Passagens sobre Aventura

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Frases sobre aventura, poemas sobre aventura e outras passagens sobre aventura para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Viver √©…

Viver √© uma perip√©cia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o √Ęnimo e o des√Ęnimo, um entusiasmo ora doce, ora din√Ęmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital.

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Czardas Para Serrotes Com Arcos De Violino E Berimbau De Lata

Esta anábase é de hora aberta desnudada
t√£o desmedida como foi a minha vida
de nada me arrependo apenas me perd√īo
por que meu v√īo nem sequer se iniciou

E dessas nuvens que me espaçam esgarçadas
trapos e cordas dissonantes dessa lira
s√£o acidentes de percurso em que recorro
como um Zen√£o o parafuso desse v√īo

Assim nessa colméia em ziper me percorro
como um zang√£o no zigue-zague nos hex√°gonos
ando à procura de uma abelha desvairada

que me acompanhe na aventura pelos p√Ęntanos
exorcizando a desrazão desses escorços
essa n√£o-ave desgarrada do meu nada

As Bem-Aventuranças são um mapa para atingir a santidade, isto é, a plena realização humana. Nas Bem-Aventuranças estão engastadas como num partitura musical as notas mais preciosas e intensas da espiritualidade cristã como aventura de beleza.

Daqui vinte anos você estará mais decepcionado pelas coisas que você não fez do que pelas coisas que você fez. Portanto livre-se das bolinas. Navegue longe dos portos seguros. Pegue os ventos da aventura em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra.

O Medo de Viver

Como contacto praticamente permanente com a lógica surgiu-me um sentimento que nunca antes eu experimentara: o medo de viver, o medo de respirar. Com urgência preciso lutar porque esse medo me amarra mais do que o medo da morte, é um crime contra mim mesmo. Estou com saudade de meu anterior clima de aventura e minha estimulante inquietação. Acho que ainda não caí na monotonia de viver.

A Embriaguez e Seriedade da Juventude

Passada a adolesc√™ncia, √© poss√≠vel conhecer-se alegrias, mas n√£o j√° a embriaguez. Tapar os buracos das pe√ļgas uns com os outros! Ter medo de perder o comboio! Ter o dinheiro √† justa para a viagem e recear que √† √ļltima hora um irm√£o ainda a dormir surripie a quantia! Talvez porque a embriaguez venha do facto da inquieta√ß√£o e das hesita√ß√Ķes se tornarem mais angustiantes quando tudo se ignora. N√£o teria qualquer aventura amorosa em Nantes? Quem diz ¬ęamor¬Ľ diz pistola, e pistola era coisa que eu n√£o tinha. Ora o que nesta viagem mais me surpreendeu foi terem-me reconhecido, em casa de um sapateiro, por certa parecen√ßa com uma velha parente minha e o elogio que ouvi fazerem dessa criatura cuja vida eu considerava nula. Os jovens levam tudo a s√©rio, ainda que n√£o saibam conferir um ar s√©rio √†quilo que levam. Na realidade, experimentam apenas emo√ß√Ķes desproporcionadas.

Come√ßa-se como se come√ßa. Uma hist√≥ria √© uma coisa que acontece quando se escreve. As pessoas aparecem. Existem as esta√ß√Ķes do ano, as cidades, os comboios, os lugares onde se passam as coisas que nunca se passaram. Ouvem-se as palavras que se dizem. Este cora√ß√£o √© meu e mais nada. Escrever √© a maior aventura que se pode ter. Um romance √© outra vida. Comece hoje a escrever um. De nada interessa que seja mau ou que n√£o haja ningu√©m para o ler. Um romance √© outra vida.

A aventura não depende apenas do encontro com o inusitado, ela é, antes de mais nada, uma disposição do espírito.

