Cita√ß√Ķes sobre Editores

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Frases sobre editores, poemas sobre editores e outras cita√ß√Ķes sobre editores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Inconsistência Humana

Que todos os homens s√£o iguais √© uma proposi√ß√£o √† qual, em tempos normais, nenhum ser humano sensato deu, alguma vez, o seu assentimento. Um homem que tem de se submeter a uma opera√ß√£o perigosa n√£o age sob a presun√ß√£o de que t√£o bom √© um m√©dico como outro qualquer. Os editores n√£o imprimem todas as obras que lhes chegam √†s m√£os. E quando s√£o precisos funcion√°rios p√ļblicos, at√© os governos mais democr√°ticos fazem uma selec√ß√£o cuidadosa entre os seus s√ļbditos teoricamente iguais.
Em tempos normais, portanto, estamos perfeitamente certos de que os Homens não são iguais. Mas quando, num país democrático, pensamos ou agimos politicamente, não estamos menos certos de que os Homens são iguais. Ou, pelo menos Рo que na prática vem ser a mesma coisa Рprocedemos como se estivéssemos certos da igualdade dos Homens.
Identicamente, o piedoso fidalgo medieval que, na igreja acreditava em perdoar aos inimigos e oferecer a outra face, estava pronto, logo que mergia novamente à luz do dia, a desembainhar a sua espada à mínima provocação. A mente humana tem uma capacidade quase infinita para ser inconsistente.

Carta (a um Amigo que me Pediu Versos)

Como hei-de ser um Petrarca,
Cantar como um rouxinol,
Se o meu termómetro marca
Quarenta e dois graus ao sol!

Da lira b√°rbara e tosca
Nem saem trovas d’Alfama.
Enxota o Pégaso a mosca,
E eu durmo a sesta na cama.

A hipocondria maciça
Conduzo-a, não há remédio,
Na jumenta da preguiça
Pelas charnecas do tédio.

Eu trago a inspiração oca,
Ando abatido, ando mono;
Meus versos abrem a boca,
Como os porteiros com sono.

N√£o tenho a rima imprevista,
Os guizos d’oiro ou de opala,
Que à asa da estrofe o artista
Sublime prende ao larg√°-la.

P’ra lapidar √† vontade
Um belo verso radiante,
Falta-me a tenacidade,
Que é como o pó do diamante.

A musa foi-se-me embora;
Para onde foi nem me lembro;
Só a torno a ver agora
L√° para os fins de Setembro.

Anda talvez nas florestas
Fazendo orgias pag√£s,
Entre os aromas das giestas
E os braços dos Egipãs.

Deix√°-la andar l√° dois meses
Colhendo imagens e flores,

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Boa e M√° Literatura

O que acontece na literatura n√£o √© diferente do que acontece na vida: para onde quer que se volte, depara-se imediatamente com a incorrig√≠vel plebe da humanidade, que se encontra por toda a parte em legi√Ķes, preenchendo todos os espa√ßos e sujando tudo, como as moscas no ver√£o.
Eis a raz√£o do n√ļmero incalcul√°vel de livros maus, essa erva daninha da literatura que tudo invade, que tira o alimento do trigo e o sufoca. De facto, eles arrancam tempo, dinheiro e aten√ß√£o do p√ļblico – coisas que, por direito, pertencem aos bons livros e aos seus nobres fins – e s√£o escritos com a √ļnica inten√ß√£o de proporcionar algum lucro ou emprego. Portanto, n√£o s√£o apenas in√ļteis, mas tamb√©m positivamente prejudiciais. Nove d√©cimos de toda a nossa literatura actual n√£o possui outro objectivo sen√£o o de extrair alguns t√°leres do bolso do p√ļblico: para isso, autores, editores e recenseadores conjuraram firmemente.
Um golpe astuto e maldoso, porém notável, é o que teve êxito junto aos literatos, aos escrevinhadores que buscam o pão de cada dia e aos polígrafos de pouca conta, contra o bom gosto e a verdadeira educação da época, uma vez que eles conseguiram dominar todo o mundo elegante,

