabilidade de inspirar os outros a s√™-lo tamb√©m. Se ainda n√£o √©s, mas queres s√™-lo, o que tens feito por isso? Andas a respeitar-te mais vezes? A lutar pela viv√™ncia das tuas vontades? Andas mais perto da natureza? J√° consegues dizer mais vezes aquilo que sentes e aquilo que pensas? J√° n√£o p√Ķes sempre os outros √† tua frente? Come√ßaste a cuidar do teu corpo e da tua alimenta√ß√£o? Reduziste os v√≠cios? Se sim, fant√°stico. Parab√©ns! Gosto muito de pessoas felizes, mas a minha admira√ß√£o vai toda para aqueles que, n√£o o sendo ainda, lutam todos os dias para o ser, pela autodescoberta que os far√° refer√™ncia na vida de todos aqueles que os rodeiam. Agora, e por outro lado, se n√£o tens andado a fazer nada disto nem nada semelhante, mais vale assumires que, afinal, ser feliz n√£o √© uma vontade tua. E est√° tudo bem na mesma. Apenas te pe√ßo, em nome da comunidade dos seres humanos que querem viver e desfrutar desta am√°vel oportunidade que nos foi dada de aqui estar,

Continue lendo…

A Tua Alma de Ouro

Meu querido rapaz,

O teu soneto √© deveras bonito, e √© uma maravilha que esses teus l√°bios da cor de rosas encarnadas tenham sido feitos tanto para a loucura da m√ļsica e das can√ß√Ķes como para a loucura do beijar. A tua alma de ouro caminha entre a paix√£o e a poesia. Eu sei que Hyacinthus, que Apollo amou t√£o perdidamente, eras tu nos tempos Gregos. Porque est√°s sozinho em Londres, e quando ir√°s para Salisbury? Vai at√© l√° para refrescar as tuas m√£os no crep√ļsculo cinzento das coisas g√≥ticas, e vem aqui sempre que quiseres. √Č um lugar ador√°vel, e falta-lhe apenas a tua pessoa; mais vai primeiro a Salisbury.

Sempre teu, com amor eterno,

Oscar

Coisa Amar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que j√° foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

A Maior Desgraça da Vida

A maior desgra√ßa da vida, vistas bem as coisas, acaba por n√£o ser a morte. Salvo aqueles casos catastr√≥ficos, que sob o ponto de vista do aniquilamento s√£o uma perfeita maravilha, morre-se quando esta coisa que se chama corpo, por uma raz√£o ou por outra, est√° podre. Quando, afinal, a ele pr√≥prio j√° lhe n√£o apetece viver. A desgra√ßa verdadeira √© esta de n√≥s andarmos aqui a namorar o c√©u, a pisar a terra, a investir contra o mar ‚ÄĒ e nem o c√©u, nem a terra, nem o mar saberem sequer que a gente existe.

O Desporto √© a Intelig√™ncia In√ļtil

O sport √© a intelig√™ncia in√ļtil manifestada nos movimentos do corpo. O que o paradoxo alegra no cont√°gio das almas, o sport aligeira na demonstra√ß√£o dos bonecos delas. A beleza existe, verdadeiramente, s√≥ nos altos pensamentos, nas grandes emo√ß√Ķes, nas vontades conseguidas. No sport – ludo, jogo, brincadeira – o que existe √© sup√©rfluo, como o que o gato faz antes de comer o rato que lhe h√°-de escapar. Ningu√©m pensa a s√©rio no resultado, e, enquanto dura o que desaparece, existe o que n√£o dura. H√° uma certa beleza nisso, como no domin√≥, e, quando o acaso proporciona o jogo acertado, a maravilha entesoura o corpo encostado do vencedor. Fica, no fim, e sempre virado para o in√ļtil, o inconseguido do jogo. Pueri ludunt, como no prim√°rio do latim…

Ao sol brilham, no seu breve movimento de gl√≥ria esp√ļria, os corpos juvenis que envelhecer√£o, os trajectos que, com o existirem, deixaram j√° de existir. Entardece no que vemos, como no que vimos. A Gr√©cia antiga n√£o nos afaga sen√£o intelectualmente. Ditosos os que naufragam no sacrif√≠cio da posse. S√£o comuns e verdadeiros. O sol das arenas faz suar os gestos dos outros. Os poetas cantam-nos antes que des√ßa todo o sol.

Continue lendo…

Regras para a Conversação

РDa minha parte, disse Amithone, confesso que gostaria muito que existissem regras para a conversação, assim como há para muitas outras coisas. РA regra principal, retomou Valérie, é jamais dizer alguma coisa que fira o juízo. РMas ainda, acrescentou Nicanor, desejaria saber mais precisamente como vós concebeis que deva ser a conversação. РConcebo, retomou ela, que no falar em geral, ela deva versar com mais frequência sobre coisas comuns e galantes do que sobre grandes coisas.
Mas concebo, entretanto, que n√£o h√° nada que n√£o possa caber ali; que ela deve ser livre e diversificada, segundo os momentos, os lugares, e as pessoas com quem se est√°; e que o segredo √© falar sempre nobremente das coisas baixas, e bastante simplesmente das coisas elevadas, e muito galantemente das coisas galantes, sem ansiedade, e sem afecta√ß√£o. Assim, embora a conversa√ß√£o deva ser sempre igualmente natural e ponderada, n√£o deixo de dizer que h√° ocasi√Ķes nas quais mesmo as ci√™ncias podem entrar de bom grado ali e nas quais os agrad√°veis desatinos tamb√©m podem encontrar o seu lugar, contanto que sejam engenhosos, modestos e galantes. De modo que, para falar ponderadamente, pode-se assegurar, sem mentira, que n√£o h√° nada que n√£o se possa dizer na conversa√ß√£o,

Continue lendo…

Que maravilha √© ningu√©m precisar esperar um √ļnico momento para melhorar o mundo.

De novo estou de amor alegre. O que √©s eu respiro depressa sorvendo o teu halo de maravilha antes que se finde no evaporado do ar. Minha fresca vontade de viver-me e de viver-te √© a tessitura mesma da vida? A natureza dos seres e das coisas ‚Äď √© Deus? Talvez ent√£o se eu pedir muito √† natureza, eu paro de morrer? Posso violentar a morte e abrir-lhe uma fresta para a vida?

O Esplendor

E o esplendor dos mapas, caminho abstracto para a imaginação concreta,
Letras e riscos irregulares abrindo para a maravilha.

O que de sonho jaz nas encaderna√ß√Ķes vetustas,
Nas assinaturas complicadas (ou t√£o simples e esguias) dos velhos livros.

(Tinta remota e desbotada aqui presente para além da morte,
O que de negado √† nossa vida quotidiana vem nas ilustra√ß√Ķes,
O que certas gravuras de an√ļncios sem querer anunciam.

Tudo quanto sugere, ou exprime o que n√£o exprime,
Tudo o que diz o que n√£o diz,
E a alma sonha, diferente e distraída.

√ď enigma vis√≠vel do tempo, o nada vivo em que estamos!