Cita√ß√Ķes sobre Queimadas

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Frases sobre queimadas, poemas sobre queimadas e outras cita√ß√Ķes sobre queimadas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Fogo no Canavial

A imagem mais viva do inferno.
Eis o fogo em todos seus vícios:
eis a √≥pera, o √≥dio, o energ√ļmeno,
a voz rouca de fera em cio.

E contagioso, como outrora
foi, e hoje não é mais, o inferno:
ele se catapulta, exporta,
em brulotes de curso aéreo,

em petardos que se disparam
sem pontaria, intransitivos;
mas que queimada a palha dormem,
bêbados, curtindo seu litro.

(O inferno foi fogo de vista,
ou de palha, queimou as saias:
deixou nua a perna da cana,
despiu-a, mas sem deflor√°-la).

As Infelizes Necessidades do Homem Civilizado

Um autor c√©lebre, calculando os bens e os males da vida humana, e comparando as duas somas, achou que a √ļltima ultrapassa muito a primeira, e que tomando o conjunto, a vida era para o homem um p√©ssimo presente. N√£o fiquei surpreendido com a conclus√£o; ele tirou todos os seus racioc√≠nios da constitui√ß√£o do homem civilizado. Se subisse at√© ao homem natural, pode-se julgar que encontraria resultados muito diferentes; porque perceberia que o homem s√≥ tem os males que se criou para si mesmo, o que √† natureza se faria justi√ßa. N√£o foi f√°cil chegarmos a ser t√£o desgra√ßados. Quando, de um lado, consideramos o imenso trabalho dos homens, tantas ci√™ncias profundas, tantas artes inventadas, tantas for√ßas empregadas, abismos entulhados, montanhas arrasadas, rochedos quebrados, rios tornados naveg√°veis, terras arroteadas, lagos cavados, pantanais dissecados, constru√ß√Ķes enormes elevadas sobre a terra, o mar coberto de navios e marinheiros, e quando, olhando do outro lado, procuramos, meditando um pouco as verdadeiras vantagens que resultaram de tudo isso para a felicidade da esp√©cie humana, s√≥ nos podemos impressionar com a espantosa despropor√ß√£o que reina entre essas coisas, e deplorar a cegueira do homem, que, para nutrir o seu orgulho louco, n√£o sei que v√£ admira√ß√£o de si mesmo,

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Pernoitas em Mim

pernoitas em mim
e se por acaso te toco a mem√≥ria… amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

j√° n√£o possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes

Soneto XVII

A Pero de Maris sobre o seu livro

Sentindo-se de força e vigor falta,
Mal a que o tempo enfim todos condena,
Renovar-se outra vez a √Āguia ordena,
Abre as asas ao Sol, e as nuvens salta.

Depois que lá se vê soberba e alta,
Lan√ßa-se ao mar com f√ļria n√£o pequena,
E caindo-lhe a velha e antiga pena,
De nova glória se reveste e esmalta.

Mar sois Maris, a língua lusitana
√Č esta √Āguia, que antiga se renova
E os ares sobre todas livre raia.

Temo-lhe o caso de √ćcaro de ufana;
Mas se do Sol queimada em mar o prova,
Ser√° para que sempre nova saia.

