Cita√ß√Ķes sobre Ocidentais

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Frases sobre ocidentais, poemas sobre ocidentais e outras cita√ß√Ķes sobre ocidentais para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Céu e o Ninho

√Čs ao mesmo tempo o c√©u e o ninho.

Meu belo amigo, aqui no ninho,
o teu amor prende a alma
com mil cores,
cores e m√ļsicas.

Chega a manh√£,
trazendo na m√£o a cesta de oiro,
com a grinalda da formosura,
para coroar a terra em silêncio!

Chega a noite pelas veredas n√£o andadas
dos prados solit√°rios,
j√° abandonados pelos rebanhos!
Traz, na sua bilha de oiro,
a fresca bebida da paz,
recolhida
no mar ocidental do descanso.

Mas onde o céu infinito se abre,
para que a alma possa voar,
reina a branca claridade imaculada.
Ali n√£o h√° dia nem noite,
nem forma, nem cor,
nem sequer nunca, nunca,
uma palavra!

Tradu√ß√£o de Manuel Sim√Ķes

√Č Imposs√≠vel Fazer Amor sem um Certo Abandono

Mas √© exactamente isso que √© supreendente em ti: tu gostas de dar prazer. Gostas de fazer do teu corpo um objecto agrad√°vel, gostas de dar prazer com o teu pr√≥prio corpo: √© precisamente isso o que os ocidentais j√° n√£o conseguem fazer. Perderam completamente o sentimento da d√°diva. Mesmo esfor√ßando-se, n√£o conseguem assumir o sexo como uma coisa natural. Al√©m de terem vergonha do seu corpo, muito diferente do corpo das estrelas pornogr√°ficas, tamb√©m n√£o sentem uma verdadeira atrac√ß√£o pelo corpo dos outros. Ora, √© imposs√≠vel fazer amor sem um certo abandono, sem a aceita√ß√£o, pelo menos tempor√°ria, de um certo estado de fraqueza e de depend√™ncia. Tanto a exalta√ß√£o sentimental como a obsess√£o sexual t√™m a mesma origem, resultam ambas do esquecimento parcial do eu; √© algo que n√£o pode acontecer sem que a pessoa perca alguma coisa de si mesma. E n√≥s torn√°mo-nos frios, racionais, extremamente conscientes dos nossos direitos e da nossa exist√™ncia individual; primeiro que tudo, queremos evitar a aliena√ß√£o e a depend√™ncia; al√©m disso, vivemos obcecados com a sa√ļde e com a higiene: e n√£o s√£o essas as condi√ß√Ķes ideais para fazer amor.

Dois Excertos de Odes

(Fins de duas odes, naturalmente)

I

Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas r√°pidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as v√°rias √°rvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as √°rvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na dist√Ęncia imprecisa e vagamente perturbadora,
Na dist√Ęncia subitamente imposs√≠vel de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que v√™m ter conosco ao crep√ļsculo, √† janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das m√ļsicas e das vozes longe e perto,

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A Ren√ļncia ao Poder

O √ļnico factor material indispens√°vel para a gera√ß√£o do poder √© a conviv√™ncia entre os homens. Estes s√≥ ret√™m poder quando vivem t√£o pr√≥ximos uns dos outros que as potencialidades da ac√ß√£o est√£o sempre presentes; e, portanto, a funda√ß√£o de cidades que, como as cidades-estado, se converteram em paradigmas para toda a organiza√ß√£o pol√≠tica ocidental, foi na verdade a condi√ß√£o pr√©via material mais importante do poder.

O que mant√©m unidas as pessoas depois de ter passado o momento fugaz da ac√ß√£o (aquilo que hoje chamamos ¬ęorganiza√ß√£o¬Ľ) e o que elas, por sua vez, mant√™m vivo ao permanecerem unidas √© o poder. Todo aquele que, por algum motivo, se isola e n√£o participa dessa conviv√™ncia renuncia ao poder e torna-se impotente, por maior que seja a sua for√ßa e por mais v√°lidas que sejam as suas raz√Ķes.

Ideais Insanos

Um homem louco √© aquele cuja maneira de pensar e agir n√£o se coaduna com a maioria dos seus contempor√Ęneos. A sanidade mental √© uma quest√£o de estat√≠stica. Aquilo que a maioria dos Homens faz em qualquer dado lugar e per√≠odo √© a coisa ajuizada e normal a fazer. Esta √© a defini√ß√£o de sanidade mental na qual baseamos a nossa pr√°tica social. Para n√≥s, aqui e agora, s√£o muitos os de mentalidade s√£ e poucos os loucos. Mas os julgamentos, aqui e agora, s√£o por sua natureza provis√≥rios e relativos. O que nos parece sanidade mental, a n√≥s, porque √© o comportamento de muitos, pode parecer, sub specie oeternitalis, uma loucura. Nem √© preciso invocar a eternidade como testemunho. A Hist√≥ria √© suficiente. A maioria auto-intitulada de mentalmente s√£, em qualquer dado momento, pode parecer ao historiador, que estudou os pensamentos e ac√ß√Ķes de inumer√°veis mortos, uma escassa m√£o-cheia de lun√°ticos. Considerando o assunto de outro ponto de vista, o psic√≥logo pode chegar √† mesma conclus√£o. Ele sabe que a mente consiste de tais e tais elementos, que existem e devem ser tidos em conta. Se um homem tenta viver como se certos destes elementos constituintes do seu ser n√£o existissem,

