Passagens sobre Mesquinhos

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Os Limites da Amizade

Determinemos, agora, quais s√£o os limites e, por assim dizer, os termos da amizade. Encontro aqui tr√™s opini√Ķes diferentes, das quais n√£o aprovo nenhuma: a primeira deseja que sejamos para os nossos amigos, assim como somos para n√≥s mesmos; a segunda, que a nossa afei√ß√£o por eles seja tal e qual √† que eles t√™m por n√≥s; a terceira, que estimemos os nossos amigos, assim como eles se estimam a si mesmos. N√£o posso concordar com nenhuma destas tr√™s m√°ximas. Porque a primeira, que cada um tenha para com o seu amigo a mesma afei√ß√£o e vontade que tem para si, √© falsa. De facto, quantas coisas fazemos pelos nossos amigos, que jamais far√≠amos para n√≥s! Rogar, suplicar a um homem que se despreza, tratar a outro com aspereza, persegui-lo com viol√™ncia; coisas que em causa pr√≥pria n√£o seriam muito decentes, nos neg√≥cios dos amigos tornam-se muito honrosas. Quantas vezes um homem de bem abandona a defesa dos seus interesses e os sacrifica, em seu pr√≥prio detrimento, para servir os de seu amigo!
A segunda opini√£o √© a que define a amizade por uma correspond√™ncia igual em amor e bons servi√ßos. √Č fazer da amizade uma ideia bem limitada e mesquinha,

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A vingança é sempre o prazer de um espírito mesquinho,
de um espírito amedrontado e avaro. Podes ter a certeza disso agora mesmo:
ninguém se deleita tanto com a vingança como a mulher.

Neste Horrível Sepulcro Da Existência

Neste horrível sepulcro da existência
O triste coração de dor se parte;
A mesquinha razão se vê sem arte,
Com que dome a frenética impaciência:

Aqui pela opressão, pela violência
Que em todos os sentidos se reparte,
Transitório poder que imitar-te,
Eterna, vingadora omnipotência!

Aqui onde o peito abrange, e sente,
Na mais ampla express√£o acha estreiteza,
Negra idéia do abismo assombra a mente.

Difere acaso da infernal tristeza
Não ver terra, nem céu, nem mar, nem gente,
Ser vivo, e n√£o gozar da Natureza ?

Mesquinho √© o caso de amor que pode ser amavelmente resolvido com proveito para ambas as partes. Quando homem e mulher ¬ęficam amigos¬Ľ √© porque nunca foram outra coisa. O amor verdadeiro √© um desespero constante. Os problemas mais espectaculares s√≥ se resolvem com mortes. N√£o h√° conselhos que lhes valham.

Nós os portugueses temos de fazer duas coisas: 1. acordar e 2. aprender a sonhar com o que está ao nosso alcance. O mal da nossa classe política é só conhecer dois registos: a utopia megalómana e a banalidade mesquinha. O nosso sonho ou é o Quinto Império ou então chegar ao fim do mês e conseguir pagar a conta da luz.

As Paix√Ķes Humanas

Eu considero inteligente o homem que em vez de desprezar este ou aquele semelhante √© capaz de o examinar com olhar penetrante, de lhe sondar por assim dizer a alma e descobrir o que se encontra em todos os seus desv√£os. Tudo no homem se transforma com grande rapidez; num abrir e fechar de olhos, um terr√≠vel verme pode corroer-lhe as entranhas e devorar-lhe toda a sua subst√Ęncia vital. Muitas vezes uma paix√£o, grande ou mesquinha pouco importa, nasce e cresce num indiv√≠duo para melhor sorte, obrigando-o a esquecer os mais sagrados deveres, a procurar em √≠nfimas bagatelas a grandeza e a santidade. As paix√Ķes humanas n√£o t√™m conta, s√£o tantas, tantas, como as areias do mar, e todas, as mais vis como as mais nobres, come√ßam por ser escravas do homem para depois o tiranizarem.
Bem-aventurado aquele que, entre todas as paix√Ķes, escolhe a mais nobre: a sua felicidade aumenta de hora a hora, de minuto a minuto, e cada vez penetra mais no ilimitado para√≠so da sua alma. Mas existem paix√Ķes cuja escolha n√£o depende do homem: nascem com ele e n√£o h√° for√ßa bastante para as repelir. Uma vontade superior as dirige, t√™m em si um poder de sedu√ß√£o que dura toda a vida.

