Cita√ß√Ķes sobre Er√≥ticos

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Frases sobre er√≥ticos, poemas sobre er√≥ticos e outras cita√ß√Ķes sobre er√≥ticos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Fim do Amor Tr√°gico e Rom√Ęntico?

Vivemos, de facto, numa √©poca em que a no√ß√£o de amor tr√°gico e rom√Ęntico, que herd√°mos do s√©culo dezanove, se tornou inactual, embora continue ainda a ser vivida por muitos – e at√© com o car√°cter de constru√ß√£o moral e est√©tica – essa rela√ß√£o extremamente apaixonada, exigente e exclusiva. A reclama√ß√£o da liberdade er√≥tica n√£o me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimiz√°-la e do mesmo passo desmistific√°-la, precisamente no prop√≥sito de a tornar mais l√ļcida e mais generosa. Afigura-se-me que na contesta√ß√£o de todas as prepot√™ncias firmadas em preconceitos, em princ√≠pios estabelecidos aprior√≠sticamente, h√° sempre um nexo muito √≠ntimo entre a reinvindica√ß√£o da liberdade er√≥tica, da liberdade no trabalho e da liberdade pol√≠tica. E, naturalmente, quando se d√° uma explos√£o desta esp√©cie, √© como uma pedra que rola e que vai agregando uma s√©rie de materiais e descobrindo a sua pr√≥pria composi√ß√£o at√© √†s zonas mais profundas da sua estrutura.

√ď Noite, Coalhada nas Formas de um Corpo de Mulher

√ď noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher
vago e belo e voluptuoso,
num bailado erótico, com o cenário dos astros, mudos
[e quedos.
Estrelas que as suas m√£os afagam e a boca repele,
deixai que os caminhos da noite,
cegos e rectos como o destino,
suspensos como uma nuvem,
sejam os caminhos dos poetas
que lhes decoraram o nome.
√ď noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher!
Esconde a vida no seio de uma estrela
e f√°-la pairar, assim m√°gica e irreal,
para que a olhemos como uma lua son√Ęmbula.

O Português

Prefere ser um rico desconhecido, a ser um her√≥i pobre. √Č melhor do que parece. O homem portugu√™s √© dissimulado, e fez da inveja um discurso do bom senso e dos direitos humanos.
Mas √© tamb√©m um homem de paix√Ķes moderadas pela sensibilidade, o que faz dele um grande civilizado.
Gosta das mulheres, o que explica o estado de dependência em que as pretende manter. A dependência é uma motivação erótica.
√Č inovador mas tem pouco car√°cter, como √© pr√≥prio dos superiormente inteligentes, tanto cientistas, como fil√≥sofos e criadores em geral.
Mente muito, e a verdade que se arroga √© uma culpa inibida. Vemos que ele se mant√©m num estado primitivo quando defende a sua √°rea de partido, de seita e de fam√≠lia, √† custa de corrup√ß√Ķes e de crimes, se for preciso.
Gosta do poder mas não da notoriedade. Não tem o sentido da eternidade, mas sim o prazer da liberdade imediata. Não é democrata; excepto se isso intimidar os seus adversários.
Não tem génio, tem habilidade.
√Č imaginativo mas n√£o pensador.
√Č culto mas n√£o experiente.
N√£o gosta da lei, porque ela desvaloriza a sua pr√≥pria iniciativa. √Č m√≠stico com a f√°bula e viril com a desgra√ßa.

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Um Calculador de Improbabilidades

O poeta é
um calculador de improbabilidades limita
a informação quantitativa fornecendo
reforçada informação estésica.
√Č uma m√°quina eta-er√≥tica em que as discrep√Ęncias
s√£o a fulgur√Ęncia da m√°quina.
A crueldade elegante da m√°quina resulta da
competição pirotécnica da circulação íntima
e fulgurante do seu maquinismo erótico.
A psicologia do maquinal sabe que basta
que se crie um pólo positivo para que o pólo
negativo surja
ou vice-versa
e as evolu√ß√Ķes telecin√©ticas pela for√ßa
das cat√°strofes desenvolvem suas faculdades
latentes ou absorvem-nas como a esponja absorve
as √°guas vari√°veis dos humores
que transforma em polaridade.
O maquinal eta-erótico está em astrogação
curso hipnótico dos polímeros.
Digo com precisão fenomenológica: o maquinal
circula em sua hiperesfera da maneira mais
excêntrica.
Digo e garanto:
o maquinal absolutamente absorve suas √°guas
variáveis e isso é o seu amplexo.
O maquinal eta-erótico é tu-eu.
O maquinal tu-eu
cuja tarefa árdua não é
definir a verdade est√° no meio da profus√£o
dos objectos
e considera o consumo a verdade deslocada
deslocação de grande tonelagem
laboriosa alfaiataria de eros
constante moribunda
e esse opróbrio dispersivo e vexável
indifere a vida esponjosa.

