Cita√ß√Ķes sobre Ex√≠lio

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Frases sobre ex√≠lio, poemas sobre ex√≠lio e outras cita√ß√Ķes sobre ex√≠lio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Suportamos tudo: a guerra, o sofrimento, o exílio, etc. A passagem de um estado para o outro é que é terrível. O tempo de nos instalarmos.

Dói Viver, Nada Sou Que Valha Ser.

Dói viver, nada sou que valha ser.
Tardo-me porque penso e tudo rui.
Tento saber, porque tentar é ser.
Longe de isto ser tudo, tudo flui.

M√°goa que, indiferente, faz viver.
Névoa que, diferente, em tudo influi.
O exílio nado do que fui sequer
Ilude, fixa, d√°, faz ou possui.

Assim, noturno, a √°rias indecisas,
O prel√ļdio perdido traz √† mente
O que das ilhas mortas foi só brisas,

E o que a memória análoga dedica
Ao sonho, e onde, lua na corrente,
N√£o passa o sonho e a √°gua in√ļtil fica.

Desafogo

Onde estás, oh Filósofo indefesso
Pio sequaz da rígida Virtude,
T√£o terna a alheios, quanto a si severa?
Com que m√°goa, com que ira olharas hoje
Desprezada dos homens, e esquecida
Aquela √Ęnsia, que em n√≥s pousou Natura
No √Ęmago do peito, ‚ÄĒ de acudir-nos
Co’as for√ßas, c’o talento, co’as riquezas
À pena, ao desamparo do homem justo!
Que (baldão da fortuna iníqua) os Deuses
Puseram para símbolo do esforço,
Lutando a bra√ßos c’o √°spero infort√ļnio?
Pedra de toque em que luzisse o ouro
De sua alma viril, onde encravassem
Seus farp√Ķes mais agudos as Desgra√ßas,
E os peitos de virtude generosa
Desferissem poderes de árduo auxílio?
Que nunca os homens s√£o mais sobre-humanos
Mais comparados c’os sublimes Numes,
Que quando acodem com socorro activo,
Não manchado de sórdido interesse,
Nem do fumo de frívola ufania;
Ou cheios de valor e de const√Ęncia
Arrostam co’a medonha catadura
Da Desgraça, que apura iradas mágoas
Na casa nua do var√£o honesto.
Mas Grécia e Roma há muito que acabaram;
E as cinzas dos Heróis fortes e humanos,

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O Amigo

1.

Um amigo, o primeiro amigo
dentro da nuvem de um sonho.

O impossível toca-nos as mãos
subitamente ‚ÄĒ o fogo, a flor conc√™ntrica
de planetas no exílio.

Na terra do silêncio
os frutos caem
de sua própria vontade.

2.

Ao coração das coisas,
ao jugo das cores da memória,
ao pequeno desvio da sombra no deserto,
ao amor que nos alimenta de morte, à morte
que morre connosco
opomos a infinita
constelação
dos nossos sentidos.

Desterro

J√° me n√£o amas? Basta! Irei, triste, e exilado
Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho.
Adeus, carne cheirosa! Adeus, primeiro ninho
Do meu delírio! Adeus, belo corpo adorado!

Em ti, como num vale, adormeci deitado,
No meu sonho de amor, em me√£o do caminho…
Beijo-te inda uma vez, num √ļltimo carinho,
Como quem vai sair da p√°tria desterrado…

Adeus, corpo gentil, p√°tria do meu desejo!
Berço em que se emplumou o meu primeiro idílio,
Terra em que floresceu o meu primeiro beijo!

Adeus! Esse outro amor h√° de amargar-me tanto
Como o pão que se come entre estranhos, no exílio,
Amassado com fel e embebido de pranto…

Sílaba sobre Sílaba

Aprendo uma gram√°tica de ex√≠lio, nas vertentes do sil√™ncio. √Č uma aprendizagem que requer pernas rijas e m√£o segura, coisas de que j√° n√£o me posso gabar, mas embora prec√°rias, sempre as minhas m√£os foram animais de paci√™ncia, e as pernas, essas ainda v√£o trepando pelos dias sem ajuda de ningu√©m. Sem o desembara√ßo de muitos, mas tirando partido dos variados acidentes da pedra, que conhe√ßo bem, l√° vou pondo s√≠laba sobre s√≠laba. Do nascer ao p√īr do sol.