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Produzimos uma Cultura de Devastação

Todos os anos exterminamos comunidades ind√≠genas, milhares de hectares de florestas e at√© in√ļmeras palavras das nossas l√≠nguas. A cada minuto extinguimos uma esp√©cie de aves e algu√©m em algum lugar rec√īndito contempla pela √ļltima vez na Terra uma determinada flor. Konrad Lorenz n√£o se enganou ao dizer que somos o elo perdido entre o macaco e o ser humano. Somos isso, uma esp√©cie que gira sem encontrar o seu horizonte, um projecto por concluir. Falou-se bastante ultimamente do genoma e, ao que parece, a √ļnica coisa que nos distancia na realidade dos animais √© a nossa capacidade de esperan√ßa. Produzimos uma cultura de devasta√ß√£o baseada muitas vezes no engano da superioridade das ra√ßas, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder econ√≥mico. Sempre me pareceu incr√≠vel que uma sociedade t√£o pragm√°tica como a ocidental tenha deificado coisas abstractas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens ef√©meras. Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade…

Hoje quer-se fazer a globaliza√ß√£o, mas de qu√™? Fazer tudo por igual? Juntar tudo: um s√≥ rei, um s√≥ Papa, como nas palavras do Padre Ant√≥nio Vieira. H√° esse desejo ut√≥pico. Mas √© dif√≠cil chegar l√°. Perdem-se pelo caminho, tem-se hesita√ß√Ķes e h√° um retorno √† Idade M√©dia, em inverso. Agora s√£o os √°rabes a quererem destruir o mundo ocidental.

Lisboa

√ď Cidade da Luz! Perp√©tua fonte
De tão nítida e virgem claridade,
Que parece ilus√£o, sendo verdade,
Que o sol aqui fene√ßa e n√£o desponte…

Embandeira-se em chamas o horizonte:
Um fulgor áureo e róseo tudo invade:
S√£o mil os panoramas da Cidade,
Surge um novo mirante em cada monte.

√ď Luz ocidental, mais que a do Oriente
Leve, esmaltada, pura e transparente,
Claro azulejo, madrugada infinda!

E és, ao sol que te exalta e te coroa,
‚ÄĒ Loira, morena, multicor Lisboa! ‚ÄĒ
T√£o pag√£, t√£o crist√£, t√£o moira ainda…

As nossas sociedades ocidentais est√£o a viver uma silenciosa mudan√ßa de paradigma: o excesso (de emo√ß√Ķes, de informa√ß√£o, de expectativas, de solicita√ß√Ķes…) est√° a atropelar a pessoa humana e a empurr√°-la para um estado de fadiga, de onde √© cada vez mais dif√≠cil retornar. O risco √© o aprisionamento permanente nesse cansa√ßo.

Madrugada

Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no m√ļsculo da noite
a noite

a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes

Impressiona-me a uniformização do mundo ocidental. Há vinte anos, podia determinar-se imediatamente a nacionalidade de uma pessoa pela sua indumentária. Hoje já não.

Quando um Ocidental encontra alguém de um país pobre, sente profundo desprezo. Ele assume que a cabeça do pobre homem está cheia de todos os disparates que mergulharam o seu país na pobreza e no desespero.

As Mulheres S√£o Profundamente Diferentes dos Homens

S√£o profundamente diferentes, felizmente. At√© o c√©rebro tem uma outra organiza√ß√£o. A mulher √© extraordin√°ria… Gosto muito da est√°tua da V√©nus de Milo, a√≠ √© que est√° o sentido. N√£o h√° nada dela que eu tire para o sexo. O sexo √© um prazer, um v√≠cio, como fumar, tomar caf√©, beber uma droga. A V√©nus de Milo: a gente n√£o sabe a posi√ß√£o das m√£os, mas o seio √© muito bonito, nada provocativo, nem a cara, que √© muito serena, muito feminina; mas o ventre √© o que sobressai mais. E √© o ventre onde se gera a humanidade. A Agustina Bessa-Lu√≠s diz mesmo que Cristo, Deus, nasceu do ventre da mulher. Veja a import√Ęncia que tem e que se n√£o d√° √† mulher: a de criar humanidade. E essa est√°tua, por coincid√™ncia, √© a mais conhecida de todas as do mundo ocidental.