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A inveja é um vício mesquinho e sórdido: o vício do condenado que reclama porque o seu companheiro de prisão recebeu uma ração de sopa maior.

O grande risco do mundo atual, com a sua m√ļltipla e opressiva oferta de consumo, √© uma tristeza individualista que brota do cora√ß√£o comodista e mesquinho, da busca doentia de prazeres superficiais, da consci√™ncia isolada.

Ninguém Permanece Satisfeito Com o Que Tem

Ningu√©m permanece satisfeito com o que tem, olhando para o que √© dos outros; √© por isso que nos iramos at√© contra os deuses quando algu√©m nos ultrapassa, esquecidos dos homens que ficam para tr√°s; e, quando h√° poucos homens para invejar, aqueles que seguem atr√°s de n√≥s s√£o invejosos terr√≠veis. Mas o homem √© t√£o mesquinho que, mesmo tendo recebido muito, considera-se injuriado se pudesse ter recebido mais. (…) Sobretudo, agradece aquilo que recebeste; aguarda pelo restante e alegra-te por n√£o estares ainda satisfeito: √© um prazer haver algo por que esperar. Venceste todos os homens: alegra-te por seres o primeiro no cora√ß√£o do teu amigo; foste vencido por muitos: considera quantos homens est√£o atr√°s de ti, mais do que quantos est√£o √† tua frente. Queres saber qual √© o teu maior v√≠cio? Fazes mal as contas: valorizas demasiado o que te oferecem, mas desvalorizas o que tens.

Quando Voltei Encontrei Os Meus Passos

Quando voltei encontrei os meus passos
Ainda frescos sobre a √ļmida areia.
A fugitiva hora, reevoquei-a,
– T√£o rediviva! nos meus olhos ba√ßos…

Olhos turvos de l√°grimas contidas.
– Mesquinhos passos, porque doidejastes
Assim transviados, e depois tornastes
Ao ponto das primeiras despedidas?

Onde fostes sem tino, ao vento v√°rio,
Em redor, como as aves num avi√°rio,
At√© que a asita fofa lhes fale√ßa…

Toda essa extensa pista Рpara quê?
Se há de vir apagar-vos a maré,
Com as do novo rasto que come√ßa…

As Coisas Secretas da Alma

Em todas as almas h√° coisas secretas cujo segredo √© guardado at√© √† morte delas. E s√£o guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de ang√ļstia, em face dos amigos mais queridos – porque as palavras que as poderiam traduzir seriam rid√≠culas, mesquinhas, incompreens√≠veis ao mais perspicaz. Estas coisas s√£o materialmente imposs√≠veis de serem ditas. A pr√≥pria Natureza as encerrou – n√£o permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir – apenas sons para as caricaturar. E como essas ideias-entranha s√£o as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar. Daqui os ¬ęisolados¬Ľ que todos n√≥s, os homens, somos. Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conhe√ßam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive – n√£o existem. Nem poderiam existir. No dia em que se compreendessem totalmente – √≥ ideal dos amorosos! – eu tenho a certeza que se fundiriam numa s√≥. E os corpos morreriam.

Não nos deixemos perturbar por ninharias, que devemos desprezar e esquecer. Lembre-se A vida é muito curta para sermos mesquinhos.