Como Escrever

Minhas intui√ß√Ķes se tornam mais claras ao esfor√ßo de transp√ī-las em palavras. √Č neste sentido, pois, que escrever me √© uma necessidade. De um lado, porque escrever √© um modo de n√£o mentir o sentimento (a transfigura√ß√£o involunt√°ria da imagina√ß√£o √© apenas um modo de chegar); de outro lado, escrevo pela incapacidade de entender, sem ser atrav√©s do processo de escrever. Se tomo um ar herm√©tico, √© que n√£o s√≥ o principal √© n√£o mentir o sentimento como porque tenho incapacidade de transp√ī-lo de um modo claro sem que o minta ‚ÄĒ mentir o pensamento seria tirar a √ļnica alegria de escrever. Assim, tantas vezes tomo um ar involuntariamente herm√©tico, o que acho bem chato nos outros. Depois da coisa escrita, eu poderia friamente torn√°-la mais clara? Mas √© que sou obstinada. E por outro lado, respeito uma certa clareza peculiar ao mist√©rio natural, n√£o substitu√≠vel por clareza outra nenhuma. E tamb√©m porque acredito que a coisa se esclarece sozinha com o tempo: assim como num copo de √°gua, uma vez depositado no fundo o que quer que seja, a √°gua fica clara. Se jamais a √°gua ficar limpa, pior para mim. Aceito o risco. Aceitei risco bem maior, como todo o mundo que vive.

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Um Mundo Melhor

Tal como existem muitas formas de vida, tamb√©m existem in√ļmeras formas de viver. A minha predileta e aquela onde, por incr√≠vel que pare√ßa, assento a minha paz, cont√©m o ingrediente que mais potencia as emo√ß√Ķes, o risco. O risco √© a gra√ßa da vida, √© aventura, √© o desconhecido, √© a busca e a mais valiosa oportunidade para cresceres e te desenvolveres como ser consciente.

Quando foi a √ļltima vez que arriscaste?
O que é que sentiste?
Percebeste que, correndo bem ou mal, o risco é a viagem e nunca o resultado?
Continuaste a arriscar nessa ou noutras √°reas da tua vida?
O risco est√° associado √† a√ß√£o, √† coragem, ao prazer, √† paix√£o pela vida, √† entrega no ¬ęAgora¬Ľ e implica o abandono do sof√°, da rotina doentia em que escolheste movimentar-te e dos padr√Ķes em que cresceste.

Chamam-me louco, eu respondo-lhes que vivem pouco. Sou um homem feliz, ainda que, como qualquer ser humano, viva com alguns preconceitos espont√Ęneos, medos s√ļbitos e frustra√ß√Ķes pontuais. Sou, tamb√©m, algu√©m com experi√™ncia em ajudar pessoas… humm, ajudar, n√£o! Dirigir soa melhor e √©, igualmente, mais real. Promovo-lhes, atrav√©s da minha experi√™ncia em coaching,

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O Sono como Condi√ß√£o de Sa√ļde

Eu presto homenagem √† sa√ļde como a primeira musa, e ao sono como condi√ß√£o de sa√ļde. O sono beneficia-nos principalmente pela sa√ļde que propicia; e tamb√©m ocasionalmente pelos sonhos, em cuja confusa trama uma li√ß√£o divina por vezes se infiltra. A vida d√°-se em breves ciclos ou per√≠odos; depressa nos cansamos, mas rapidamente nos relan√ßamos. Um homem encontra-se exaurido pelo trabalho, faminto, prostrado; ele mal √© capaz de erguer a m√£o para salvar a sua vida; j√° nem pensa. Ele afunda-se no sono profundo e desperta com renovada juventude, cheio de esperan√ßa, coragem, pr√≥digo em recursos e pronto para ousadas aventuras. ¬ęO sono √© como a morte, e depois dele o mundo parece recome√ßar de novo. Pensamentos claros surgem firmes e luminosos, como est√°tuas sob o sol. Refrescada por fontes supra-sens√≠veis, a alma escala a mais clara vis√£o¬Ľ [William Allingham].

