Cita√ß√Ķes sobre Mito

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Frases sobre mito, poemas sobre mito e outras cita√ß√Ķes sobre mito para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Desejo ser um criador de mitos, que é o mistério mais alto que pode obrar alguém da humanidade.

Venda da Alma e Venda do Corpo

N√£o s√≥ as mulheres que casam sem amor, mas apenas por conveni√™ncia; n√£o s√≥ as esposas que continuam a comer o p√£o daquele que j√° n√£o amam e enganam; n√£o s√≥ as mulheres se prostituem. √Č prostituto o escritor que coloca a pena ao servi√ßo das ideias em que n√£o cr√™; o advogado que defende causas que reconhece injustas; quem finge a ades√£o aos mitos e interesses dos poderosos para obter recompensas materiais e morais; o actor e o bobo que se exp√Ķem diante dos idiotas pagantes para arrecadar aplausos e dinheiro; o poeta que abre aos estranhos os segredos da sua alma, amores e melancolias, para obter em compensa√ß√£o um pouco de fama, de dinheiro ou de compaix√£o; e, acima de tudo, √© prostituto o pol√≠tico, o demagogo, o tribuno que todos devem acariciar, seduzir, a todos promete favores e felicidade e a todos se entrega por amor √† popularidade – justamente chamado homem p√ļblico, quase irm√£o de toda a mulher p√ļblica.
Mas quem de entre n√≥s, pelo menos um dia da sua vida, n√£o simulou um sentimento que n√£o tinha e um entusiasmo que n√£o sentia e repetiu uma opini√£o falsa para obter compensa√ß√Ķes, cumplicidades, sorrisos ou benef√≠cios?

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Ao Amor

O que desejas de mim
nunca o dar√° o lampejo de um momento,
a conquista de um dia da montanha.

Meu corpo ‚ÄĒ para ti somente ‚ÄĒ
deve emergir a cada gesto límpido
e profundo deve ser meu futuro
para reter-te e recriar-te permanente.

Sei que em mim te estender√°s, n√£o mais disperso,
em desejo e em procura de teu filho
e que todo movimento de meu ser
ser√° o rumo de teu universo.

E por isso temo. No meu sentimento
sofro por ti. Receio
ser larga a hesitação de meu caminho,
ser um mito a conquista da montanha,
ser pobre e fugaz o meu espaço
na extens√£o que reduz teu infinito.

A Paix√£o

A paixão é um incêndio
na fábrica de fogos de artifício.
A paixão é um balé
à beira do precipício.

Quando a paix√£o termina
o mito se quebra.
E resta a sensação de uma viagem
contra uma chuva de pedra.

√Č Delicada, Suave, Vaporosa

√Č delicada, suave, vaporosa,
A grande atriz, a singular feitura…
√Č linda e alva como a neve pura,
D√©bil, franzina, divinal, nervosa!…

E d’entre os l√°bios setinais, de rosa
Libram-se p√©rolas de nitente alvura…
E doce aroma de sutil frescura
Sai-lhe da leve complei√ß√£o mimosa!…

Quando aparece no febril proscênio
Bem como os mitos do passado, ingentes,
Bem como um astro majestoso, hel√™nio…

Sente-se n’alma as atra√ß√Ķes potentes
Que só se operam ao fulgor do gênio,
As rubras chispas ideais, ferventes!…

O Homem n√£o Deseja a Paz

Que estranho bicho o homem. O que ele mais deseja no conv√≠vio inter-humano n√£o √© afinal a paz, a conc√≥rdia, o sossego colectivo. O que ele deseja realmente √© a guerra, o risco ao menos disso, e no fundo o desastre, o infort√ļnio. Ele n√£o foi feito para a conquista de seja o que for, mas s√≥ para o conquistar seja o que for. Poucos homens afirmaram que a guerra √© um bem (Hegel, por exemplo), mas √© isso que no fundo desejam. A guerra √© o perigo, o desafio ao destino, a possibilidade de triunfo, mas sobretudo a inquieta√ß√£o em ac√ß√£o. Da paz se diz que √© ¬ępodre¬Ľ, porque √© o estarmos reca√≠dos sobre n√≥s, a inactividade, a derrota que sobrev√©m n√£o apenas ao que ficou derrotado, mas ainda ou sobretudo ao que venceu. O que ficou derrotado √© o mais feliz pela necessidade inilud√≠vel de tentar de novo a sorte. Mas o que venceu n√£o tem paz sen√£o por algum tempo no seu cora√ß√£o alvoro√ßado. A guerra √© o estado natural do bicho humano, ele n√£o pode suportar a felicidade a que aspirou. Como o grupo de futebol, qualquer vit√≥ria alcan√ßada √© o est√≠mulo insuport√°vel para vencer outra vez.