Fragmento Terceiro

I

Campos de ira, t√£o vasto sentimento
vos afasta. íris morta! Os actos radicais
constroem, em projeto, um fr√°gil
universo ‚Äď a tinta, o espa√ßo √≥ptico.
Descansam os sentidos sobre pródigas
defesas: os filtros turvos, as precau√ß√Ķes
na sua cura. Os nervos tersos
da análise da vida e da matéria.

II

Desviam-se dos livros. Hoje escreve
contra a morte dos olhos, a existência
passível de leitura. Ineptos, os sons
perdem-se na encosta. o vento fere
ainda? Inscrito
na área da cabeça, é esse rastro
ainda vivo. Domino a sua queda, os seus poderes
punitivos, a sua força hereditária.

III

Persistir no imóvel. Preencher
os anos que nos moldam
no vigor da fibra, no duro movimento
interior ‚ÄĒ a que destino, a que imaturo
ritmo, sem preço? Pois é o caro
prémio deste dorso
de o cumprir, pensar, até ao fim.
Ou de saber adestrá-lo até que,
exausto, só impulso
vigore ‚ÄĒ a morte lida
num próximo sentido, ainda vivo.

IV

Como contacto √ļnico,

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Baladas Rom√Ęnticas – Verde…

Como era verde este caminho!
Que calmo o céu! que verde o mar!
E, entre fest√Ķes, de ninho em ninho,
A Primavera a gorjear!…
Inda me exalta, como um vinho,
Esta fatal recordação!
Secou a flor, ficou o espinho…
Como me pesa a solid√£o!

√ďrf√£o de amor e de carinho,
√ďrf√£o da luz do teu olhar,
РVerde também, verde-marinho,
Que eu nunca mais hei de olvidar!
Sob a camisa, alva de linho,
Te palpitava o cora√ß√£o…
Ai! coração! peno e definho,
Longe de ti, na solid√£o!

Oh! tu, mais branca do que o arminho,
Mais p√°lida do que o luar!
– Da sepultura me avizinho,
Sempre que volto a este lugar…
E digo a cada passarinho:
“N√£o cantes mais! que essa can√ß√£o
Vem me lembrar que estou sozinho,
No ex√≠lio desta solid√£o!”

No teu jardim, que desalinho!
Que falta faz a tua m√£o!
Como inda √© verde este caminho…
Mas como o afeia a solid√£o!

Cerimonial do Amor

Se não houver esperanças de que o teu amor seja recebido, o que tens a fazer é não o declarar. Poderá desenvolver-se em ti, num ambiente de silêncio. Esse amor proporciona-te então uma direcção que permite aproximares-te, afastares-te, entrares, saíres, encontrares, perderes. Porque tu és aquele que tem de viver. E não há vida se nenhum deus te criou linhas de força.
Se o teu amor n√£o √© recebido, se ele se transforma em s√ļplica v√£ como recompensa da tua fidelidade, se n√£o tens cora√ß√£o para te calares, nessa altura vai ter com um m√©dico para ele te curar. √Č bom n√£o confundir o amor com a escravatura do cora√ß√£o. O amor que pede √© belo, mas aquele que suplica √© amor de criado.
Se o teu amor esbarra com o absoluto das coisas, se por exemplo tem de franquear a impenetrável parede de um mosteiro ou do exílio, agradece a Deus que ela por hipótese retribua o teu amor, embora na aparência se mostre surda e cega. Há uma lamparina acesa para ti neste mundo. Pouco me importa que tu não possas servir-te dela. Aquele que morre no deserto tem a riqueza de uma casa longínqua, embora morra.

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P√°tria

Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactid√£o
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das t√£o amadas
Palavras sempre ditas com paix√£o
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

РPedra   rio   vento   casa
Pranto   dia   canto   alento
Espaço   raiz   e água
√ď minha p√°tria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo

Poema Cansado de Certos Momentos

Foi-se tudo
como areia fina escoada pelos dedos.
M√£e! aqui me tens,
metade de mim,
sem saber que metade me pertence.
Aqui me tens,
de gestos saqueados,
onde resta a saudade de ti
e do teu mundo de medos.
Meus braços, vê-os, estão gastos
de pedir luz
e de roubar dist√Ęncias.
Meus braços
cruzados
em cruz de calv√°rio dos meus degredos.
Ai que isto de correr pela vida,
dissipando a riqueza que me deste,
de levar em cada beijo
a pureza que pariste e embalaste,
ai, mãe, só um louco ou um Messias
estendendo a face de justo

para os homens cuspirem o fel das veias,
só um louco, ou um poeta ou um Cristo
poder√° beijar as rosas que os espinhos sangram
e, embora rasgado, beber o perfume
e continuar cantando.
M√£e! tu nunca previste
as geadas e os bichos
roendo os campos adubados
e o vizinho largando a f√ļria dos rebanhos
pela flor menina dos meus prados.
E assim, geraste-me despido
como as ervas,
e n√£o olhaste os pegos nem as cobras,