Em cada caso, minha sensualidade, para só falar dela, era tão real que, mesmo por uma aventura de dez minutos, eu renegaria pai e mãe, mesmo que se tivesse de lamentá-lo amargamente. Que digo eu! Sobretudo por uma aventura de dez minutos, e mais ainda, se eu tivesse a certeza de que ela não teria futuro. Eu tinha princípios, é claro; por exemplo: a mulher dos amigos era sagrada. Simplesmente, eu deixava, com toda sinceridade, alguns dias antes, de ter amizade pelos maridos.

F√°brica

Oh, a poesia de tudo o que é geométrico
e perfeito,
a beleza nova dos maquinismos,
a força secreta das peças
sob o contacto liso e frio dos metais,
a segura confiança

do saber-se que é assim e assim exactamente,
sem lugar a enganos,
tudo matemático e harmónico,
sem nenhum imprevisto, sem nenhuma aventura,
como na cabeça do engenheiro.
Os oper√°rios t√™m nos m√ļsculos, de cor,
os movimentos dia a dia repetidos:

é como se fossem da sua natureza,
longe de toda a vontade e de todo o pensamento;

como se os metais fossem carne do corpo
e as veias se abrissem
àquela vida estranha, dura, implacável
das m√°quinas.

Os motores de tantos mil cavalos
alinhados e seguros de si,
seguros do seu poder;

as articula√ß√Ķes subtis das bielas,
o enlace justo das engrenagens:
a f√°brica, todo um imenso corpo de movimentos
concordantes, dependentes, necess√°rios.

Ante Tamanhas Mudanças

Antre tamanhas mudanças,
que cousa terei segura?
Duvidosas esperanças,
t√£o certa desaventura…

Venham estes desenganos
do meu longo engano, e v√£o,
que j√° o tempo e os anos
outros cuidados me d√£o.
Já não sou para mudanças,
mais quero √ľa dor segura;
vá crê-las vãs esperanças
quem n√£o sabe o qu’aventura!

Abaixo el-rei Sebasti√£o

√Č preciso enterrar el-rei Sebasti√£o
é preciso dizer a toda a gente
que o Desejado j√° n√£o pode vir.
√Č preciso quebrar na ideia e na can√ß√£o
a guitarra fant√°stica e doente
que alguém trouxe de Alcácer Quibir.

Eu digo que est√° morto.
Deixai em paz el-rei Sebasti√£o
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair o porto
temos aqui à mão
a terra da aventura.

Vós que trazeis por dentro
de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião.

Quem vai tocar a rebate
os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um punhal
por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-rei Sebastião.

O Sensacionismo

Sentir é criar.
Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem ideias.
РMas o que é sentir?
Ter opini√Ķes √© n√£o sentir.
Todas as nossas opini√Ķes s√£o dos outros.
Pensar é querer transmitir aos outros aquilo que se julga que se sente.
Só o que se pensa é que se pode comunicar aos outros. O que se sente não se pode comunicar. Só se pode comunicar o valor do que se sente. Só se pode fazer sentir o que se sente. Não que o leitor sinta a pena comum [?].
Basta que sinta da mesma maneira.
O sentimento abre as portas da pris√£o com que o pensamento fecha a alma.
A lucidez s√≥ deve chegar ao limiar da alma. Nas pr√≥prias antec√Ęmaras √© proibido ser expl√≠cito.
Sentir é compreender. Pensar é errar. Compreender o que outra pessoa pensa é discordar dela. Compreender o que outra pessoa sente é ser ela. Ser outra pessoa é de uma grande utilidade metafísica. Deus é toda a gente.
Ver, ouvir, cheirar, gostar, palpar – s√£o os √ļnicos mandamentos da lei de Deus. Os sentidos s√£o divinos porque s√£o a nossa rela√ß√£o com o Universo,

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