Que Significado Tem a Felicidade?

Deve-se neste momento – relacionando-a com certas informa√ß√Ķes do dicion√°rio – formular ainda a pergunta: o que s√£o afinal os bens da vida humana? Quem nos diz que um determinado bem √© superior ou inferior? H√° lacunas desagrad√°veis nos dicion√°rios, at√© nos mais conhecidos. Pode-se demonstrar que h√° pessoas para quem DM 2,5 s√£o um bem muito superior a qualquer outra vida humana, com excep√ß√£o da deles, e h√° at√© outros que, por amor a um bocado de chouri√ßo de sangue, que conseguem ou n√£o apanhar, arriscam sem hesita√ß√£o os bens das mulheres e dos filhos, como, por exemplo: uma vida familiar alegre e a presen√ßa de um pai ao menos uma vez radiante. E que significado tem esse bem, que louvamos sob o nome de F.(Felicidade)? Que diabo, este est√° bem perto da F., se consegue juntar as tr√™s ou quatro beatas que chegam para ele fazer outro cigarro ou se pode beber o resto de Vermute de uma garrafa que se deitou fora, aquele precisa para ser feliz durante cerca de dez minutos – pelo menos segundo o costume ocidental de amor a ritmo acelerado-, mais precisamente: para estar r√†pidamente com a pessoa que naquele momento deseja, precisa de um avi√£o a jacto particular,

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A Lusit√Ęnia

A terra mais ocidental de todas √© a Lusit√Ęnia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura porque vivem ali menos, ou morrem mais os homens? N√£o; sen√£o porque ali v√£o morrer, ali acabam, ali se sepultam e se escondem todas as luzes do firmamento. Sai no Oriente o Sol com o dia coroado de raios, como Rei e fonte da Luz: sai a Lua e as Estrelas com a noite, como tochas acesas e cintilantes contra a escuridade das trevas, sobem por sua ordem ao Z√©nite, d√£o volta ao globo do mundo resplandecendo sempre e alumiando terras e mares; mas em chegando aos Horizontes da Lusit√Ęnia, ali se afogam os raios, ali se sepultam os resplendores, ali desaparece e perece toda aquela pompa de luzes.
E se isto sucede aos lumes celestes e imortais; que nos lastimamos, Senhores, de ler os mesmos exemplos nas nossas Histórias? Que foi um Afonso de Albuquerque no Oriente? Que foi um Duarte Pacheco? Que foi um D. João de Castro? Que foi um Nuno da Cunha, e tantos outros Heróis famosos, senão uns Astros e Planetas lucidíssimos, que assim como alumiaram com estupendo resplendor aquele glorioso século, assim escurecerão todos os passados?

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O que o lirismo ocidental exalta não é o prazer dos sentidos, nem a paz fecunda do casal. Não é o amor satisfeito mas sim a paixão do amor. E paixão significa sofrimento.

O sil√™ncio √© a minha maior tenta√ß√£o. As palavras, esse v√≠cio ocidental, est√£o gastas, envelhecidas, envilecidas. Fatigam, exasperam. E mentem, separam, ferem. Tamb√©m apaziguam, √© certo, mas √© t√£o raro! Por cada palavra que chega at√© n√≥s, ainda quente das entranhas do ser, quanta baba nos escorre em cima a fingir de m√ļsica suprema! A plenitude do sil√™ncio s√≥ os orientais a conhecem.

Valoriza-se mais o Ter que o Ser

A primeira fase da domina√ß√£o da economia sobre a vida social levou, na defini√ß√£o de toda a realiza√ß√£o humana, a uma evidente degrada√ß√£o do ser em ter. A fase presente da ocupa√ß√£o total da vida social em busca da acumula√ß√£o de resultados econ√≥micos conduz a uma busca generalizada do ter e do parecer, de forma que todo o ¬ęter¬Ľ efectivo perde o seu prest√≠gio imediato e a sua fun√ß√£o √ļltima. Assim, toda a realidade individual tornou-se social e directamente dependente do poderio social obtido.

(…) O espect√°culo √© o herdeiro de toda a fraqueza do projecto filos√≥fico ocidental, que foi uma compreens√£o da actividade dominada pelas categorias do ver; assim como se baseia no incessante alargamento da racionalidade t√©cnica precisa, proveniente deste pensamento. Ele n√£o realiza a filosofia, ele filosofa a realidade. √Č a vida concreta de todos que se degradou em universo especulativo.
A filosofia, enquanto poder do pensamento separado, e pensamento do poder separado, nunca pode por si própria superar a teologia. O espectáculo é a reconstrução material da ilusão religiosa. A técnica espectacular não dissipou as nuvens religiosas onde os homens tinham colocado os seus próprios poderes desligados de si: ela ligou-os somente a uma base terrestre.

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