Cita√ß√Ķes sobre Tempestade

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Frases sobre tempestade, poemas sobre tempestade e outras cita√ß√Ķes sobre tempestade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Insensatez

Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor t√£o delicado
Ah, por que você foi tão fraco assim
Assim t√£o desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
N√£o merece ser amado

Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a raz√£o
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perd√£o apaixonado
Vai, porque quem n√£o pede perd√£o
Não é nunca perdoado

Por Todos os Caminhos do Mundo

A minha poesia é assim como uma vida que vagueia
pelo mundo,

por todos os caminhos do mundo,
desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar
num jardim nocturno,

ora um deserto que o simum veio modificar,
ora a miragem de se estar perto do o√°sis,
ora os pés cansados, sem forças para além.

Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe
o rumo e a hora de o atingir,
a tranquilidade de quem tem na m√£o o profetizado
de que a tempestade n√£o lhe abalar√° o pal√°cio,
a doçura de quem nada tem a regatear,
o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.

Na minha vida nem sempre a b√ļssola se atrai ao mesmo
norte.
Que ninguém me peça nada. Nada.
Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
com a minha noite que nem sempre é noite
como a alma quer.

N√£o sei caminhos de cor.

A Voz do Amor

Nessa pupila r√ļtila e molhada,
Ref√ļgio arcano e sacro da Ternura,
A ampla noite do gozo e da loucura
Se desenrola, quente e embalsamada.

E quando a ansiosa vista desvairada
Embebo às vezes nessa noite escura,
Dela rompe uma voz, que, entrecortada
De solu√ßos e c√Ęnticos, murmura…

√Č a voz do Amor, que, em teu olhar falando,
Num concerto de s√ļplicas e gritos
Conta a história de todos os amores;

E vêm por ela, rindo e blasfemando,
Almas serenas, cora√ß√Ķes aflitos,
Tempestades de l√°grimas e flores…

Vaidade, Tudo Vaidade!

Vaidade, meu amor, tudo vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguem,
Tuas amigas ter-te-√£o amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

Vaidade é o luxo, a gloria, a caridade,
Tudo vaidade! E, se pensares bem,
Ver√°s, perdoa-me esta crueldade,
Que √© uma vaidade o amor de tua m√£e…

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna
E eu vi-me só no mar com minha escuna,
E ninguem me valeu na tempestade!

Hoje, j√° voltam com seu ar composto,
Mas eu, ve l√°! eu volto-lhes o rosto…
E isto em mim n√£o ser√° uma vaidade?

O Professor como Mestre

N√£o me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma √© burocr√°tica e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profiss√£o; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa intelig√™ncia e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das aten√ß√Ķes das pessoas mais s√©rias; creio mesmo que tal distin√ß√£o foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, √© sempre poss√≠vel a compara√ß√£o com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de m√©rito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre n√£o √© de modo algum um emprego e que a sua actividade se n√£o pode aferir pelos m√©todos correntes; ganhar a vida √© no professor um acr√©scimo e n√£o o alvo; e o que importa, no seu ju√≠zo final, n√£o √© a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente h√°-de pesar na balan√ßa √© a pedra que lan√ßou para os alicerces do futuro.
A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama;

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An√ļncio no Ar

Céus, nuvens, ondas, ventos,
dai-me notícias do meu amor norueguês.

Elementos da natureza gastos por tantos versos,
ferralha rom√Ęntica, brilhai de novo
e trazei-me notícias do meu amor norueguês.

Aquela que eu amei um ver√£o na praia
Рpérola cuja ostra era um barco de carvão,
matrícula de Bergen, essa mesma, elementos!,
notícias, notícias do meu amor norueguês.

A que veio dos fiordes e vivia num barco
encostado ao cais, junto de um guindaste;
a que me acendeu a manh√£ do amor,
a que abriu a porta às tempestades,
a que me deu a chave da inven√ß√£o…
Existe? Fugiu à ocupação? Morreu prisioneira?

Notícias, notícias do seu rosto que mal lembro,
do seu corpo de caule adolescente…
Notícias do seixo branco que trocámos
com palavras de amor em inglês mal decorado.

Notícias da que foi espiga mal madura,
notícias do meu amor norueguês.

