Passagens sobre Pecadores

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Frases sobre pecadores, poemas sobre pecadores e outras passagens sobre pecadores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Mulher: a estaca na qual o esperto aplica suas zombarias, o pastor seus textos, o cínico suas queixas e o pecador sua justifica.

Os Descrentes

Nunca encontrei um descrente, apenas desvairados inquietos… √© assim que √© melhor trat√°-los. S√£o pessoas diferentes, n√£o se percebe bem o que s√£o: tanto os grandes como os pequenos, os ignorantes como os cultos, mesmo a gente da classe mais simples, tudo neles √© desvario. Porque passam a vida a ler e a interpretar e depois, fartos da do√ßura livresca, continuam perplexos e n√£o conseguem resolver nada.
H√° quem se disperse, de maneira que n√£o consegue atentar em si mesmo. H√° quem seja rijo como pedra, mas no seu cora√ß√£o vagueiam sonhos. H√° tamb√©m o insens√≠vel e f√ļtil que s√≥ quer gozar e ironizar. H√° quem s√≥ tire dos livros florinhas, e mesmo elas consoante a sua opini√£o, e h√° nele desvario e falta de perspic√°cia. E digo mais: h√° muito t√©dio.
O homem pequeno é necessitado, não tem pão, não tem com que sustentar os filhos, dorme na palha áspera, mas tem o coração leve e alegre; é pecador e malcriado, mas mantém na mesma o coração alegre. E o homem grande farta-se de comer e beber, senta-se num montão de ouro, mas tem sempre a mágoa no coração. Há quem domine as ciências mas não se livre do tédio.

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Soneto Sentimental À Cidade De São Paulo

√ď cidade t√£o l√≠rica e t√£o fria!
Mercen√°ria, que importa – basta! – importa
Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia

Não te amo à luz plácida do dia
Amo-te quando a neblina te transporta
Nesse momento, amante, abres-me a porta
E eu te possuo nua e frígida.

Sinto como a tua íris fosforeja
Entre um poema, um riso e uma cerveja
E que mal h√° se o lar onde se espera

Traz saudade de alguma Baviera
Se a poesia é tua, e em cada mesa
H√° um pecador morrendo de beleza?

Que significa alargar o cora√ß√£o? Antes de mais, em reconhecermo-nos pecadores, n√£o olhar ao que fizeram os outros. E a quest√£o de fundo continua a ser esta: ¬ęQuem sou eu para julgar isto? Quem sou eu para falar sobre isto? Quem sou eu, que fiz o mesmo ou pior?¬Ľ

Quanta alegria brotou no cora√ß√£o da ad√ļltera e da pecadora. O perd√£o f√™-las sentirem-se finalmente livres e felizes como nunca antes. As l√°grimas da vergonha e da dor transformaram-se no sorriso de quem sabe ser amado.

Pecador

Este é o altivo pecador sereno,
Que os soluços afoga na garganta,
E, calmamente, o copo de veneno
Aos l√°bios frios sem tremer levanta.

Tonto, no escuro pantanal terreno
Rolou. E, ao cabo de torpeza tanta,
Nem assim, miser√°vel e pequeno,
Com t√£o grandes remorsos se quebranta.

Fecha a vergonha e as l√°grimas consigo…
E, o coração mordendo impenitente,
E, o coração rasgando castigado,

Aceita a enormidade do castigo,
Com a mesma face com que antigamente
Aceitava a delícia do pecado.

Quando encontro um crist√£o com muita rigidez e dureza por fora, mas fr√°gil por dentro, √†s vezes rezo: ¬ęSenhor, deita-lhe √† frente uma casca de banana, para que d√™ uma boa escorregadela, se envergonhe de ser pecador e assim te encontre a Ti, que √©s o Salvador.¬Ľ

N√£o desesperemos, h√° sempre um Pai que nos espera! Volta para casa! √Č essa a palavra. Come back! Volta para casa. Deus far√° sempre uma grande festa ao pecador arrependido.

Qual √© o perigo? √Č que presumamos ser justos e julguemos os outros. At√© Deus julgamos, porque pensamos que deveria castigar os pecadores, conden√°-los √† morte, em vez de perdoar. Ent√£o √© que nos arriscamos a permanecer fora da casa do Pai!

(dream)

Qualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
√Č at√© onde, por fim mal, trope√ßo
No que de mim em mim de si se esquece.

Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.

Mas, vinda dos vest√≠gios da dist√Ęncia
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou √Ęnsia.

Remiu-se o pecador impenitente
√Ä sombra e cisma. Teve a eterna inf√Ęncia,
Em que comigo forma um mesmo ente.

