Cita√ß√Ķes sobre Aristocracia

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Frases sobre aristocracia, poemas sobre aristocracia e outras cita√ß√Ķes sobre aristocracia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Desejo de Discutir

Se as discuss√Ķes pol√≠ticas se tornam facilmente in√ļteis, √© porque quando se fala de um pa√≠s se pensa tanto no seu governo como na sua popula√ß√£o, tanto no Estado como na no√ß√£o de Estado enquanto tal. Pois o Estado como no√ß√£o √© uma coisa diferente da popula√ß√£o que o comp√Ķe, igualmente diferente do governo que o dirige. √Č qualquer coisa a meio caminho entre o f√≠sico e o metaf√≠sico, entre a realidade e a ideia.
√ą a esse g√©nero de estirilidade que est√£o geralmente condenadas, tal como acontece com as discuss√Ķes pol√≠ticas, as que incidem sobre a religi√£o, pois a religi√£o pode ser sin√≥nima de dogmas, ou de ritual, ou referir-se a posi√ß√Ķes pessoais do indiv√≠duo sobre quest√Ķes ditas eternas, o infinito e a eternidade, problemas do livre arb√≠trio e da responsabilidade ou, como se diz tamb√©m: Deus.
E o mesmo acontece com as discuss√Ķes que t√™m a ver com a maior parte dos assuntos abstractos, sobretudo a √©tica e os temas filos√≥ficos, mas tamb√©m com campos de an√°lise mais restritos, incidindo sobre os problemas mais imediatos, como por exemplo o socialismo, o capitalismo, a aristocracia, a democracia, etc…, em que as no√ß√Ķes s√£o tomadas tanto no sentido amplo como no restrito,

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Somente um país inferior, ordinário, insignificante, pode ser democrático. Um povo forte e heróico tende para a aristocracia.

Logo que na ordem económica não haja um balanço exacto de forças, de produção, de salários, de trabalhos, de benefícios, de impostos, haverá uma aristocracia financeira, que cresce, reluz, engorda, incha, e ao mesmo tempo uma democracia de produtores que emagrece, definha e dissipa-se nos proletariados.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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A Nossa Crise Mental

Que pensa da nossa crise? Dos seus aspectos Рpolítico, moral e intelectual?
A nossa crise prov√©m, essencialmente, do excesso de civiliza√ß√£o dos inciviliz√°veis. Esta frase, como todas que envolvem uma contradi√ß√£o, n√£o envolve contradi√ß√£o nenhuma. Eu explico. Todo o povo se comp√Ķe de uma aristocracia e de ele mesmo. Como o povo √© um, esta aristocracia e este ele mesmo t√™m uma subst√Ęncia id√™ntica; manifestam-se, por√©m, diferentemente. A aristocracia manifesta-se como indiv√≠duos, incluindo alguns indiv√≠duos amadores; o povo revela-se como todo ele um indiv√≠duo s√≥. S√≥ colectivamente √© que o povo n√£o √© colectivo.
O povo portugu√™s √©, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro portugu√™s foi portugu√™s: foi sempre tudo. Ora ser tudo em um indiv√≠duo √© ser tudo; ser tudo em uma colectividade √© cada um dos indiv√≠duos n√£o ser nada. Quando a atmosfera da civiliza√ß√£o √© cosmopolita, como na Renascen√ßa, o portugu√™s pode ser portugu√™s, pode portanto ser indiv√≠duo, pode portanto ter aristocracia. Quando a atmosfera da civiliza√ß√£o n√£o √© cosmopolita ‚ÄĒ como no tempo entre o fim da Renascen√ßa e o princ√≠pio, em que estamos, de uma Renascen√ßa nova ‚ÄĒ o portugu√™s deixa de poder respirar individualmente. Passa a ser s√≥ portugueses. Passa a n√£o poder ter aristocracia.

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O aristocrata é aquele que nunca esquece que nunca está só; por isso as praxes e os protocolos são apanágio das aristocracias. Interiorizemos o aristocrata.

Ver e ouvir s√£o as √ļnicas coisas nobres que a vida cont√©m. Os outros sentidos s√£o plebeus e carnais. A √ļnica aristocracia √© nunca tocar.

A democracia tem necessidade de justiça, enquanto a aristocracia e a monarquia podem passar bem sem ela.

