Passagens sobre Espaço

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Frases sobre espa√ßo, poemas sobre espa√ßo e outras passagens sobre espa√ßo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Inocência

Caminhando no mundo vai segura
A Inocência, com grave firme passo.
Sem temor de cair no infame laço
Que arma a traidora m√£o, a m√£o perjura.

Como n√£o obra mal, nem mal procura
Para os seus semelhantes, corre o espaço
Sem lança, sem arnês, sem peito de aço,
Armada só de consciência pura.

Pois que ofensa n√£o faz, n√£o teme ofensa
E por isso passeia, satisfeita,
Sem as feras temer na selva densa.

Trai√ß√Ķes, √≥dios, vingan√ßas n√£o espreita.
Certa no bem que faz, só nele pensa:
Quem remorsos n√£o tem, mal n√£o suspeita.

Inominado Nome

Persigo-o no ininteligível arbítrio
dos astros, na clandestina linfa
que percorre os t√ļrgidos corredores
do indecifrável, nos falsos indícios
que, de fogos f√°tuos, escurecem

a persistente incógnita do nome.
Em persegui-lo persisto onde, bem
sei, n√£o lograrei ach√°-lo, que nunca
achado será em tempo ou espaço
que excedam meu limite e dimens√£o.

Um nome, ainda obscuro, pressinto
no sal da boca amarga, Conheço-lhe
o rosto familiar, desfocado embora,
no halo do tempo e da dist√Ęncia.
√Č, creio, a face indefect√≠vel de tudo

quanto tenho de calar. Este nome
(este rosto) habita-me silente, contra
a recusa, a mentira, ou a cal√ļnia.
Na epiderme, nos nervos e na carne,
sobre a língua e o palato, adivinho-lhe

forma, sabor e propósito. Ouço-o
dentro de mim, mau grado
o queira ou n√£o, que em mim
só está sofrê-lo porque em mim
vive e dura, enquanto eu dure e viva.

E n√£o por meu mal, que meu
mal seria, mais que perdê-lo,
sem ele viver.
Um rosto persigo,
um nome guardo no sal da boca

amarga,

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O Casamento é a Mais Rica Aventura Humana

Meu caro leitor!
Se não tens tempo nem oportunidade para consagrar uma dezena de anos da tua vida a uma viagem em volta do mundo para observar tudo o que um circunavegador pode aprender; se te falta, por não teres estudado por muito tempo as línguas estrangeiras, os dons e os meios de te iniciar nas mentalidades diversas dos povos que se revelam aos cientistas; se não pensas em descobrir um novo sistema astronómico que suprima o de Copérnico, bem como o de Ptolomeu Рentão, casa-te; e mesmo que tenhas tempo para viajar, dons para os estudos e a esperança de fazer descobertas, casa-te do mesmo modo. Tu não te arrependerás, ainda que isso te impeça de conheceres todo o Globo terrestre, de te exprimires em muitas línguas e de compreenderes o espaço celeste; pois o casamento é e continuará a ser a viagem da descoberta mais importante que o homem pode empreender; qualquer outro conhecimento da vida, comparado ao de um homem casado, é superficial, pois ele e só ele penetrou verdadeiramente na existência.

O Problema em Amar

O problema em amar quem te ama √© o de quem te ama te amar como tu amas quem te ama. E depois o encadeamento √© simples: quem te ama quer-te presente por dentro dele a toda a hora, por todo o lado do teu lado; e tu queres quem te ama presente em ti a toda a hora, por todo o lado do teu lado. Mas os corpos ‚Äď por mais que a alma n√£o seja palp√°vel tamb√©m ela tem um corpo ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. A partir de uma certa altura: p√°ra. E j√° n√£o alarga mais. E tu queres enfiar o espa√ßo que quem ama ocupa em ti mesmo ao lado do espa√ßo do que te amas. E n√£o d√°. N√£o d√° para te amares como amas quem amas. E depois quem te ama como tu amas quem te ama vai querer fazer o mesmo contigo. E n√£o d√°. Os corpos ‚Äď repito ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. E chega uma altura em que uma parte de ti n√£o cabe na parte toda de quem amas; e chega uma altura em que uma parte de quem amas n√£o cabe na parte toda de ti.

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A Variedade √© a √önica Desculpa da Abund√Ęncia

A variedade √© a √ļnica desculpa da abund√Ęncia. Ningu√©m deveria deixar vinte livros diferentes, a menos que seja capaz de escrever como vinte homens diferentes. As obras de Victor Hugo enchem cinquenta grossos volumes, mas cada volume, cada p√°gina quase, cont√©m todo o Victor Hugo. As outras p√°ginas somam-se como p√°ginas, n√£o como g√©nio. Nele n√£o existia produtividade, mas prolixidade. Desperdi√ßou o seu tempo como g√©nio, por pouco que o tivesse desperdi√ßado como escritor. A opini√£o de Goethe a seu respeito continua a ser suprema, apesar de ter sido precocmente emitida, e uma grande li√ß√£o para todos os artistas: ¬ęDeveria escrever menos e trabalhar mais¬Ľ, disse ele. Este parecer, na sua distin√ß√£o entre o trabalho a s√©rio, que n√£o se espraia, e o trabalho fict√≠cio, que ocupa espa√ßo (pois as p√°ginas nada mais s√£o do que espa√ßo), √© uma das grandes opini√Ķes cr√≠ticas do mundo.
Se conseguir escrever como vinte homens diferentes, é vinte homens diferentes, seja lá como for, e os seus vinte livros têm justificação.

