Cita√ß√Ķes sobre Flechas

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Frases sobre flechas, poemas sobre flechas e outras cita√ß√Ķes sobre flechas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Primeiro Round

Caminho o transit√≥rio bem tranq√ľilo
por que me soube, desde muito cedo,
flecha veloz, arco e alvo, num estilo
de quem despe o taxímetro do enredo

numa velocidade sem sigilo.
Nunca o subterf√ļgio. Nunca o medo.
Pelo menos aquele com vacilo
de transgredir. N√£o. Nem me sei rochedo.

Meu corpo alberga o fr√°gil nesse asilo
em que só vencedores têm lugar.
Sou campe√£o de perdas. Foi cochilo,

creio, me ter um sócio do bazar
de Fernando Pessoa. Sim, pugilo
pelos ringues, no entanto, sem ganhar.

XLIX

Os olhos tendo posto, e o pensamento
No rumo, que demanda, mais distante;
As ondas bate o Grego Navegante,
Entregue o leme ao mar, a vela ao vento

Em vão se esforça o harmonioso acento
Da sereia, que habita o golfo errante;
Que resistindo o espírito constante,
Vence as lisonjas do enganoso intento.

Se pois, ninfas gentis, rompe a Cupido
O arco, a flecha, o dardo, a chama acesa
De um peito entre os heróis esclarecido;

Que vem buscar comigo a néscia empresa,
Se inda mais, do que Ulisses atrevido,
Sei vencer os encantos da beleza!

F√°bula

Estavam ali diante dos meus olhos: era terrível e ao mesmo tempo fascinante.
Ao princípio pensei que ele a estava a matar, logo a seguir percebi que não, que talvez ambos estivessem a morrer, só depois qualquer apelo distante se fez carne em mim. Então todo eu fiquei amarrado aos seus gestos, àquela respiração fatigada e difícil, àquele balbucio que lhes saía ralo da boca.
Os seio de Maria ca√≠am nus da blusa. Uma das m√£os do carpinteiro perdia-se nos seus cabelos emaranhados, a outra parecia ter-se enterrado na areia. O resto era aquele corpo todo d√® homem: r√≠gido e fremente, ao mesmo tempo, √† for√ßa de concentrar todo o √≠mpeto nas n√°degas, arco de onde a flecha partia, para se cravar exasperada nas entranhas da rapariga. Parecia um cavalo ofegante ‚ÄĒ os olhos cerrados, o suor escorrendo da raiz dos cabelos, espa-lhando-se pelas costas, pelos flancos, pelas pernas, quase todas descobertas. Um cavalo cego mordendo o c√©u branco de agosto. Mas a terra chamou-o, e um relincho prolongado encheu o leito do ribeiro, morreu no alto dos amieiros. Por fim a paz desceu ao mundo.
Maria olhava o carpinteiro com olhos rasos de espanto, como quem tivesse perdido tudo naquele instante.

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Dizem os chineses: Se precisar disparar a flecha da verdade, primeiro molhe a sua ponta no mel.

A gente tem que mirar no alvo e atirar, pronto, foi. A flecha n√£o volta. Se acertamos ou erramos, n√£o tem volta. Foi assim que levei a vida.

Vocação de Poeta

Recentemente, ao repousar
Sob essa folhagem
Ouvi bater, tiquetaque,
Suavemente, como em compasso.
Aborrecido, fiz uma careta,
Depois, abandonando-me,
Acabei, como um poeta,
Por imitar o mesmo tiquetaque.

Ouvindo assim, upa,
Saltar as sílabas,
Desatei de repente a rir,
Durante um bom quarto de hora.
Tu poeta? Tu poeta?
Estarás assim mal da cabeça?
¬ęSim, senhor, voc√™ √© poeta¬Ľ,
Diz Pic, o P√°ssaro, encolhendo os ombros.

Quem espero eu sob este arbusto?
Quem estarei a espreitar como um ladr√£o?
Uma palavra? Uma imagem?
Logo a minha ruína aparece.
Nada do que rasteja, ou que saltite
Escapa ao impulso dos meus versos,
¬ęSim, senhor, voc√™ √© poeta¬Ľ,
Diz Pic, o P√°ssaro, encolhendo os ombros.

