Passagens sobre Princípio

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Frases sobre princ√≠pio, poemas sobre princ√≠pio e outras passagens sobre princ√≠pio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Natureza do Homem

A natureza est√° muitas vezes escondida, algumas vezes vencida, raramente extinta. A for√ßa torna a natureza mais violenta na reac√ß√£o; a doutrina e o discurso fazem a natureza menos exigente; mas s√≥ o h√°bito altera e subjuga a natureza. Aquele que deseja vencer a sua natureza, n√£o tente dar a si pr√≥prio tarefas muito grandes ou muito pequenas; porque as primeiras podem desanim√°-lo com frequentes frustra√ß√Ķes, e as segundas dar-lhe-√£o insignificantes progressos, apesar de serem bem sucedidas. No princ√≠pio, ir√° praticando com auxiliares, como os nadadores se socorrem de b√≥ias e coletes; mas, ao fim de algum tempo, dever√° realizar o treino entre dificuldades, como os dan√ßarinos fazem com os socos. Isto porque resulta sempre maior perfei√ß√£o quando o exerc√≠cio √© mais √°rduo do que a pr√°tica.
(…) N√£o √© m√° a antiga regra que mandava curvar a natureza at√© ao extremo oposto, para que ela se rectificasse; subentendendo-se, por√©m, que o extremo oposto n√£o seja o v√≠cio. O homem n√£o se deve for√ßar a um h√°bito com cont√≠nua persist√™ncia, mas com alguma interrup√ß√£o; porque a pausa refor√ßa a nova investida; e se o homem que n√£o √© perfeito estiver sempre a exercitar-se, ser√° t√£o perito nos seus erros como nas suas virtudes,

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A Mente Universal

A mente universal manifesta-se na arte como intui√ß√£o e imagina√ß√£o; na religi√£o manifesta-se como sentimento e pensamento representativo; e na filosofia ocorre como liberdade pura de pensamento. Na hist√≥ria mundial a mente universal manifesta-se como actualidade da mente, na sua integridade de internalidade e de externalidade. A hist√≥ria do mundo √© um tribunal porque, na sua absoluta universalidade, o particular, isto √©, as formas de culto, sociedade e esp√≠ritos nacionais em todas as suas diferentes actualidades, est√° presente apenas como ideal, e aqui o movimento da mente √© a manifesta√ß√£o disto mesmo…
A história do mundo não é o veredicto da força, isto é, de um destino cego realizando-se a si mesmo numa inevitabilidade abstracta e não-racional. Pelo contrário, porque a mente é razão implícita e explicitamente, e porque a razão é explícita para si mesma, na mente, enquanto conhecimento, a história do mundo é o desenvolvimento necessário, decorrente da liberdade da mente, dos momentos da razão e, deste modo, da autoconsciência e da liberdade da mente.
A história da mente é a sua acção. A mente é apenas o que faz, e a sua acção faz dela o objecto da sua própria consciência. Através da história, a sua acção ganha consciência de si mesma como mente,

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Na ess√™ncia, todas as religi√Ķes concordam com o princ√≠pio de que ‚ÄėO mal n√£o existe na cria√ß√£o de Deus‚Äô. Por√©m, muitas erram na conclus√£o seguinte: ‚Äė‚Ķ a doen√ßa n√£o √© uma coisa m√°, pois ela vem de Deus; aceitemo-la agradecendo‚Äô.

Os Solit√°rios

No solitário, a reclusão, ainda que absoluta e até ao fim da vida, tem muitas vezes por princípio um amor desregrado da multidão e tanto mais forte do que qualquer outro sentimento, que ele, não podendo obter, quando sai, a admiração da porteira, dos transeuntes, do cocheiro ali estacionado, prefere jamais ser visto e renunciar por isso a toda e qualquer actividade que o obrigue a sair para a rua.

Ser feliz é necessariamente o desejo de todo o ser razoável mas finito, portanto é inevitavelmente um princípio determinante da sua faculdade de desejar.

Os princípios são importantes. As palavras são importantes. A tua palavra é a mais importante de todas. A tua palavra define quem tu és.

O Acto de Criação é de Natureza Obscura

O acto de cria√ß√£o √© de natureza obscura; nele √© imposs√≠vel destrin√ßar o que √© da raz√£o e o que √© do instinto, o que √© do mundo e o que √© da terra. Nunca nenhum dualismo serviu bem o poeta. Esse ¬ępastor do Ser¬Ľ, na t√£o bela express√£o de Heidegger, √©, como nenhum outro homem, nost√°lgico de uma antiga unidade. As mil e uma antinomias, t√£o escolarmente elaboradas, quando n√£o pervertem a primordial fonte do desejo, pecam sempre por cindir a inteireza que √© todo um homem. N√£o h√° vit√≥ria definitiva sem a reconcilia√ß√£o dos contr√°rios. √Č no mar crepuscular e materno da mem√≥ria, onde as √°guas ¬ęsuperiores¬Ľ n√£o foram ainda separadas das ¬ęinferiores¬Ľ, que as imagens do poeta sonham pela primeira vez com a prec√°ria e fugidia luz da terra.
Diante do papel, que ¬ęla blancheur d√©fend¬Ľ, o poeta √© uma longa e s√≥ hesita√ß√£o. Que Ifig√©nia ter√° de sacrificar para que o vento prop√≠cio se levante e as suas naves possam avistar os muros de Tr√≥ia? Que aug√ļrios escuta, que enigmas decifra naquele rumor de sangue em que se debru√ßa cheio de afli√ß√£o? Porque ao princ√≠pio √© o ritmo; um ritmo surdo, espesso, do cora√ß√£o ou do cosmos ‚ÄĒ quem sabe onde um come√ßa e o outro acaba?