Menina e Moça

Est√° naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto bot√£o, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.

Às vezes recatada, outras estouvadinha,
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem coisas de criança e modos de mocinha,
Estuda o catecismo e lê versos de amor.

Outras vezes valsando, e* seio lhe palpita,
De cansaço talvez, talvez de comoção.
Quando a boca vermelha os l√°bios abre e agita,
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,
Olha furtivamente o primo que sorri;
E se corre parece, à brisa enamorada,
Abrir asas de um anjo e tranças de uma huri.

Quando a sala atravessa, é raro que não lance
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar
N√£o leia, um quarto de hora, as folhas de um romance
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,
A cama da boneca ao pé do toucador;

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Quase ningu√©m repara em ningu√©m. Em parte porque o espa√ßo que nos circunda est√° cheio de chamadas, de perigos e de j√ļbilos; o ser humano, longe do que se pensa, √© o que menos se nota no mundo.

Os homens nuca dizem: ¬ęJ√° n√£o gosto.¬Ľ Dizem: ¬ęO problema n√£o est√° em ti, est√° em mim. Preciso de pensar, preciso de espa√ßo…¬Ľ. As mulheres s√£o muito mais directas: ¬ęDeixei de gostar de ti.¬Ľ E pronto. Os homens nunca o dizem porque querem que a mulher fique de reserva.

Flores Da Lua

Brancuras imortais da Lua Nova
Frios de nostalgia e sonol√™ncia…
Sonhos brancos da Lua e viva essência
Dos fantasmas noctívagos da Cova.

Da noite a tarda e taciturna trova
Solu√ßa, numa tremula dorm√™ncia…
Na mais branda, mais leve florescência
Tudo em Vis√Ķes e Imagens se renova.

Mistérios virginais dormem no Espaço,
Dormem o sono das profundas seivas,
Mon√≥tono, infinito, estranho e lasso…

E das Origens na lux√ļria forte
Abrem nos astros, nas sidéreas leivas
Flores amargas do palor da Morte.

A Vida em Pleno

Diariamente criticamos o destino: “Porque foi este homem arrebatado a meio da carreira? E aquele, porque n√£o morre, em vez de prolongar uma velhice t√£o penosa para ele como para os outros?” Diz-me c√°, por favor: o que achas tu mais justo, seres tu a obedecer √† natureza ou a natureza a ti? Que diferen√ßa faz sair mais ou menos depressa de um s√≠tio de onde temos mesmo de sair? N√£o nos devemos preocupar em viver muito, mas sim em viver plenamente; viver muito depende do destino, viver plenamente, da nossa pr√≥pria alma. Uma vida plena √© longa quanto basta; e ser√° plena se a alma se apropria do bem que lhe √© pr√≥prio e se apenas a si reconhece poder sobre si mesma. Que interessa os oitenta anos daquele homem passados na inac√ß√£o? Ele n√£o viveu, demorou-se nesta vida; n√£o morreu tarde, levou foi muito tempo a morrer! “Viveu oitenta anos!”. O que importa √© ver a partir de que data ele come√ßou a morrer. “Mas aquele outro morreu na for√ßa da vida”. √Č certo, mas cumpriu os deveres de um bom cidad√£o, de um bom amigo, de um bom filho, sem descurar o m√≠nimo pormenor; embora o seu tempo de vida ficasse incompleto,

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Elogio da Morte

I

Altas horas da noite, o Inconsciente
Sacode-me com força, e acordo em susto.
Como se o esmagassem de repente,
Assim me pára o coração robusto.

N√£o que de larvas me pov√īe a mente
Esse v√°cuo nocturno, mudo e augusto,
Ou forceje a raz√£o por que afugente
Algum remorso, com que encara a custo…

Nem fantasmas nocturnos vision√°rios,
Nem desfilar de espectros mortu√°rios,
Nem dentro de mim terror de Deus ou Sorte…

Nada! o fundo dum po√ßo, h√ļmido e morno,
Um muro de silêncio e treva em torno,
E ao longe os passos sepulcrais da Morte.

II

Na floresta dos sonhos, dia a dia,
Se interna meu dorido pensamento.
Nas regi√Ķes do vago esquecimento
Me conduz, passo a passo, a fantasia.

Atravesso, no escuro, a névoa fria
D’um mundo estranho, que pov√īa o vento,
E meu queixoso e incerto sentimento
S√≥ das vis√Ķes da noite se confia.