A rima é como uma flecha,
Que temor, que tremor,
Ao penetrar no coração,
Lagarto a contorcer-se!
Morrereis assim, pobres diabos,
Ou ficareis embriagados,
¬ęSim, senhor, voc√™ √© poeta¬Ľ,
Diz Pic, o P√°ssaro, encolhendo os ombros.

Versículos informes que se atropelam,
Pequenas palavras loucas, que efervescência
Até que, linha a linha,

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De Um e de Dois, de Todos

Sou o espectador o actor e o autor
Sou a mulher o marido e o filho
E o primeiro amor e o derradeiro amor
E o furtivo transeunte e o amor confundido

E de novo a mulher seu leito e seu vestido
E seus braços partilhados e o trabalho do homem
E seu prazer em flecha e a fêmea ondulação
Simples e dupla a carne nunca se exila

Pois onde começa um corpo ganho eu forma e
[consciência
E mesmo quando na morte um corpo se desfaz
Eu repouso em seu cadinho desposo o seu
[tormento
Sua inf√Ęmia me honra o cora√ß√£o e a vida.

Tradução de António Ramos Rosa

A Gonçalves Dias

Celebraste o domínio soberano
Das grandes tribos, o tropel fremente
Da guerra bruta, o entrechocar insano
Dos tacapes vibrados rijamente,

O marac√° e as flechas, o estridente
Troar da in√ļbia, e o canitar indiano…
E, eternizando o povo americano,
Vives eterno em teu poema ingente.

Estes revoltos, largos rios, estas
Zonas fecundas, estas seculares
Verdejantes e amplíssimas florestas

Guardam teu nome: e a lira que pulsaste
Inda se escuta, a derramar nos ares
O estridor das batalhas que contaste.

Nenhum estado de √Ęnimo desgoverna tanto o viver do homem quanto o ci√ļme, posto ser ele flecha envenenada que se crava, simultaneamente, no cora√ß√£o do amante e no orgulho do homem.

A Ignor√Ęncia n√£o Exclui a Firmeza de Opini√£o

Tendo estudado a sabedoria em livros traduzidos do grego, do chin√™s ou do s√Ęnscrito, tenho uma certa desvantagem em rela√ß√£o aos ignorantes que s√≥ aprenderam em jornais desportivos ou revistas de moda. Quando enfrento um assunto dif√≠cil cuja elucida√ß√£o requer anos de reflex√£o, sinto-me intimidado com a consci√™ncia da minha insufici√™ncia, que me trava os impulsos no momento em que eles, impelidos pelo propulsor da sua ignor√£ncia, est√£o seguros de ter encontrado, ainda antes de ter procurado. Como posso faz√™-los compreender que tenho raz√£o em n√£o proclamar que a tenho, antes de dedicar tempo a demonstrar-lhes que est√£o errados? N√£o, eles n√£o desistem. De resto, as minhas hesita√ß√Ķes atrai√ßoam-me. A verdade √© uma flecha que vai direita ao alvo. Os escr√ļpulos intelectuais s√£o tremuras do esp√≠rito. Se visar mal, como posso atingir o alvo?
Apercebemo-nos de que a ignor√Ęncia n√£o exclui a firmeza de opini√£o. Existe at√© uma cumplicidade objectiva entre elas. Quanto menos sabem, mais ostentam, diz o profeta. A indig√™ncia intelectual tira partido do seu pretenso parentesco com a Verdade. Contudo, √© preciso ser ing√©nuo para pensar que o saber liberta o esp√≠rito dessa lei de gravita√ß√£o que faz com que todo o pensamento orbite em torno da Verdade.

