Passagens sobre Escolhas

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Frases sobre escolhas, poemas sobre escolhas e outras passagens sobre escolhas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Na B√≠blia, parte-se sempre do cora√ß√£o, isto √©, de dentro, porque √© ali que nascem todas as injusti√ßas, a malvadez, as viol√™ncias, mas tamb√©m as escolhas pelo bem, por uma verdadeira convers√£o de n√≥s mesmos. Quando mudarmos alguma coisa dentro de n√≥s, logo a mudan√ßa se ver√° fora de n√≥s… e o mundo tornar-se-√° um jardim.

O Paradoxo da Leitura

O sábio lê livros, mas lê também a vida. O universo é um grande livro e a vida é uma grande escola.
(…) Quanto mais leio mais ignorante fico. A escolha que hoje se depara a qualquer homem educado √© entre a inoc√™ncia que n√£o l√™ e a ignor√Ęncia que l√™ muito.
(…) √Č poss√≠vel sustentar com alguma apar√™ncia de exactid√£o que a imprensa de hoje mata a leitura e a leitura mata o pensamento.

Escolher a Felicidade

Nem paz nem felicidade se recebem dos outros nem aos outros se d√£o. Est√°-se aqui t√£o sozinho como no nascer e no morrer; como de um modo geral no viver, em que a √ļnica companhia poss√≠vel √© a daquele Deus a um tempo imanente e transcendente e a dos que neles est√£o, a de seus santos. Felicidade ou paz n√≥s as constru√≠mos ou destru√≠mos: aqui o nosso livre-arb√≠trio supera a fatalidade do mundo f√≠sico e do mundo do proceder e toda a experi√™ncia que vamos fazendo, negativa mesmo para todos, a podemos transformar em positiva. Para o fazermos, se exige pouco, mas um pouco que √© na realidade extremamente dif√≠cil e que n√£o atingiremos nunca por nossas pr√≥prias for√ßas: exige-se de n√≥s, primacialmente, a humildade; a gratid√£o pelo que vem, como a de um ginasta pelo seu aparelho de exerc√≠cio; a firmeza e a serenidade do capit√£o de navio em sua ponte, sabendo que o ata ao leme n√£o a vontade de um rei, como nos Descobrimentos, mas a vontade de um rei de reis, revelada num servidor de servidores; finalmente, o entregar-se como uma crian√ßa a quem sabe o caminho. De qualquer forma, no fundo de tudo, o que h√° √© um acto de decis√£o individual,

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Algu√©m que sabe muito e que j√° viveu muito contava-me h√° pouco tempo que a maioria das coisas que nos acontecem n√£o s√£o escolha nossa. √Č preciso uma vida inteira, mais de sessenta anos pelo menos, para se fazer esta afirma√ß√£o com propriedade. Pedindo emprestada a experi√™ncia da voz na qual escutei esta frase, acrescento que, se essa falta de escolha existe, ent√£o tem de estar presente nos momentos aparentemente pequenos, uma vez que s√£o eles que, sucessivos e constantes, formam aquilo a que, no cume da montanha, chamamos ¬ęa vida¬Ľ.

As certezas s√£o sempre uma vantagem. H√° raz√Ķes contra tudo e a favor de tudo. Qualquer ponto de vista pode ser justificado ou condenado. Al√©m disso, h√° possibilidades infinitas entre o sim e o n√£o. Pouco importa as respostas que escolhas, quem ter√° suficiente autoridade para as julgar? Quem se achar√° com suficiente lucidez para te contradizer? Algu√©m cheio de certezas, n√£o te parece?

Escolha sempre o caminho que pareça o melhor, mesmo que seja o mais difícil; o hábito brevemente o tornará fácil e agradável.

Alguém acha que conquistei a minha felicidade através de um jogo qualquer ou que a ganhei numa rifa? A minha felicidade foi conquistada a pulso, com muitas lágrimas, com muitas cabeçadas na parede, muitas quedas e muitos enganos, muitas más escolhas e sofrimento à mistura. Não se escala uma montanha sem tombar algumas vezes.

Quando se ama uma mulher, ou ela se deixa erguer um trono de domínio na alma, e então o homem ama por desejo e gratidão; ou ela repele os afectos do que a requesita, e então é nobre o deixá-la na livre escolha de quem lhe apraz.

Pelo modo como homenageamos e pela escolha que fazemos dos que recebem as nossas homenagens, logo demarcamos a dist√Ęncia do que nos rodeia.

A diferença entre ser feliz e não ser feliz está na escolha das palavras, o mais feliz, aprendi num instante, é sempre aquele que diz melhor.

A essência da filosofia liberal é a crença na dignidade do indivíduo, em sua liberdade de usar ao máximo suas capacidades e oportunidades de acordo com suas próprias escolhas, sujeito somente à obrigação de não interferir com a liberdade de outros indivíduos fazerem o mesmo.

