CitaçÔes sobre FĂșria

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Frases sobre fĂșria, poemas sobre fĂșria e outras citaçÔes sobre fĂșria para ler e compartilhar. Leia as melhores citaçÔes em Poetris.

Rebeca se levantou Ă  meia-noite e comeu punhados de terra no jardim, com avidez suicida, chorando de dor e fĂșria, mastigando minhocas macias e espedaçando os dentes nas cascas de caracĂłis.

A Habilidade EspecĂ­fica do PolĂ­tico

A habilidade especĂ­fica do polĂ­tico consiste em saber que paixĂ”es pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele prĂłprio e aos seus aliados. Na polĂ­tica como na moeda hĂĄ uma lei de Gresham; o homem que visa a objectivos mais nobres serĂĄ expulso, excepto naqueles raros momentos (principalmente revoluçÔes) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixĂŁo interesseira. AlĂ©m disso, como os polĂ­ticos estĂŁo divididos em grupos rivais, visam a dividir a nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem Ă  custa do «ruĂ­do e da fĂșria, que nada significam». NĂŁo podem prestar atenção a nada que seja difĂ­cil de explicar, nem a nada que nĂŁo acarrete divisĂŁo (seja entre naçÔes ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos polĂ­ticos como classe.

Spleen

Fora, na vasta noute, um vento de procela
Erra, aos saltos, uivando, em rajadas e em fĂșria;
E num rumor de choro, uma voz de lamĂșria,
Ouço a chuva a escorrer nos vidros da janela.

No desconforto do meu quarto de estudante,
Velo. Sinto-me como insulado da vida.
Eu imagino a morte assim, aborrecida
SolidĂŁo numa sombra infinita e constante…

Tu, que Ă©s forte, rebrame em fĂșria, natureza!
Eu, caĂ­do num fundo abismo de tristeza,
Invejo-te a expansĂŁo livre do temporal;

E, no tédio feroz que me assalta e me toma,
Sinto ansiarem-me n’alma instintos de chacal…
E compreendo Nero incendiando Roma.

Coragem IlusĂłria

HĂĄ cinco espĂ©cies de coragem, assim denominadas segundo a semelhança: suportam as mesmas coisas, mas nĂŁo pelos mesmos motivos. Uma Ă© a coragem polĂ­tica: provĂ©m da vergonha; a segunda Ă© prĂłpria dos soldados: nasce da experiĂȘncia e do facto de conhecer, nĂŁo – como dizia SĂłcrates – os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experiĂȘncia e da ignorĂąncia, e por ela sĂŁo induzidas as crianças e os loucos, estes quando enfrentam a fĂșria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra espĂ©cie Ă© a de quem tem esperança: graças a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (…) e os Ă©brios; o vinho, de facto, excita a confiança.
Outra ainda dimana da paixĂŁo irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se alguĂ©m estĂĄ enamorado, Ă© mais temerĂĄrio que cobarde e enfrenta muitos perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala a lenda; o mesmo se passa com a cĂłlera e com a ira. Pois a ira Ă© capaz de nos pĂŽr fora de nĂłs. Por isso, se afiguram tambĂ©m corajosos os javalis, embora nĂŁo sejam; quando fora de si, tĂȘm uma qualidade semelhante,

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A Tempestade

Cobre-se ó céu de grossas negras nuvens,
Os ventos mais e mais cada hora crescem,
Jå se escurece o céu, jå. com soberba
Inchadas grossas ondas se levantam.
A nau começa jå passar trabalho,
Jå começa gemer, e em tal afronta
O apito soa, brada o mestre, acodem
Com presteza varÔes no mar expertos.
PÔe-se o fero Vulturno junto ao cabo,
Levanta lå no céu furiosas ondas;
Austro bramando corre ali com fĂșria,
Dando um balanço à nau que quase a rende,
Vem com grande furor BĂłreas raivoso,
Comete por davante, o passo impide,
Encontra as grandes velas, e, por força,
Ao mastro as pega e a nau atrĂĄs empuxa:
Rompe-se por mil partes o céu, e arde
Em ligeiro, apressado, vivo fogo.
Um rugido espantoso vai correndo
Desde o AntĂĄrctico PĂłlo ao seu oposto.
Arremessam-se lanças pelos ares
De congelada pedra em ĂĄgua envolta;
Com espantoso Ă­mpeto, e rasgadas
As densas negras nuvens raios cospem:
De um golpe as velas vĂȘm todas abaixo.

