Cita√ß√Ķes sobre Revoltados

17 resultados
Frases sobre revoltados, poemas sobre revoltados e outras cita√ß√Ķes sobre revoltados para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Lisboa perto e longe

Lisboa chora dentro de Lisboa
Lisboa tem pal√°cios sentinelas.
E fecham-se janelas quando voa
nas praças de Lisboa Рbranca e rota
a blusa de seu povo – essa gaivota.

Lisboa tem casernas catedrais
museus cadeias donos muito velhos
palavras de joelhos tribunais.
Parada sobre o cais olhando as √°guas
Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

Lisboa tem o sol crucificado
nas armas que em Lisboa est√£o voltadas
contra as m√£os desarmadas – povo armado
de vento revoltado violas astros
Рmeu povo que ninguém verá de rastos.

Lisboa tem o Tejo tem veleiros
e dentro das pris√Ķes tem velas rios
dentro das m√£os navios prisioneiros
ai olhos marinheiros – mar aberto
– com Lisboa t√£o longe em Lisboa t√£o perto.

Lisba é uma palavra dolorosa
Lisboa s√£o seis letras proibidas
seis gaivotas feridas rosa a rosa
Lisboa a desditosa desfolhada
palavra por palavra espada a espada.

Lisboa tem um cravo em cada m√£o
tem camisas que abril desabotoa
mas em maio Lisboa é uma canção
onde h√° versos que s√£o cravos vermelhos
Lisboa que ninguem ver√° de joelhos.

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Mudançar

Repor
na planta da cor brancura
em pedra solicitada

Reler
por vacilação das sílabas
em escurid√£o afundada

Rever
por olho areado com √°guas
a imagem contaminada

Reter
no m√ļsculo oxigenado vaso
areal terra aterrada

Resistir
ao c√Ęntico suado no temor
a evolução revoltada

Reaver
do padre eterno esquecido
fé febril equivocada

Rematar
pontilhados no voo manual
asa de vazio blindada

Reacordar
quando o tempo do morto é
vício pele reciclada

Recomeçar
linguajar contínua marcha
vivente reinventada.

Como te Tens Lembrado Hoje de Mim?

O que tens tu feito, amor? Andar√°s, como segunda-feira, cavaleiro andante a flirtar √†s janelas das ruas do Alto do Pina, com damas de cem anos?… Cem anos, pelo menos… Eu creio mesmo que tu disseste mais alguns… Sempre est√°s uma prenda, um espertalh√£o… Tenho que te educar convenientemente e ensinar-te que damas de cem anos e mulheres que fazem queijadas, n√£o servem, ou pelo menos n√£o devem servir, a quem tem a suprema felicidade de possuir uma mulher como eu, que sou uma p√©rola, ou por outra: um colar de p√©rolas, como ontem gentilmente me chamaste… Est√°s de acordo, n√£o √© verdade?

A tua pequenina fera está há imenso tempo ansiosa que a chuva acabe, para deitar o focinhito fora do covil, ao menos por cinco minutos; mas não há meio, o diabo da chuva continua a cair sem piedade e daqui a pouco a ferazinha sai mesmo com chuva e tudo. Há tanto tempo que não saio! Em horas de concentração de consciência, eu ponho-me a pensar que nunca julguei capaz que um homem pudesse fazer da Miss América, como muita gente me chamava dantes, esta burguezinha pacata, que, detrás dos vidros duma janela, passa a vida a fazer rendas,

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Revoltado por estar solitário? Erga as taças da fé e faça um brinde à esperança. Não beba o rum amargo do ódio sem tentar o néctar doce do amor!

Princesa Desalento

Minh’alma √© a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
√Č revoltada, tr√°gica, sombria,
Como galopes infernais de vento!

√Č fr√°gil como o sonho dum momento,
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria!
Minh’alma √© a Princesa Desalento…

Altas horas da noite ela vagueia…
E ao luar suavíssimo, que anseia,
P√Ķe-se a falar de tanta coisa morta!