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Na Europa h√° um mito hist√≥rico e religioso. A Uni√£o Europeia tende para isso: um s√≥ comando gen√©rico e uma s√≥ f√© que √© posta na democracia. Tira-se a religi√£o um pouco para o lado e estabelece-se uma democracia generalizada, a uni√£o da Europa com um mesmo fim: um s√≥ rei e um s√≥ papa. √Č o mito que se est√° a tornar uma realidade actualmente com Bruxelas no centro da Uni√£o Europeia. Acho que √© √≥ptimo mas √© muito dif√≠cil porque h√° diferentes climas nas regi√Ķes, h√° diferentes idiossincrasias, diferentes l√≠nguas. √Č sempre muito dif√≠cil tornar uma coisa acess√≠vel a toda essa diversidade.

O grande inimigo da verdade não é muito frequentemente a mentira (deliberada, controvertida e desonesta), mas o mito Рpersistente, persuasivo, e não realista.

Controlar a Vida a 360 Graus

Vivemos numa sociedade dominada cada vez mais pelo mito do controlo. E o seu postulado dogm√°tico √© este: a receita para uma vida realizada √© a capacidade de control√°-la a 360 graus. N√£o percebemos at√© que ponto uma mentalidade assim representa a nega√ß√£o do princ√≠pio de realidade. Isto para dizer como somos pouco ajudados a lidar com a irrup√ß√£o do inesperado que hoje o sofrimento representa. Sentimos a dor como uma tempestade estranha que se abate sobre n√≥s, tir√Ęnica e inexplic√°vel. Quando ela chega, s√≥ conseguimos sentir-nos capturados por ela, e os nossos sentidos tornam-se como persianas que, mesmo inconscientemente, baixamos. A luz j√° n√£o nos √© t√£o grata, as cores deixam de levar-nos consigo na sua ligeireza, os odores atormentam-nos, ignoramos o prazer, evitamos a melodia das coisas. Damos por n√≥s ausentes nessa combust√£o silenciosa e fechada onde parece que o interesse sensorial pela vida arde. ¬ęA dor √© t√£o grande, a dor sufoca, j√° n√£o tem ar. A dor precisa de espa√ßo¬Ľ, escreve Marguerite Duras nas p√°ginas autobiogr√°ficas do volume a que chamou ¬ęA Dor¬Ľ. E descobrimo-nos mais s√≥s do que pens√°vamos no meio desse inc√™ndio √≠ntimo que cresce. Nas etapas de sofrimento a impot√™ncia parece aprisionar enigmaticamente todas as nossas possibilidades.

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O Grande Mito Nacional

Há uma espécie de propaganda com que se pode levantar o moral de uma nação Рa construção ou renovação e a difusão consequente e multímoda de um grande mito nacional. De instinto, a humanidade odeia a verdade, porque sabe, com o mesmo instinto, que não há verdade, ou que a verdade é inatingível. O mundo conduz-se por mentiras; quem quiser despertá-lo ou conduzi-lo terá que mentir-lhe delirantemente, e fá-lo-á com tanto mais êxito quanto mais mentir a si mesmo e se compenetrar da verdade da mentira que criou. Temos, felizmente, o mito sebastianista, com raízes profundas no passado e na alma portuguesa. Nosso trabalho é pois mais fácil; não temos que criar um mito, senão que renová-lo. Comecemos por nos embebedar desse sonho, por o integrar em nós, por o incarnar. Feito isso, por cada um de nós independentemente e a sós consigo, o sonho se derramará sem esforço em tudo que dissermos ou escrevermos, e a atmosfera estará criada, em que todos os outros, como nós, o respirem. Então se dará na alma da nação o fenómeno imprevisível de onde nascerão as Novas Descobertas, a Criação do Mundo Novo, o Quinto Império. Terá regressado El-Rei D. Sebastião.

Dizem os S√°bios

Dizem os s√°bios que j√° nada ignoram
Que alma, √© um mito!…
Eles que há muito, em vão, dos céus exploram
O almo infinito…
Eles, que nunca achavam no ente humano
Mais que esta face
De ser finito, org√Ęnico, o gusano
Que morre e nasce,
Fundam-se na raz√£o.
E a raz√£o erra!…

Quem da lagarta a rastejar na terra
Pode supor,
Sonhar sequer, que um dia h√°-de nascer
A borboleta, aquela alada flor
Matiz dos céus?
S√°bios, achai em v√£o o pode ser
Saber… s√≥ Deus.

