Cita√ß√Ķes sobre Ret√≥rica

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Frases sobre ret√≥rica, poemas sobre ret√≥rica e outras cita√ß√Ķes sobre ret√≥rica para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Porqu√™ Camuflar as Nossas Convic√ß√Ķes?

Desde que nos propomos emitir uma verdade de acordo com as nossas convic√ß√Ķes damos logo a impress√£o de fazer ret√≥rica. Que esp√©cie de prestidigita√ß√£o vem a ser essa? Como √© que nos nossos dias n√£o poucas verdades, proferidas que sejam, por vezes, mesmo em tom pat√©tico, imediatamente ganham aspectos ret√≥ricos? Porqu√™ √© que na nossa √©poca cada vez h√° mais necessidade, quando pretendemos dizer a verdade, de recorrer ao humor, √† ironia, √† s√°tira? Porqu√™ ado√ßar a verdade como se se tratasse de uma p√≠lula amarga? Porqu√™ envolver as nossas convic√ß√Ķes num misto de altiva indiferen√ßa, digamos, de desprezo para com o p√ļblico? Numa palavra, porqu√™ certo ar de p√≠cara condescend√™ncia? Em nossa opini√£o, o homem de bem n√£o tem de envergonhar-se das suas convic√ß√Ķes, ainda mesmo que estas transpare√ßam sob a forma ret√≥rica, sobretudo se est√° certo delas.

Atrav√©s de sua ret√≥rica, os administradores tornaram imposs√≠vel ao p√ļblico compreender a realidade econ√īmica.

O Amor na Lama

– Esteban, o homem n√£o poderia fazer grandes obras sem trabalhos pequenos; na maqueta do carpinteiro est√° todo o edif√≠cio do arquiteto, n√£o h√° profiss√Ķes grandes e pequenas: alegro-me que tenhas decidido ficar connosco na carpintaria, mas conv√©m que te lembres disso. N√£o te esque√ßas de que Deus tamb√©m se senta numa cadeira e come a uma mesa e dorme numa cama. Como qualquer um. Pode prescindir dos ret√°bulos, das est√°tuas e dos livros que lhe dedicam, incluindo a B√≠blia, mas n√£o da cadeira, da mesa e da cama. ‚ÄĒ O meu tio esfor√ßava-se muito. Queria que eu me sentisse bem na profiss√£o. Que come√ßasse a gostar dela. Acreditava que eu vivia como um fracasso a decis√£o de ter abandonado a Escola de Belas–Artes. Intu√≠a certamente que eu precisava de desenvolver a minha autoestima. Mas tudo isso me parecia mera ret√≥rica ‚ÄĒ e era-o ‚ÄĒ, a verdade √© que por essa altura j√° tinha come√ßado a sair com Leonor e era ela quem eu amava, aprendia a gostar de mim atrav√©s dela. Descobria o meu corpo em cada palmo do corpo dela, e o meu corpo ganhava valor porque lhe pertencia, era o seu complemento: acreditava que partilh√°vamos dois corpos que jamais poderiam separar-se e viver cada um por si.

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Novo Ano

Eu desejaria que o Novo Ano trouxesse no ventre morte, peste e guerra. Morte à senilidade idealista e à retórica embalsamada; peste para um certo código cultural que age sobre os grupos e os transforma em colectividades emocionais; guerra à recuperação da personalidade duma cultura extinta que nada tem a ver com a cultura em si mesma.

Eu desejaria que o Novo Ano trouxesse nos braços a vida, a energia e a paz. Vida o suficientemente despersonalizada no caudal urbano para que os desvios individuais não sejam convite ao eterno controlo e expressão das pessoas; energia para desmascarar o sectarismo da sociedade secularizada em que o estado afectivo é mais forte do que a acção; paz para os homens de boa e de má vontade.