O luar ouve a minh’alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz √† tua porta…

Se alguém fica nervoso ou revoltado e reage valentemente quando lhe batem na face, é prova de que se sente derrotado. Aquele que procura se mostrar valente é, na verdade, um fraco. Aquele que procura se mostrar eficiente é, na verdade, um inepto.

Uma Obediência Passiva

O homem, bobo da sua aspira√ß√£o, sombra chinesa da sua √Ęnsia in√ļtil, segue, revoltado e ign√≥bil, servo das mesmas leis qu√≠micas, no rodar imperturb√°vel da Terra, implacavelmente em torno a um astro amarelo, sem esperan√ßa, sem sossego, sem outro conforto que o abafo das suas ilus√Ķes da realidade e a realidade das suas ilus√Ķes. Governa estados, institui leis, levanta guerras; deixa de si mem√≥rias de batalhas, versos, est√°tuas e edif√≠cios. A Terra esfriar√° sem que isso valha. Estranho a isso, estranho desde a nascen√ßa, o soI um dia, se alumiou, deixar√° de alumiar; se deu vida, dar√° a si a morte. Outros sistemas de astros e de sat√©lites dar√£o porventura novas humanidades; outras esp√©cies de eternidades fingidas alimentar√£o almas de outra esp√©cie; outras cren√ßas passar√£o em corredores long√≠nquos da realidade m√ļltipla. Cristos outros subir√£o em v√£o a novas cruzes. Novas seitas secretas ter√£o na m√£o os segredos da magia ou da Cabala. E essa magia ser√° outra, e essa Cabala diferente. S√≥ uma obedi√™ncia passiva, sem revoltas nem sorrisos, t√£o escrava como a revolta, √© o sistema espiritual adequado √† exterioridade absoluta da nossa vida serva.

√Ālvaro de

√Ārvores Do Alentejo

Ao Prof. Guido Batelli

Horas mortas… Curvada aos p√©s do Monte
A plan√≠cie √© um brasido… e, torturadas,
As √°rvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manh√£ alta, o sol pospoente
A oiro, a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os tr√°gicos perfis no horizonte!

√Ārvores! Cora√ß√Ķes, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

√Ārvores! N√£o choreis! Olhai e vede:
–¬†Tamb√©m ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de √°gua!

Amar Ajuda

Hoje, no dia antes do dia de São Valentim, quero escrever sobre o amor nos outros dias do ano. Ontem foi um deles. Recebi uma má notícia e imediatamente a Maria João recebeu-a como se fosse ela a recebê-la.
Recebemos a m√° not√≠cia e, ao receb√™-la no plural, diluiu-se por muito mais do que dois. O plural de um n√£o √© dois: s√£o muitos. Sentimo-nos como se f√īssemos muitos.
Existe o espalhar o mal pelas aldeias. Mas com o amor, com o casamento de almas que, virando-se uma para a outra, se voltam, viradas, contra o mundo, o mal multiplica-se e exagera-se ao ponto dos dois apaixonados se tornarem numa multid√£o de revoltados que se revolta tanto como se ama.
A boa ideia Рmas talvez errada Рvem de Platão, das duas metades que se encontram para alcançarem a unidade de um só ser completo. Sendo assim, as almas gémeas são apenas duas metades que se completam: precisam de completar-se para se transformarem numa unidade.
Não é verdade. O amor junta duas unidades Рa Maria João e eu, por exemplo Рe faz com que tenham muito mais do que a força de uma só pessoa.

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Queremos Homens Completos ou Meros Cidad√£os?

