Cita√ß√Ķes sobre Dicion√°rio

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N√£o √© decorando todo o dicion√°rio que aprendemos os voc√°bulos, mas consultando-o segundo a necessidade. As li√ß√Ķes mais importantes da vida tamb√©m aprendemos atrav√™s da necessidade de resolvermos os problemas que surgem.

Achar que o mundo não tem um criador é o mesmo que afirmar que um dicionário é o resultado de uma explosão numa tipografia.

Sonhar é Preciso

Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas s√£o insuper√°veis, as perdas s√£o insuport√°veis, as decep√ß√Ķes transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo.
Voltaire disse que os sonhos e a esperan√ßa nos foram dados como compensa√ß√£o √†s dificuldades da vida. Mas precisamos de compreender que os sonhos n√£o s√£o desejos superficiais. Os sonhos s√£o b√ļssolas do cora√ß√£o, s√£o projectos de vida. Os desejos n√£o suportam o calor das dificuldades. Os sonhos resistem √†s mais altas temperaturas dos problemas. Renovam a esperan√ßa quando o mundo desaba sobre n√≥s.

John F. Kennedy disse que precisamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram. Tem fundamento o seu pensamento, pois os sonhos abrem as janelas da mente, arejam a emoção e produzem um agradável romance com a vida.
Quem n√£o vive um romance com a sua vida ser√° um miser√°vel no territ√≥rio da emo√ß√£o, ainda que habite em mans√Ķes, tenha carros luxuosos, viaje em primeira classe nos avi√Ķes e seja aplaudido pelo mundo.

Precisamos de perseguir os nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem de ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar, ainda que nem todas as metas sejam atingidas.

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A Palavra

J√° n√£o quero dicion√°rios
consultados em v√£o.
Quero só a palavra
que nunca estar√° neles
nem se pode inventar.

Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunh√£o,
mudos,
saboreando-a.

Também leio livros, muitos livros: mas com eles aprendo menos do que com a vida. Apenas um livro me ensinou muito: o dicionário. Oh, o dicionário, adoro-o. Mas também adoro a estrada, um dicionário muito mais maravilhoso.

A vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora.

O Dicion√°rio da Vida

A vida √© o nosso dicion√°rio. Os anos foram bem gastos quando os demos aos trabalhos do campo, ou ao com√©rcio, √†s manufacturas, √†s rela√ß√Ķes sinceras com grande n√ļmero de homens e mulheres… isto com o √ļnico fim de aprender em todas as suas realidades uma linguagem capaz de ilustrar e de encarnar as nossas percep√ß√Ķes. A pobreza ou a riqueza do discurso de quem fala ensina-me imediatamente em que medida ele j√° viveu.

Arte sincera, pol√≠tica sincera, amor sincero… E o que isto √©, explicado por um dicion√°rio! O s√°bio que disse que os m√ļsculos da laringe √© que pensavam, disse bem. S√£o eles, na verdade, que pensam e articulam as palavras. O pior √© o que permanece inexprim√≠vel na alma de cada um.

As Sem Raz√Ķes do Amor

Eu te amo porque te amo.
N√£o precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor n√£o se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicion√°rios
e a regulamentos v√°rios.

Eu te amo porque n√£o amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor n√£o se troca,
n√£o se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Saudade

Saudade – O que ser√°… n√£o sei… procurei sab√™-lo
em dicion√°rios antigos e poeirentos
e noutros livros onde n√£o achei o sentido
desta doce palavra de perfis ambíguos.

Dizem que azuis s√£o as montanhas como ela,
que nela se obscurecem os amores longínquos,
e um bom e nobre amigo meu (e das estrelas)
a nomeia num tremor de cabelos e m√£os.

Hoje em Eça de Queiroz sem cuidar a descubro,
seu segredo se evade, sua doçura me obceca
como uma mariposa de estranho e fino corpo
sempre longe – t√£o longe! – de minhas redes tranquilas.