(31 de

Vamos Buscar as Nossas Ideias ao Estrangeiro

Que ideias gerais temos? As que vamos buscar ao estrangeiro. Nem as vamos buscar aos movimentos filos√≥ficos profundos do estrangeiro; vamos busc√°-las √† superf√≠cie, ao jornalismo de ideias. E assim as ideias que adoptamos, sem altera√ß√£o nem cr√≠tica, s√£o ou velhas ou superficiais. Falamos a s√©rio nas ideias pol√≠ticas de Le√≥n Blum ou de Edouard Herriot, nenhum dos quais teve alguma vez ideias ‚ÄĒ pol√≠ticas ou outras ‚ÄĒ em sua vida. Falamos a s√©rio em Bourget, Maurras […].

Plagiamos o fascismo e o hitlerismo, plagiamos claramente, com a desvergonha da inconsciência, como a criança imita sem hesitar. Não reparamos que fascismo e hitlerismo, em sua essência, nada têm de novo, porventura nada de aproveitável, como ideias; o que não sabemos imitar, porque seria mais difícil, é a personalidade de Mussolini.

As ideias de Maurras, que qualquer raciocinador hábil desfaz sem dificuldade, se tiver a paciência de vencer o tédio quase insuportável de o ler, passam por leis da natureza, por tão indiscutíveis como, não direi já a teoria atómica, que tem elementos discutíveis, mas o coeficiente de dilatação do ferro, ou a lei de Boyle ou de Mariotte.

Temos poetas de mérito. Que fazem eles?

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Mandar e Ensinar Através do Exemplo

N√£o h√° modo de mandar, ou ensinar mais forte, e suave, do que o exemplo: persuade sem ret√≥rica, impele sem viol√™ncia, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as d√ļvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas. Pelo contr√°rio, fazer uma coisa, e mandar, ou aconselhar outra, √© querer endireitar a sombra da vara torcida.

A arte sempre foi isto Рinterrogação pura, questão retórica sem a retórica Рembora se diga que aparece pela realidade social.

Compreens√£o S√°bia e Activa

A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica; e substituirá a musa trágica por Platão e os geómetras.
Hei-de v√™-lo depois de despido de ego√≠smo, atente somente aos motivos gerais; o seu bem ser√° sempre o bem alheio; ter√° como inferior o que se deleita na alegria pessoal e n√£o p√Ķe sobre tudo o servi√ßo dos outros; √† sua felicidade nada falta sen√£o a felicidade de todos; esquecido de si, batalhar√°, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignor√Ęncia e a mis√©ria que impedem os seus irm√£os de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
Nenhuma vontade de domínio; mandar é do mundo das aparências, tornar melhor de um sólido universo de verdades; se tiver algum poder somente o veja como um indício de que estão ainda muito baixos os homens que lho dão; incite-o o sentir-se superior a mais nobre e rude esforço para que se esbatam e percam as diferenças;

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Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca.

O Princípio do Amor Tem Oito Dias de Alienação Moral

Nada de l√≥gica nem de ret√≥rica. Os principiantes do amor cuidam que √© da tarifa devorarem no sil√™ncio, antes de se revelarem, as melhores frases que tinham para convencer. Grande contrasenso. Parecem-se com os ca√ßadores novatos, que atiram √† perdiz quando ela vai muito longe do alcance do chumbo. Fia-te em mim, Castro. A mulher que principia a amar tem oito dias de aliena√ß√£o moral. O espirito anda-lhe √† solta, e um h√°bil ca√ßador apanha-lho, e depois… como sabes do teu Genuense, a alma √© uma subst√Ęncia acomodada para governar o corpo. Pilhada a alma, o corpo, sem governo, √© uma nau desmastreada, sem leme, √† merc√™ das ondas…

As Artes e as Ciências Nasceram dos Vícios

A astronomia nasceu da supersti√ß√£o; a ret√≥rica, da ambi√ß√£o, do √≥dio, da adula√ß√£o, da mentira; a geometria, da gan√Ęncia; a f√≠sica, da curiosidade v√£; e todas elas, mesmo a √©tica, do orgulho humano. As artes e as ci√™ncias devem portanto o seu nascimento aos nossos v√≠cios, e n√≥s dever√≠amos duvidar menos das suas vantagens se elas tivessem tido origem nas nossas virtudes. (…) Quantos perigos! Quantos caminhos equivocados na investiga√ß√£o das ci√™ncias? Por meio de quantos erros, milhares de vezes mais perigosos do que a verdade √© √ļtil, n√£o √© preciso abrir caminho a fim de alcan√ß√°-la? O problema √© patente; pois a falsidade admite um n√ļmero infinito de combina√ß√Ķes; mas a verdade possui apenas um modo de ser.