A educa√ß√£o actual e as actuais conveni√™ncias sociais premeiam o cidad√£o e imolam o homem. Nas condi√ß√Ķes modernas, os seres humanos v√™m a ser identificados com as suas capacidades socialmente valiosas. A exist√™ncia do resto da personalidade ou √© ignorada ou, se admitida, √© admitida somente para ser deplorada, reprimida ou, se a repress√£o falhar, sub-repticiamente rebuscada. Sobre todas as tend√™ncias humanas que n√£o conduzem √† boa cidadania, a moralidade e a tradi√ß√£o social pronunciam uma senten√ßa de banimento. Tr√™s quartas partes do Homem s√£o proscritas. O proscrito vive revoltado e comete vingan√ßas estranhas. Quando os homens s√£o criados para serem cidad√£os e nada mais, tornam-se, primeiro, em homens imperfeitos e depois em homens indesej√°veis.
A insistência nas qualidades socialmente valiosas da personalidade, com exclusão de todas as outras, derrota finalmente os seus próprios fins. O actual desassossego, descontentamento e incerteza de propósitos testemunham a veracidade disto. Tentámos fazer homens bons cidadãos de estados industriais altamente organizados: só conseguimos produzir uma colheita de especialistas, cujo descontentamento em não serem autorizados a ser homens completos faz deles cidadãos extremamente maus. Há toda a razão para supor que o mundo se tornará ainda mais completamente tecnicizado, ainda mais complicadamente arregimentado do que é presentemente;

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Gosto das Belas Coisas Claras e Simples

Para qu√™ alcan√ßar os astros?! Para qu√™?! Para os desfolhar, por exemplo, como grandes flores de luz! V√™-los, v√™-os toda a gente. De que serve ent√£o ser poeta se se √© igual √† outra gente toda, ao rebanho?… Eu n√£o pe√ßo √† Vida nada que ela me n√£o tivesse prometido, e detesto-a e desdenho-a porque n√£o soube cumprir nem uma das suas promessas em que, ingenuamente, acreditei, porque me mentiu, porque me traiu sempre. Mas n√£o choro, n√£o, como os portugueses chor√Ķes, n√£o tenho nada de Jere¬≠mias, pare√ßo-me antes com Job, revoltado, gritando impreca¬≠√ß√Ķes no seu monte de estrume. N√£o gosto de l√°grimas, de fados nem de guitarras, gosto das belas coisas claras e sim¬≠ples, das grandes ternuras perfeitas, das doces compreens√Ķes silenciosas, gosto de tudo, enfim, onde encontro um pouco de Beleza e de Verdade, de tudo menos do b√≠pede humano, em geral, √© claro, porque h√° ainda no mundo, gra√ßas a Deus, almas-astros onde eu gosto de me reflectir, almas de sinceri¬≠dade e de pureza sobre as quais adoro debru√ßar a minha.

Exercício Espiritual

Ouço-os de todo o lado.
Eu é que sou assim.
Eu é que sou assado,
Eu é que sou o anjo revoltado,
Eu √© que n√£o tenho santidade…

Quando, afinal, ninguém
P√Ķe nos ombros a capa da humildade,
E vem.

Sou uma c√©ptica que cr√™ em tudo, uma desiludida cheia de ilus√Ķes, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura.

Mendiga

Na vida nada tenho e nada sou;
Eu ando a mendigar pelas estradas…
No silêncio das noites estreladas
Caminho, sem saber para onde vou!

Tinha o manto do sol… quem mo roubou?!
Quem pisou minhas rosas desfolhadas?!
Quem foi que sobre as ondas revoltadas
A minha taça de oiro espedaçou?!

Agora vou andando e mendigando,
Sem que um olhar dos mundos infinitos
Veja passar o verme, rastejando…

Ah, quem me dera ser como os chacais
Uivando os brados, rouquejando os gritos
Na solid√£o dos ermos matagais!…

O Sentimento dum Ocidental

I

Avé-Maria

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
H√° tal soturnidade, h√° tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O g√°s extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposi√ß√Ķes, pa√≠ses:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edifica√ß√Ķes somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquet√£o ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueir√Ķes, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Cam√Ķes no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu n√£o verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

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Dizes contentar-te com pouco; é essa, na realidade, a suprema sabedoria mas eu fui sempre a grande revoltada e a grande ambiciosa que só quer a felicidade quando ela seja como um turbilhão que dê a vertigem e que deslumbre!