DemĂŽnios

A lĂ­ngua vil, ignĂ­voma, purpĂșrea
Dos pecados mortais bava e braveja,
Com os seres impoluĂ­dos mercadeja,
Mordendo-os fundo injĂșria por injĂșria.

É um grito infernal de atroz luxĂșria,
Dor de danados, dor do Caos que almeja
A toda alma serena que viceja,
SĂł fĂșria, fĂșria, fĂșria, fĂșria, fĂșria!

SĂŁo pecados mortais feitos hirsutos
DemĂŽnios maus que os venenosos frutos
Morderam com volĂșpia de quem ama…

Vermes da Inveja, a lesma verde e oleosa,
AnÔes da Dor torcida e cancerosa,
Abortos de almas a sangrar na lama!

SolilĂłquio

JĂĄ que o sol pouco a pouco se desmaia
E meu mal cada vez mais se desvela,
Enquanto a pena, a Ăąnsia, a mĂĄgoa vela,
Quero aqui estar sozinho nesta praia.

Que bravo o mar se vĂȘ! Como se ensaia
Na fĂșria e contra os ares se rebela!
Como se enrola! Como se encapela!
Parece quer sair da sua raia.

Mas também que inflexível, que constante
Aquela penha estå à força dura
De tanto assalto e horror perseverante!

Ó empolado mar, penha segura,
Sois a imagem mais prĂłpria e semelhante
De meu fado e da minha desventura.

A Negra FĂșria CiĂșme

Morre a luz, abafa os ares
Horrendo, espesso negrume,
Apenas surge do Averno
A negra fĂșria CiĂșme.

Sobre um sĂłlio cor da noite
Jaz dos Infernos o Nurne,
E a seus pés tragando brasas
A negra fĂșria CiĂșme.

Crespas vĂ­boras penteia,
Dos olhos dardeja lume,
Respira veneno e peste
A negra fĂșria CiĂșme.

Arrancando Ă  Morte a fouce
De buĂ­do, ervado gume,
Vem retalhar coraçÔes
A negra fĂșria CiĂșme.

Ao cruel sĂłcio de Amor
Escapar ninguém presume,
Porque a tudo as garras lança
A negra fĂșria CiĂșme.

Todos os males do Inferno
Em si guarda, em si resume
O mais horrĂ­vel dos monstros,
A negra fĂșria CiĂșme.

Amor inda Ă© mais suave,
Que das rosas o perfume,
Mas envenena-lhe as graças
A negra fĂșria CiĂșme.

Nas asas de Amor voamos
Do prazer ao ĂĄureo cume,
Porém de lå nos arroja
A negra fĂșria CiĂșme.

Do férreo cålix da Morte
Prova o funesto azedume
Aquele a quem ferve n’alma
A negra fĂșria CiĂșme.

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Balada do Amor através das Idades

Eu te gosto, vocĂȘ me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, vocĂȘ troiana,
troiana mas nĂŁo Helena.
SaĂ­ do cavalo de pau
para matar seu irmĂŁo.
Matei, brigĂĄmos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristĂŁos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi vocĂȘ nua
caĂ­da na areia do circo
e o leĂŁo que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leĂŁo comeu nĂłs dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da TripolitĂąnia.
Toquei fogo na fragata
onde vocĂȘ se escondia
da fĂșria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
vocĂȘ fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal…
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesĂŁo de Versailles,
espirituoso e devasso.
VocĂȘ cismou de ser freira…
Pulei muro de convento
mas complicaçÔes políticas
nos levaram Ă  guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
VocĂȘ Ă© uma loura notĂĄvel,
boxa, dança, pula, rema.

