Cita√ß√Ķes sobre Mediocridade

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Frases sobre mediocridade, poemas sobre mediocridade e outras cita√ß√Ķes sobre mediocridade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Boa e M√° Literatura

O que acontece na literatura n√£o √© diferente do que acontece na vida: para onde quer que se volte, depara-se imediatamente com a incorrig√≠vel plebe da humanidade, que se encontra por toda a parte em legi√Ķes, preenchendo todos os espa√ßos e sujando tudo, como as moscas no ver√£o.
Eis a raz√£o do n√ļmero incalcul√°vel de livros maus, essa erva daninha da literatura que tudo invade, que tira o alimento do trigo e o sufoca. De facto, eles arrancam tempo, dinheiro e aten√ß√£o do p√ļblico – coisas que, por direito, pertencem aos bons livros e aos seus nobres fins – e s√£o escritos com a √ļnica inten√ß√£o de proporcionar algum lucro ou emprego. Portanto, n√£o s√£o apenas in√ļteis, mas tamb√©m positivamente prejudiciais. Nove d√©cimos de toda a nossa literatura actual n√£o possui outro objectivo sen√£o o de extrair alguns t√°leres do bolso do p√ļblico: para isso, autores, editores e recenseadores conjuraram firmemente.
Um golpe astuto e maldoso, porém notável, é o que teve êxito junto aos literatos, aos escrevinhadores que buscam o pão de cada dia e aos polígrafos de pouca conta, contra o bom gosto e a verdadeira educação da época, uma vez que eles conseguiram dominar todo o mundo elegante,

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Cada Português que se Preza

√Č escusado. Cada portugu√™s que se preza √© uma muralha de sufici√™ncia contra a qual se quebram todas as vagas da inquieta√ß√£o. Conhece tudo, previu tudo, tem solu√ß√Ķes para tudo. E quando algu√©m se apresenta carregado de d√ļvidas, tolhido de perplexidades, vira-lhe as costas ou tapa os ouvidos. Um m√≠nimo de aten√ß√£o ao interlocutor seria j√° uma prova de fraqueza, uma confiss√£o de falibilidade. Quanto mais apertado o seu horizonte intelectual, mais porfia na vulgaridade das certezas que proclama. N√£o √† maneira humilde e cabe√ßuda dos que se limitam a transmitir sem an√°lise um saber ancestral, mas como um presumido doutor, impante de mediocridade.

Falaram, ent√£o, da mediocridade provinciana, das exist√™ncias que ela sufocava, das ilus√Ķes que nela se perdiam.

Não é menos funesto aos homens um superlativo engenho, do que às mulheres uma extraordinária beleza: a mediocridade em tudo é uma garantia e penhor de segurança e tranquilidade.

Ela compreendeu instintivamente que o √ļnico modo de escapar √† mediocridade do mundo que a rodeava era produzir, dentro das suas possibilidades, um trabalho original, pessoal, onde exprimisse o melhor de si mesma.

Dar o que Temos é Pouco

Quem apenas dá o que tem dá sempre pouco. Cada um de nós é muito mais do que aquilo que possui. Assim, mais do que dar o que temos, devemos dar o que somos.

Quem dá o que é irradia o bem da sua existência, semeia-se enquanto bondade… faz-se mais e melhor.

H√° quem tenha tudo e n√£o seja nada. Julgando que o seu valor est√° no que possui, exibe os seus bens como se fossem condecora√ß√Ķes… desprezando n√£o s√≥ o que √©, mas, e ainda mais importante, o que poderia ser.

Quanto às coisas materiais, será melhor merecer o que não se tem do que ter o que não se merece… tal como é preferível ser credor do que devedor.

Nunca é bom depender do que não depende de nós.
Hoje confundem-se desejos com necessidades. Na verdade, n√£o s√£o sequer compar√°veis, na medida em que os desejos buscam uma satisfa√ß√£o inalcan√ß√°vel. Pois assim que se sacia um desejo, logo outro, maior, toma o seu lugar. S√£o vontades estranhas √† nossa paz e capazes de alimentar contra n√≥s uma guerra sem fim. √Č importante que atendamos √†s nossas verdadeiras car√™ncias, mas com o cuidado de afastar da√≠ todos os desejos que querem passar por elas.

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Os portugueses merecem muito melhor, merecem muito mais do que o Governo que t√™m, muito mais do que a maneira como os obrigam a viver. J√° ouviu um discurso do primeiro-ministro? A quantidade de erros de portugu√™s que ele d√°… Como √© que podemos ser governados por pessoas que nem sequer sabem falar portugu√™s? N√£o posso com esta mediocridade, com este vazio de ideias, com esta mentira constante. ‘Decis√£o irrevog√°vel’? O meu pai nunca admitiria que um filho seu voltasse atr√°s com a palavra. E isto passa-se no mundo inteiro. H√° pouco tempo, George Steiner comentou comigo que nenhum dos bons alunos de Cambridge ia para a pol√≠tica: s√≥ os med√≠ocres v√£o para a pol√≠tica.