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O Poder e o Conhecimento

Entre o conhecimento e o poder existe n√£o s√≥ a rela√ß√£o de servilismo, mas tamb√©m de verdade. Muitos conhecimentos, embora formalmente verdadeiros, s√£o nulos fora de toda a propor√ß√£o com a reparti√ß√£o de poderes. Quando o m√©dico expatriado diz- “Para mim, Adolf Hitler √© um caso patol√≥gico” – o resultado cl√≠nico acabar√° talvez por confirmar o seu ju√≠zo, mas a despropor√ß√£o deste com a desgra√ßa objectiva que, em nome do paran√≥ico, se espalha pelo mundo faz de tal diagn√≥stico, com que se incha o diagnosticador, algo rid√≠culo. Talvez Hitler seja “em si” um caso patol√≥gico, mas certamente n√£o “para ele”. A vaidade e a pobreza de muitas manifesta√ß√Ķes do ex√≠lio contra o fascismo ligam-se a este facto. Os que expressam os seus pensamentos na forma de ju√≠zo livre, distanciado e desinteressado s√£o os que n√£o foram capazes de assumir nessa forma a experi√™ncia da viol√™ncia, o que torna in√ļtil tal pensamento. O problema, quase insol√ļvel, consiste aqui em n√£o se deixar imbecilizar nem pelo poder dos outros nem pela impot√™ncia pr√≥pria.

A Gratidão não é Coisa de Pouca Monta

Ningu√©m poder√° ser grato se n√£o desprezar tudo aquilo que excita a aten√ß√£o do vulgo: se quiseres, de facto, retri¬≠buir um favor ter√°s que estar disposto a enfrentar o ex√≠lio, a derramar o teu sangue, a resignar-te √† indig√™ncia, a con¬≠sentir mesmo que a tua inoc√™ncia seja posta em causa e se sujeite a infames boatos. Um homem grato n√£o √© coisa de pouca monta. Habitualmente, a nada se d√° mais valor do que a um benef√≠cio enquanto o solicitamos, mas a nada se d√° menos valor depois de obt√™-lo. Sabes o que ocasiona em n√≥s o esquecimento dos favores recebidos? √Č o desejo daqueles que procuramos obter! N√£o pensamos no que j√° conseguimos, mas s√≥ no que ainda procuramos alcan√ßar. Somos desviados do caminho recto pelas riquezas, as hon¬≠ras, o poder e outras coisas mais que a opini√£o comum considera valiosas mas que em si mesmas nada valem.

A Cidade do Sonho

Sofres e choras? Vem comigo! Vou mostrar-te
O caminho que leva √† Cidade do Sonho…
De tão alta que está, vê-se de toda a parte,
Mas o íngreme trajecto é florido e risonho.

Vai por entre rosais, sinuoso e macio,
Como o caminho ch√£o duma aldeia ao luar,
Todo branco a luzir numa noite de Estio,
Sob o intenso clamor dos ralos a cantar.

Se o teu √Ęnimo sofre amarguras na vida,
Deves empreender essa jornada louca;
O Sonho é para nós a Terra Prometida:
Em beijos o man√° chove na nossa boca…

Vistos dessa eminência, o mundo e as suas
[sombras,
Tingem-se no esplendor dum perpétuo arrebol;
O mais estéril chão tapeta-se de alfombras,
N√£o h√° nuvens no c√©u, nunca se p√Ķe o Sol.

Nela mora encantada a Ventura perfeita
Que no mundo jamais nos √© dado sentir…
E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita,
A própria Dor começa a cantar e a sorrir!

Que importa o despertar? Esse instante divino
Como recordação indelével persiste;
E neste amargo exílio,

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Domicílio

… O apartamento abria
janelas para o mundo. Crianças vinham
colher na maresia essas notícias
da vida por viver ou da inconsciente

saudade de nós mesmos. A pobreza
da terra era maior entre os metais
que a rua misturava a feios corpos,
duvidosos, na pressa. E de terraço

em solitude os ecos refluíam
e cada exílio em muitos se tornava
e outra cidade fora da cidade

na garra de um anzol ia subindo,
adunca pescaria, mal difuso,
problema de existir, amor sem uso.

