Cita√ß√Ķes sobre Signos

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Frases sobre signos, poemas sobre signos e outras cita√ß√Ķes sobre signos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os rituais s√£o muito importantes. Sem eles, a vida seria indecifr√°vel. O cinema n√£o filma sen√£o isso, um conjunto de signos, de conven√ß√Ķes. A vida √© um enigma, n√£o √© leg√≠vel. S√£o os rituais que nos permitem l√™-la.

Psicologia De Um Vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escurid√£o e rutil√Ęncia,
Sofro, desde a epig√™nesis da inf√Ęncia,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugn√Ęncia…
Sobe-me √† boca uma √Ęnsia an√°loga √† √Ęnsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

j√° o verme – este oper√°rio das ru√≠nas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E h√°-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorg√Ęnica da terra!

A Desordem da Minha Natureza

(…) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus noventa anos. Descobri que a minha obsess√£o de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, n√£o era o pr√©mio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contr√°rio, um sistema completo de simula√ß√£o inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que n√£o sou disciplinado por virtude, mas como reac√ß√£o contra a minha neglig√™ncia; que pare√ßo generoso para encobrir a minha mesquinhez, que passo por prudente por ser pessimista, que sou conciliador para n√£o sucumbir √†s minhas c√≥leras reprimidas, que s√≥ sou pontual para que n√£o se saiba que pouco me importa o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor n√£o √© um estado de alma mas um signo do Zod√≠aco.

Alma que Foste Minha

Alma que foste minha,
desprendida de meu corpo e de meu espírito,
leque de palma sem raízes, sem tormentas,
que género esta noite te distingue,
que metro te organiza, por que dogmas,
que signos te orientam ‚ÄĒ rumo a qu√™?

‚ÄĒ Mestre, qual √© o sexo das almas?

Desmarcada e sem cordas
alma que foste minha
sem cravos e sem espinhos
que trigo milenar te mata a fome
divina
que pir√Ęmide encerra tua ess√™ncia
nudíssima
que corpo te defende de ti mesma
do espaço
que idade, quantas eras, contra o tempo
alma an√°rquica
desmarcada e sem cravos
sem precis√£o de estar
ou de ficar
‚ÄĒ Que te vale Biz√Ęncio?
ou de mudar
ou de fazer, ou de ostentar
‚ÄĒ Que te vale este verso?
apoética, absurda
como chamar-te alma, de quê, quando,
para quê, alma de morto, para onde?

Ornitologia

Chegado o Outono, o conhecimento concentra-se nas asas
dos p√°ssaros que pousam lentos sobre as cores dos frutos.
Sem sentimentos, as aves entregam-se ao sabor do vento
e deixam que no cérebro cresça a febre negra das urzes.
Aquieta-os a experiência que conservam do espaço
e que todas as tardes os inibe de partir para continentes
mais prósperos e seguros. Sustém-os um atavismo
apenas explic√°vel pelo saber dos signos e o seu desejo
colectivo de suicídio. Porque não escolhem antes
perder-se na tempestade? Talvez visto do ar,
aos seus olhos o mundo se torne mais pesado
e o pensamento se confunda, na memória,
com uma paisagem festiva de piras f√ļnebres.
E contudo, apesar do car√°cter cerrado da atmosfera,
o seu peso parece ter-se j√° deixado de sentir
sobre o discurso. Virados para dentro,
as imagens em que se reflectem s√£o
as de um mundo banhado pela pen√ļmbra.
Afogado na sua raz√£o de ser. Medi√ļnico.
Imagine-se agora o caçador a entrar
paisagem dentro para abater as peças
de que se comp√Ķe o cen√°rio uma a uma:
vista de dentro,

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Véspera

Amor: em teu regaço as formas sonham
o instante de existir: ainda é bem cedo
para acordar, sofrer. Nem se conhecem
os que se destruir√£o em teu bruxedo.

Nem tu sabes, amor, que te aproximas
a passo de veludo. √Čs t√£o secreto,
reticente e ardiloso, que semelhas
uma casa fugindo ao arquitecto.

Que presságios circulam pelo éter,
que signos de paix√£o, que suspir√°lia
hesita em consumar-se, como fl√ļor,
se não a roça enfim tua sandália?