O homem rasteja, semelhante ao verme
Por que n√£o h√°-de a paz da sepultura
– Quanto labor sob a aparente calma!
Servir d’abrigo √†quele ser inerme,
De que há-de um dia após tarefa oscura
Surgir vivaz, alada e flor, a Alma.

Pedra de Canto

Ainda ter√°s alento e pedra de canto,
Mito de Pégaso, patada de sangue da mentira,
Para cantar em sílabas ásperas o canto,
De rima em -anto, o pranto,
O amor, o apego, o sossego, a rima interna
Das almas calmas, isto e aquilo, o canto
Do pranto em pedra aparelhada a corpo e escopro,
O estupro de outrora, a triste vida dela, o canto,
Buraco onde te metes, duplamente: com falo,
Falas, f√°-la chorar e ganir, com falo o canto
No buraco de grilo onde anoiteces,
No buraco de falso eremita onde conheces
Teu nada, o dela, o buraco dela, o canto
De pedra, sim, canteiro por cantares e aparelhares
Com ela em rua e cama o falo f√°-la cheia,
Canteiro porque o falo a julga flores, o canto
√Āspero do canteiro de pedra e s√©men que tu √©s
(No buraco do falo falaste),
Tu, falaz√£o de amor, que a amas e conheces.
Amas a quem? Conheces quem? Pobre Hipocrene,
Apolo de pataco, Cam√Ķes binocular, poeta de merda,

Embora isso em sangue dessa pobre alma em ferida:
A dela,

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Dar Significado ao Tempo

Um dos prazeres humanos menos observados √© o de preparar acontecimentos √† dist√Ęncia, de organizar um grupo de acontecimentos que tenham uma constru√ß√£o, uma l√≥gica, um come√ßo e um fim. Este √© quase sempre apercebido como um acme sentimental, uma alegre ou lisonjeira crise de conhecimento de si pr√≥prio. Isto aplica-se tanto √† constru√ß√£o de uma resposta pronta como √† de uma vida. E o que √© isto, sen√£o a premissa da arte de narrar? A arte narrativa apazigua precisamente esse gosto profundo.
O prazer de narrar e de escutar √© o de ver os factos serem dispostos segundo aquele gr√°fico. A meio de uma narrativa volta-se √†s premissas e tem-se o prazer de encontrar raz√Ķes, chaves, motiva√ß√Ķes causais. Que outra coisa fazemos quando pensamos no nosso pr√≥prio passado e nos comprazemos em reconhecer os sinais do presente ou do futuro? Esta constru√ß√£o d√°, em subst√Ęncia, um significado ao tempo. E o narrar √©, em suma, apenas um meio de o transformar em mito, de lhe fugir.

A Imagem, o Mito √© uma coisa e o Homem √© outra. √Č muito dif√≠cil viver no dia a dia essa Imagem, esse mito.

Cultivar a Felicidade

Desde os prim√≥rdios da humanidade, que o ser humano procura a felicidade como a terra seca clama pela √°gua. √Č f√°cil conquist√°-la? Nem sempre! Os poetas homenagearam-na, os romancistas descreveram-na, os fil√≥sofos contemplaram-na, mas grande parte deles saudaram-na apenas de longe.
Os reis tentaram dominá-la, mas ela não se submeteu ao poder deles. Os ricos tentaram comprá-la, mas ela não se deixou vender. Os intelectuais tentaram compreendê-la, mas ela confundiu-os. Os famosos tentaram fasciná-la, mas ela contou-lhes que preferia o anonimato. Os jovens disseram que ela lhes pertencia, mas ela disse-lhes que não se encontrava no prazer imediato, nem se deixava encontrar pelos que não pensavam nas consequências dos seus atos.
Alguns acreditaram que poderiam cultivá-la em laboratório. Isolaram-se do mundo e dos problemas da vida, mas a felicidade enviou um claro recado a dizer que ela apreciava o cheiro das pessoas e crescia no meio das dificuldades.
Outros tentaram cultivá-la com os avanços da ciência e da tecnologia, mas eis que a ciência e a tecnologia se multiplicaram e a tristeza e as mazelas da alma se expandiram.

Desesperados, muitos tentaram encontrar a felicidade em todos os cantos do mundo. Mas no espaço ela não estava,

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O mito do eterno retorno nos diz por antecipa√ß√£o que n√≥s s√≥ vivemos uma vez, e sem repeti√ß√Ķes, portanto, nunca poderemos comparar uma situa√ß√£o com outra.

As teorias de Freud estarão certas; mas o mito que fez nascer Vénus da espuma, também está.