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Tua Chama Incendeia o Meu Pensamento

Penso: logo tua chama
incendeia o meu pensamento
logo me entregas
as pálpebras da orquídea submersa
logo o dia amanhece
em todas as conchas do teu dorso
logo os meus olhos
esvaziam o c√°lice de tua nudez
logo te aproximas
coroada de algas e de espumas.
Penso: logo existes
metamorfose da rosa em meu sangue.

[Argila Erótica: 14]

A emo√ß√£o est√©tica deixa o ser humano num estado favor√°vel √† recep√ß√£o de emo√ß√Ķes er√≥ticas. A arte √© c√ļmplice do amor. Tire o amor e n√£o haver√° mais arte.

Os que Morrem por Amor

Os que morrem por amor continuam a pertencer √† lenda. Os seus funerais arrastam uma multid√£o piedosa, tal como decerto aconteceu na cidade de Verona, h√° seiscentos anos. Ainda que nesse tempo os costumes fossem bastante f√°ceis, a pr√°tica er√≥tica da juventude era muito mais modesta. Reflectindo melhor, √© de crer que a pr√≥pria licen√ßa produzisse um tipo de pessoas orgulhosas da sua intimidade afectiva; o que, se n√£o √© virtude, algo se parece. Este orgulho da pr√≥pria intimidade conduz a uma atitude hostil em rela√ß√£o a tudo o que pode burocratizar os sentimentos. H√° um soci√≥logo inclinado a crer que existe muito de romantismo burocr√°tico no amor moderno. √Č poss√≠vel. E quando aparecem os contestat√°rios dessa esp√©cie de burocracia, como s√£o os Romeus e Julietas do Candal, a cidade fica-lhes agradecida. No campo dos afectos trata-se da luta obstinada que resulta do choque entre a vida privada e o regime governativo; entre um corpo animado de impulsos e uma autoridade explicada por leis. Atrav√©s de inqu√©ritos feitos nos meios juvenis para inquirir das transforma√ß√Ķes que se efectuam no √Ęmbito das rela√ß√Ķes afectivas, deparam-se declara√ß√Ķes bastante confusas. Elas pairam entre uma sinceridade elementar que descura a experi√™ncia e teorias perfeitamente viciadas nos lugares-comuns do s√©culo.

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O Significado dos Sonhos

Os meu sonhos eram de muitas esp√©cies mas representavam manifesta√ß√Ķes de um √ļnico estado de alma. Ora sonhava ser um Cristo, a sacrificar-me para redimir a humanidade, ora um Lutero, a quebrar com todas as conven√ß√Ķes estabelecidas, ora um Nero, mergulhado em sangue e na lux√ļria da carne. Ora me via numa alucina√ß√£o o amado das multid√Ķes, aplaudido, desfilando ao longo (…), ora o amado das mulheres, atraindo-as arrebatadoramente para fora das suas casas, dos seus lares, ora o desprezado por todos embora o eleito do bem, por todos a sacrificar-me. Tudo o que lia, tudo o que ouvia, tudo o que via ‚ÄĒ cada ideia vinda de fora, cada (…), cada acontecimento era o ponto de partida de um sonho. Vinha de um circo e ficava em casa ousando imaginar-me um palha√ßo, com luzes em arco √† minha volta. Via soldados passarem na minha mente a falarem com uma vis√£o de mim pr√≥prio, tratando-me por capit√£o, chefiando, ordenando, vitorioso. Quando lia algo acerca de aventureiros imediatamente me convertia neles, por completo. Quando lia algo acerca de criminosos, morria por cometer crimes at√© me apavorar com o meu desarranjo mental. Conforme as coisas que via, ou ouvia, ou lia, vivia em todas as classes sociais,

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Diferentes Caminhos para uma Felicidade Sempre Insuficiente

