Passagens sobre Perto

340 resultados
Frases sobre perto, poemas sobre perto e outras passagens sobre perto para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O presidente √© um fascistoide, mas nunca chegaria perto do Mussolini. N√£o tem a intelig√™ncia…

Carta à Minha Filha

Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos iguais. Na met√°fora dada
pela inf√Ęncia, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de raz√£o nessa cadeia em sonho de novelo.

Hoje, nesta noite t√£o quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo
e que o teu tempo ao meu se seguir√°.

Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda às vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas Рé sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua
de mentiras, em carinho de verso.

E o que queria dizer-te é dos nexos da vida,
de quem a habita para além do ar.

Continue lendo…

Tinha uma vontade terrível de lhe dizer como as mais comuns das mulheres: não me deixe, guarde-me perto de você, escravize-me, seja forte! Mas eram palavras que não podia e não sabia pronunciar.

São muitos os que já tarde percebem que a felicidade está no sorriso sincero que podemos dar a quem está perto, mais do que nas palmas e na admiração que podemos receber de gente que nem sequer sabemos quem é.

Fugir ao Desconhecido

Existe, frequentemente, em suma, uma esp√©cie de humildade receosa, que, quando nos aflige, nos torna para sempre impr√≥prios para as disciplinas do conhecimento. Porque, no momento em que o homem que a transporta descobre uma coisa que o choca, d√° meia volta seja como for, e diz consigo: ¬ęEnganaste-te! Onde √© que tinhas a cabe√ßa? Isso n√£o pode ser verdade!¬Ľ. De forma que em vez de examinar mais de perto e de ouvir com mais aten√ß√£o, desata a fugir completamente aterrado, evita encontrar aquilo que o choca e procura esquec√™-lo o mais depressa poss√≠vel. Porque eis o que diz a sua lei: ¬ęN√£o quero dizer nada que contradiga a opini√£o corrente. Serei eu feito para descobrir novas verdades? J√° h√° demasiadas antigas¬Ľ.

O Livro da Vida

Absorto, o S√°bio antigo, estranho a tudo, lia…
‚ÄĒ Lia o ¬ęLivro da Vida¬Ľ ‚ÄĒ heran√ßa inesperada,
Que ao nascer encontrou, quando os olhos abria
Ao primeiro clar√£o da primeira alvorada.

Perto dele caminha, em ruidoso tumulto,
Todo o humano tropel num clamor ululando,
Sem que de sobre o Livro erga o seu magro vulto,
Lentamente, e uma a uma, as suas folhas voltando.

Passa o Estio, a cantar; acumulam-se Invernos;
E ele sempre, ‚ÄĒ inclinada a dorida cabe√ßa,‚ÄĒ
A ler e a meditar postulados eternos,
Sem um fanal que o seu espírito esclareça!

Cada p√°gina abrange um est√°dio da Vida,
Cujo eterno segredo e alcance transcendente
Ele tenta arrancar da folha percorrida,
Como de mina obscura a pedra refulgente.

Mas o tempo caminha; os anos v√£o correndo;
Passam as gera√ß√Ķes; tudo √© p√≥, tudo √© v√£o…
E ele sem descansar, sempre o seu Livro lendo!
E sempre a mesma névoa, a mesma escuridão.

Nesse eterno cismar, nada vê, nada escuta:
Nem o tempo a dobrar os seus anos mais belos,
Nem o humano sofrer,

Continue lendo…

Recordação

Foi por aqui, sob estes √°rvoredos,
Sob este doce e pl√°cido horizonte,
Perto da clara e pequenina fonte
Que murmura l√° baixo os seus segredos…

Recordo bem todos os cantos ledos
Da passarada — e lembro-me da ponte
Por sobre a qual via-se além, de fronte,
O mar azul batendo nos penedos.

Sinto a impress√£o ainda da paisagem,
Do tr√™molo (…)* da folhagem,
Das culturas rurais, do sítio agreste.

A luz do dia vinha ent√£o morrendo…
Foi por aqui que eu pude ficar crendo
O quanto pode o teu olhar celeste.

* Rasurado

O Noivado do Sepulcro

Vai alta a lua! na mans√£o da morte
J√° meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranquila!… mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
D’entre os sepulcros a cabe√ßa ergueu.

Ergueu-se, ergueu-se!… na amplid√£o celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.

Ergueu-se, ergueu-se!… com sombrio espanto
Olhou em roda… n√£o achou ningu√©m…
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:

“Mulher formosa, que adorei na vida,
“E que na tumba n√£o cessei d’amar,
“Por que atrai√ßoas, desleal, mentida,
“O amor eterno que te ouvi jurar?

“Amor! engano que na campa finda,
“Que a morte despe da ilus√£o falaz:
“Quem d’entre os vivos se lembrara ainda
“Do pobre morto que na terra jaz?

Continue lendo…

Nascença Eterna

Nascença Eterna,
Nasce mais uma vez!
Refaz a humílima Caverna
Que nunca se desfez.

Dist√Ęncia Transcendente,
Chega-te, uma vez mais,
Tão perto que te aqueças, como a gente,
No bafo dos obscuros animais.

Os que te dizem n√£o,
Os épicos do absurdo,
Que afirmarão, na sua negação,
Sen√£o seu olho cego, ouvido surdo?

Infelizes supremos,
Com seu fracasso alcançam nomeada,
E contentes se atiram aos extremos
Do seu nada.