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A Democracia Política Conduz à Ineficiência e Fraqueza de Direcção

Os defeitos da democracia pol√≠tica como sistema de governo s√£o t√£o √≥bvios, e t√™m sido tantas vezes catalogados, que n√£o preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia pol√≠tica foi criticada porque conduz √† inefici√™ncia e fraqueza de direc√ß√£o, porque permite aos homens menos desej√°veis obter o poder, porque fomenta a corrup√ß√£o. A inefici√™ncia e fraqueza da democracia pol√≠tica tornam-se mais aparentes nos momentos de crise, quando √© preciso tomar e cumprir decis√Ķes rapidamente. Averiguar e registar os desejos de muitos milh√Ķes de eleitores em poucas horas √© uma impossibilidade f√≠sica. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer: ou os governantes decidem apresentar o facto consumado da sua decis√£o aos eleitores – em cujo caso todo o princ√≠pio da democracia pol√≠tica ter√° sido tratado com o desprezo que em circunst√Ęncias cr√≠ticas ela merece; ou ent√£o o povo √© consultado e perde-se tempo, frequentemente, com consequ√™ncias fatais. Durante a guerra todos os beligerantes adoptaram o primeiro caminho. A democracia pol√≠tica foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita de ser abolido todas as vezes que surge um perigo, dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.

A Cultura Deve Ser Uma Descoberta Individual de Cada um de Nós

Não se deve intervir, não nos devemos meter nos problemas que cada um tem com a leitura. Não devemos sofrer por causa das crianças que não lêem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é. Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.
Por exemplo, em rela√ß√£o a Baudelaire, devemos ser os primeiros a descobrir o seu esplendor. E somos os primeiros. E, se n√£o formos os primeiros, nunca seremos leitores de Baudelaire. Todas as obras-primas do mundo deveriam ser encontradas pelas crian√ßas nos despejos p√ļblicos, e lidas √†s escondidas dos pais e dos mestres.
Por vezes, o facto de se ver algu√©m a ler um livro no metro, com grande aten√ß√£o, pode provocar a compra desse livro. Mas n√£o quanto aos romances populares. A√≠, ningu√©m se engana quanto √† natureza do livro. Os dois g√©neros nunca est√£o juntos nas mesmas m√£os. Os romances populares s√£o impressos em milh√Ķes de exemplares. Com a mesma grelha aplicada, em princ√≠pio, h√° uns cinquenta anos, os romances populares desempenham a sua fun√ß√£o de identifica√ß√£o sentimental ou er√≥tica.

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Um homem que come carne por instinto é tão vegetariano quanto um homem que come vegetais por princípio. Afinal de contas a carne é transubstanciação do capim que o animal comeu.

O ‚Äėamor do c√©u‚Äô √© vertical e o ‚Äėamor da terra‚Äô √© horizontal. O vertical ( l ) e o horizontal (-) formam uma cruz (+). Esta simboliza a uni√£o do fogo (ka) e da √°gua (mi). O Fogo √© vertical e a √°gua horizontal. Ka-mi (fogo e √°gua, ou seja, a uni√£o dos princ√≠pios positivo e negativo) √© Kami (Deus em japon√™s), o Criador de todos os seres.

Sempre me interessei pela filosofia, mas de uma forma secund√°ria. O meu interesse pela ci√™ncia sempre esteve confinado principalmente a quest√Ķes de princ√≠pio, o que permite compreender as minhas actividades e as minhas absten√ß√Ķes.

A Minha Luta

A minha luta √© para encontrar o centro, o n√ļcleo de toda uma infinidade de justifica√ß√Ķes, que superficialmente parecem satisfazer-me e s√£o, afinal, folhas caducas do meu tronco. Determinar, numa palavra, que causa √ļltima me conduz, que for√ßa polariza os meus actos. Mas estou longe dessa descoberta. Eliminei o divino, porque era divino e eu sou humano; superei o pecado, porque viver sem pecado era um absurdo moral; e consegui perceber que a vida n√£o √© tr√°gica por estar balizada pelo nascimento e pela morte, que s√£o condi√ß√Ķes de exist√™ncia e n√£o condena√ß√Ķes dela. Contudo, nada resolvi. Continua a escapar-me das m√£os a sombra de um fantasma paradoxal. Uma sombra que √© uma pura alucina√ß√£o dos sentidos, que sabem que apenas o real lhes merece cr√©dito, e, sobretudo, da raz√£o, que sabe que a √ļnica consci√™ncia do mundo √© ela pr√≥pria, princ√≠pio e fim de si mesma.