A Verdadeira Beleza de uma Mulher

Uma roupa desacertada, uns dentes ligeiramente tortos, uma mediocridade requintada da alma ‚Äď estes s√£o os tipos de detalhes que fazem uma mulher real, viva. As mulheres que vemos nos cartazes ou em revistas de moda ‚Äď aquelas que todas as mulheres tentam imitar hoje em dia ‚Äď como √© que podem ser atraentes? Elas n√£o t√™m realidade pr√≥pria; s√£o apenas a soma de um conjunto de regras abstractas. Elas n√£o nascem de corpos humanos; elas nascem prontas a servir a partir de computadores.

Satisfazer-se mais com Intensidade do que com Quantidade

A perfei√ß√£o n√£o consiste na quantidade, mas na qualidade. Tudo o que √© muito bom sempre foi pouco e raro: o muito √© descr√©dito. Mesmo entre os homens, os gigantes costumam ser os verdadeiros an√Ķes. Alguns avaliam os livros pela corpul√™ncia, como se escritos para exercitar mais os bra√ßos do que os engenhos. A extens√£o sozinha nunca p√īde exceder a mediocridade, e essa √© a praga dos homens universais: por quererem estar em tudo, est√£o em nada. A intensidade d√° emin√™ncia, e √© her√≥ica se em mat√©ria sublime.

Não Mostrar Satisfação Consigo Mesmo

Viva, nem descontente, que √© pouquidade, nem satisfeito consigo mesmo, que √© nescidade. Nasce essa satisfa√ß√£o no mais das vezes da ignor√Ęncia, e vai ter uma felicidade n√©scia que, embora satisfa√ßa o gosto, n√£o sustenta o cr√©dito. Como n√£o percebe as superlativas perfei√ß√Ķes nos outros, contenta-se com qualquer vulgar mediocridade em si. Sempre foi √ļtil, al√©m de prudente, a desconfian√ßa, ou como preven√ß√£o para que as coisas saiam bem, ou para consolo quando saiam mal; pois o desaire da sorte n√£o surpreende quem j√° o temia. O pr√≥prio Homero √†s vezes dormita, e Alexandre cai do seu estado e do seu engano. As coisas dependem de muitas circunst√Ęncias, e a que triunfa num lugar e em tal ocasi√£o, em outra malogra. Mas a incorrigibilidade do n√©scio est√° em ter convertido em flor a mais v√£ satisfa√ß√£o, cuja semente est√° sempre a brotar.

Virtudes dos Jovens e dos Velhos

Os jovens são mais aptos para inventar do que para julgar, para executar do que para aconselhar, para os novos projectos do que os negócios estabilizados. Porque a experiência da idade, nas coisas que quadram os velhos, dirige-os, mas engana-os nas coisas que aparecem de novo. Os erros dos jovens causam a ruína dos negócios; mas os erros dos velhos limitam-se ao que deveria ser feito de novo, ou mais cedo.
Os jovens, na condução e na economia dos negócios, têm ampla visão das coisas que não podem dominar, agitam mais do que apaziguam, voam rapidamente para os fins sem consideração dos meios e dos graus; conduzem os poucos princípios, que por acaso acolheram, até ao absurdo; não receiam inovar, o que traz desconhecidos inconvenientes, usam de princípio os remédios extremos, e, o que duplica todos os erros, não querem reconhecer-se nem retratar-se, como o cavalo mal ensinado que não quer parar nem retroceder.
Os homens de idade objectam muito, consultam muito, aventuram-se pouco, arrependem-se depressa, raras vezes conduzem os negócios ao grau de plenitude, porque se contentam com a mediocridade no êxito.
Certamente, é proveitoso combinar o emprego de novos e velhos: será vantajoso para o presente,