Soneto IX

Nessa tua janela, solit√°rio,
entre as grades douradas da gaiola,
teu amigo de exílio, teu canário
canta, e eu sei que esse canto te consola.

E, l√° na rua, o povo tumultu√°rio
ouvindo o canto que daqui se evola
crê que é o nosso romance extraordinário
que naquela canção se desenrola.

Mas, cedo ou tarde, encontrar√°s, um dia,
calado e frio, na gaiola fria,
o teu can√°rio que cantava tanto.

E eu chorarei. Teu pobre confidente
ensinou-me a chorar t√£o docemente,
que todo mundo pensar√° que eu canto.

Cidad√£o do Mundo

De todas as grandes tiradas da Hist√≥ria, em boa verdade, aquela que eu mais depressa aprendera a detestar fora essa do ¬ęcidad√£o do mundo¬Ľ, com que a classe m√©dia de Lisboa tanto gostava de encher a boca at√© que algu√©m a reconhecesse globetrotter, portadora de cart√£o de cr√©dito e representante dessa nova burguesia do resort de quatro estrelas e da m√°quina fotogr√°fica digital. Porque ser de todo o lado, percebi-o eu assim que extravasei os limites da terra-m√£e, n√£o podia significar outra coisa sen√£o que n√£o se era de lado nenhum – e n√£o ser de lado nenhum, n√£o ter um lugar, um canto de mundo a que regressar, parecera-me sempre a mais triste de todas as condi√ß√Ķes. Para ser sincero, e apesar das j√° quase duas d√©cadas que levava de ex√≠lio, eu continuava a voltar √† terra como se realmente pudesse acordar ao contr√°rio, contorcendo-me e espregui√ßando-me e depois fechando-me em concha, at√©, enfim, adormecer. E, se de algu√©m ainda conseguia desdenhar com algum m√©todo, assim despertando da letargia que nos √ļltimos anos me deixara imp√°vido perante cada vez mais coisas, perante a dor e o pr√≥prio prazer, era daqueles que viviam longe h√° dez ou vinte ou trinta ou mesmo quarenta anos e,

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Todos nós somos levados ao mesmo lugar;
na urna agita-se a sorte de cada um:
mais cedo ou mais tarde, a sorte terá de ser lançada,
e nos fará entrar no barquinho em direcção ao exílio eterno.

Adeus Tranças Cor de Ouro

Adeus tranças cor de ouro,
Adeus peito cor de neve!
Adeus cofre onde estar deve
Escondido o meu tesouro!

Adeus bonina, adeus lírio
Do meu exílio de abrolhos!
Adeus, ó luz dos meus olhos
E meu tão doce martírio!

Adeus meu amor-perfeito,
Adeus tesouro escondido,
E de guardado, perdido
No mais íntimo do peito.

Desfeito sonho dourado,
Nuvem desfeita de incenso
Em quem dormindo só penso,
Em quem só penso acordado!

Vis√£o, sim, mas vis√£o linda,
Sonho meu desvanecido!
Meu paraíso perdido
Que de longe adoro ainda!

Nuvem que ao sopro da aragem
Voou nas asas de prata,
Mas no lago que a retrata
Deixou esculpida a imagem!

Rosa de amor desfolhada
Que n’alma deixou o aroma,
Como o deixa na redoma
Fina essência evaporada!

Gota de orvalho que o vento
Levou do c√°lix das flores,
Curto abril dos meus amores,
Primavera de um momento!

Adeus Sol, que me alumia
Pelas ondas do oceano
Desta vida, deste engano,

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O Afecto não é Real

O afecto √© um fabricante de ilus√Ķes, e quem quer que deseje o real dever√° ser uma pessoa desinteressada. A partir do momento que sabemos que uma coisa √© real, j√° n√£o conseguimos estar ligados a ela.
O afecto não é mais do que a insuficiência do sentimento da realidade. Estamos envolvidos com a posse de uma coisa porque acreditamos que se deixarmos de a possuir, ela deixa de ser. Muitas são as pessoas que não sentem, com toda a sua alma, que existe uma diferença absoluta entre a destruição de uma cidade e o seu exílio irremediável longe desta mesma cidade.