O objectivo para o qual o princ√≠pio do prazer nos impele ‚ÄĒ o de nos tornarmos felizes ‚ÄĒ n√£o √© ating√≠vel; contudo, n√£o podemos ‚ÄĒ ou melhor, n√£o temos o direito ‚ÄĒ de desistir do esfor√ßo da sua realiza√ß√£o de uma maneira ou de outra. Caminhos muito diferentes podem ser seguidos para isso; alguns dedicam-se ao aspecto positivo do objectivo, o atingir do prazer; outros o negativo, o evitar da dor. Por nenhum destes caminhos conseguimos atingir tudo o que desejamos. Naquele sentido modificado em que vimos que era ating√≠vel, a felicidade √© um problema de gest√£o da libido em cada indiv√≠duo. N√£o h√° uma receita soberana nesta mat√©ria que sirva para todos; cada um deve descobrir por si qual o m√©todo atrav√©s do qual poder√° alcan√ßar a felicidade. Toda a esp√©cie de factores ir√° influenciar a sua escolha. Depende da quantidade de satisfa√ß√£o real que ele ir√° encontrar no mundo externo, e at√© onde acha necess√°rio tornar-se independente dele. Por fim, na confian√ßa que tem em si pr√≥prio do seu poder de modificar conforme os seus desejos. Mesmo nesta fase, a constitui√ß√£o mental do indiv√≠duo tem um papel decisivo, para al√©m de quaisquer considera√ß√Ķes externas. O homem que √© predominantemente er√≥tico ir√° escolher em primeiro lugar rela√ß√Ķes emocionais com os outros;

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O Amor Era a Festa do Inimit√°vel

O amor, outrora, era a festa do individual, do inimit√°vel, a gl√≥ria do que √© √ļnico, do que n√£o suporta qualquer repeti√ß√£o. Mas o umbigo n√£o s√≥ n√£o se revolta contra a repeti√ß√£o, √© um apelo √†s repeti√ß√Ķes! Vamos viver, no nosso mil√©nio, sob o signo do umbigo. Sob este signo, somos todos, tanto um como outro, soldados do sexo, com o mesmo olhar fixo n√£o sobre a mulher amada mas sobre o mesmo pequeno buraco no meio da barriga que representa o √ļnico sentido, o √ļnico fim, o √ļnico futuro de todo o desejo er√≥tico.

A Cultura Deve Ser Uma Descoberta Individual de Cada um de Nós

Não se deve intervir, não nos devemos meter nos problemas que cada um tem com a leitura. Não devemos sofrer por causa das crianças que não lêem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é. Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.
Por exemplo, em rela√ß√£o a Baudelaire, devemos ser os primeiros a descobrir o seu esplendor. E somos os primeiros. E, se n√£o formos os primeiros, nunca seremos leitores de Baudelaire. Todas as obras-primas do mundo deveriam ser encontradas pelas crian√ßas nos despejos p√ļblicos, e lidas √†s escondidas dos pais e dos mestres.
Por vezes, o facto de se ver algu√©m a ler um livro no metro, com grande aten√ß√£o, pode provocar a compra desse livro. Mas n√£o quanto aos romances populares. A√≠, ningu√©m se engana quanto √† natureza do livro. Os dois g√©neros nunca est√£o juntos nas mesmas m√£os. Os romances populares s√£o impressos em milh√Ķes de exemplares. Com a mesma grelha aplicada, em princ√≠pio, h√° uns cinquenta anos, os romances populares desempenham a sua fun√ß√£o de identifica√ß√£o sentimental ou er√≥tica.

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A Promiscuidade Tira a Vontade

O que √© a experi√™ncia? Nada. √Č o n√ļmero dos donos que se teve. Cada amante √© uma coronhada. S√£o mais mil no conta-quil√≥metros. A experi√™ncia √© uma coisa que amarga e atrapalha. N√£o √© um motivo de orgulho. √Č uma coisa que se desculpa. A experi√™ncia √© um erro repetido e re-repetido at√© √† exaust√£o. Se √© dif√≠cil amar um enganador, mais dif√≠cil ainda √© amar um enganado.
Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem ¬ęexperiente¬Ľ. O n√ļmero de amantes anteriores √© uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ci√ļme. O pudor que se exige √†s mulheres n√£o √© um conceito ultrapassado ‚ÄĒ √© uma excelente ideia. S√≥ que tamb√©m se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo √© uma coisa trivial. √Č por isso que temos de torn√°-lo especial. Ir para a cama com toda a gente √© pouco higi√©nico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E s√≥ se libertam quando vale a pena. A castidade √© que √© ¬ęsexy¬Ľ. Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.
Uma mulher gosta de conquistar n√£o o homem que j√° todas conquistaram,

