Passagens sobre Opress√£o

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Frases sobre opress√£o, poemas sobre opress√£o e outras passagens sobre opress√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Liberdade é a Possibilidade do Isolamento

A liberdade √© a possibilidade do isolamento. √Čs livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procur√°-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade greg√°ria, ou o amor, ou a gl√≥ria, ou a curiosidade, que no sil√™ncio e na solid√£o n√£o podem ter alimento. Se te √© imposs√≠vel viver s√≥, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do esp√≠rito, todas da alma: √©s um escravo nobre, ou um servo inteligente: n√£o √©s livre.
E n√£o est√° contigo a trag√©dia, porque a trag√©dia de nasceres assim n√£o √© contigo, mas do Destino para si somente. Ai de ti, por√©m, se a opress√£o da vida, ela pr√≥pria, te for√ßa a seres escravo. Ai de ti, se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a pen√ļria te for√ßa a conviveres. Essa sim, √© a tua trag√©dia, e a que trazes contigo.
Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela.

Combater a Opress√£o

√Č certamente admir√°vel o homem que se op√Ķe a todas as esp√©cies de opress√£o, porque sente que s√≥ assim se conseguir√° realizar a sua vida, s√≥ assim ela estar√° de acordo com o esp√≠rito do mundo; constitui-lhe suficiente imperativo para que arrisque a tranquilidade e bordeje a pr√≥pria morte o pensamento de que os esp√≠ritos nasceram para ser livres e que a liberdade se confunde, na sua forma mais perfeita, com a raz√£o e a justi√ßa, com o bem; a exist√™ncia passou a ser para ele o meio que um deus benevolente colocou ao seu dispor para conseguir, pelo que lhe toca, deixar uma centelha onde at√© a√≠ apenas a treva se cerrara; √© um esfor√ßo de indiv√≠duo que reconheceu o caminho a seguir e que deliberadamente por ele marcha sem que o esmore√ßam obst√°culos ou o intimide a amea√ßa; afinal o poder√≠amos ver como a alma que busca, ap√≥s uma luta de que a n√£o interessam nem dificuldades nem extens√£o.

O sossegamento √© a forma mais precisa de liberdade. Mas n√£o √© uma liberdade negativa (estar livre de medos, de constrangimentos, de opress√Ķes), mas uma liberdade positiva ‚Äď uma liberdade para sentir o que se sente e confiar no que se sente, e ter tempo, e vontade, e confian√ßa no que se faz.

Vilegiatura

O sossego da noite, na vilegiatura no alto;
O sossego, que mais aprofunda
O ladrar esparso dos c√£es de guarda na noite;
O silêncio, que mais se acentua,
Porque zumbe ou murmura uma coisa nenhuma no escuro …
Ah, a opress√£o de tudo isto!
Oprime como ser feliz!
Que vida idílica, se fosse outra pessoa que a tivesse
Com o zumbido ou murm√ļrio mon√≥tono de nada
Sob o céu sardento de estrelas,
Com o ladrar dos c√£es polvilhando o sossego de tudo!

Vim para aqui repousar,
Mas esqueci-me de me deixar l√° em casa,
Trouxe comigo o espinho essencial de ser consciente,
A vaga náusea, a doença incerta, de me sentir.

Sempre esta inquietação mordida aos bocados
Como p√£o ralo escuro, que se esfarela caindo.
Sempre este mal-estar tomado aos maus haustos
Como um vinho de bêbado quando nem a náusea obsta.

Sempre, sempre, sempre
Este defeito da circulação na própria alma,
Esta lipotimia das sensa√ß√Ķes,
Isto…

(Tuas m√£os esguias, um pouco p√°lidas, um pouco minhas,
Estavam naquele dia quietas pelo teu regaço de sentada,

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O Pior Medo é o Medo de Nós Próprios

O medo √© muitas vezes o muro que impede as pessoas de fazerem uma s√©rie de coisas. Claro que o medo tamb√©m pode ser positivo, em certa medida ajuda a que se equilibrem alguns elementos e se tenham certas coisas em considera√ß√£o, mas na maior parte dos casos √© negativo, √© algo que nos faz mal. (…) O pior medo √© o medo de n√≥s pr√≥prios e a pior opress√£o √© a auto-opress√£o. Antes de se tentar lutar contra qualquer outra coisa, penso que √© importante lutarmos contra ela e conquistarmos a liberdade de n√£o termos medo de n√≥s pr√≥prios.

A Vida e o Jogo

Quando a crian√ßa cresceu e abandonou os seus jogos, quando durante anos se esfor√ßou psiquicamente por agarrar as realidades da vida com a seriedade desejada, pode acontecer que um dia se encontre de novo numa disposi√ß√£o ps√≠quica que volta a apagar esta oposi√ß√£o entre o jogo e a realidade. O homem adulto lembra-se da grande seriedade com que se entregava aos jogos infantis e acaba por comparar as suas ocupa√ß√Ķes por assim dizer graves com esses jogos dos tempos da inf√Ęncia: liberta-se ent√£o da opress√£o demasiado pesada da vida e conquista a frui√ß√£o superior do humor.