Evolução

Arde o corpo do sol, brotam feixes de luz:
O que é a luz?
Sol que morreu.

Dardeja a luz, dardeja e pulveriza a fraga:
Vai nesse pó, que há-de ser terra,
A luz extinta.

Gerou a terra a seara verde:
Hastes e folhas da seara verde
Comeram terra.

A seara é grada, o trigo é loiro:
Deu trigo loiro,
Morrendo ela.

O trigo é pão, é carne e é sangue:
Sangue vermelho, carne vermelha,
Trigo defunto.

Em carne e em sangue, eis o desejo:
Vive o desejo,
De carne morta.

Arde o desejo, eis o pecado:
Que s√£o pecados?
Desejos mortos.

Queima o pecado o pecador:
Nasceu a dor; findou na dor
Pecado e morte.

A alma branca, iluminada,
Transfigurada pela dor,
Essa não vai à sepultura
Porque é já Deus na criatura,
Porque é o Espírito, é o Amor.

Na vida v√£ da terra sepulcral
Só o amor é infinito e só ele é imortal.

Morreu a luz,

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Minha Culpa

A Artur Ledesma

Sei l√°! Sei l√°! Eu sei l√° bem
Quem sou?! Um fogo-f√°tuo, uma miragem…
Sou um reflexo… um canto de paisagem
Ou apenas cen√°rio! Um vaiv√©m…

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei l√° quem Sou?! Sei l√°! Sou a roupagem
Dum doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei l√° quem!…

Sou um verme que um dia quis ser astro…
Uma est√°tua truncada de alabastro…
Uma chaga sangrenta do Senhor…

Sei l√° quem sou?! Sei l√°! Cumprindo os fados,
Num mundo de vaidades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador…

Que posso fazer eu, que me sinto débil, frágil, pecador?

Deus diz-te: ¬ęN√£o tenhas medo da santidade, n√£o tenhas medo de visar alto, de deixar-te amar e purificar por Deus, n√£o tenhas medo de deixar-te guiar pelo Esp√≠rito Santo.¬Ľ

O Juízo Final

Chegou o miserável milionário no céu e, impacientemente, esperou a sua vez de ser julgado. Introduziram-no numa sala, noutra sala, noutra sala, até que se viu frente a uma luz ofuscante, na qual pouco a pouco foi dintinguindo a figura santa do pai dos Homens. Em voz tonitroante este, tendo à direita, Pedro, e, à esquerda, uma figura que ele não conhecia, julgou sumariamente dois outros pecadores que estavam à sua frente. E, afinal, dirigiu-se a ele:
РQue fez você de bom na sua vida ?
– Bem, eu nasci, cresci, amei, casei, tive filhos, vivi.
РOra Рdisse o Senhor Рisso são actos sociais e biológicos a que você estava destinado. Quero saber que bondade específica e determinada você teve para com o seu semelhante.
– Bem – disse o milion√°rio – eu criei ind√ļstrias, comprei fazendas, dei emprego a muita gente, melhorei as condi√ß√Ķes sociais de muita gente.
– N√£o, isso n√£o serve – disse o Todo-Poderoso – essas ac√ß√Ķes estavam impl√≠citas ao acto de voc√™ enriquecer. Voc√™ as praticou porque precisava viver melhor. N√£o foram intrinsecamente boas ac√ß√Ķes, desprendidas, n√£o servem.
O milionário escarafunchou o cérebro e não encontrou nada.

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Quando em certos momentos da vida não encontramos saída para as nossas dificuldades, quando nos afundamos na escuridão mais densa, é o momento da nossa total humilhação e de despojamento, a hora em que sentimos que somos frágeis e pecadores.

E então, exatamente naquele momento, não devemos mascarar o nosso fracasso, mas abrirmo-nos confiantemente à esperança em Deus, como fez Jesus.

Culpabilidade

O estado de pecado no homem n√£o √© um facto, sen√£o apenas a interpreta√ß√£o de um facto, a saber: de um mal-estar fisiol√≥gico, considerado sob o ponto de vista moral e religioso. O sentir-se algu√©m ¬ęculpado¬Ľ e ¬ępecador¬Ľ, n√£o prova que na realidade o esteja, como sentir-se algu√©m bem n√£o prova que na realidade esteja bem. Recordem-se os famosos processos de bruxaria; naquela √©poca os ju√≠zes mais humanos acreditavam que havia culpabilidade; as bruxas tamb√©m acreditavam; contudo, a culpabilidade n√£o existia.