Cita√ß√Ķes sobre Adiamento

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Os Expectantes

Entre as defini√ß√Ķes da ilha planet√°ria em que nos encontramos desterrados, uma das mais apropriadas seria: uma grande sala de espera. Uma ter√ßa parte da vida √© anulada numa semimorte, outra gasta em fazer mal a n√≥s mesmos e aos outros e a √ļltima esboroa-se e consome-se na expectativa. Esperamos sempre alguma coisa ou algu√©m – que vem ou n√£o, que passa ou desilude, que satisfaz ou mata. Come√ßa-se, em crian√ßa, a esperar a juventude com impaci√™ncia quase alucinada; depois, quando adolescente, espera-se a independ√™ncia, a fortuna ou porventura apenas um emprego e uma esposa. Os filhos esperam a morte dos pais, os enfermos a cura, os soldados a passagem √† disponibilidade, os professores as f√©rias, os universit√°rios a formatura, as raparigas um marido, os velhos o fim. Quem entrar numa pris√£o verificar√° que todos os reclusos contam os dias que os separam da liberdade; numa escola, numa f√°brica ou num escrit√≥rio, s√≥ encontrar√° criaturas que esperam, contando as horas, o momento da sa√≠da e da fuga. E em toda a parte – nos parques p√ļblicos, nos caf√©s, nas salas – h√° o homem que espera uma mulher ou a mulher que espera um homem. Exames, concursos, noivados, lotarias, semin√°rios,

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Uma coisa essencial à justiça que se deve aos outros é fazê-la, prontamente e sem adiamentos; demorá-la é injustiça.

Fazer Cumprir quem n√£o Cumpre

Sistem√°ticamente usados, o adiamento, a prorroga√ß√£o, a isen√ß√£o, a dispensa dos preceitos legais t√™m a tal ponto deseducado o esp√≠rito p√ļblico que a maior parte da gente n√£o acredita que a lei venha a ser cumprida ao menos ¬ęt√£o inteiramente como nela se cont√©m¬Ľ. Do uso e abuso de tais processos resulta que no nosso Pa√≠s quem se apressa a cumprir a lei, a cumpri-la rigorosamente, lisamente, a fazer uma declara√ß√£o exacta e em devido tempo, fica sempre em condi√ß√Ķes inferiores a todos os outros que n√£o fizeram o mesmo. Pois √© absolutamente preciso, ¬ępor uma quest√£o de educa√ß√£o e de ordem¬Ľ, que comecemos de vez a praticar o sistema inverso e a fazer com que quem n√£o cumpre ‚ÄĒ por mais razo√°vel que seja o motivo da falta ‚ÄĒ- fique em situa√ß√£o pior que os que cumprem.

Tempo Desperdiçado por Negligência

Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugira das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.
Podes indicar-me algu√©m que d√™ o justo valor ao tempo aproveite bem o seu dia e pense que diariamente morre um pouco? √Č um erro imaginar que a morte est√° √† nossa frente: grande parte dela j√° pertence ao passado, toda a nossa vida pret√©rita √© j√° do dom√≠nio da morte!
Procede, portanto, caro Lucílio, conforme dizes: preenche todas as tuas horas! Se tomares nas mãos o dia de hoje conseguirás depender menos do dia de amanhã. De adiamento em adiamento, a vida vai-se passando.

Os sonhos devem ser ditos para começar a se realizarem. E como todo projeto, precisam de uma estratégia para serem alcançados. O adiamento destes sonhos desaparecerá com o primeiro movimento.

O Segredo dos Dias

Quando h√° muito para fazer, que √© sempre, o melhor √© fazer como se nada houvesse para fazer e deixar tudo para o pouco tempo ‚Äď que infelizmente tem de ser medido ‚Äď que resta para faz√™-lo.
Nos dias de maior trabalho, permita-se o maior luxo. N√£o depois, mas antes. Ou melhor: antes para quem sente que roubou um pecado e tem de pag√°-lo e depois para quem sente que merece uma recompensa por ter trabalhado tanto.

Os seres humanos dividem-se entre os castigadores e os recompensadores. Talvez os primeiros sejam mais judeus e cat√≥licos e os segundos mais isl√Ęmicos e protestantes.
Para os castigadores o trabalho é o preço que se paga pelo prazer, pelo adiamento, pelo facto de não ter investido o tempo bastante para tentar urdir um resultado perfeito.
Para os recompensadores primeiro trabalha-se e depois celebra-se o ter trabalhado.

S√≥ agora me ocorre, tarde na vida, que ambas as atitudes s√£o oprimentes, tornando-nos em porquinhos-da-√≠ndia que comem conforme p√Ķem a roda que est√° na jaula em movimento.
√Č um erro equiparar o trabalho ao prazer, seja anterior ou posterior. O trabalho √© sempre um sofrimento, um esfor√ßo, uma coisa que,

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