Na nossa ambiguidade,
Somos piores, nós, talvez,
E uns e outros só vemos a verdade
Que, Verdade de Sempre!, tu nos dês.

Se nada tem sentido sem a fé
No seu sentido, Sol que n√£o te apagas,
Rompe mais uma vez na noite, que não é
Sen√£o o dia de outras plagas.

Perpétua Luz, Contínua Oferta
A nossa escuridade interna,
Abre-te, Porta sempre aberta,
Mais uma vez, na humílima Caverna.

Onde o Homem n√£o Chega

Onde o Homem não chega tudo é puro,
dessa pureza da primeira inf√Ęncia.
Tudo √© medida, ritmo, concord√Ęncia,
tudo é claro e auroral: a noite, o escuro.

E nem o vendaval √© disson√Ęncia
mas promessa de sol e de futuro.
Quem levantou esse primeiro Muro
que do perto fez longe, ergueu dist√Ęncia?

Foi o Homem, com suas m√£os de barro,
com suas m√£os perjuras, fel e sarro
de in√ļtil sofrimento e vil prazer.

Não é tarde, porém: sacode a lama,
ergue o facho, levanta a Deus a chama
e recomeça: acabas de nascer.

Aquela Fé Tão Clara E Verdadeira

Aquela fé tão clara e verdadeira,
A vontade t√£o limpa e t√£o sem m√°goa,
Tantas vezes provada em viva fr√°gua
De fogo, i apurada, e sempre inteira;

Aquela confiança, de maneira
Que encheu de fogo o peito, os olhos de √°gua,
Por que eu ledo passei por tanta m√°goa,
Culpa primeira minha e derradeira,

De que me aproveitou? N√£o de al por certo
Que dum só nome tão leve e tão vão,
Custoso ao rosto, tão custoso à vida.

Dei de mim que falar ao longe e ao perto;
E j√° assi se consola a alma perdida,
Se n√£o achar piedade, ache perd√£o.

√Čs como o Ar que Respiro

Qual √© a for√ßa extraordin√°ria que possuis? ‚ÄĒ pergunto muitas vezes a mim mesmo. Dois ou tr√™s princ√≠pios crist√£os inabal√°veis ‚ÄĒ e por tr√°s milhares de seres que desapareceram ignorados, cumprindo a vida ignorada. Nem sequer se debateram. Entregaram-se. Confiaram. A mulher portuguesa comunica ao lar a ternura com que os p√°ssaros aquecem o ninho. Sua vida d√° luz, para alumiar os outros. Foi assim com t√£o pequenos meios, que me ensinaste. Com uma palavra e mais nada, com um simples olhar, com sil√™ncio e mais nada. Uma atitude fazia-me pensar. E mal sabes tu quando Os teus dedos √°geis trabalhavam a meu lado, teciam ao mesmo tempo o pano grosso de casa e a nossa vida espiritual.

E como tu milhares de seres t√™em cumprido a vida em sil√™ncio, aceitando-a sem exageros. Nas m√£os das mulheres at√© as coisas vulgares que se fazem na aldeia, cozer o p√£o, lan√ßar a teia ‚ÄĒ assumem um car√°cter sagrado. Elas passam desconhecidas e disp√Ķem dum poder extraordin√°rio. Mant√™em a vida ordenada com um sorriso t√≠mido. A mulher est√° mais perto que n√≥s da natureza e de Deus.

Cada vez me aproximo mais de ti. O que h√° de puro em mim a ti o devo.

Continue lendo…

Soneto Para Eugênia

O tempo que te alonga todo dia
é duração que colhes na paisagem,
t√£o distante e t√£o perto em ventania,
sitiando limites na viagem.

Desse mar que se afasta em maresia
o vago em teu olhar se faz aragem
nas vagas que se v√£o em vaga via
vigia de teus pés no vão das margens.

E o fio da teia vai fugindo fosco,
irreparável névoa pressentida
nos livros que n√£o leste, nesses poucos

momentos que sobravam da medida.
Ang√ļstia de ponteiros, sol deposto,
no tédio das desoras foge a vida.

Vida que bem mereces por inteiro,
e é pouca a que te dou de companheiro.

…tudo o que n√£o sou n√£o pode me interessar, h√° a impossibilidade de ser al√©m do que se √©… (Perto do Cora√ß√£o Selvagem)

E foi por isso que decidi recusar tudo o que, de perto ou de longe, por boas ou m√°s raz√Ķes, faz morrer ou justifica que se fa√ßa morrer.

Se da Amada Est√°s Ausente

Se da Amada est√°s ausente
Como o Oriente do Ocidente,
O cora√ß√£o transp√Ķe todo o deserto;
Só, por toda a parte acha o seu caminho certo.
Para quem ama Bagodá é aqui perto.

Tradução de Paulo Quintela

Trago-te ao Espaço da Janela

Trago-te ao espaço da janela.
De novo surgiram deste lado da rua.
Em voz baixa disse ¬ęuma alucina√ß√£o¬Ľ. A
√ļnica resposta foi entrar em casa
subir ao quarto mudar de roupa
ser jovem com quem soube bem ser jovem
s√°bio com quem quiseste ser s√°bio
velho com os velhos.
Trago-te para perto da janela
o rio vê-se daqui.
A cor da terra circula.

¬ęTalvez seja a morte¬Ľ ¬ęn√£o¬Ľ
¬ęse for a morte o cora√ß√£o bater√° mais ou menos forte¬Ľ.
O corpo
n√£o tem grande lugar.