Que místicos desejos me enlouquecem?
Do Nirvana os abismos aparecem,
A meus olhos, na muda imensidade!

N’esta viagem pelo ermo espa√ßo,

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Viver √©…

Viver √© uma perip√©cia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o √Ęnimo e o des√Ęnimo, um entusiasmo ora doce, ora din√Ęmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital.

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A TV Como Instrumento Redutor

Porque √© que a TV foi essa ¬ęcaixinha que revolucionou o mundo¬Ľ? Fa√ßo a pergunta e as respostas v√™m em turbilh√£o. Fez de tudo um espect√°culo, fez do longe o mais perto, promoveu o analfabetismo e o atraso mental. De um modo geral, desnaturou o homem. E sobretudo miniturizou-o, fazendo de tudo um pormenor, isturado ao quotidiano dom√©stico. Porque mesmo um filme ou pe√ßa de teatro ou at√© um espect√°culo desportivo perdem a grandeza e metaf√≠sica de um largo espa√ßo de uma comunidade humana.

J√° um acto religioso √© muito diferente ao ar livre ou no interior de uma catedral. Mas a TV √© algo de min√ļsculo e trivial como o sof√° donde a presenciamos. Diremos assim e em resumo que a TV √© um instrumento redutor. Porque tudo o que passa por l√° chega at√© n√≥s diminu√≠do e desvalorizado no que lhe √© essencial. E a maior raz√£o disso n√£o est√° nas reduzidas dimens√Ķes do ecr√£, mas no facto de a ¬ęcaixa revolucionadora¬Ľ ser um objecto entre os objectos de uma sala.

Mas por sobre todos os males que nos infligiu, ergue-se o da promoção do analfabetismo. Ser é um acto difícil e olhar o boneco não dá trabalho nenhum.

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Natal

Natal, antes e agora
imut√°vel. Feliz
noite branca sem hora
no p√°tio da Matriz.

Natal: os mesmos sinos
de repiques iguais.
Brinquedos e meninos,
Natal de outros natais.

A Banda, vozes, passos
da multid√£o fiel.
Tudo nos seus espaços,
o mundo e o carrossel.

Tudo, menos o andejo
homem que se conclui.
Olho-me, e n√£o me vejo,
n√£o sei para onde fui.

Andei Léguas de Sombra

Andei léguas de sombra
Dentro em meu pensamento.
Floresceu às avessas
Meu ócio com sem-nexo,
E apagaram-se as l√Ęmpadas
Na alcova cambaleante.

Tudo prestes se volve
Um deserto macio
Visto pelo meu tato
Dos veludos da alcova,
N√£o pela minha vista.
H√° um o√°sis no Incerto
E, como uma suspeita
De luz por n√£o-h√°-frinchas,
Passa uma caravana.

Esquece-me de s√ļbito
Como é o espaço, e o tempo
Em vez de horizontal
√Č vertical.

Romance

Fruto de solid√£o
preso à fronde do vento,
lua, tu nos d√°s
a medida do eterno,
essa altura que jogas
contra o espaço celeste
em nós refere a terra,
que em nossa √Ęnsia integras.
E ao nosso amor integras
tudo o que n√£o sofremos,
tudo o que n√£o tivemos
e apenas pressentimos,
em tua marcha sentimos
tudo o que n√£o teremos
e tudo o que j√° viveram
cora√ß√Ķes noutros tempos.
Flanco de solid√£o,
maçã casta e sensual
presa ao ramo oscilante
entre a alma e o carnal,
em ti, suprema altura,
os olhos v√£o reunindo
as trilhas do abandono
e alguns ecos da inf√Ęncia.

Pata branca de touro
extraviada no azul.

Parto-me desses Olhos Graciosos

Bem pode, Sílvia minha, qualquer serra
tirar a estes meus olhos sua glória,
qualquer monte terá de mim vitória,
qualquer pequeno espaço, enfim, de terra.

Mas contra um pensamento fazem guerra,
que traz em si pintada vossa história,
e quanto mais contrastes, mais memória
conserva um coração que vos encerra.

Parto-me desses olhos graciosos,
mas por eles vos juro, que mudança
se n√£o veja nos meus eternamente,

Que a m√°goa de os ver ficar chorosos
estímulo será para a lembrança
de quem se vê de vós viver ausente.

Mas 10 anos depois, quando desenvolv√≠amos o primeiro computador Machintosh tudo veio √† mim. E colocamos tudo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse feito aquele espec√≠fico curso na faculdade, o Mac nunca teria m√ļltiplos estilos de letras, ou espa√ßos proporcionais. E j√° que o Windows copiou o Mac, talvez nenhum computador pessoal as tivesse.

Começar um novo ano, para um cristão, não é só mudar o calendário ou adquirir uma nova agenda. O Ano Novo convida a parar um instante, a perceber a própria existência pessoal como um percurso de contínuo crescimento. Só se soubermos deter o frenesim e encontrar um breve espaço de reflexão, os votos não serão palavras vãs e os brindes não serão gestos efémeros sem significado.