Passagens sobre Bolsos

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Frases sobre bolsos, poemas sobre bolsos e outras passagens sobre bolsos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Mundo dos Solteiros

Agora a s√©rio: voc√™ conhece algum solteiro verdadeiramente satisfeito com a sua condi√ß√£o de solteiro? Eu n√£o. Conhe√ßo v√°rios solteiros que se dizem satisfeitos com a sua condi√ß√£o de solteiros, mas que de bom grado imediatamente se casariam. N√£o se casam por in√©rcia, por cobardia, muitas vezes por falta de sorte – mas √© por uma vida a dois que suspiram. √Č da natureza humana. Uma coisa √© estar entre casamentos. Outra √© ser solteiro. E o solteiro cool √© uma constru√ß√£o t√£o artificial como o da gordinha ¬ęmuito¬Ľ simp√°tica. Voc√™ conhece alguma gordinha ¬ęmuito¬Ľ simp√°tica em que essa t√£o √≥bvia simpatia n√£o seja excessiva, provavelmente fabricada – e mensageira sobretudo de uma profunda solid√£o? Eu n√£o.

(…) √Č um mundo sombrio, o mundo dos solteiros – um mundo de ansiedades, de cinismo, de ressentimento, de ego√≠smo. Se os solteiros solit√°rios s√£o tristes, ali√°s, os solteiros greg√°rios s√£o-no ainda mais. Voc√™ j√° foi a algum jantar em que os presentes fossem maioritariamente solteiros? Eu j√°. E, sempre que fui, voltei deprimido. Ia deprimido – e deprimido voltei. √ćamos deprimidos – e deprimidos volt√°mos. Todos. Fizemos o que pudemos, claro: troc√°mos palavras, troc√°mos solidariedades, troc√°mos mimos. No fim, nada.

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Lembrai-vos de trazer sempre convosco um pequeno Evangelho, no bolso, na mala, na mochila, sempre. No Capítulo 5 de Mateus estão as Bem-Aventuranças- Lede-as todos os dias, para não as esquecer, porque é a Lei que nos dá Jesus!

Este jovem ama cada um de v√≥s; na verdade, tivesse eu uns enormes bolsos, pegaria em cada um de v√≥s e meter-vos-ia nos meus bolsos, e voltaria convoso para a √Āfrica do Sul.

Entrei no café com um rio na algibeira

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no ch√£o,
a vê-lo correr
da imagina√ß√£o…

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um p√°ssaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das √°rvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

Sem sombra de d√ļvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer n√£o √© divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o car√°ter desses limites.

Boa e M√° Literatura

O que acontece na literatura n√£o √© diferente do que acontece na vida: para onde quer que se volte, depara-se imediatamente com a incorrig√≠vel plebe da humanidade, que se encontra por toda a parte em legi√Ķes, preenchendo todos os espa√ßos e sujando tudo, como as moscas no ver√£o.
Eis a raz√£o do n√ļmero incalcul√°vel de livros maus, essa erva daninha da literatura que tudo invade, que tira o alimento do trigo e o sufoca. De facto, eles arrancam tempo, dinheiro e aten√ß√£o do p√ļblico – coisas que, por direito, pertencem aos bons livros e aos seus nobres fins – e s√£o escritos com a √ļnica inten√ß√£o de proporcionar algum lucro ou emprego. Portanto, n√£o s√£o apenas in√ļteis, mas tamb√©m positivamente prejudiciais. Nove d√©cimos de toda a nossa literatura actual n√£o possui outro objectivo sen√£o o de extrair alguns t√°leres do bolso do p√ļblico: para isso, autores, editores e recenseadores conjuraram firmemente.
Um golpe astuto e maldoso, porém notável, é o que teve êxito junto aos literatos, aos escrevinhadores que buscam o pão de cada dia e aos polígrafos de pouca conta, contra o bom gosto e a verdadeira educação da época, uma vez que eles conseguiram dominar todo o mundo elegante,

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Use a sua erudição como se fosse um relógio de bolso: não saque dela para mostrar as horas, mas diga que horas são se alguém lhe perguntar.