Ornitologia

Chegado o Outono, o conhecimento concentra-se nas asas
dos p√°ssaros que pousam lentos sobre as cores dos frutos.
Sem sentimentos, as aves entregam-se ao sabor do vento
e deixam que no cérebro cresça a febre negra das urzes.
Aquieta-os a experiência que conservam do espaço
e que todas as tardes os inibe de partir para continentes
mais prósperos e seguros. Sustém-os um atavismo
apenas explic√°vel pelo saber dos signos e o seu desejo
colectivo de suicídio. Porque não escolhem antes
perder-se na tempestade? Talvez visto do ar,
aos seus olhos o mundo se torne mais pesado
e o pensamento se confunda, na memória,
com uma paisagem festiva de piras f√ļnebres.
E contudo, apesar do car√°cter cerrado da atmosfera,
o seu peso parece ter-se j√° deixado de sentir
sobre o discurso. Virados para dentro,
as imagens em que se reflectem s√£o
as de um mundo banhado pela pen√ļmbra.
Afogado na sua raz√£o de ser. Medi√ļnico.
Imagine-se agora o caçador a entrar
paisagem dentro para abater as peças
de que se comp√Ķe o cen√°rio uma a uma:
vista de dentro,

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Noli Me Tangere

A exaltação emocional do Gozo,
O Amor, a Glória, a Ciência, a Arte e a Beleza
Servem de combustíveis à ira acesa
Das tempestades do meu ser nervoso!

Eu sou, por conseq√ľ√™ncia um ser monstruoso!
Em minha arca encef√°lica indefesa
Choram as forças más da Natureza
Sem possibilidades de repouso!

Agregados an√īmalos malditos
Despedaçam-se, mordem-se, dão gritos
Nas minhas camas cerebrais fun√©reas…

Ai! N√£o toqueis em minhas faces verdes,
Sob pena, homens felizes, de sofrerdes
A sensação de todas as misérias!

A Necessidade do Mal

Examinai a vida dos homens e dos povos melhores e mais fecundos, e perguntai se uma √°rvore que deve elevar-se altivamente nos ares pode dispensar o mau tempo e as tempestades; se a hostilidade do exterior, as resist√™ncias exteriores, todas as esp√©cies de √≥dio de inveja, de teimosia, de desconfian√ßa, de dureza, de avidez e de viol√™ncia n√£o fazem parte das circunst√Ęncias favor√°veis sem as quais nada, nem sequer a virtude, poderia crescer grandemente? O veneno que mata as naturezas fracas √© um fortificante para as fortes; … e por isso n√£o lhe chamam veneno.

O Elixir do Prazer

Que √©, pois, o que se opera na alma, quando se deleita mais com as coisas encontradas ou reavidas que estima, do que se as possu√≠sse sempre? H√°, na verdade, muitos outros exemplos que o afirmam. Abundam os testemunhos que nos gritam: -¬ę√Č assim mesmo!¬Ľ. Triunfa o general vitorioso. Mas n√£o teria alcan√ßado a vit√≥ria se n√£o tivesse pelejado e quanto mais grave foi o perigo no combate, tanto maior √© o gozo no triunfo. A tempestade arremessa os marinheiros, amea√ßando-os com o naufr√°gio: todos empalidecem com a morte iminente. Mas tranquilizam-se o c√©u e o mar, e todos exultam muito, porque muito temeram. Est√° doente um amigo e o seu pulso acusa perigo. Todos os que o desejam ver curado sentem-se simultaneamente doentes na alma. Melhora. Ainda n√£o recuperou as for√ßas antigas e j√° reina tal j√ļbilo qual n√£o existia antes, quando se achava s√£o e forte.
Até os próprios prazeres da vida humana não se apossam do coração do homem só por desgraças inesperadas e fortuitas, mas por moléstias previstas e voluntariamente procuradas. Não há prazer nenhum no comer e beber, se o incómodo da fome e da sede o não precede. Por isso, os ébrios costumam tomar certos alimentos salgados,

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A cólera dos amantes é como as tempestades de Verão, que só servem para deixar mais verdes os campos.