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A Poesia

… Quantas obras de arte… J√° n√£o cabem no mundo… Temos de as pendurar fora dos quartos… Quantos livros… Quantos livrecos… Quem ser√° capaz de os ler?… Se fossem comest√≠veis… Se numa panela de grande calado os fiz√©ssemos em salada, os pic√°ssemos, os alinh√°ssemos… J√° n√£o se pode mais… Estamos at√© ao pesco√ßo… O mundo afoga-se na mar√©… Reverdy dizia-me: ¬ęAvisei o correio para que n√£o me trouxesse mais livros… N√£o poderia abri-los. N√£o tenho espa√ßo. Trepam pelas paredes, temi uma cat√°strofe, ruiriam em cima da minha cabe√ßa¬Ľ… Todos conhecem Eliot… Antes de ser pintor, de dirigir teatros, de escrever luminosas cr√≠ticas, lia os meus versos… Sentia-me lisonjeado… Ningu√©m os compreendia melhor… At√© que um dia come√ßou a ler-me os seus e eu, egoisticamente, corri a protestar: ¬ęN√£o mos leia, n√£o mos leia¬Ľ… Fechei-me no quarto de banho, mas Eliot, atrav√©s da porta, lia-mos… Fiquei muito triste… O poeta Frazer, da Esc√≥cia, estava presente… Increpou-me: ¬ęPorque tratas assim Eliot?¬Ľ… Respondi: ¬ęN√£o quero perder o meu leitor. Cultivei-o. Conhece at√© as rugas da minha poesia… Tem tanto talento… Pode fazer quadros… Pode escrever ensaios… Mas eu quero manter este leitor, conserv√°-lo, reg√°-lo como planta ex√≥tica… Compreendes-me, Frazer?¬Ľ… Porque a verdade, se isto continua,

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Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os √°cidos, os gumes
E os √Ęngulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulm√Ķes doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta na botica!
Mal ganha para sopas…

O obst√°culo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, h√° dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais duma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.

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Can√ß√Ķes com mensagens s√£o, como todo mundo sabe, um saco. S√≥ editores de jornais de faculdade e garotas com menos de quatorze anos t√™m tempo para elas.

Besta Célere

H√° quem lhe chame, por brincadeira, besta c√©lere para caracterizar a qualidade mediana (tomada por m√©dia) desse produto cultural (agora √© tudo cultural!) e, ao mesmo tempo, a rapidez com que ele se esgota em sucessivas edi√ß√Ķes. O best-seller √© um produto perfeita (ou eficazmente) projectado em termos de ¬ęmarketing¬Ľ editorial e livreiro. √Č para se vender – muito e depressa – que o best-seller √© constru√≠do com os olhos postos num leitor-tipo que vai encontrar nele aquilo que exactamente esperava. Nem mais, nem menos. Os exemplos, abundant√≠ssimos, nem vale a pena enumer√°-los. Conv√©m n√£o confundir, pelo menos em todos os casos, best-seller com ¬ętopes¬Ľ de venda. Embora seja cabe√ßa de lista, o best-seller tem, em rela√ß√£o aos livros ¬ęnormais¬Ľ, uma caracter√≠stica que logo o diferencia: foi feito propositadamente para ser um campe√£o de vendas. A sua raz√£o de ser √© essa e s√≥ essa. E aqui poderia dizer-se, recuperando o lugar-comum para um sentido s√©rio, que ¬ęo resto √© literatura¬Ľ.
Estou a pensar em bestas c√©leres como Love Story ou O Aeroporto. N√£o estou a pensar em ¬ętopes¬Ľ de venda como O Nome da Rosa ou Mem√≥rias de Adriano. estes √ļltimos s√£o boa, excelente literatura que, por raz√Ķes pontuais e,

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Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.

Quando comecei a escrever, tentei vender a história de minha vida sexual para uma editora. Eles a compraram e a transformaram num joguinho de armar para crianças.

O Jorge Amado dizia-me, há tempos, que conhecia muitos editores ricos, mas escritores não. Gastamos muito em impostos e pagamos tudo aquilo que o agente investe em nós.

As portas que conduzem ao êxito literário têm cães de guarda: os editores, que são escritores fracassados.

A Poesia n√£o se Inventou para Cantar o Amor

A poesia n√£o se inventou para cantar o amor ‚ÄĒ que de resto n√£o existia ainda quando os primeiros homens cantaram. Ela nasceu com a necessidade de celebrar magnificamente os deuses, e de conservar na mem√≥ria, pela sedu√ß√£o do ritmo, as leis da tribo. A adora√ß√£o ou capta√ß√£o da divindade e a estabilidade social, eram ent√£o os dois altos e √ļnicos cuidados humanos: ‚ÄĒ e a poesia tendeu sempre, e tender√° constantemente a resumir, nos conceitos mais puros, mais belos e mais concisos, as ideias que est√£o interessando e conduzindo os homens. Se a grande preocupa√ß√£o do nosso tempo fosse o amor ‚ÄĒ ainda admitir√≠amos que se arquivasse, por meio das artes da imprensa, cada suspiro de cada Francesca. Mas o amor √© um sentimento extremamente raro entre as ra√ßas velhas e enfraquecidas. Os Romeus, as Julietas (para citar s√≥ este casal cl√°ssico) j√° n√£o se repetem nem s√£o quase poss√≠veis nas nossas democracias, saturadas de cultura, torturadas pela ansia do bem-estar, c√©pticas, portanto ego√≠stas, e movidas pelo vapor e pela electricidade. Mesmo nos crimes de amor, em que parece reviver, com a sua for√ßa primitiva e dominante, a paix√£o das ra√ßas novas, se descobrem logo factores lamentavelmente alheios ao amor,