Farto de voar

Farto de voar
Pouso as palavras no ch√£o
Entro no mar
Sinto o sal de m√£o em m√£o
Tenho um barco na vida espetado
Só suspenso por fios dum lado
E do outro a cair
a cair
no arp√£o
no arp√£o

Levo a dormir
Sonhos que andei para tr√°s
Ergo o porvir
Trago nos bolsos a paz
Tenho um corpo na morte espetado
Só suspenso por balas de um lado
E do outro a escapar
a escapar
de rasp√£o
de rasp√£o

Ponho a girar
Cantos que ninguém encerra
De par em par
Abro as janelas para a terra
Tenho um quarto na fome espetado
Só suspenso por água de um lado
E de outro a cair
a cair
no alçapão
no alçapão

Farto de voar
Pouso as palavras no ch√£o
Entro no mar
Sinto o sal de m√£o em m√£o
Tenho um barco na vida espetado
Só suspenso por fios dum lado
E do outro a cair
a cair
no arp√£o
no arp√£o

Se você ganha algum dinheiro, o governo te empurra no riacho uma vez por ano com todo o dinheiro em seu bolso, e tudo o que não se molhar você pode manter.

Poeta

– Poeta errante,
de olhar vago e distante
e azul,
o teu perfil singular
recorta-se angular
ao norte e ao sul.

РOs teus fatos coçados
bate-os o vento
e leva-os aos bocados…

E os sapatos gastos
pedem grandes repastos,
abrem bocas, esfomeados.

(Nos bolsos, imagino
asas de borboletas,
molhos de folhas secas,
poeiras e pap√©is…)

– Poeta errante,
caem por terra os livros e a estante,
e as torres esguias das igrejas,
e as paredes velhas dos bord√©is!…

– Poeta errante,
vamos dormir na sombra dos verg√©is!…

SMS

Ela caminha já a tarde vai alta pelo passeio que segue paralelo ao mar, por cima das praias. Em baixo, a areia estende-se vazia até à água, acabando numa espuma branca, das ondas que rebentam com o fragor dos dias de Inverno. Vai sozinha. Cruza-se com jovens a passo de corrida, outros que deslizam em patins, um casal com o filho pequeno feliz na sua bicicleta de rodinhas, acompanhado por um cãozinho saltitante que corre para a frente e para trás em redor dele.
Leva na m√£o o telem√≥vel e nos olhos castanhos brilhantes uma esperan√ßa. Vai pensativa e sem horas, caminhando sem pressa, reparando nas pessoas, no mar desabrido que se atira √† praia, no ar fresco que respira, no vento que se levanta com uma promessa de tempestade. Cruza o casaco grosso, azul-escuro, √† frente do peito, sem apertar os bot√Ķes. Cruza os bra√ßos. Uma folha de jornal passa por ela a esvoa√ßar, not√≠cias antigas, pensa divertida, logo se concentrando no navio de carga iluminado que vem de Lisboa e ruma ao mar aberto com o vagar de quem tem um destino certo num dia certo.

Acaba por apertar os bot√Ķes do casaco e levantar a gola para se sentir mais protegida do vento,

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Defeito de Fabrico

Quando nasci, trazia de origem
um farol que despejava luz a jorros
sobre o que quer que fosse,
mormente sobre as dobras
pérfidas da noite.

Mas, por estranho que pareça,
também os faróis estão sujeitos
às leis da erosão,

e o meu farol deliu-se. Hoje não é
mais do que um triste farolim de bicicleta
que apenas me alumia dois palmos de noite.

Amanh√£ estar√° reduzido
a uma simples lanterna de bolso
com que mal poderei reconhecer
o lugar onde estou.