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A Utilidade dos Inimigos

A utilidade dos inimigos √© um daqueles temas cruciais em que um compilador de lugares-comuns como Plutarco p√īde dar a m√£o a um arguto preceptor de her√≥is como Gracian y Morales e a um paradoxista como Nietzsche. Os argumentos s√£o sempre esses – e todos o sbaem.
Os inimigos como os √ļnicos verdadeiros; como aqueles que, conservando os olhos sempre voltados para cima, obrigam √† circunspec√ß√£o e ao caminho rectil√≠neo; como auxiliares de grandeza, porque obrigam a superar as m√°s vontades e os obst√°culos; como est√≠mulos do aperfei√ßoamento de si e da vigil√Ęncia; como antagonistas que impelem para a competi√ß√£o, a fecundidade, a supera√ß√£o cont√≠nua. Mas s√£o bem vistos, sobretudo, como prova segura da grandeza e da fortuna.
Quem n√£o tem inimigos √© um santo – e √†s vezes os santos t√™m inimigos – ou uma nulidade ambulante, o √ļltimo dos √ļltimos. E alguns, por arrog√Ęncia, imaginam ter mais inimigos do que na realidade t√™m ou tentam consegui-los, para obter, pelo menos por esse caminho, a certeza da sua superioridade.
Mas todos os registadores utilitários da utilidade de inimigos esquecem que essas vantagens são pagas por um preço elevado e só constituem vantagens enquanto somos, e não sabemos ser,

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O que explica o sucesso de muitas obras √© a rela√ß√£o ali encontrada entre a mediocridade das id√©ias do autor e a mediocridade das id√©ias do p√ļblico.

Pensar o Meu País

Pensar o meu pa√≠s. De repente toda a gente se p√īs a um canto a meditar o pa√≠s. Nunca o t√≠nhamos pensado, pens√°ramos apenas os que o governavam sem pensar. E de s√ļbito foi isto. Mas para se chegar ao pa√≠s tem de se atravessar o espesso nevoeiro da mediocralhada que o infestou. Ser√° que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que n√£o. N√≥s √© que temos um estilo de ser med√≠ocres. N√£o √© quest√£o de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. N√£o √© quest√£o de se ser est√ļpido. Temos saber, temos intelig√™ncia. A quest√£o √© s√≥ a do equil√≠brio e harmonia, a quest√£o √© a do bom senso. H√° um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. H√° um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado √© o rid√≠culo, a f√≠fia, a ¬ęfuga do p√© para o chinelo¬Ľ. O Espanhol √© um ¬ęb√°rbaro¬Ľ, mas assume a barbaridade. N√≥s somos uns camp√≥nios com a obsess√£o de parecermos civilizados. O Franc√™s √© um ser artificioso,

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Muitos livros devem o seu sucesso √† afinidade entre a mediocridade das ideias do escritor e as do p√ļblico.

A Amizade é Indispensável ao Nosso Ser

A amizade √© a unica coisa cuja utilidade √© unanimemente reconhecida. A pr√≥pria virtude tem muitos detratores, que a acusam de ostenta√ß√£o e charlatanismo. Muitos desprezam as riquezas e, contentes de pouco, agradam-se da mediocridade. As honras, √† procura da qual se matam tanto as pessoas, quantos outros as desdenham at√© olh√°-las como o que h√° de mais f√ļtil e de mais fr√≠volo? E, assim, quanto ao mais! O que a uns parece admir√°vel, ao ju√≠zo doutros nada √©. Mas quanto √† amizade, toda a gente est√° de acordo: os que se ocupam dos neg√≥cios p√ļblicos, os que se apaixonaram pelo estudo e pelas indaga√ß√Ķes sapientes, e os que, longe do bul√≠cio, limitam os seus cuidados aos seus interesses privados: todos enfim, aqueles mesmos que se entregaram todos inteiros aos prazeres, declaram que a vida nada √© sem a amizade, por pouco que queiram reservar a sua para algum sentimento honor√°vel.
Ela se insinua, com efeito, não sei como, no coração de todos os homens e não se admite que, sem ela, possa passar nenhuma condição da vida. Bem mais, se é um homem de natureza selvagem, muito feroz para odiar seus semelhantes e fugir do seu contacto, como fazia,

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A Crítica é Menos Eficaz do que o Exemplo

A cr√≠tica √© menos eficaz do que o exemplo. √Č de considerar se a grande sugest√£o para usar da cr√≠tica nos nossos tempos e que p√Ķe em causa todos os valores consagrados, n√£o √© o resultado duma anemia profunda do acto de vontade de toda uma sociedade. Todos temos consci√™ncia de como o exemplo se tornou interdito, como o indiv√≠duo, na sua excep√ß√£o perturbadora, √© causa de mal-estar. Dir-se-ia que a fraqueza, a breve virtude, a mediocridade, de interesses e de condi√ß√Ķes, t√™m prioridade sobre o modelo e a utopia. A par desta dimens√£o rasa do despotismo do dem√©rito, levanta-se uma rajada de viol√™ncia. √Č de crer que a viol√™ncia √© hoje a linguagem bastarda da desilus√£o e o reverso do exemplo; representa a frustra√ß√£o do exemplo.