Passagens sobre Virtude

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Frases sobre virtude, poemas sobre virtude e outras passagens sobre virtude para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A vaidade √© uma das principais virtudes, e, no entanto, poucas pessoas admitem que a procuram e a tomam como objectivo. √Č na vaidade que muitos homens ou mulheres encontraram a salva√ß√£o, mas, apesar disso, a maioria das pessoas arrasta-se a quatro patas em demanda da mod√©stia.

Infante

D√°-me o sol a minha fronte. Doloridos
e chagados meus p√©s descal√ßos v√£o fugindo…
РMemórias dos meus doidos passos incontidos!
– √ď meu rumor do mundo em p√©talas abrindo!

√ď cor√ßas que correis pela tarde desferindo
o balido ligeiro que alonga os ouvidos…
– Tarde de √©cloga e mel silvestre reluzindo…
– Minhas vinhas de vinhos de oiro n√£o bebidos…

Desfolham-se ilus√Ķes e v√£o-se sem apegos…
Murchou a flor dos meus desejos com que pude
a vida transformar em √≥cios e sossegos…

Que lucrei, eu, Senhor! com horas execr√°veis
dum sonho que perdeu meu corpo de virtude?
Рo pródigo que fui dos erros inefáveis!

Os Exemplos são Guias que nos Desencaminham com Frequência

Seja qual for a diferen√ßa que exista entre os bons e os maus exemplos, convenhamos que ambos d√£o mau resultado. Nem sequer sei se os crimes de Tib√©rio ou de Nero nos afastam mais dos v√≠cios do que os exemplos paradigm√°ticos dos grandes homens que supostamente nos encaminham para a virtude. Veja-se como a valentia de Alexandre produziu gabarolas! Veja-se at√© que ponto a gl√≥ria de C√©sar permitiu actos antip√°ticos! Repare-se como Roma e Esparta louvaram virtudes selvagens! Di√≥genes criou tantos fil√≥sofos importunos, C√≠cero citou tagarelas, Pomp√≥nio √Ātico citou pessoas med√≠ocres e pregui√ßosas, M√°rio e Sila, pessoas vingativas, Lucullus, pessoas voluptuosas, Alcib√≠ades e Ant√≥nio citaram debochados e Cap√£o citou pessoas teimosas! Todos estes famosos prot√≥tipos produziram um n√ļmero enorme de m√°s reprodu√ß√Ķes. As virtudes s√£o vizinhas dos v√≠cios. Os exemplos s√£o guias que nos desencaminham com frequ√™ncia e, como estamos t√£o cheios de mentiras, n√£o deixamos de us√°-las tanto para nos afastarmos do caminho da virtude como para segui-lo.

Geralmente a virtude não é mais do que uma espécie de imperfeição, tal como o vício é uma afirmação do intelecto.

O Desejo de Criar

Diotima: Qual √©, S√≥crates, na sua opini√£o, a causa deste amor, deste desejo? Voc√™ j√° observou em que estranha crise se encontram todos os animais, os que voam e os que marcham, quando s√£o tomados pelo desejo de procriar? Como ficam doentes e possu√≠dos de desejo, primeiro no momento de se ligarem, depois, quando se torna necess√°rio alimentar os filhos? (… ) Tanto no caso dos humanos como no dos animais, a natureza mortal busca, na medida do poss√≠vel, perpetuar-se e imortalizar-se. Apenas desse modo, por meio da procria√ß√£o, a natureza mortal √© capaz da imortalidade, deixando sempre um jovem no lugar do velho. [… ] Pois saiba, S√≥crates, que o mesmo vale para a ambi√ß√£o dos homens. Voc√™ ficar√° assombrado com a sua misteriosa irracionalidade, a n√£o ser que compreenda o que eu disse, e reflicta sobre o que se passa com eles quando s√£o tomados pela ambi√ß√£o e pelo desejo de gl√≥ria eterna. √Č pela fama, mais ainda que pelos seus filhos, que eles se disp√Ķem a encarar todos os riscos, suportar fadigas, esbanjar fortunas e at√© mesmo sacrificar as suas vidas. [… ] Aqueles cujo instinto criador √© f√≠sico recorrem de prefer√™ncia √†s mulheres e revelam o seu amor dessa maneira,

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O Dom de Deixar Ir

√Č preciso aprender a viver. A qualidade da nossa exist√™ncia depende de um equil√≠brio fundamental na nossa rela√ß√£o com o mundo: apego e desapego. Nesta vida, a pondera√ß√£o, a propor√ß√£o e a subtileza s√£o sempre melhores que qualquer arrebatamento. Mas o essencial √© aprender que a exist√™ncia √© feita de d√°divas e perdas.