O Princípio Fundamental da Sociedade

Abster-se reciprocamente de ofensas, da viol√™ncia, da explora√ß√£o, adaptar a sua pr√≥pria vontade √† de outro: tal coisa pode, num certo sentido tosco, tornar-se bom costume entre indiv√≠duos, se existirem condi√ß√Ķes para tal (a saber, semelhan√ßa efectiva entre as suas quantidades de for√ßa e entre as suas escalas de valores e a homogeneidade dos mesmos dentro de um s√≥ organismo). Logo que, por√©m, se quisesse alargar este princ√≠pio, concebendo-o at√© como pr√≠ncipio fundamental da sociedade, revelar-se-ia imediatamente como aquilo que √©: vontade de nega√ß√£o da vida, princ√≠pio de dissolu√ß√£o e de decad√™ncia. Aqui √© preciso pensar-se bem profundamente e defender-se de toda a fraqueza sentimentalista: a pr√≥pria vida √© essencialmente apropria√ß√£o, ofensa, sujei√ß√£o daquilo que √© estranho e mais fraco, opress√£o, dureza, imposi√ß√£o de formas pr√≥prias, incorpora√ß√£o e pelo menos, na melhor das hip√≥teses, explora√ß√£o, – mas para que empregar palavras a que, desde h√° muito, se deu uma inten√ß√£o difamadora?

Também aquele organismo dentro do qual conforme acima se admitiu, os indivíduos se tratam como iguais Рe tal se dá em toda a aristocracia sã -, tem de fazer, no caso de ser um organismo vivo e não moribundo, ao enfrentar outros organismos, tudo o que os indivíduos dentro dele se abstêm de fazer entre si: terá de ser a vontade de poder personificada,

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Aristocracia e Democracia

Fala-se sempre muito em aristocracia e democracia. Pois o caso √© apenas este: Na mocidade, quando nada possu√≠mos ou n√£o sabemos apreciar a posse tranquila, somos democratas. Mas se, no decurso de uma longa vida, conseguimos possuir alguma coisa, desejamos n√£o somente garanti-la, mas queremos tamb√©m que os nossos filhos e netos possam goz√°-la tranquilamente. √Č por isso que na velhice somos sempre aristocratas, mesmo que na nossa mocidade tiv√©ssemos tido pendor para uma mentalidade diferente.

Sociedade do Desperdício

Uma tenta√ß√£o imediata do nosso tempo √© o desperd√≠cio. N√£o √© s√≥ resultado duma inven√ß√£o constante da oferta que leva ao apetite do consumo, como √©, sobretudo, uma forma de aristocracia t√©cnica. O tecnocrata, novo aristocrata da intelig√™ncia artificial, dos n√ļmeros e dos computadores, prop√Ķe uma sociedade de dissipa√ß√£o. Prop√Ķe-na na medida em que favorece os m√©todos de maior rendimento e a rapina dos recursos naturais. As hormonas que fazem crescer uma vitela em tr√™s meses, as √°rvores que d√£o fruto tr√™s vezes por ano, tudo obriga a natureza a render mais. Para qu√™? Para que os alimentos se amontoem nas lixeiras e os desperd√≠cios de cozinha ou de vestu√°rio sirvam afinal para descrever o bluff da produtividade.

O Deserto num Mundo Abastado

Tender√≠amos ilusoriamente a crer que uma vida nascida num mundo abastado seria melhor, mais vida e de superior qualidade √† que consiste, precisamente, em lutar com a escassez. Mas n√£o √© verdade. Por raz√Ķes muito rigorosas e arquifundamentais que agora n√£o √© oportuno enunciar. Agora, em vez dessas raz√Ķes, basta recordar o facto sempre repetido que constitui a trag√©dia de toda a aristocracia heredit√°ria. O aristocrata herda, quer dizer, encontra atribu√≠das √† sua pessoa umas condi√ß√Ķes de vida que ele n√£o criou, portanto, que n√£o se produzem organicamente unidas √† sua vida pessoal e pr√≥pria. Acha-se ao nascer instalado, de repente e sem saber como, no meio da sua riqueza e das suas prerrogativas. Ele n√£o tem, intimamente, nada que ver com elas, porque n√£o v√™m dele. S√£o a carapa√ßa gigantesca de outra pessoa, de outro ser vivente, seu antepassado. E tem de viver como herdeiro, isto √©, tem de usar a carapa√ßa de outra vida. Em que ficamos? Que vida vai viver o ¬ęaristocrata¬Ľ de heran√ßa, a sua ou a do pr√≥cer inicial? Nem uma nem outra. Est√° condenado a representar o outro, portanto, a n√£o ser nem o outro nem ele mesmo.
A sua vida perde inexoravelmente autenticidade,

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Não se sabe até que ponto as mulheres não formam uma aristocracia. Entre elas, não há povo.

A monarquia degenera em tirania, a aristocracia em oligarquia e a democracia em anarquia.