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√Č Virtude Dissimular a Virtude

– Vede, caro Roberto, o senhor de Salazar n√£o diz que o sensato deve simular. Sugere-vos, se bem entendi, que deve aprender a dissimular. Simula-se o que n√£o se √©, dissimula-se o que se √©. Se vos gabardes do que n√£o fizestes, sois um simulador. Mas se evitardes, sem faz√™-lo notar, mostrar em pleno o que fizestes, ent√£o dissimulais. √Č virtude acima de todas as virtudes dissimular a virtude. O senhor de Salazar est√° a ensinar-vos um modo prudente de ser virtuoso, ou de ser virtuoso de acordo com a prud√™ncia. Desde que o primeiro homem abriu os olhos e soube que estava nu, procurou cobrir-se at√© √† vista do seu Fazedor: assim a dilig√™ncia no esconder quase nasceu com o pr√≥prio mundo. Dissimular √© estender um v√©u composto de trevas honestas, do qual n√£o se forma o falso mas sim d√° algum repouso ao verdadeiro.
A rosa parece bela porque à primeira vista dissimula ser coisa tão caduca, e embora da beleza mortal costume dizer-se que não parece coisa terrena, ela não é mais do que um cadáver dissimulado pelo favor da idade. Nesta vida nem sempre se deve ser de coração aberto, e as verdades que mais nos importam dizem-se sempre até meio.

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Acontece às vezes que uma flecha lançada ao acaso atinge o alvo que o arqueiro não queria; muitas vezes uma palavra pronunciada sem desígnio lisonjeia ou magoa um coração infeliz dividido entre o prazer e o medo.

A uma Moça Vendendo Camoezas

Para a feira vai Luisa
co seu balaio à cabeça,
todo enramado de louro
e cheio de camoezas.

Leva saia de cilício,
também jubão branco leva,
que serve o jub√£o de branco
onde amor atira as flechas.

Sobre os dedos pendurados
levava os punhos da renda;
t√£o valentona caminha
que treme o bairro de vê-la.

L√° no meio do Rossio
levanta a voz mui serena
como se aprendera solfa:
– Eu j√° tenho camoezas!

voz numa pedra

N√£o adoro o passado
não sou três vezes mestre
n√£o combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava Jo√£o
nenhuma nenhuma palavra est√° completa
nem mesmo em alem√£o que as tem t√£o grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a n√£o ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

N√£o digo como o outro: sei que n√£o sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lan√ßo os turbilh√Ķes e vejo o arco √≠ris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde ¬ęa poesia n√£o mais ritmar√° a ac√ß√£o
porque caminhar√° adiante dela¬Ľ
Os pregadores de morte v√£o acabar?
Os segadores do amor v√£o acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me ent√£o aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa n√£o me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada est√° escrito afinal

O Exercício de Viver

Se o exerc√≠cio de viver consiste maioritariamente em se ir atrai√ßoando um por um os sonhos que animaram os nossos anos de inf√Ęncia e juventude, ent√£o cada pessoa √© o resultado exato de um bom punhado de trai√ß√Ķes. √Äs vezes centenas. Traem-se os sonhos mais puros e traem-se tamb√©m os pesadelos. Por erro humano, fugimos de tempestades sem nos apercebermos de que eram t√£o nossas e estavam t√£o mergulhadas na nossa pr√≥pria medula que sem elas n√£o poder√≠amos existir. Dizemos, salva-me; dizemos, a ti j√° n√£o quererei cravar facas nas pernas, n√£o te farei mal, n√£o desejarei ver a tua express√£o de dor em nenhum espelho, amar-te-ei de outro modo, adorar-te-ei a partir de um ser que n√£o existe, chamarei supl√≠cio ao meu passado, chamar-lhe-ei calv√°rio at√© chegar a ti. Dir-te-ei que √©s suave como sonho o c√©u e que n√£o me importo de fechar os olhos a tudo para sempre se souber que depois ir√°s beijar-me as p√°lpebras. N√£o serei eu. Lan√ßarei pazadas e mais pazadas de terra sobre o monstro. Aproximar-me-ei o mais poss√≠vel do nada, de um caix√£o sem morto, de uma catedral vazia. Comprar-te-ei flores.

Não pode ser muito difícil porque nada é o que somos em definitivo,

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A flecha deixa de pertencer ao arqueiro, quando abandona o arco; e a palavra j√° n√£o pertence a quem a profere, uma vez que passe pelos l√°bios.