Não queres morder célere nem forte.
Evitas o clar√£o aberto em susto.
Examinas cada alma. √Č fogo inerte?
O sacrifício há de ser lento e augusto.

Ent√£o, amor, escolhes o disfarce.
Como brincas (e és sério) em cabriolas,
em risadas sem modo, pés descalços,
no círculo de luz que desenrolas!

Contempla este jardim: os namorados,
dois a dois, l√°bio a l√°bio, v√£o seguindo
de teu capricho o hermético astrolábio,
e perseguem o sol no dia findo.

E se deitam na relva; e se enlaçando
num desejo menor, ou na indecisa
procura de si mesmos,

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Dentes

Os dentes, porque s√£o dentes,
iniciais. Na espuma,
porque n√£o s√£o saliva
estas ondas
pouco mordentes; este
sal que sobe quase
doce; donde?

Numa espécie
de fogo: amor é fogo
que arde sem se ver;
porque não é
de facto fogo este frio aceso;
da saliva à lava
passa pela espuma.

Só os dentes.
Duros, √°cidos, concentram-se
tacteando a pele,
tatuando signos sempre
moventes
de f√ļria. Mordida
a pele cintila; espelho
dos dentes, do seu esmalte voraz;
suavemente.

Octavio

Toca a boca, olha as coisas abstrato
Percorre da varanda os quatro cantos
E tirando do corpo um carrapato
Imagina o romance mil e tantos…

Logo após olha o mundo e o vê morrendo
Sob a opress√£o tir√Ęnica do mal
E como um passarinho, vai correndo…
Escrever um tratado social

√Č amigo de um “bra√ßo” na poesia
E de um outro que é só filosofia
E de um terceiro, romancista: veja

Quanto livro a escrever ainda teria
O ditador Octavio de Faria
Sob o signo crist√£o da nova Igreja…

Porque Descrês, Mulher, do Amor, da Vida?

Porque descrês, mulher, do amor, da vida?
Porque esse Hermon transformas em Calvario?
Porque deixas que, aos poucos, do sudario
Te aperte o seio a dobra humedecida?

Que vis√£o te fugio, que assim perdida
Buscas em v√£o n’este ermo solitario?
Que signo obscuro de cruel fadario
Te faz trazer a fronte ao ch√£o pendida?

Nenhum! intacto o bem em ti assiste:
Deus, em penhor, te deu a formosura;
Bençãos te manda o céo em cada hora.

E descr√™s do viver?… E eu, pobre e triste,
Que só no teu olhar leio a ventura,
Se tu descrês, em que hei-de eu crer agora?

O Meio de Sedução deste Mundo

O meio de sedução deste mundo, bem como o signo de garantia de que ele é apenas uma transição, é uma e a mesma coisa. Com razão, pois só assim este mundo nos pode seduzir de uma forma que corresponda à verdade. O pior, no entanto, é que, depois da sedução bem-sucedida, nós esquecemo-nos da garantia; foi dessa maneira, na realidade, que o bem nos atraiu para o mal, e o olhar da mulher, para a sua cama.

como a √°gua meu amor

como a √°gua
meu amor
também as asas nos sacodem
no final do beijo

quantas p√°ginas faltam?

se a fronteira é a das águas quem reprime a espuma
onde começa a praia?

no meu espelho o que via
era um homem de rosto voltado
de rosto voltado
para sempre
e uma linha de ombros onde as √°guas
e os teus l√°bios de espuma meu amor
me embaciavam

também ouvi chamar a isso
entardecer
idade
inclinação do sol

mas também cicatrizes ou sulcos como preferires
essa teia onde os dias marcam os seus signos
como as √°guas no solo meu amor
até furarem

M√°rio

Entre meditabundo e sonolento
Sobre a fofa delícia da almofada
Ele vai perseguindo na jornada
Através do Ottocento e o Novecento

N√£o o tires dali que d√° pancada
Todo o resto prá ele é sofrimento
Vai colhendo da flor do pensamento
Toda a filosofia desejada

Só abandona voluntário o élan
Para o banho de poço da manhã
“Mens sana…” disse Fran√ßois Leblon

E às vezes, Carnaval, diz na folia
E passeia porrado pela orgia
Sob o signo pag√£o do rei Mammon.