Eis porque quem reza deve pedir e agradecer: tudo √©, na verdade, um dom. Tudo passa… importa pois prepararmo-nos para a perda, ainda que tantas vezes n√£o seja sen√£o tempor√°ria… Alegrias e dores. S√≥ h√° felicidade num cora√ß√£o onde habita a sabedoria e paci√™ncia dos tempos e dos momentos, a paz de quem sabe que s√£o muitos os porqu√™s e para qu√™s que ultrapassam a capacidade humana de compreender.

Na vida, tudo se recebe e tudo se perde.
Amar é um apego natural mas também obriga a que deixemos o outro ser quem é, abrindo mão e permitindo-lhe que parta, ou que fique, sem desejar outra coisa senão que seja radicalmente livre. Aprendendo que há muito mais valor no ato de quem decide ficar do que naquele de quem só está por não poder partir.

Nada verdadeiramente nos pertence. O sublime do amor está aí,

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A Imagem é Sempre Fruto da Vaidade

O aplauso √© o √≠dolo da vaidade, por isso as ac√ß√Ķes her√≥icas n√£o se fazem em segredo, e por meio delas procuramos que os homens formem de n√≥s o mesmo conceito, que n√≥s temos de n√≥s mesmos. Raras vezes somos generosos, s√≥ pela generosidade, nem valerosos s√≥ pelo valor. A vaidade nos prop√Ķe, que o mundo todo se aplica em registar os nossos passos; para este mundo √© que obramos; por isso h√° muita diferen√ßa de um homem, a ele mesmo: posto no retiro √© um homem comum, e muitas vezes ainda com menos talento que o comum dos homens; por√©m posto em parte donde o vejam, todo √© ac√ß√£o, movimento, esfor√ßo.
Nunca mostramos o que somos, senão quando entendemos que ninguém nos vê, e isto porque não exercitamos as virtudes pela excelência delas, mas pela honra do exercício, nem deixamos de ser maus por aversão ao mal, mas pelo que se segue de o ser. O vício pratica-se ocultamente, porque cremos que a ignomínia só consiste em se saber; de sorte que se somos bons, é por causa dos mais homens, e não por nossa causa; haja quem nos assegure, que não há-de saber-se um desacerto, e logo nos tem certo,

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Perdoar e Esquecer

Perdoar e esquecer equivale a jogar pela janela experi√™ncias adquiridas com muito custo. Se uma pessoa com quem temos liga√ß√£o ou conv√≠vio nos faz algo de desagrad√°vel ou irritante, temos apenas de nos perguntar se ela nos √© ou n√£o valiosa o suficiente para aceitarmos que repita segunda vez e com frequ√™ncia semelhante tratamento, e at√© de maneira mais grave. Em caso afirmativo, n√£o h√° muito a dizer, porque falar ajuda pouco. Temos, portanto, de deixar passar essa ofensa, com ou sem reprimenda; todavia, devemos saber que agindo assim estaremos a expor-nos √† sua repeti√ß√£o. Em caso negativo, temos de romper de modo imediato e definitivo com o valioso amigo ou, se for um servente, dispens√°-lo. Pois, quando a situa√ß√£o se repetir, ser√° inevit√°vel que ele fa√ßa exactamente a mesma coisa, ou algo inteiramente an√°logo, apesar de, nesse momento, nos assegurar o contr√°rio de modo profundo e sincero. Pode-se esquecer tudo, tudo, menos a si mesmo, menos o pr√≥prio ser, pois o car√°cter √© absolutamente incorrig√≠vel e todas as ac√ß√Ķes humanas brotam de um princ√≠pio √≠ntimo, em virtude do qual, o homem, em circunst√Ęncias iguais, tem sempre de fazer o mesmo, e n√£o o que √© diferente. (…) Por conseguinte,

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Os vícios entram na composição da virtude assim como os venenos entram na composição dos remédios. A prudência mistura-os e atenua-os, e deles se serve utilmente conta os males da vida.

Homens do Presente

Homens do presente, nada no passado,
Antes de serdes as coisas que vemos,
Quem podia ter sabido ou pensado
Que seríeis hoje aquilo que temos?
Ah, passantes pela mesma via,
Quem p√īde pensar-vos antes deste dia?

Homens do presente e pó de amanhã,
Ao passar dos anos aonde ireis ter?
Que rude mudez ou √Ęnsia em pressa v√£
Ir√° registar vossa dor e prazer?
Ondas ou cristas do mar desta vida,
Quem vos pensar√° passado este dia?