A Ira n√£o Escolhe Idade nem Estatuto Social

A ira n√£o escolhe idade nem estatuto social. Algumas pessoas, gra√ßas √† sua indig√™ncia, n√£o conhecem a lux√ļria; outros, porque t√™m uma vida movimentada e errante, escapam √† pregui√ßa; aqueles que t√™m modos rudes e uma vida r√ļstica desconhecem as pris√Ķes, as fraudes e todos os males da cidade: mas ningu√©m est√° livre da ira, t√£o poderosa entre os Gregos como entre os b√°rbaros, t√£o funesta entre aqueles que temem as leis como entre aqueles que se regem pela lei da for√ßa. Assim, se outras afec√ß√Ķes atacam os indiv√≠duos, a ira √© a √ļnica afec√ß√£o que, por vezes, se apodera de um povo inteiro. Nunca um povo inteiro ardeu de amor por uma mulher, nem uma cidade inteira depositou toda a sua esperan√ßa no dinheiro e no lucro; a ambi√ß√£o apossa-se de indiv√≠duos, a imodera√ß√£o n√£o √© um mal p√ļblico.
Por vezes, uma multid√£o inteira √© conduzida √† ira: homens e mulheres, velhos e novos, os principais cidad√£os e o vulgo s√£o un√Ęnimes, e toda a multid√£o agitada por algumas palavras sobrep√Ķe-se ao pr√≥prio agitador: corre a pegar em armas e tochas e declara guerra ao seu vizinho e f√°-la contra os seus concidad√£os; casas inteiras s√£o queimadas com toda a fam√≠lia e aquele cuja eloqu√™ncia lhe granjeara muitos benef√≠cios √© eliminado pela ira que as suas palavras geraram;

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A mulher que nasceu boa do cora√ß√£o e cresceu com as suas ilus√Ķes innocentes, quando o homem lhe aparece por detr√°s dos seus sonhos, exala, como a flor de abril, os perfumes da sua candura, abre-se ao sol do amor com todo o vi√ßo da sua generosa afei√ß√£o, e, como a flor de abril, morre na manh√£ dos seus amores, queimada por um raio desse sol que lhe fecundara no seio a esperan√ßa florida dos afectos puros.

A Guerra

Musa, pois cuidas que é sal
o fel de autores perversos,
e o mundo levas a mal,
porque leste quatro versos
de Hor√°cio e de Juvenal,

Agora os ver√°s queimar,
j√° que em v√£o os fecho e os sumo;
e leve o vol√ļvel ar,
de envolta como turvo fumo,
o teu furor de rimar.

Se tu de ferir n√£o cessas,
que serve ser bom o intento?
Mais carapuças não teças;
que importa d√°-las ao vento,
se podem achar cabeças?

Tendo as s√°tiras por boas,
do Parnaso nos dois cumes
em hora negra revoas;
tu d√°s golpes nos costumes,
e cuidam que é nas pessoas.

Deixa esquipar Inglaterra
cem naus de alterosa popa,
deixa regar sangue a terra.
Que te importa que na Europa
haja paz ou haja guerra?

Deixa que os bons e a gentalha
brigar ao Casaca v√£o,
e que, enquanto a turba ralha,
v√° recebendo o balc√£o
os despojos da batalha.

Que tens tu que ornada história
diga que peitos ferinos,

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Emboscadas

Foste como quem me armasse uma emboscada
ao sentir-me desatento
dando aquilo em que me dei
foste como quem me urdisse uma cilada
vi-me com t√£o pouca coisa
depois do que tanto amei

Rasguei o teu sorriso
quatro vezes foi preciso
por n√£o precisares de mim
e depois, quando dormias
fiuz de conta que fugias
e que eu n√£o ficava assim
nesta dor em que me vejo
do nos ver quase no fim

Foste como quem lançasse as armadilhas
que se lançam aos amantes
quando amar foi coisa em v√£o
foste como quem vestisse as mascarilhas
dos embustes que se tramam
ao cair da escurid√£o

Resgatei o teu carinho
quatro vezes fiz o ninho
num beiral do teu jardim
e depois, j√° em cuidado
vi no teu espelho do passado
a tua imagem de mim
e esta dor em que me vejo
de nos ver quase no fim

Foste como quem cumprisse uma vingança
que guardavas às escuras
esperando a sua vez
foste como quem me desse uma bonança
fraquejando à tempestade
de t√£o fr√°gil que se fez

Resgatei o teu ci√ļme
quatro vezes deitei lume
ao teu corpo de marfim
e depois,

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Soneto IIII

Ao Reitor António de Mendonça.

Neste √°rduo labirinto onde me guio,
Sem esperança algua de saída,
Mostrai, senhor, o fio à minha vida,
Pois est√° minha vida j√° no fio.

Incertos passos, hórrido desvio,
Medonhos ares, confus√£o crescida
Ma trazem com temor desfalecida,
E dela j√° de todo desconfio.