As Influências no Estado de Espírito

Agora estou disposto a fazer tudo, agora a nada fazer; o que me √© um prazer neste momento em alguma outra vez me ser√° um esfor√ßo. Acontecem em mim mil agita√ß√Ķes desarrazoadas e acidentais. Ou o humor melanc√≥lico me domina, ou o col√©rico; e, com a sua autoridade pessoal, neste momento a tristeza predomina em mim, neste momento a alegria. Quando pego em livros, terei captado em determinada passagem qualidades excelentes e que ter√£o tocado a minha alma; quando uma outra vez volto a deparar com ela, por mais que a vire e revire, por mais que a dobre e apalpe, √© para mim uma massa desconhecida e informe.
Mesmo nos meus escritos nem sempre reencontro o sentido do meu pensamento anterior: n√£o sei o que quis dizer, e ami√ļde me esfalfo corrigindo e dando-lhe um novo sentido, por haver perdido o primeiro, que valia mais. N√£o fa√ßo mais que ir e vir: o meu julgamento nem sempre caminha para a frente; ele flutua, vagueia, Como um barquinho fr√°gil surpreendido no vasto mar por uma tempestade violenta (Catulo).
Muitas vezes (como habitualmente me advém fazer), tendo tomado para defender, por exercício e por diversão, uma opinião contrária à minha,

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Nimbos

Nimbos de bronze que empanais escuros
O santu√°rio azul da Natureza,
Quando vos vejo, negros palinuros
Da tempestade negra e da tristeza,

Abismados na bruma enegrecida,
Julgo ver nos reflexos de minh’alma
As mesmas nuvens deslizando em calma,
Os nimbos das procelas desta vida;

Mas quando o céu é límpido, sem bruma
Que a transparência tolde, sem nenhuma
Nuvem sequer, ent√£o, num mar de esp’ran√ßa,

Que o céu reflete, a vida é qual risonho
Batel, e a alma √© a Fl√Ęmula do sonho,
Que o guia e o leva ao porto da bonança.

A Boa Sorte

Os homens sábios, para declinarem a inveja que possa incidir sobre os seus méritos, usam atribuí-los à providência e à fortuna (sorte); porque assim podem falar deles, e, além disso, é honroso para o homem ser benquisto dos poderes superiores. Foi por isso que na tempestade César disse ao piloto: Caesarem portas et fortunam ejus (Transportas César e a sua fortuna). Assim Sylla escolheu o cognome de Feliz e não o de Magno. E tem sido notado, que aqueles que demasiadamente atribuem a sua felicidade à ciência e habilidade acabam infortunadamente.
Est√° escrito que Tim√≥teo, o ateniense, quando apresentara √† assembleia o relat√≥rio da sua ac√ß√£o como governante, frequentemente intercalou a seguinte frase ¬ęe nisto n√£o teve parte a fortuna¬Ľ; nunca mais prosperou em coisa que empreendesse.

Controlar a Vida a 360 Graus

Vivemos numa sociedade dominada cada vez mais pelo mito do controlo. E o seu postulado dogm√°tico √© este: a receita para uma vida realizada √© a capacidade de control√°-la a 360 graus. N√£o percebemos at√© que ponto uma mentalidade assim representa a nega√ß√£o do princ√≠pio de realidade. Isto para dizer como somos pouco ajudados a lidar com a irrup√ß√£o do inesperado que hoje o sofrimento representa. Sentimos a dor como uma tempestade estranha que se abate sobre n√≥s, tir√Ęnica e inexplic√°vel. Quando ela chega, s√≥ conseguimos sentir-nos capturados por ela, e os nossos sentidos tornam-se como persianas que, mesmo inconscientemente, baixamos. A luz j√° n√£o nos √© t√£o grata, as cores deixam de levar-nos consigo na sua ligeireza, os odores atormentam-nos, ignoramos o prazer, evitamos a melodia das coisas. Damos por n√≥s ausentes nessa combust√£o silenciosa e fechada onde parece que o interesse sensorial pela vida arde. ¬ęA dor √© t√£o grande, a dor sufoca, j√° n√£o tem ar. A dor precisa de espa√ßo¬Ľ, escreve Marguerite Duras nas p√°ginas autobiogr√°ficas do volume a que chamou ¬ęA Dor¬Ľ. E descobrimo-nos mais s√≥s do que pens√°vamos no meio desse inc√™ndio √≠ntimo que cresce. Nas etapas de sofrimento a impot√™ncia parece aprisionar enigmaticamente todas as nossas possibilidades.

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