Só o génio pode o fogo atiçar
Que na natureza em vós abrigais;
Só o génio pode a lira tocar
E erguer vosso nome aos céus dos mortais;
O génio pode a morte romper
E o nada de ontem num tudo verter.

Mas a virtude, como os choros humanos,
Pelos areais depressa bebida,
Mergulha no pó dos passados anos
E nem sabereis onde est√° escondida.
Que o génio, então, possa ser laureado;
Que o pó de amanhã seja eternizado.

Beijo

Beijo na face
Pede-se e d√°-se:
D√°?
Que custa um beijo?
N√£o tenha pejo:
V√°!

Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
D√°?
A borboleta
Beija a violeta:
V√°!

Um beijo é graça,
Que a mais n√£o passa:
D√°?
Teme que a tente?
√Č inocente…
V√°!

Guardo segredo,
N√£o tenha medo…
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!

*

Como ele é doce!
Como ele trouxe,
Flor,
Paz a meu seio!
Saciar-me veio,
Amor!

Saciar-me? louco…
Um é tão pouco,
Flor!
Deixa, concede
Que eu mate a sede,
Amor!

Talvez te leve
O vento em breve,
Flor!
A vida foge,
A vida é hoje,
Amor!

Guardo segredo,
N√£o tenhas medo
Pois!
Um mais na face,
E a mais n√£o passe!
Dois…

*

Oh! dois? piedade!
Coisas t√£o boas…
Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
Três!

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Ninguém Gosta de Ser Considerado Vaidoso

No seu cora√ß√£o, os homens desejam ser estimados, mas eles cuida¬≠dosamente ocultam esse desejo porque querem passar por virtuo¬≠sos e porque o desejo de receber da virtude qualquer vantagem al√©m dela mesma n√£o seria ser virtuoso, mas amar a estima e o elogio ‚ÄĒ ou seja, ser vaidoso. Os homens s√£o muito vaidosos, mas n√£o h√° nada que eles mais detestem do que serem considerados vaidosos.

A Sociedade é a Imagem do Homem

O aperfeiçoamento da Humanidade depende do aperfeiçoamento de cada um dos indivíduos que a formam. Enquanto as partes não forem boas, o todo não pode ser bom. Os homens, na sua maioria, são ainda maus e é, por isso, que a sociedade enferma de tantos males. Não foi a sociedade que fez os homens; foram os homens que fizeram a sociedade.
Quando os homens se tornarem bons, a sociedade tornar-se-√° boa, sejam quais forem as bases pol√≠ticas e econ√≥micas em que ela assente. Dizia um bispo franc√™s que preferia um bom mu√ßulmano a um mau crist√£o. Assim deve ser. As institui√ß√Ķes aparecem com as virtudes ou com os defeitos dos homens que as representam.

O galanteio é uma virtude biológica dos dois sexos, os quais, no período da fecundidade, devem agradar um ao outro e excitar o amor recíproco.

√Č Actuando que Devemos Abandonar

Eu odeio, no fundo, toda a moral que diz: ¬ęN√£o fa√ßas isto, n√£o fa√ßas aquilo. Renuncia. Domina-te…¬Ľ. Gosto, pelo contr√°rio, da moral que me leva a fazer uma coisa, a refaz√™-la, a pensar nela de manh√£ √† noite, a sonhar com ela durante a noite, e a n√£o ter jamais outra preocupa√ß√£o que n√£o seja faz√™-la bem, t√£o bem quanto for capaz entre todos os homens. A viver assim despojamo-nos, uma a uma, de todas as preocupa√ß√Ķes que n√£o t√™m nada a ver com esta vida: v√™-se sem √≥dio nem repugn√Ęncia desaparecer hoje isto, amanh√£ aquilo, folhas amarelas que o menor sopro um pouco vivo solta da √°rvore; ou mesmo nem sequer se d√° por isso, de tal modo o objectivo absorve o olhar, de tal modo o olhar se obstina em ver para diante, n√£o se desviando nunca, nem para a direita nem para a esquerda, nem para cima nem para baixo. ¬ę√Č a nossa actividade que deve determinar o que temos de abandonar; √© actuando que deixaremos¬Ľ, eis o que amo, eis o meu pr√≥prio placitum! Mas eu n√£o quero trabalhar para me empobrecer mantendo os olhos abertos, n√£o quero essas virtudes negativas que t√™m por ess√™ncia a nega√ß√£o e a ren√ļncia.

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