Saudade… Oi√ßa, vizinho, sabe o significado
desta palavra branca que se evade como um peixe?
N√£o… e me treme na boca seu tremor delicado…
Saudade…
Tradução de Rui Lage

Escrever é Triste

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, puré de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que voc√™ perde em viver, escrevinhando sobre a vida. N√£o apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem voc√™, porque com voc√™ n√£o √© poss√≠vel contar. Voc√™ esperando que os outros vivam, para depois coment√°-los com a maior cara-de-pau (“com isen√ß√£o de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divaga√ß√£o descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei propriet√°rio do universo, que escolhe para o seu jantar de not√≠cias um terremoto, uma revolu√ß√£o, um adult√©rio grego ‚ÄĒ √†s vezes nem isso, porque no painel imenso voc√™ escolhe s√≥ um besouro em campanha para verrumar a madeira.

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Dicion√°rio, n√£o √©s tumba, sepulcro, caix√£o, t√ļmulo, mausol√©u, √©s sen√£o preserva√ß√£o, fogo escondido, planta√ß√£o de rubis, perpetua√ß√£o viva da ess√™ncia, celeiro do idioma.

Em Cruz n√£o Era Acabado

As crianças viravam as folhas
dos dias enevoados
e da p√°gina do Natal
nasciam os montes prateados

da inf√Ęncia. Int√©rmina, a m√£e
fazia o bolo unido e quente
da noite na boca das crianças
acordadas de repente.

Torres e ovelhas de barro
que do armário saíam
para formar a cidade
onde o menino nascia.

Menino pronunciado
como uma palavra vagarosa
que terminava numa cruz
e começava numa rosa.

Natal bordado por tias
que teciam com seus dedos
estradas que ent√£o havia
para a capital dos brinquedos.

E as crianças com a tinta invisível
do medo de serem futuro
escreviam os seus pedidos
no muro que dava para o impossível,

chão de estrelas onde dançavam
a sua louca identidade
de serem no dicion√°rio
da dor futura: saudade.

O Homem Pensador e a Mulher Faladora

O homem pensador √© necessariamente taciturno. A mulher faladora n√£o consegue atordoar-lhe o esp√≠rito, mas faz-lhe nos ouvidos a traquinada intoler√°vel de uma matraca. A matraca afuguenta do cora√ß√£o todas as quimeras do amor. N√£o vos caseis com homem pensador, mulheres que falais um momento antes de pensar o que direis. O amor ‚ÄĒse vo-lo pode inspirar tal homem‚ÄĒfar√° que n√£o fecheis olhos velando-lhe a doen√ßa; far√° que lhe sacrifiqueis os haveres, a reputa√ß√£o e a vida; far√° tudo que humanamente pode fazer um anjo de sacrif√≠cio, mas n√£o vos far√° calar. O feudo mais pesado que uma tal mulher p√īde imp√īr a um homem √© ‚ÄĒ a obriga√ß√£o de ouvi-la.

A ofensa que tal mulher nunca perdoa √© ‚ÄĒ a insol√™ncia de ouvi-la, sem escut√°-la. Vejam num dicion√°rio a diferen√ßa das duas palavras. Escutar √© querer ouvir. Uma bela mulher, capaz de extremos, tentou a franqueza do amante que, em v√©speras de matrimonio, lhe disse: ¬ęn√£o faltes tanto.¬Ľ A noiva pesou estas palavras, reflectiu, calculou as suas for√ßas, chorou, atormentou-se, e disse: ¬ęn√£o me casarei: √© imposs√≠vel calar-me.¬Ľ Para que me n√£o tomem isto como anedota, √© preciso dizer-lhes que esta mulher foi acerbamente ferida no seu orgulho.

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Um dicion√°rio √© o t√ļmulo em que jazem os cad√°veres das palavras que j√° ningu√©m usa; e onde n√£o h√° lugar para as novas que todo o mundo usa.