De certo modo, Aureliano José foi um homem alto e moreno que durante meio século lhe foi anunciado pelo rei de copas, e que como todos os enviados pelo baralho chegou ao seu coração quando já estava marcado pelo signo da morte. Ela viu isso nas cartas.

Como se Faz uma Declaração de Amor?

Mas ent√£o como se faz uma declara√ß√£o de amor? Em papel selado, na presen√ßa de um advogado. Por que n√£o? As piores declara√ß√Ķes s√£o as p√≠fias e clandestinas, do g√©nero ¬ęAcho-te uma pessoa muito interessante¬Ľ. As melhores s√£o aquelas que comprometem quem as faz, que se baseiam em provas capazes de serem apresentadas em tribunal, que fazem corar as testemunhas. As declara√ß√Ķes do tipo ¬ęExperimentar-a-ver-se-d√°¬Ľ nunca d√£o. √Č melhor mandar imprimir 2000 folhetos e distribu√≠-los por avioneta √† popula√ß√£o, devidamente identificados, do que um bilhetinho an√≥nimo de ¬ęum admirador¬Ľ. As declara√ß√Ķes de amor t√™m de cortar a respira√ß√£o de quem as recebe, t√™m de rebentar na cara de quem as l√™. O amor e o terrorismo s√£o quest√Ķes de objectivo, e n√£o de grau.

Como estamos todos a zero, ningu√©m pode dar conselhos a ningu√©m. H√° s√©culos que as maiores cabe√ßas do mundo procuram a frase perfeita de apresenta√ß√£o. H√° as deixas rascas, do g√©nero ¬ęDeixe-me adivinhar o seu signo¬Ľ ou ¬ęN√£o costuma c√° estar √†s ter√ßas-feiras, pois n√£o?¬Ľ. H√° as deixas pirosas, do g√©nero ¬ęImporta-se que eu lhe diga que voc√™ √© muito bonita?¬Ľ ou ¬ęPosso s√≥ dizer-lhe uma coisa? O seu namorado tem muita sorte!¬Ľ. Depois,

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A Maternidade n√£o me Aborrece

A maternidade n√£o me aborrece e devo afirmar at√© que, dada a influ√™ncia determinante de minha m√£e, em mim, sou uma pessoa marcada pelo signo materno. Tenho um apre√ßo muito especial pela maternidade. S√≥ que √† mulher n√£o compete apenas uma maternidade de tipo fisiol√≥gico. Cabe-lhe ultrapassar esse aspecto na medida em que pode conquistar uma sabedoria de tipo maternal para intervir no mundo, e orient√°-lo. Um mundo onde s√≥ o homem tem a palavra, palavra essa que √© origem de tantos desmandos, guerras, conflitos e solu√ß√Ķes prec√°rias de car√°cter econ√≥mico e social.
Estruturalmente, a mulher √© avessa, al√©rgica √† ideia de guerra e de conflito. A sua pr√≥pria experi√™ncia maternal a predisp√Ķe contra a guerra. D√° vida mas n√£o gosta de contribuir para a sua destrui√ß√£o. √Č por uma actua√ß√£o pac√≠fica.

Nenhuma outra Viajar√° pela Sombra Comigo

Já és minha. Repousa com teu sono no meu sono.
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite em suas rodas invisíveis
e ao meu lado √©s pura como o √Ęmbar adormecido.

Nenhuma outra, amor, dormir√° com meus sonhos.
Ir√°s, iremos juntos pelas √°guas do tempo.
Nenhuma outra viajar√° pela sombra comigo,
apenas tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.

J√° tuas m√£os abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves signos sem rumo,
teus olhos fecharam-se como duas asas cinzentas,

enquanto eu sigo a √°gua que levas e me leva:
a noite, o mundo, o vento fiam o seu destino,
e sem ti j√° n√£o sou sen√£o apenas o teu sonho.