O que os administradores precisam, para serem aceitos como autoridade legítima, é de um princípio de moralidade.

O Terror como Base da Religi√£o

√Č verdade que tanto o medo como a esperan√ßa entram na religi√£o, porque estas duas paix√Ķes, em alturas diferentes, agitam a mente humana e cada uma delas forma uma esp√©cie de divindade que lhe √© adequada. Mas, quando um homem se sente bem, ele est√° inclinado para os neg√≥cios, para o conv√≠vio ou para qualquer esp√©cie de divertimento, e dedica-se naturalmente a essas actividades e n√£o pensa em religi√£o. Quando est√° melanc√≥lico e abatido, tudo o que para fazer √© meditar sobre os terrores do mundo invis√≠vel, e mergulhar mais profundamente ainda na afli√ß√£o. Pode realmente acontecer que, ap√≥s ter assim gravado profundamente as opini√Ķes religiosas no seu pensamento e imagina√ß√£o, ocorra uma altera√ß√£o da sa√ļde ou das circunst√Ęncias que restaure o seu bom humor e, ocasionando boas perspectivas de futuro, o fa√ßa cair no extremo oposto da alegria e triunfo. Mas, ainda assim deve reconhecer-se que, como o terror √© o princ√≠pio primordial da religi√£o, √© essa a paix√£o que predomina nela e que s√≥ admite pequenos intervalos de prazer.

Histórias de Mulheres

As minhas hist√≥rias s√£o, naturalmente, sobre mulheres ‚Äď eu sou uma mulher. N√£o sei qual √© o termo que se usa para os homens que escrevem maioritariamente sobre homens. N√£o tenho sempre certeza do que se quer dizer com ¬ęfeminista¬Ľ. Ao princ√≠pio costumava dizer, bem, claro que sou uma feminista. Mas se tal significa que sigo uma esp√©cie de teoria feminista, ou que sei alguma coisa sobre isso, ent√£o eu n√£o sou. Penso que sou uma feminista tanto quanto penso que a experi√™ncia das mulheres √© importante. Essa √© realmente a base do feminismo.

O Esforço pelo Conhecimento da Verdade

Devemos escolher como finalidade independente do nosso esforço o conhecimento da verdade ou, exprimindo-nos mais modestamente, a compreensão do mundo inteligível por meio do pensamento lógico? Ou devemos subordinar esse esforço pelo conhecimento racional de qualquer espécie a outros objectivos, por exemplo, a objectivos práticos? O simples pensamento não pode resolver esta questão. A decisão tem, pelo contrário, uma influência decisiva na nossa maneira de pensar e julgar, partindo-se do princípio de que tem o carácter de convicção inabalável. Permitam-me que confesse: para mim, o esforço pelo conhecimento é um daqueles objectivos independentes, sem os quais uma afirmação consciente da vida me parece impossível ao homem de pensamento.
Uma das características do esforço pelo conhecimento é que ele tende a abranger tanto a multiplicidade da experiência como a simplicidade e redução das hipóteses fundamentais. O acordo final desses objectivos é, devido ao estádio primitivo da investigação, uma questão de fé. Sem essa fé, a convicção do valor independente do conhecimento não seria para mim forte e inabalável.
Esta atitude, por assim dizer, religiosa do cientista perante a verdade não deixa de ter influência sobre a sua personalidade. Pois, além daquilo que resulta da experiência e além das leis do pensamento,

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A Racionaliza√ß√£o das Emo√ß√Ķes

O ponto de vista feminino tem sido muito mais difícil de expressar que o masculino. Se assim me posso exprimir, o ponto de vista feminino não passa pela racionalização por que o intelecto do homem faz passar os seus sentimentos. A mulher pensa emocionalmente; a sua visão baseia-se na intuição. Por exemplo, ela pode ter um sentimento em relação a qualquer coisa que nem sequer é capaz de articular.
A princ√≠pio, achei extremamente dif√≠cil descrever como me sentia. Por√©m, se fazemos psican√°lise, a quest√£o √© sempre: ¬ęComo √© que se sentiu em rela√ß√£o a isso?¬Ľ e n√£o ¬ęO que √© que pensou?¬Ľ E como muito frequentemente a mulher n√£o deu o segundo passo, que √© explicar a sua intui√ß√£o – por que passos l√° chegou, o a-b-c daquilo – ela n√£o consegue ser t√£o articulada.
Ora eu tentei fazer isso (quer tenha conseguido quer n√£o), e, porque estava a escrever um di√°rio que pensava que ningu√©m leria, consegui anotar o que sentia acerca das pessoas ou o que sentia acerca do que via sem o segundo processo. O segundo processo veio atrav√©s da psican√°lise, que era igualmente um m√©todo de comunicar com o homem em termos de uma racionaliza√ß√£o das nossas emo√ß√Ķes de modo que pare√ßam fazer sentido ao intelecto masculino.

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