A vós só tem minha esperança morta,
Se morta pode ser ua esperança
Que vos tem vivo, e largos anos tenha.

Se espera mal, e ser queimada importa
Por crer mais do que pode e cá se alcança,
O fogo ponde, que eu lhe ajunto a lenha.

Em Defesa da Língua Portuguesa

Desta aud√°cia, Senhor, deste desc√īco
Que entre nós, sem limite, vai lavrando,
Quem mais sente as terr√≠veis conseq√ľ√™ncias
√Č a nossa portugu√™s, casta linguagem,
Que em tantas tradu√ß√Ķes anda envasada
(Tradu√ß√Ķes que merecem ser queimadas!)
Em mil termos e frases galicanas!
Ah! se, as marmóreas campas levantando,
Saíssem dos sepulcros, onde jazem
Suas honradas cinzas, os antigos
Lusitanos var√Ķes, que, com a pena

Ou com a espada e lança, a Pátria ornaram;
Os novos idiotismos escutando,
A mesclada dição, bastardos termos
Com que enfeitar intentam seus escritos
Estes novos, ridículos autores;

(Como se a bela e fértil língua nossa,
Primogênita filha da Latina,
Precisasse de estranhos atavios)
S√ļbito, certamente pensariam
Que nos sert√Ķes estavam de Caconda,
Quilimane, Sofala ou Moçambique;
Até que, já, por fim, desenganados

Que eram em Portugal, que os Portugueses
Eram também os que costumes, língua,
Por t√£o estranhos modos afrontaram,
Segunda vez, de pejo, morreriam.

O sadismo sexual efetiva a identidade masculina. Mulheres s√£o torturadas, chicoteadas, e acorrentadas; mulheres s√£o amarradas e amorda√ßadas, marcadas e queimadas, cortadas com facas e fios; mulheres s√£o urinadas e defecadas; agulhas em brasa s√£o cravadas nos peitos, ossos s√£o quebrados, retos s√£o rasgados, bocas s√£o devastadas, bocetas s√£o brutalmente caceteadas por p√™nis ap√≥s p√™nis, vibrador ap√≥s vibrador ‚ÄĒ e tudo isto para estabelecer no macho um sentido vi√°vel de seu valor pr√≥prio.

Para Quê e Porquê

Vê se não insistes muito em perguntar porquê ou para quê, se não queres ficar paralítico. Porque a maior grandeza da vida tem o valor nela própria e não fora dela. Não se pode justificar a vida senão nela. Ou a luz. Ou a fraternidade humana. Ou a justiça. E o mais assim. E é o que é indiscutível que pode fundar um comportamento e uma razão de se estar vivo.
√Č f√°cil ainda inventar ou ter raz√Ķes para se atentar contra o que √© indiscut√≠vel. Porque se √© indiscut√≠vel, n√£o se pode discutir. E se se discute, o valor deixa de existir. Toda a cultura ou civiliza√ß√£o assenta em pressupostos que n√£o exigem uma demonstra√ß√£o e permanecem assim no intoc√°vel que √© seu. Eis que no nosso tempo, como em nenhum outro, o fundamental para a vida se determina pela nega√ß√£o. A arte foi como sempre o grande arauto da nossa terra queimada. Negar. Destruir. Porque tudo se contamina da possibilidade de nega√ß√£o. Das artes e as letras ao comportamento social.
E curiosamente a mais manifesta negação é a que se refere ao tabu sexual. E o que mais se destaca aí é o uso a frio das maiores obscenidades.

