Não acho que a necessidade é a mãe da invenção – uma invenção, na minha opinião, surge diretamente da indolência, possivelmente também da preguiça. Para poupar-se trabalho.
Passagens sobre Preguiça
133 resultadosAquele que passa grande parte do seu tempo no meio dos abundantes recursos de uma biblioteca e que não aspira a juntar-lhe ainda um pouco, quanto mais não seja um catálogo racional, deve na verdade ser insensível como um pedaço de chumbo; é preciso que seja indolente como o animal chamado preguiça, o qual morre sobre a árvore a que trepou, depois de lhe ter devorado as folhas.
A erudição é, em muitos casos, uma forma mal disfarçada de preguiça intelectual, ou um ópio para adormecer as inquietações íntimas do espírito.
A preguiça e a cobardia são as causas por que os homens em tão grande parte, após a natureza os ter há muito libertado do controlo alheio, continuem, no entanto, de boa vontade menores durante toda a vida; e também por que a outros se torna tão fácil assumirem-se como seus tutores.
A quem dorme ou preguiça, nunca lhe acode a justiça.
A preguiça enfada e quebranta mais que o trabalho regular.
A preguiça dificulta, a atividade tudo facilita.
Toda a virtude devia meter sacrifício. Mas a maior parte das pessoas é virtuosa por preguiça.
Muito se perde por falta de inteligência, porém muito mais por preguiça e aversão ao trabalho.
Passar muito tempo a estudar é preguiça.
A preguiça morreu à sede ao pé de um rio.
A preguiça anda tão devagar que a pobreza logo a alcança.
Escrever com Intuição e Instinto
Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. De novo, não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que, agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade. Além do que leio pouco: só li muito, e li avidamente o que me caísse nas mãos, entre os treze e os quinze anos de idade. Depois passei a ler esporadicamente, sem ter a orientação de ninguém. Isto sem confessar que – dessa vez digo-o com alguma vergonha – durante anos eu só lia romance policial. Hoje em dia, apesar de ter muitas vezes preguiça de escrever, chego de vez em quando a ter mais preguiça de ler do que de escrever.
Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros uma profissão, nem uma carreira. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis.
Preguiça não faz casa de sobrado.
É a vitimização que corrói o mundo e a preguiça que lhe ateia fogo.
Preguiça, o hábito que se contraiu de descansar antes da fadiga.
A preguiça morreu à sede, andando a nadar.
A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.
Engana-se quem pensa que só as paixões violentas como a ambição e o amor triunfam sobre as outras. A preguiça, por lânguida que seja, nem por isso deixa de se impor; sobrepõe-se a todos os desígnios e a todas as acções da nossa vida; destrói e consome insensivelmente as paixões e as virtudes.
A clemência, que passa por ser uma virtude, é, umas vezes, um acto de vaidade, outras, de preguiça, muitas, resultado do medo, mas é quase sempre a combinação dos três.