Até que um dia será, está bom de ver,
o mais fi√°vel c√ļmplice da noite ‚Äď

‚Äď da noite que devia dissipar,
e n√£o fundir-se nela.

Defeito de fabrico.
Mas a garantia caducou e o fabricante
nega-se a ressarcir-me do escuro.

Carrego as Esta√ß√Ķes Comigo

Carrego as esta√ß√Ķes comigo
e tenho as m√£os cansadas.
No bolso esquerdo um riacho murmura.
Ali, onde pequenas pedras se acumulam,
uma canção exala seu vapor,
depois se perde.

Jardins de Primavera circulam no meu corpo
Um céu de ouro verte seu perfume
e um vento ignorado agita suas asas.
Pasto de segredos, mescla de memória
e desejo, meu corpo caminha com a chuva
(carrego as esta√ß√Ķes comigo)
à procura do sonho de uma nuvem fria.

Tantas folhas trago nos braços
que um p√°ssaro, solid√°rio, se oferece
para carregar as esta√ß√Ķes comigo.
Do peito aberto os meus jardins se v√£o
e o pássaro me ajuda, memória
e desejo, a semear meu corpo.

Ali planto meus braços.
Debaixo daquelas flores meus olhos ficam.
Os pés, roídos pela terra, penduro numa árvore.
O tronco multiplico em cem pedaços:
L√° vai, junto com as pedras,
no bojo do riacho antigo.

E pois que carrego as esta√ß√Ķes comigo
os lábios deixo além, no descampado.
E peço ao pássaro que pelos cabelos atire
o que sobrou de mim
àquele mar onde me espera a memória
e o desejo do tempo em que n√£o soube
carregar as esta√ß√Ķes comigo.

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Eu sou uma eterna apaixonada por palavras, m√ļsica e pessoas inteiras. N√£o me importa seu sobrenome, onde voc√™ nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias s√£o chatas e me d√£o sono.

Cidadania

Buqu√™ de ru√≠dos √ļteis
o dia. O tom mais p√ļrpura
do avi√£o sobressai
locomovida rosa p√ļblica.

Entre os edifícios a acácia
de antigamente ainda ousa
trazer ao cimo a folhagem
sua dor de apertada coisa.

Um solo de saxofone excresce
mensagem que a morte adia
aflito p√°ssaro que enrouquece
a garganta da telefonia.

Em cada bolso do cimento
uma lenta aranha de g√°s
manipula o dividendo
de um suicídio lilás.

Viver Sozinho

A infelicidade do celibatário, pretensa ou verdadeira, é tão fácil de adivinhar pelo mundo que o rodeia que ele maldiz a decisão, pelo menos se ficou solteiro por causa dos prazeres que tem em segredo. Anda por aí com o casaco abotoado, as mãos nos bolsos do casaco, os braços flectidos, o chapéu bem enterrado para a cara, um sorriso falso, que se tornou natural nele, pretende esconder-lhe a boca como os óculos lhe escondem os olhos, as calças demasiado apertadas para parecerem bem nas pernas. Mas toda a gente sabe da sua situação, pode pormenorizar os sofrimentos. Uma brisa fria sopra sobre ele vinda de dentro e ele olha lá para dentro com a metade ainda mais triste da sua dupla cara. Muda-se incessantemente, mas com regularidade previsível, de um apartamento para outro. Quanto mais foge dos vivos, para quem, contudo, e é este o ponto mais cruel, ele tem de trabalhar como um escravo consciente, que não pode revelar a sua consciência, tanto menor é o espaço que consideram bastar-lhe. Enquanto é a morte que irá fazer tombar os outros, mesmo que tenham passado a vida num leito de doente, porque embora eles já há muito tivessem sucumbido por si próprios devido à sua fraqueza,

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Alguns ouvem com as orelhas, outros com o est√īmago, outros com o bolso e alguns, simplesmente, n√£o ouvem.