Saber Estar em Sociedade

O homem que n√£o tem mais do que o pr√≥prio valor necessita de ser excelente em grande n√ļmero de virtudes, tal como a pedra que n√£o √© preciosa necessita de ser revestida de metal; mas comummente acontece com a reputa√ß√£o o mesmo que com o lucro, se √© verdadeiro o prov√©rbio que diz: que com leves ganhos se fazem pesadas bolsas, porque estes s√£o frequentes, enquanto os grandes s√≥ chegam de vez em quando; assim, tamb√©m √© verdade que pequenas coisas ganham grande recomenda√ß√£o, porque s√£o de uso e de observa√ß√£o corrente, enquanto a ocasi√£o de manifestar grandes virtudes s√≥ √© dada nos dias-santos. Para adquirir boas maneiras basta apenas n√£o as desdenhar, porque, habituando-nos a observ√°-las nos outros, deixamos confiadamente operar em n√≥s a imita√ß√£o; pois se cuidarmos de as exprimir, perdem logo a sua gra√ßa, a qual √© serem naturais e desafectadas. O comportamento de cada homem deve ser como um verso, no qual todas as s√≠labas s√£o medidas. Como pode um homem ocupar-se de grandes assuntos, se quebra demasiado o seu esp√≠rito com mesquinhas observa√ß√Ķes? N√£o usar completamente de cerim√≥nias √© ensinar aos outros que n√£o as usem tamb√©m, e assim diminuir o respeito pr√≥prio; especialmente, n√£o devem ser omitidas perante estrangeiros e pessoas desconhecidas.

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A Inteligência e o Sentido Moral

A intelig√™ncia √© quase in√ļtil para aqueles que s√≥ a possuem a ela. O intelectual puro √© um ser incompleto, infeliz, pois √© incapaz de atingir aquilo que compreende. A capacidade de apreender as rela√ß√Ķes das coisas s√≥ √© fecunda quando associada a outras actividades, como o sentido moral, o sentido afectivo, a vontade, o racioc√≠nio, a imagina√ß√£o e uma certa for√ßa org√Ęnica. S√≥ √© utiliz√°vel √† custa de esfor√ßo.
Os detentores da ciência preparam-se longamente realizando um duro trabalho. Submetem-se a uma espécie de ascetismo. Sem o exercício da vontade, a inteligência mantém-se dispersa e estéril. Uma vez disciplinada, torna-se capaz de perseguir a verdade. Mas só a atinge plenamente se for ajudada pelo sentido moral. Os grandes cientistas têm sempre uma profunda honestidade intelectual. Seguem a realidade para onde quer que ela os conduza. Nunca procuram substituí-la pelos seus próprios desejos, nem ocultá-la quando se torna opressiva. O homem que quiser contemplar a verdade deve manter a calma dentro de si mesmo. O seu espírito deve ser como a água serena de um lago. As actividades afectivas, contudo, são indispensáveis ao progresso da inteligência. Mas devem reduzir-se a essa paixão que Pasteur chamava deus inteiror, o entusiasmo.

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Ins√Ęnia De Um Simples

Em cismas patológicas insanas,
√Č-me grato adstringir-me, na hierarquia
Das formas vivas, à categoria
Das organiza√ß√Ķes liliputianas;

Ser semelhante aos zoófitos e às lianas,
Ter o destino de uma larva fria,
Deixar enfim na cloaca mais sombria
Este feixe de células humanas!

E enquanto arremedando Eolo iracundo,
Na orgia heliogab√°lica do mundo,
Ganem todos os vícios de uma vez,

Apraz-me, adstricto ao tri√Ęngulo mesquinho
De um delta humilde, apodrecer sozinho
No silêncio de minha pequenez!

O Mundo Tem um Focinho

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N√£o penses que o mundo tem para ti um rosto,
uma fisionomia de dócil empregado de mesa
ou de mulher bela;
a vida ‚ÄĒ e o mundo a que est√° agarrada ‚ÄĒ
tem sim um focinho. E esses beiços grossos
(que jamais incitam √† m√ļsica)
desde que nasces, como um juiz de cara
deformada, observam e julgam os teus comportamentos.

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Em média: as pessoas aperfeiçoam mais os engenhos
mec√Ęnicos da corrup√ß√£o e das trai√ß√Ķes mesquinhas
que os da hospitalidade. Os perigos
que observam um corpo s√£o produzidos incessantemente
em qualquer f√°brica desconhecida
mas eficaz.
H√° muito perigo no mundo
‚ÄĒ ter√°s pois (n√£o te aborre√ßas j√°) a tua bela parte.

Gonçalo M.