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A masculinidade s√≥ pode ser experimentada, alcan√ßada, reconhecida, e personificada em oposi√ß√£o √† feminilidade. Quando os homens colocam sexo, viol√™ncia, e morte como verdades er√≥ticas elementares, eles pretendem dizer isto ‚ÄĒ que sexo, ou foder, √© o ato que os possibilita experimentarem sua pr√≥pria realidade, ou identidade, ou masculinidade o mais concretamente; que viol√™ncia, ou sadismo, √© o meio pelo qual ele efetiva essa realidade, ou identidade, ou masculinidade; e que a morte, ou a nega√ß√£o, ou a inexist√™ncia, ou a contamina√ß√£o pela f√™mea √© o que eles arriscam cada vez que penetram no que eles imaginam ser o vazio do buraco da f√™mea.

A Inutilidade do Viajar

Que utilidade pode ter, para quem quer que seja, o simples facto de viajar? N√£o √© isso que modera os prazeres, que refreia os desejos, que reprime a ira, que quebra os excessos das paix√Ķes er√≥ticas, que, em suma, arranca os males que povoam a alma. N√£o faculta o discernimento nem dissipa o erro, apenas det√©m a aten√ß√£o momentaneamente pelo atractivo da novidade, como a uma crian√ßa que pasma perante algo que nunca viu! Al√©m disso, o cont√≠nuo movimento de um lado para o outro acentua a instabilidade (j√° de si consider√°vel!) do esp√≠rito, tornando-o ainda mais inconstante e incapaz de se fixar. Os viajantes abandonam ainda com mais vontade os lugares que tanto desejavam visitar; atravessam-nos voando como aves, v√£o-se ainda mais depressa do que vieram. Viajar d√°-nos a conhecer novas gentes, mostra-nos forma√ß√Ķes montanhosas desconhecidas, plan√≠cies habitualmente n√£o visitadas, ou vales irrigados por nascentes inesgot√°veis; proporciona-nos a observa√ß√£o de algum rio de caracter√≠sticas invulgares, como o Nilo extravasando com as cheias de Ver√£o, o Tigre, que desaparece √† nossa vista e faz debaixo de terra parte do seu curso, retomando mais longe o seu abundante caudal, ou ainda o Meandro, tema favorito das lucubra√ß√Ķes dos poetas, contorcendo-se em incont√°veis sinuosidades,

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As Amadas Passam como o Vento

Um dia percebemos que as amadas se evaporam
no ar como se nunca tivessem existido.
Sombras de p√°ssaros na √°gua

elas emigram para lugares distantes
ou talvez para alguma estrela
dessas que flamejam nos trapézios do céu.

As amadas passam como o vento
s√£o inconstantes como as brisas que derrubam
as folhas mortas de um pomar.

Semelhantes a esses gatos de pel√ļcia
que nos arranham com seus bigodes de merc√ļrio
e v√£o-se lambuzar no pires de leite.

As amadas, quando v√£o embora,
deixam apenas a memória do perfume
como um punhal cravado em nosso peito.

[Argila Erótica: 8]

O Amor e o Vinho

Pense-se, por exemplo, na rela√ß√£o que existe entre o bebedor e o vinho. N√£o √© verdade que o vinho oferece sempre ao bebedor a mesma satisfa√ß√£o t√≥xica, que a poesia tem comparado com frequ√™ncia √† satisfa√ß√£o er√≥tica ‚ÄĒ compara√ß√£o, de resto, aceit√°vel do ponto de vista cient√≠fico? J√° alguma vez se ouviu dizer que o bebedor fosse obrigado a mudar sem descanso de bebida porque se cansaria rapidamente de uma bebida que permanecesse a mesma? Pelo contr√°rio, a habitua√ß√£o estreita cada vez mais o la√ßo entre o homem e a esp√©cie de vinho que ele bebe. Existir√° no bebedor uma necessidade de partir para um pa√≠s onde o vinho seja mais caro ou o seu consumo proibido, a fim de estimular por meio de semelhantes obst√°culos a sua satisfa√ß√£o decrescente? De modo nenhum. Basta escutarmos o que dizem os nossos grandes alco√≥licos, como B√≥cklin, da sua rela√ß√£o com o vinho: evocam a harmonia mais pura e como que um modelo de casamento feliz.