O pior governo é o mais moral. Um governo composto de cínicos é frequentemente mais tolerante e humano. Mas, quando os fanáticos tomam o poder, não há limite para a opressão.

A paciência Рé uma das Рqualidades femininas que têm como origem a nossa opressão, mas que deve ser preservada após a nossa libertação.

A Cegueira da Governação

Pr√≠ncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ru√≠na dos vossos Reinos, vedes as afli√ß√Ķes e mis√©rias dos vossos vassalos, vedes as viol√™ncias, vedes as opress√Ķes, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assola√ß√£o de tudo? Ou o vedes ou o n√£o vedes. Se o vedes como o n√£o remediais? E se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Pr√≠ncipes, Eclesi√°sticos, grandes, maiores, supremos, e v√≥s, √≥ Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destro√ßos da F√©, vedes o descaimento da Religi√£o, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados p√ļblicos, vedes os esc√Ęndalos, vedes as simonias, vedes os sacril√©gios, vedes a falta da doutrina s√£, vedes a condena√ß√£o e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou n√£o o vedes. Se o vedes, como n√£o o remediais, e se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da Rep√ļblica, da Justi√ßa, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obriga√ß√Ķes que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consci√™ncias,

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A arte de oprimir os povos foi-se modificando. A ambi√ß√£o sofreu grandes altera√ß√Ķes. Agora os homens usam de conte√ļdo cultural, violador de multid√Ķes na sua conduta; n√£o √© a for√ßa do bra√ßo nem o nome de fam√≠lia que alimentam o seu prest√≠gio – √© antes a energia duma convic√ß√£o que se imponha pela utilidade que prometem.

Neste Horrível Sepulcro Da Existência

Neste horrível sepulcro da existência
O triste coração de dor se parte;
A mesquinha razão se vê sem arte,
Com que dome a frenética impaciência:

Aqui pela opressão, pela violência
Que em todos os sentidos se reparte,
Transitório poder que imitar-te,
Eterna, vingadora omnipotência!

Aqui onde o peito abrange, e sente,
Na mais ampla express√£o acha estreiteza,
Negra idéia do abismo assombra a mente.

Difere acaso da infernal tristeza
Não ver terra, nem céu, nem mar, nem gente,
Ser vivo, e n√£o gozar da Natureza ?

A política de exploração, opressão e terror da ditadura é a política de protecção dos interesses monopolistas. Só eliminando o poder dos monopólios poderão as riquezas nacionais ser aproveitadas em benefício do povo e da nação, poderá ser dado um impulso ao desenvolvimento económico no quadro da liberdade e da democracia, poderá elevar-se o nível de vida das classes trabalhadoras e do povo em geral.

A natureza da opress√£o das mulheres √© √ļnica: as mulheres s√£o oprimidas enquanto mulheres, sem considera√ß√Ķes de classe ou ra√ßa; algumas mulheres t√™m acesso √† riqueza significativa, mas essa riqueza n√£o significa poder; mulheres podem ser encontradas em todo lugar, mas n√£o possuem ou controlam nenhum territ√≥rio apreci√°vel; mulheres vivem com aqueles que as oprimem, dormem com eles, t√™m seus filhos ‚ÄĒ n√≥s estamos entrela√ßadas, desesperadamente parece, nas entranhas do mecanismo e do modo de vida que √© danoso para n√≥s.

Crescimento Cultural

Como indivíduos, verificamos que o nosso desenvolvimento depende das pessoas que conhecemos no curso da nossa vida (essas pessoas incluem os autores cujas obras lemos e as personagens, tanto da ficção como da história). O benefício desses encontros é devido tanto às diferenças como às semelhanças, tanto ao conflito como à simpatia entre pessoas. Feliz é o homem que, no momento oportuno, encontra o amigo adequado; feliz também o homem que, no momento adequado, encontra o inimigo adequado.
Não aprovo o extermínio do inimigo; a política de exterminar ou, como se diz barbaramente, liquidar o inimigo constitui um dos mais alarmantes desenvolvimentos da guerra moderna e, também, da paz moderna, do ponto de vista de quem deseja a sobrevivência da cultura. Precisamos do inimigo. Assim, dentro de certos limites, o atrito, não só entre indivíduos mas também entre grupos, parece-me necessário à civilização.
A universidade da irrita√ß√£o √© a melhor garantia de paz. Um pa√≠s dentro do qual as divis√Ķes tenham ido demasiado longe √© um perigo para si pr√≥prio; um pa√≠s demasiado unido – seja por natureza ou por inten√ß√£o, por fins honestos ou por fraude e opress√£o – √© uma amea√ßa para os outros.

Nunca, por Mais

Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensa√ß√£o de arrepio, o medo do novo, a n√°usea ‚ÄĒ
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, tr√™s dias de viagem, tr√™s horas de viagem ‚ÄĒ
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.

Quem quer garantir a própria liberdade, deve preservar da opressão até o inimigo; pois, se fugir a esse dever, estará a estabelecer um precedente que até a ele próprio há-de atingir.