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Raízes

Ehrenburg, que lia e traduzia os meus versos, repreendia-me: demasiada raiz, demasiadas ra√≠zes, nos teus versos. Porqu√™ tantas? √Č verdade. As terras fronteiri√ßas do Chile infiltraram as suas ra√≠zes na minha poesia e nunca puderam sair dela. A minha vida √© uma longa peregrina√ß√£o que anda sempre √†s voltas, que retorna sempre ao bosque austral, √† selva perdida.
Ali, √© certo, as grandes √°rvores eram por vezes tombadas por setecentos anos de vida poderosa, ou arrancadas pelo furac√£o, ou queimadas pela neve, ou destru√≠das pelo inc√™ndio. Senti muitas vezes cair na profundidade da floresta as √°rvores tit√Ęnicas: o roble que tomba com estrondo de cat√°strofe surda, como se batesse com m√£o colossal √†s portas da terra pedindo sepultura. As ra√≠zes, por√©m, ficavam a descoberto, entregues ao tempo inimigo, √† humidade, aos l√≠quenes, ao aniquilamento progressivo.
Nada mais belo que aquelas grandes m√£os abertas, feridas e queimadas, que numa vereda do bosque nos indicam o segredo da √°rvore enterrada, o enigma que a folhagem mantinha, os m√ļsculos profundos do dom√≠nio vegetal. Tr√°gicas e hirsutas, mostram-nos uma nova beleza: s√£o esculturas da profundidade ‚ÄĒ obras-primas secretas da natureza.

Certa vez, caminhando com Rafael Alberti entre cascatas, matagais e bosques,

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Vigília

No panorama de frio
jazia cristalizado o voo dos gavi√Ķes.

Ao seu encontro ia fremente
o respirar da terra quente quase adormecida.

Fluía um riso irónico das dentaduras alvas da neblina
para bocas de ouvidos,
olhos de bocas.

Surgiu então coberto de silêncio
o homem que desde sempre morrera trucidado.

O seu sangue caía enquanto andava.
Das gotas pelo ch√£o se levantaram logo as √°rvores de fogo
dentro em pouco a floresta incendi√°ria
de todo o frio que o chamava.

E antes que soprasse a ventania
a borboleta colorida foi queimada.

Mas antes que o sol humidamente
repousasse num clar√£o de olhos fechados,
as cinzas de pir√Ęmides se espalhavam
indo ferir o enorme olho esbugalhado
que de aquém fitava um espaço maior!

Gazel do Amor Desesperado

A noite n√£o quer vir
para que tu n√£o venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei,
inda que um sol de lacraus me coma a fronte.

Mas tu vir√°s
com a língua queimada pela chuva de sal.

O dia n√£o quer vir
para que tu n√£o venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei
entregando aos sapos meu mordido cravo.

Mas tu vir√°s
pelas turvas cloacas da escuridade.

Nem a noite nem o dia querem vir
para que por ti morra
e tu morras por mim.
Tradução de Oscar Mendes

Violada

Possuíram-te nas ervas,
Deitada ao comprido
Ou lívida a pé:
Do estupro conservas
O sangue e o gemido
Na morte da fé.

Chegaste a cavalo
Trémula de espanto:
Esperavas lev√°-lo
Com modos de amor:
O f√°tum, num canto,
Violento ceifou-te
O p√ļbis em flor:
Dou-te
O acalanto
Mas n√£o h√° palavras
Para tal horror!

Vem ainda em cós, mulher,
Limpa as tuas lágrimas no meu lenço:
Nem pela dor sequer
Eu te pertenço.

O cavalo fugiu,
Deixou-te em fogo a fralda:
Que malfeliz Rold√£o
Para tal Alda!
Ao frio, ao frio,
Tinta de ti é a água e sangue o chão.

Ponta Delgada a arder
Do próprio pejo, quis
Em verde converter
O inc√™ndio do teu p√ļbis.

Mulher, não me dês guerra,
Oh tr√°gica enganada:
Tu és a minha terra
Na carne devastada
Como a Ilha queimada.

Charneca Em Flor

Enche o meu peito, num encanto mago,
O fr√©mito das coisas dolorosas…
Sob as urzes queimadas nascem rosas…
Nos meus olhos as l√°grimas apago…

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E j√° n√£o sou, Amor, Soror Saudade…

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

As m√£os pressentem…

As m√£os pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de p√°ssaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar

ergues de novo as cansadas e s√°bias m√£os
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor h√ļmido das noites e tanta ignor√Ęncia
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada