Cita√ß√Ķes sobre Espectadores

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Frases sobre espectadores, poemas sobre espectadores e outras cita√ß√Ķes sobre espectadores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Momentos Decisivos

Tendemos a pensar que a verdade das pessoas emerge nos momentos decisivos, no fio da navalha, quando se testam os limites. A hora dos santos e dos her√≥is. Ora bem, nesses momentos o comportamento humano n√£o costuma ser nem exemplar nem animador. A chusma que se acotovela para chegar primeiro √† bilheteira da sala de concertos; os espectadores que se atropelam ao fugir de um teatro em chamas, espezinhando os mais fracos sem se aperceberem deles, a crian√ßa, as cansadas carnes do anci√£o, calcadas pelos tac√Ķes das jovens mulheres que se aperaltaram para a sa√≠da noturna; os honrados cidad√£os, incluindo as senhoras ‚ÄĒ de boas fam√≠lias, ou de fam√≠lias humildes, nisso n√£o h√° distin√ß√Ķes ‚ÄĒ, que golpeiam furiosamente com os remos as cabe√ßas dos n√°ufragos que tentam subir para o bote salva-vidas superlotado. Salve-se quem puder.

Como Manipular um P√ļblico

Segundo uma lei conhecida, os homens, considerados colectivamente, s√£o mais est√ļpidos do que tomados individualmente. Numa conversa a dois, conv√©m que respeitemos o parceiro, mas essa regra de conduta j√° n√£o √© t√£o indispens√°vel num debate p√ļblico em que se trata de dispor as massas a nosso favor.

H√° uns anos, um pol√≠tico pagou a figurantes para o aplaudirem numa concentra√ß√£o. Como bom profissional, compreendera que uma claque, embora n√£o melhore o discurso, predisp√Ķe melhor os espectadores a descobrirem os seus m√©ritos. O mimetismo √© a mola principal para mover as massas no sentido do entusiasmo, do respeito ou do √≥dio. Mesmo perante um pequeno p√ļblico de trinta pessoas, h√° sempre algo de religioso que prov√©m da coagula√ß√£o dos sentimentos individuais em express√£o colectiva. No meio de um grupo, √© necess√°ria uma certa energia para pensar contra a maioria e coragem para exprimir abertamente essa opini√£o.
Os manipuladores de opinião ou, para utilizar uma palavra mais delicada, os comunicadores, sabem que, para conduzir mentalmente uma assembleia numa determinada direcção, é necessário começar por agir sobre os seus líderes. A primeira tarefa consiste em determinar quem são, apesar de eles próprios não o saberem. Um manipulador não tarda a distinguir o punhado de indivíduos em que pode apoiar-se para influenciar os outros.

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√Č preciso querer ser feliz e contribuir para isso. Se ficarmos na posi√ß√£o do espectador impass√≠vel, deixando para a felicidade apenas a entrada livre e as portas abertas, ser√° a tristeza que entrar√°.

Combater é uma Diminuição

Combater √©, em termos absolutos, uma diminui√ß√£o. O homem, quer defenda a p√°tria, quer defenda as ideias, desde que passa os dias aos tiros ao vizinho, mesmo que o vizinho seja o monstro dos monstros, est√° a perder grandeza. Sempre que por qualquer motivo a raz√£o passou a servir a paix√£o, houve um apoucamento do espirito, e √© dif√≠cil que o esp√≠rito se salve num processo onde ele entra diminu√≠do. Mas quando numa comunidade algu√©m endoidece e desata a ferir a torto e a direito, √© preciso dominar o possesso de qualquer forma, e a guerra √© fatal. Ent√£o, embora sabendo que vai empobrecer a sua alma, o homem normal come√ßa a lutar, e s√≥ a morte ou o triunfo o podem fazer parar. √Č tr√°gico, mas √© natural. O que √© contra todas as leis da vida √© ficar ao lado da contenda como espectador. Sendo uma diminui√ß√£o combater, √© uma trai√ß√£o sem nome lavar as m√£os do conflito, e passar as horas de bin√≥culo assestado a contemplar a desgra√ßa do alto dum monte. Assim √© que nada se salva. Fica-se homem sem qualquer sentido, manequim vestido de gente, coisa que n√£o tem personalidade. Porque nem se representa a intelig√™ncia,

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N√£o gosto at√© da palavra espectador. Ou melhor, da palavra eu gosto. N√£o gosto √© do p√ļblico, da palavra “p√ļblico” √© que n√£o gosto muito. Porque p√ļblicas s√£o as cadeiras do cinema; s√£o p√ļblicas. Agora, as pessoas que se sentam nelas, s√£o pessoas, verdadeiramente pessoas, e cada um √© distinto do outro. Cada um √© um ser aut√™ntico, e, portanto, nem todos estar√£o aptos ou sens√≠veis a uma sinfonia, a um trabalho qualquer, seja de que ordem for.

De Um e de Dois, de Todos

Sou o espectador o actor e o autor
Sou a mulher o marido e o filho
E o primeiro amor e o derradeiro amor
E o furtivo transeunte e o amor confundido

E de novo a mulher seu leito e seu vestido
E seus braços partilhados e o trabalho do homem
E seu prazer em flecha e a fêmea ondulação
Simples e dupla a carne nunca se exila

Pois onde começa um corpo ganho eu forma e
[consciência
E mesmo quando na morte um corpo se desfaz
Eu repouso em seu cadinho desposo o seu
[tormento
Sua inf√Ęmia me honra o cora√ß√£o e a vida.

Tradução de António Ramos Rosa

Da Ideia do Belo em Geral

I РChamamos ao belo ideia do belo. Este deve ser concebido como ideia e, ao mesmo tempo, como a ideia sob forma particular; quer dizer, como ideal. O belo, já o dissemos, é a ideia; não a ideia abstracta, anterior à sua manifestação, não realizada, mas a ideia concreta ou realizada, inseparável da forma, como esta o é do principio que nela aparece. Ainda menos devemos ver na ideia uma pura generalidade ou uma colecção de qualidades abstraídas dos objectos reais. A ideia é o fundo, a própria essência de toda a existência, o tipo, unidade real e viva da qual os objectos visíveis não são mais que a realização exterior. Assim, a verdadeira ideia, a ideia concreta, é a que resume a totalidade dos elementos desenvolvidos e manifestados pelo conjunto dos seres. Numa palavra, a ideia é um todo, a harmoniosa unidade deste conjunto universal que se processa eternamente na natureza e no mundo moral ou do espírito.
Só deste modo a ideia é verdade, e verdade total.
Tudo quanto existe, portanto, só é verdadeiro na medida em que é a ideia em estado de existência; pois a ideia é a verdadeira e absoluta realidade. Nada do que aparece como real aos sentidos e à consciência é verdadeiro por ser real,

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Todas as Nossas Paix√Ķes se Justificam a Si Pr√≥prias

Existem duas ocasi√Ķes distintas em que examinamos a nossa pr√≥pria conduta e buscamos v√™-la sob a luz em que o espectador imparcial a veria: primeiro, quando estamos prestes a agir; e, segundo, depois que agimos. Em ambos os casos os nossos ju√≠zos tendem a ser bastante parciais, mas eles tendem a tornar-se ainda mais parciais quando seria da maior import√Ęncia que n√£o fossem. Quando estamos prestes a agir, a veem√™ncia da paix√£o raramente nos permitir√° consider√°-la com a isen√ß√£o de uma pessoa neutra. As violentas emo√ß√Ķes que nesse momento nos agitam distorcem os nossos ju√≠zos sobre as coisas, mesmo quando buscamos colocar-nos na situa√ß√£o de outra pessoa. (…) Por essa raz√£o, como diz Malebranche, todas as nossas paix√Ķes se justificam a si pr√≥prias, e parecem razo√°veis e proporcionais aos seus objectos enquanto n√≥s estivermos a senti-las. (… ) A opini√£o que cultivamos do nosso pr√≥prio car√°cter depende inteiramente dos nossos ju√≠zos acerca da nossa conduta passada. Mas √© t√£o desagrad√°vel pensarmos mal de n√≥s mesmos que ami√ļde afastamos propositadamente o nosso olhar das circunst√Ęncias que poderiam tornar o julgamento desfavor√°vel. (…) Esse auto-engano, essa fraqueza fatal dos homens, √© a fonte de metade das desordens da vida humana. Se pud√©ssemos ver-nos como os outros nos v√™em,

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A Maior Intensidade de Vida do Artista

Embora o artista em todos os per√≠odos da sua vida permane√ßa mais pr√≥ximo da inf√Ęncia, para n√£o dizer mais fiel do que o homem especializado na realidade pr√°tica, muito embora se possa afirmar que ele, ao contr√°rio deste √ļltimo se mant√©m continuamente no estado sonhador e puramente humano da crian√ßa brincalhona, o caminho que transp√Ķe a partir dos prim√≥rdios intactos at√© √†s fases tardias, jamais imaginadas do seu devir, √© infinitamente mais longo, mais aventuroso, mais emocionante para o espectador, do que o do homem burgu√™s, para o qual a reminisc√™ncia de tamb√©m ter sido crian√ßa em outros tempos nunca fica t√£o prenhe de l√°grimas.

Todos os homens são sensíveis enquanto espectadores. Mas todos os homens se tornam insensíveis quando actuam.

Os olhos do leitor são juízes mais difíceis do que os ouvidos do espectador.

Escrever é Triste

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, puré de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que voc√™ perde em viver, escrevinhando sobre a vida. N√£o apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem voc√™, porque com voc√™ n√£o √© poss√≠vel contar. Voc√™ esperando que os outros vivam, para depois coment√°-los com a maior cara-de-pau (“com isen√ß√£o de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divaga√ß√£o descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei propriet√°rio do universo, que escolhe para o seu jantar de not√≠cias um terremoto, uma revolu√ß√£o, um adult√©rio grego ‚ÄĒ √†s vezes nem isso, porque no painel imenso voc√™ escolhe s√≥ um besouro em campanha para verrumar a madeira.

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O respeito pela liberdade do espectador s√≥ tem igual no respeito do autor por si pr√≥prio. Porque √© por respeito por si pr√≥prio que ele n√£o se comove nem se ri, a n√£o ser pelo que sobra ou √© um excedente da sua vontade de rir e de se comover. √Č da sua estabilidade ou ¬ęindiferen√ßa¬Ľ que transborda o que h√°-de comover ou fazer rir os outros.

Da Poesia e da Tragédia

Parece que a poesia tem inteiramente a sua origem em duas causas, ambas naturais. Porque a imita√ß√£o √© natural ao homem desde a inf√Ęncia, e nisto difere dos outros animais, pois que ele √© o mais imitador de todos, aprende as primeiras coisas por meio da imita√ß√£o, e todos se deleitam com as imita√ß√Ķes. √Č prova disto o que acontece a respeito dos art√≠fices, porque n√≥s contemplamos com prazer as imagens mais exactas daqueles mesmos objectos para que olhamos com repugn√Ęncia; por exemplo, a representa√ß√£o de animais feroc√≠ssimos e de cad√°veres. E a raz√£o disto √© porque o aprender √© coisa que muito apraz n√£o s√≥ aos fil√≥sofos, mas tamb√©m igualmente aos demais homens, posto que estes sejam menos instru√≠dos. Por isso se alegram de ver as imagens, pois que, olhando para elas, podem aprender e discorrer o que uma delas √© e dizer, por exemplo: isto √© tal; porque, se suceder que algu√©m n√£o tenha visto o original, n√£o recebe ent√£o prazer da imita√ß√£o, mas ou da beleza da obra, ou das cores, ou de outro algum motivo semelhante.
Sendo, pois, própria da nossa natureza a imitação, também o é a harmonia e o ritmo (porque é claro que os metros são parte do ritmo).

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O Embuste dos Artistas e Escritores

Estamos habituados, perante tudo o que √© perfeito, a omitir a quest√£o do seu processo evolutivo, regozijando-nos antes com a sua presen√ßa, como se ele tivesse sa√≠do do ch√£o por artes m√°gicas. Provavelmente, estamos ainda, neste caso, sob o efeito residual de um antiqu√≠ssimo sentimento mitol√≥gico. Quase nos sentimos ainda (por exemplo, num templo grego como o de Pesto) como se, numa manh√£, um deus, brincando, tivesse constru√≠do a sua morada com t√£o gigantescos fardos. Outras vezes, como se um esp√≠rito tivesse subitamente sido metido por encanto dentro duma pedra e quisesse, agora, falar atrav√©s dela. O artista sabe que a sua obra s√≥ produz pleno efeito, se fizer crer numa improvisa√ß√£o, numa miraculosa instantaneidade da sua cria√ß√£o; e, assim, ele ajuda mesmo a essa ilus√£o, introduzindo na arte, ao come√ßo da sua cria√ß√£o, aqueles elementos de entusi√°stica inquieta√ß√£o, de desordem que tacteia √†s cegas, de sonho atento, como forma de iludir, a fim de dispor o esp√≠rito do espectador ou do ouvinte de modo a que ele creia no s√ļbito brotar da perfei√ß√£o.
A ci√™ncia da arte, como √© evidente, tem de contradizer essa ilus√£o da maneira mais determinada e apontar as conclus√Ķes err√≥neas e os maus h√°bitos do intelecto,

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O Rigor e a Duração do Castigo

O rigor do castigo causa menos efeito sobre o esp√≠rito humano do que a dura√ß√£o da pena, porque a nossa sensibilidade √© mais f√°cil e mais constantemente afectada por uma impress√£o ligeira, mas frequente, do que por um abalo violento, mas passageiro. Todo o ser sens√≠vel est√° submetido ao imp√©rio do h√°bito; e, como √© este que ensina o homem a falar, a andar, a satisfazer as suas necessidades, √© tamb√©m ele que grava no cora√ß√£o do homem as ideias de moral por impress√Ķes repetidas.
O espect√°culo atroz, mas moment√Ęneo, da morte de um criminoso, √© para o crime um freio menos poderoso do que o longo e cont√≠nuo exemplo de um homem privado da sua liberdade, tornado at√© certo ponto uma besta de carga e que repara com trabalhos penosos o dano que causou √† sociedade. Este retorno
frequente do espectador a si mesmo: ¬ęSe eu cometesse um crime, estaria a reduzir toda a minha vida a essa miser√°vel condi√ß√£o¬Ľ, – essa ideia terr√≠vel assombraria mais fortemente os esp√≠ritos do que o medo da morte, que se v√™ apenas um instante numa obscura dist√Ęncia que lhe enfraquece o horror.

A Alegoria da Caverna

– Imagina agora o estado da natureza humana com respeito √† ci√™ncia e √† ignor√Ęncia, conforme o quadro que dele vou esbo√ßar. Imagina uma caverna subterr√Ęnea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a inf√Ęncia, de tal modo que n√£o possam mudar de lugar nem volver a cabe√ßa devido √†s cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo t√£o-s√≥ ver aquilo que se encontra diante deles. Nas suas costas, a certa dist√Ęncia e a certa altura, existe um fogo cujo fulgor os ilumina, e entre esse fogo e os prisioneiros depara-se um caminho dificilmente acess√≠vel. Ao lado desse caminho, imagina uma parede semelhante a esses tapumes que os charlat√£es de feita colocam entre si e os espectadores para esconder destes o jogo e os truques secretos das maravilhas que exibem.
– Estou a imaginar tudo isso.
РImagina homens que passem para além da parede, carregando objectos de todas as espécies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal modo que tudo isso apareça por cima do muro. Os que tal transportam, ou falam uns com os outros,

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Para a Minha Mulher

Desde que a Maria João casou (oficialmente) comigo há treze anos, damos por nós a casarmo-nos um com o outro, voluntária ou involuntariamente, várias vezes por dia.
Vou contar s√≥ uma. Esta semana, quando volt√°vamos da praia, a Maria Jo√£o estava a pentear-se e deu-me uns cabelos soltos para eu deitar pela janela do carro. Tive ci√ļmes que algu√©m pudesse apanhar os lindos cabelos dela e disse-lhe. Dei-lhes um beijinho e atirei-os ao vento. E a Maria Jo√£o disse: ¬ęAgora tenho eu ci√ļmes que algu√©m apanhe o cabelo com beijinhos teus¬Ľ.

Cas√°mos um com o outro nesse momento. J√° t√≠nhamos casado cinco vezes na praia. Casar √© o que acontece quando duas pessoas descobrem que, por estarem a fazer ou terem feito uma coisa grande ou pequena, s√£o as duas √ļnicas pessoas no mundo. Todas as outras pessoas n√£o podem fazer parte daquele prazer. Aquele prazer s√≥ √© poss√≠vel para duas pessoas concretas: ela e eu.

À nossa volta casavam-se muitas outras pessoas, casando-se mais por nós estarmos de fora, juntamente com todas as outras. Às vezes somos nós os espectadores. Vemos outras pessoas a casarem-se: um homem a rir-se leva uma mulher a rir-se nos braços pelo mar adentro e não a deixa cair até ela pedir.

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