A Cegueira do Amor

Desde que se ame, o mais sensato dos homens não vê nenhum objecto tal como é. Exagera para menos as suas próprias vantagens e para mais os menores favores do objecto amado. Os temores e as esperanças transformam-se imediatamente em algo de romanesco. Deixa de atribuir seja o que for ao acaso; perde o sentido das probabilidades; uma coisa imaginada é uma coisa existente que influi na sua felicidade.
Um signo aterrador de que se est√° a perder a cabe√ßa √© que, ao pensar em qualquer facto, por min√ļsculo e dif√≠cil de observar que seja, o vejamos branco e o interpretemos em favor do nosso amor; um instante depois, verificamos que na realidade era negro, e mesmo assim ainda o achamos favor√°vel ao nosso amor.
√Č nessa altura que uma alma presa de mortais incertezas sente vivamente a necessidade de um amigo; mas para um amante j√° n√£o h√° amigos, como muito bem se sabia nas cortes. Eis a fonte da √ļnica esp√©cie de indiscri√ß√£o que uma mulher √© capaz de perdoar.

A Palavra não é o Signo do Pensamento

A palavra n√£o √© o ¬ęsigno¬Ľ do pensamento, se compreendermos como tal um fen√≥meno que anuncia outro, como o fumo anuncia o fogo. A palavra e o pensamento s√≥ admitiriam essa rela√ß√£o exterior se uma e outro fossem dados tematicamente; na realidade est√£o envolvidos uma no outro, o sentido est√° preso na palavra, e a palavra √© a exist√™ncia exterior do sentido.

L√ļcia

(Alfred de Musset)

Nós estávamos sós; era de noite;
Ela curvara a fronte, e a m√£o formosa,
Na embriaguez da cisma,
Tênue deixava errar sobre o teclado;
Era um murm√ļrio; parecia a nota
De aura longínqua a resvalar nas balsas
E temendo acordar a ave no bosque;
Em torno respiravam as boninas
Das noites belas as vol√ļpias mornas;
Do parque os castanheiros e os carvalhos
Brando embalavam orvalhados ramos;
Ouvíamos a noite, entre-fechada,
A rasgada janela
Deixava entrar da primavera os b√°lsamos;
A v√°rzea estava erma e o vento mudo;
Na embriaguez da cisma a sós estávamos
E tínhamos quinze anos!

L√ļcia era loura e p√°lida;
Nunca o mais puro azul de um céu profundo
Em olhos mais suaves refletiu-se.
Eu me perdia na beleza dela,
E aquele amor com que eu a amava ‚Äď e tanto ! ‚Äď
Era assim de um irm√£o o afeto casto,
Tanto pudor nessa criatura havia!

Nem um som despertava em nossos l√°bios;
Ela deixou as suas m√£os nas minhas;
Tíbia sombra dormia-lhe na fronte,

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A Import√Ęncia de Aprender v√°rias L√≠nguas

Pessoas com poucas capacidades n√£o conseguir√£o realmente assimilar com facilidade uma l√≠ngua estrangeira: embora aprendam as suas palavras, empregam-nas apenas no significado do equivalente aproximado da sua l√≠ngua materna e continuam a manter as constru√ß√Ķes e frases pr√≥prias desta √ļltima. Com efeito, esses indiv√≠duos n√£o conseguem assimilar o esp√≠rito da l√≠ngua estrangeira, que depende essencialmente do facto do seu pensamento n√£o se dar por meios pr√≥prios, mas, em grande parte, de ser emprestado pela l√≠ngua materna, cujas frases e locu√ß√Ķes habituais substituem os seus pr√≥prios pensamentos. Eis, portanto, a raz√£o de eles sempre se servirem, tamb√©m na pr√≥pria l√≠ngua, de express√Ķes idiom√°ticas desgastadas, combinando-as de modo t√£o in√°bil, que logo se percebe qu√£o pouco se d√£o conta do seu significado e qu√£o pouco todo o seu pensamento supera as palavras, de modo que tudo se reduz a um palrat√≥rio de papagaios. Pela raz√£o oposta, a originalidade das locu√ß√Ķes e a adequa√ß√£o individual de cada express√£o usada por algu√©m s√£o o sintoma inequivoc√°vel de um esp√≠rito preponderante.
Por conseguinte, de tudo isso resultam os seguintes factores: no aprendizado de toda a língua estrangeira, são formados novos conceitos para dar significado a novos signos; certos conceitos separam-se uns dos outros, enquanto antes constituíam juntos um conceito mais amplo e,

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