Fomos Deixando de Escutar

Me entristece o quanto fomos deixando de escutar. Deix√°mos de escutar as vozes que s√£o diferentes, os sil√™ncios que s√£o diversos. E deix√°mos de escutar n√£o porque nos rodeasse o sil√™ncio. Fic√°mos surdos pelo excesso de palavras, fic√°mos autistas pelo excesso de informa√ß√£o. A natureza converteu-se em ret√≥rica, num emblema, num an√ļncio de televis√£o. Falamos dela, n√£o a vivemos. A natureza, ela pr√≥pria, tem que voltar a nascer. E quando voltar a nascer teremos que aceitar que a nossa natureza humana √© n√£o ter natureza nenhuma. Ou que, se calhar, fomos feitos para ter todas as naturezas.

Falei dos pecados da Biologia. Mas eu não trocaria esta janela por nenhuma outra. A Biologia ensinou-me coisas fundamentais. Uma delas foi a humildade. Esta nossa ciência me ajudou a entender outras linguagens, a fala das árvores, a fala dos que não falam. A Biologia me serviu de ponte para outros saberes. Com ela entendi a Vida como uma história, uma narrativa perpétua que se escreve não em letras mas em vidas.

A Biologia me alimentou a escrita liter√°ria como se fosse um desses velhos contadores n√£o de hist√≥rias mas de sabedorias. E reconheci li√ß√Ķes que j√° nos tinham sido passadas quando ainda n√£o t√≠nhamos sido dados √† luz.

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Sobretudo, n√£o desesperar. N√£o cair no √≥dio, nem na ren√ļncia. Ser homem no meio de carneiros, ter l√≥gica no meio de sofismas, amar o povo no meio da ret√≥rica.

Os verdadeiros artistas e criadores constituem sempre contra-governos, governos nas sombras a partir das quais v√£o impugnando as certezas, as ret√≥ricas, as fic√ß√Ķes ou verdades oficiais e recordando, no que pintam, comp√Ķem, interpretam ou fabulam que, contrariamente ao que sust√©m o poder, o mundo vai muito mal, e que a vida real estar√° sempre abaixo dos sonhos e dos desejos humanos.

A Arte da Retórica Floresce nas Sociedades Decadentes

Um ret√≥rico do passado dizia que o seu of√≠cio era fazer que as coisas pequenas parecessem grandes e como tais fossem julgadas. Dir-se-ia um sapateiro que, para cal√ßar p√©s pequenos, sabe fazer sapatos grandes. Em Esparta ter-lhe-iam dado a experimentar o azorrague por professar uma arte trapaceira e mentirosa. E creio que Arquidamo, que foi seu rei, n√£o ter√° ouvido sem espanto a resposta de Tuc√≠dides, ao qual perguntara quem era mais forte na luta, se P√©ricles, se ele: ¬ęIsso ser√° dif√≠cil de verificar, pois quando o deito por terra, ele convence os espectadores que n√£o caiu, e ganha¬Ľ. Os que, com cosm√©ticos, caracterizam e pintam as mulheres fazem menos mal, pois √© coisa de pouca perda n√£o as ver ao natural, ao passo que estoutros fazem ten√ß√£o de enganar, n√£o j√° os olhos, mas o nosso ju√≠zo, e de abastardar e corromper a ess√™ncia das coisas. Os Estados que longamente se mantiveram em boa ordem e bem governados, como o cretense e o lacedem√≥nio, n√£o tinham em grande conta os oradores.
Aríston definiu sabiamente a retórica como a ciência de persuadir o povo; Sócrates e Platão, como a arte de enganar e lisonjear; e aqueles que isto negam na sua definição genérica,

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