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O Pressuposto Indispens√°vel para se Ser um Grande-Escritor

O pressuposto indispens√°vel para se ser um grande-escritor √©, ent√£o, o de escrever livros e pe√ßas de teatro que sirvam para todos os n√≠veis, do mais alto ao mais baixo. Antes de produzir algum bom efeito, √© preciso primeiro produzir efeito: este princ√≠pio √© a base de toda a exist√™ncia como grande-escritor. √Č um princ√≠pio miraculoso, eficaz contra todas as tenta√ß√Ķes da solid√£o, por excel√™ncia o princ√≠pio goethiano do sucesso: se nos movermos apenas num mundo que nos √© prop√≠cio, tudo o resto vir√° por si. Pois quando um escritor come√ßa a ter sucesso d√°-se logo uma transforma√ß√£o significativa na sua vida. O seu editor p√°ra de se lamentar e de dizer que um comerciante que se torna editor se parece com um idealista tr√°gico, porque faria muito mais dinheiro negociando com tecidos ou papel virgem. A cr√≠tica descobre nele um objecto digno da sua actividade, porque os cr√≠ticos muitas vezes at√© nem s√£o m√°s pessoas, mas, dadas as circunst√Ęncias epocais pouco prop√≠cias, ex-poetas que precisam de um apoio do cora√ß√£o para poderem p√īr c√° fora os seus sentimentos;s√£o poetas do amor ou da guerra, consoante o capital interior que t√™m de aplicar com proveito, e por isso √© perfeitamente compreens√≠vel que escolham o livro de um grande-escritor e n√£o o de um comum escritor.

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A exploração do escritor é uma coisa vergonhosa. O livreiro, que tem só o trabalho de vender, ganha 30 por cento. O editor, entretanto, tem uma razoável margem de risco. Fica com 40 por cento dos quais tem que pagar ao escritor.

Amo-te

Talvez n√£o seja pr√≥prio vir aqui, para as p√°ginas deste livro, dizer que te amo. N√£o creio que os leitores deste livro procurem informa√ß√Ķes como esta. No mundo, h√° mais uma pessoa que ama. Qual a relev√Ęncia dessa not√≠cia? √Ä sombra do guarda-sol ou de um pinheiro de piqueniques, os leitores n√£o dever√£o impressionar-se demasiado com isso. Depois de lerem estas palavras, os seus pensamentos instant√Ęneos poder√£o diluir-se com um olhar em volta. Para eles, este texto ser√° como iniciais escritas por adolescentes na areia, a onda que chega para cobri-las e apag√°-las. E poss√≠vel que, perante esta longa afirma√ß√£o, alguns desses leitores se indignem e que escrevam cartas de protesto, que reclamem junto da editora. Dou-lhes, desde j√°, toda a raz√£o.
Eu sei. Talvez não seja próprio vir aqui dizer aquilo que, de modo mais ecológico, te posso afirmar ao vivo, por email, por comentário do facebook ou mensagem de telemóvel, mas é tão bom acreditar, transporta tanta paz. Tu sabes. Extasio-me perante este agora e deixo que a sua imensidão me transcenda, não a tento contrariar ou reduzir a qualquer coisa explicável, que tenha cabimento nas palavras, nestas pobres palavras. Em vez disso, desfruto-a, sorrio-lhe. Não estou aqui com a expectativa de ser entendido.

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Ser Escritor

E, então, porque não podemos viver de outra maneira, escrevemos. E cai-nos o cabelo e apodrecem-nos os dentes, como dizia Flannery O’Connor.

E somos uns chatos. E somos maus maridos e maus filhos e maus amigos. E sentimos culpa, e sentimo-nos indignos de estima, e continuamos, mesmo assim, a n√£o responder quando falam connosco.

E n√£o telefonamos nos anos, nem aparecemos nos churrascos, nem vamos ao caf√©. E, se vamos, a √ļnica coisa de que falamos √© disso: do livro. E tudo aquilo sobre que se conversa pode servir ao livro, caso contr√°rio n√£o nos importa.

E somos os maiores quando um par√°grafo nos sai bem, e ficamos de rastos quando n√£o encontramos um verbo. E sabemos que tem de ser mesmo assim, porque se n√£o for o romance fica uma merda. Mas sentimos culpa na mesma.

E não pagamos as contas, e esquecemo-nos de pedir a garrafa do gás, e calçamos meias de pares diferentes. E de repente queremos fumar dois maços de cigarros e beber meia garrafa de uísque, sozinhos no jardim, a olhar para a noite e a chorar.

E temos de fazer um esforço para mudar de roupa,

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