O destino não é frequentemente inevitável, mas uma questão de escolha. Quem faz escolha, escreve sua própria história, constrói seus próprios caminhos.

Assim a Casa Seja

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que n√£o escurece nada

Voltaste, j√° voltaste
J√° entras como sempre
Abrandas os teus passos
E paras no tapete

Ent√£o que uma luz arda
E assim o fogo aqueça
Os dedos bem unidos
Movidos pela pressa.

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que n√£o escurece nada
Voltaste, j√° voltei
Também cheia de pressa
De dar-te, na parede
O beijo que me peças

Ent√£o que a sombra agite
E assim a imagem faça
Os rostos de nós dois
Unidos pela graça.

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que n√£o escurece nada

Amor, o que ser√°
Mais certo que o futuro
Se nele é para habitar
A escolha do mais puro

J√° fuma o nosso fumo
J√° sobra a nossa manta
J√° veio o nosso sono
Fechar-nos a garganta.

Então que os cílios olhem
E assim a casa seja
A √°rvore do Outono
Coberta de cereja.

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Liberdade Consciente ou Inconsciente

Aquilo que ¬ęactua¬Ľ sobre mim s√≥ actua porque eu o escolhi como actuante. N√£o √© porque algu√©m me ofenda que eu reajo violentamente, mas sim porque escolho tal ofensa como ¬ęm√≥bil¬Ľ da minha reac√ß√£o. Tal escolha, por√©m, de um m√≥bil, posso n√£o reconhec√™-la sen√£o depois de se manifestar. Assim s√£o normalmente os meus actos que me esclarecem sobre o que realmente sou, sobre aquilo que realmente escolhi, sobre a minha liberdade.
Mas isso n√£o significa que eu seja ¬ęinconsciente¬Ľ, j√° que, segundo Sartre, o homem √© consci√™ncia de ponta a ponta, em todos os seus aspectos. Simplesmente, h√° consci√™ncia posicional, reflectida, e consci√™ncia n√£o-posicional, n√£o reflectida. A minha liberdade √© de facto consciente, mas s√≥ os meus actos claramente ma revelam. Em qualquer situa√ß√£o portanto, eu ¬ęsou consci√™ncia de liberdade¬Ľ. Assim a minha liberdade √© o estofo do meu ser.

A Nossa Avidez Infinita

Todos n√≥s sofremos de uma avidez infinita. As nossas vidas s√£o-nos preciosas, estamos sempre alerta contra os desperd√≠cios. Ou talvez fosse melhor chamar a isso Sentido de Destino Pessoal. Sim. Creio que √© melhor do que avidez. Dever√° a minha vida perder um mil√©simo de polegada da sua plenitude? √Č uma coisa diferente avaliar-se a si pr√≥prio ou vangloriar-se loucamente. E h√° ent√£o os nossos planos, os nossos ideais. Tamb√©m eles s√£o perigosos. Podem consumir-nos como parasitas, comer-nos, sorver-nos e deixar-nos exangues e prostrados. E no entanto estamos constantemente a convidar os parasitas, como se estiv√©ssemos ansiosos por sermos sorvidos e comidos. Isto porque nos ensinaram que n√£o h√° limites para o que um homem pode ser.

Há seiscentos anos um homem era o que o seu nascimento demarcava para ele. Satanás e a Igreja, representante de Deus, lutavam por ele. Ele, pela sua escolha, decidia em parte qual seria o resultado. Mas quer fosse, depois da morte, para o céu ou para o inferno, o seu lugar entre os vivos estava marcado. Não podia ser contestado. Desde então o palco foi novamente arranjado e os seres humanos apenas passeiam nele e, sob este novo ponto de vista,

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S√≥ dos Mortos Devemos Ter Ci√ļmes

S√≥ dos mortos devemos ter ci√ļmes; acordar
de entre as pedras doentes dolorosos
que da beira das arribas nos atirem ao porto
onde enfim se encontre a nossa ang√ļstia.
Só eles lutam palmo a palmo pelo espaço
em que já vertical erguemos nosso braço
em busca de que sumo ou de que c√©u. √Č que s√≥ eles
nos retiram da cama de que por nós foi feita
a escolha: a macieza intensa que julg√°mos
eterna, que nos parecia t√£o cordatamente
entregue √† nossa pr√≥pria suma suma√ļma.
Só os mortos, horror, inda que vivos, vivem
paredes meias com os nossos dedos, logo afastam
os momentos ferozes que toc√°ssemos, e as nuvens
por sobre o mar dos olhos: é bem feito,
dizem os meninos. Pois que dos vivos vivos
a vida nos desvia e nisso nos conduz, assaz
encaminhados pelo que vamos querendo.
Só os mortos nos mordem, nos apontam
a dedo frio e tenso, entorpecem desejos
e, pois pior, só eles nos expulsam
do vero som dos sinos numa entrega
às palavras baldadas do comércio.
A luta clara que sonhada fosse
pela m√£o dada e limpa que nos dessem
tropeça,

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