Passagens sobre Rabos

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Frases sobre rabos, poemas sobre rabos e outras passagens sobre rabos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Soneto Começo Em Vosso Gabo;

Um soneto começo em vosso gabo;
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
J√° este quartetinho est√° no cabo.

Na quinta torce agora a porca o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?
Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.

Nesta vida um soneto j√° ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.

A Confiança ao Virar da Esquina

Podemos ler todos os livros que falam sobre a import√Ęncia da confian√ßa nas nossas vidas, mas nunca o seremos verdadeiramente sem experimentar na pele a sensa√ß√£o de uma experi√™ncia, ou seja, nada podemos ser sem praticar seja o que for. A experi√™ncia √© a pr√°tica, √© o trabalho de campo, √© a exposi√ß√£o, a vulnerabilidade e a consuma√ß√£o do verdadeiro conhecimento. S√≥ depois de experimentares √© que podes ousar saber alguma coisa. Percebes, portanto, a import√Ęncia de ir para a rua? De levantares esse rabo gordo e achatado do sof√°? Em casa pouco ou nada consegues experimentar, pois encontras-te no dom√≠nio da rotina. Tudo o que, eventualmente, haveria para ser posto em pr√°tica j√° o foi, portanto, nada mais h√° a ganhar nessas quatro paredes a n√£o ser peso, melancolia e p√≥. Sugiro, portanto, que nesta fase v√°s a casa dormir e que v√°s para a rua viver. E √© isto, s√≥ isto, apenas isto.

O nosso índice de confiança dispara em cada experiência que escolhemos viver e como já todos experimentámos já todos sabemos disto.

Faça como o galo que mostra as penas do rabo. Quanto mais belas as penas, menos você cai na panela.

O homem gostaria de ser peixe ou p√°ssaro, a serpente gostaria de ter asas, o c√£o √© um le√£o confuso… Mas o gato quer ser somente gato, e todo gato √© um puro gato desde o bigode ao rabo

Soneto IX

Para do mundo dar completo cabo,
L√° do negro recinto o soberano
Meditava a forjar horrível plano
Coçando a grenha, sacudindo o rabo.

Merecedor enfim de imenso gabo,
Eis o que assim disse muito ufano:
Para a miss√£o cumprir ‚ÄĒ digesto humano
Quero fazer ‚ÄĒ que nas√ßa hoje um diabo.

E o 23 de maio nisso raia…
Teot√īnio nasceu, e a fama soa
Jamais ter visto infame dessa laia.

Pois para Sat√£ ser mesmo em pessoa,
Traja, qual bruxa velha, negra saia,
Como o rei dos bandalhos tem coroa.

Tabacaria

N√£o sou nada.
Nunca serei nada.
N√£o posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milh√Ķes do mundo que ningu√©m sabe quem √©
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a p√īr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje l√ļcido, como se estivesse para morrer,
E n√£o tivesse mais irmandade com as coisas
Sen√£o uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.

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O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento

Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que h√° a saber ‚ÄĒ e mais um bocado. Do amor, ningu√©m sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que √© um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer √© procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa √© o amor que se tem, ou de que s√≠tio vem o amor que se faz.

Do amor √© bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que n√£o √© t√£o bom amar. Todos os pa√≠ses h√£o-de ter a sua pr√≥pria cultura amorosa. A portuguesa √© excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, √© muito maior a diferen√ßa que se faz entre o amor e a paix√£o. Faz-se de conta que o amor √© uma coisa ‚ÄĒ mais tranquila e pura e duradoura ‚ÄĒ e a paix√£o √© outra ‚ÄĒ mais do√≠da e complicada e ef√©mera. Em Portugal, por√©m, n√£o gostamos de dizer que nos ¬ęenamoramos¬Ľ, e o ¬ęenamoramento¬Ľ e outras palavras que contenham a palavra ¬ęamor¬Ľ s√£o-nos sempre um pouco estranhas. Quando n√≥s nos perdemos de amores por algu√©m, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se l√° por que atavismos atl√Ęnticos,

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Novas da Corte

As damas nunca parecem
os galantes poucos s√£o
cousas de prazer esquecem
os negócios vêm e vão
nunca minguam, sempre crescem.
N√£o h√° j√° nenhum folgar
nem manhas exercitar
é tanto o requerimento
que ninguém não traz o tento
sen√£o em querer medrar.

Mil pessoas achareis
menos das que c√° leixastes
doutras vos espantareis
porque vê-las não cuidastes
da maneira que vereis.
Uns acabam outros vem
e uns tem outros n√£o tem
e os mais polo geral
folgam muito d’ouvir mal
e pouco de dizer bem.

Se c√° sois bem ensinado
cada feira valeis menos
e se mal sois estranhado
dous dias e logo vemos
ficardes mais estimado.
E vai isto de maneira
que na capela cadeira
d’espaldas tem escudeiros
e consentem-lh’os porteiros
estarem na dianteira.

Anda tudo t√£o danado
que o que menos merece
se mostra mais agravado
e d’homens que n√£o conhece
é el rei emportunado.
E estes que Deos padeça
hão de cobrir a cabeça
perant’ele no ser√£o
e só por isso lá vão
sem haver quem os conheça.

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Lusos Heróis, Cadáveres Cediços

Lusos heróis, cadáveres cediços,
Erguei-vos dentre o pó, sombras honradas,
Surgi, vinde exercer as m√£os mirradas
Nestes vis, nestes cães, nestes mestiços.

Vinde salvar destes pardais castiços
As searas de arroz, por vós ganhadas;
Mas ah! Poupai-lhe as filhas delicadas,
Que. Elas culpa não têm, têm mil feitiços.

De pavor ante vós no chão se deite
Tanto fusco raj√°, tanto nababo,
E as vossas ordens, trémulo, respeite.

V√£o para as v√°rzeas, leve-os o Diabo;
Andem como os avós, sem mais enfeite
Que o langotim, di√°metro do rabo.