Cita√ß√Ķes sobre Subordina√ß√£o

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Frases sobre subordina√ß√£o, poemas sobre subordina√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre subordina√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Igualdade não é Liberdade

Todos os homens são iguais em sociedade. Nenhuma sociedade se pode fundamentar noutra coisa que não seja a noção de igualdade. Acima de tudo não pode fundamentar-se no conceito de liberdade. A igualdade é qualquer coisa que quero encontrar na sociedade, ao passo que a liberdade, nomeadamente a liberdade moral de me dispor à subordinação, transporto-a comigo.
A sociedade que me acolhe tem portanto que me dizer: ¬ę√Č teu dever ser igual a todos n√≥s¬Ľ. E n√£o pode acrescentar mais que isto: ¬ęDesejamos que tu, com toda a convic√ß√£o, de tua livre e racional vontade, renuncies aos teus privil√©gios¬Ľ.
O nosso √ļnico passe de m√°gica consiste no facto de prescindirmos da nossa exist√™ncia para podermos existir.
A mais elevada finalidade da sociedade é consequência das vantagens que assegura a cada um. Cada um sacrifica racionalmente a essa consequência uma grande quantidade de coisas. A sociedade, portanto, muito mais. Por causa da dita consequência, a vantagem pontual de cada membro da sociedade anda perto de se reduzir a nada.

√Č falso que a igualdade seja uma lei da natureza. A natureza n√£o faz nada igual; a sua lei soberana √© a subordina√ß√£o e a depend√™ncia.

Liberdade é Subjectividade

Liberdade é apenas outro termo para designar a subjectividade, e qualquer dia, esta já não se aguentará a si mesma. Chegará então o momento em que se desesperará da possibilidade de criar algo através das suas próprias forças; então procurará protecção e segurança na objectividade. A liberdade conduz sempre à reviravolta dialéctica: Muito cedo, reconhece-se na delimitação, realiza-se na subordinação à lei, à regra, à coacção, ao sistema; converte-se nisso, o que não quer dizer que deixe de ser liberdade.

O Provincianismo Português (I)

Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civiliza√ß√£o sem tomar parte no desenvolvimento superior dela ‚ÄĒ em segui-la pois mimeticamente, com uma subordina√ß√£o inconsciente e feliz. O s√≠ndroma provinciano compreende, pelo menos, tr√™s sintomas flagrantes: o entusiasmo e admira√ß√£o pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admira√ß√£o pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se h√° caracter√≠stico que imediatamente distinga o provinciano, √© a admira√ß√£o pelos grandes meios. Um parisiense n√£o admira Paris; gosta de Paris. Como h√°-de admirar aquilo que √© parte dele? Ningu√©m se admira a si mesmo, salvo um paran√≥ico com o del√≠rio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do “Orpheu”, disse a M√°rio de S√°-Carneiro: “V. √© europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. √© v√≠tima da educa√ß√£o portuguesa. V. admira Paris,

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No Amor é a Alma aquilo que Mais nos Toca

As mesmas paix√Ķes s√£o bastante diferentes nos homens. O mesmo objecto pode-lhes agradar por aspectos opostos; suponho que v√°rios homens podem prender-se a uma mesma mulher; uns a amam pelo seu esp√≠rito, outros pela sua virtude, outros pelos seus defeitos, etc. E pode at√© acontecer que todos a amem por coisas que ela n√£o tem, como quando se ama uma mulher leviana a quem se julga s√©ria. Pouco importa, a gente prende-se √† id√©ia que se tem prazer em fazer dela; e √© mesmo apenas essa id√©ia que se ama, n√£o √© a mulher leviana. Assim, n√£o √© o obje¬≠to das paix√Ķes que as degrada ou as enobrece, mas a ma¬≠neira como a gente o encara.
Ora, eu disse que era pos¬≠s√≠vel que se buscasse no amor algo mais puro do que o interesse dos nossos sentidos. Eis o que me faz pensar assim. Vejo todos os dias no mundo que um homem cer¬≠cado de mulheres com as quais nunca falou, como na missa, no serm√£o, nem sempre se decide pela mais boni¬≠ta, ou mesmo pela que lhe pare√ßa tal. Qual a raz√£o disso? √Č que cada beleza exprime um car√°cter bem particular, e preferimos aquele que melhor se encaixa no nosso.

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A Vida em Comum

A vida em comum seria imposs√≠vel aos homens se o interesse especial e moment√Ęneo do indiv√≠duo n√£o se inclinasse ante o interesse geral e permanente de um grupo, mas o problema √© obter de cada grupo pol√≠tico e social o que se exige do indiv√≠duo, quer dizer, a subordina√ß√£o volunt√°ria ao interesse geral e permanente da na√ß√£o ou da economia, e de cada na√ß√£o o que se exige do grupo, isto √©, subordina√ß√£o volunt√°ria ao interesse geral e permanente da Humanidade.

Somos socialistas porque somos sociais-democratas, mas somos socialistas sem subordinação a dogmas marxistas, muito menos leninistas, sem subordinação a dogmas de apropriação colectiva dos meios de produção.

O Engraxanço e o Culambismo Português

Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como ¬ęengraxan√ßo¬Ľ. Os chefes de reparti√ß√£o engraxavam os chefes de servi√ßo, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os m√©dicos da caixa, etc… Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se por√©m, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.

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