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O Cerimonial das MĂŁos

MĂŁe, onde foi que deixaste a outra metade,
a que anunciava o sol na turvação das noites,
a que iluminava a sombra no cerimonial das mĂŁos?
Em que cĂŽncavo de rochas buscava abrigo
essa outra metade que eu via projectada
para fora de mim como um sonho evadindo-se
do cĂ­rculo de medos em que a fĂșria se jogava?
Eu era gémeo de todos os assombros
e os meus segredos era com essa outra metade
que os partilhava Ă  revelia das bocas
que em surdina me traçavam o destino.
Quanto de mim se perdia nessa metade
que me furtava o riso e me deixava a culpa,
que me feria o ventre e me fustigava a pele?
Quanto de mim me flagelava
sem que eu lhe conhecesse morada ou nome?
Mãe, eu pedia uma trégua ao vento
e um punhal Ă  chuva e com ambos queria
separar de mim a metade incandescente
que Ă  beira dos meus gestos
ganhava altura de nuvem e fulgor de estrela.
MĂŁe, eu vejo-me outro nesta cama
que guarda os instrumentos liquefeitos da insĂłnia
e sei que nĂŁo sou eu quem lĂĄ estĂĄ,

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Sanhudo, InexorĂĄvel Despotismo

Sanhudo, inexorĂĄvel Despotismo
Monstro que em pranto, em sangue a fĂșria cevas,
Que em mil quadros horrĂ­ficos te enlevas,
Obra da Iniquidade e do AteĂ­smo:

Assanhas o danado Fanatismo,
Porque te escore o trono onde te enlevas;
Por que o sol da Verdade envolva em trevas
E sepulte a RazĂŁo num denso abismo.

Da sagrada Virtude o colo pisas,
E aos satĂ©lites vis da prepotĂȘncia
De crimes infernais o plano gizas,

Mas, apesar da bĂĄrbara insolĂȘncia,
Reinas sĂł no ext’rior, nĂŁo tiranizas
Do livre coração a independĂȘncia.

Dentes

Os dentes, porque sĂŁo dentes,
iniciais. Na espuma,
porque nĂŁo sĂŁo saliva
estas ondas
pouco mordentes; este
sal que sobe quase
doce; donde?

Numa espécie
de fogo: amor Ă© fogo
que arde sem se ver;
porque nĂŁo Ă©
de facto fogo este frio aceso;
da saliva Ă  lava
passa pela espuma.

SĂł os dentes.
Duros, ĂĄcidos, concentram-se
tacteando a pele,
tatuando signos sempre
moventes
de fĂșria. Mordida
a pele cintila; espelho
dos dentes, do seu esmalte voraz;
suavemente.

Em louvor do grande CamÔes

Sobre os contrĂĄrios o terror e a morte
Dardeje embora Aquiles denodado,
Ou no rĂĄpido carro ensanguentado
Leve arrastos sem vida o Teuco forte:

Embora o bravo MacedĂłnio corte
Coa fulminante espada o nĂł fadado,
Que eu de mais nobre estĂ­mulo tocado,
Nem lhe amo a glĂłria, nem lhe invejo a sorte:

Invejo-te, CamÔes, o nome honroso;
Da mente criadora o sacro lume,
Que exprime as fĂșrias de Lieu raivoso:

Os ais de InĂȘs, de VĂ©nus o queixume,
As pragas do gigante proceloso,
O cĂ©u de Amor, o inferno do CiĂșme.

Dança Do Ventre

Torva, febril, torcicolosamente,
Numa espiral de elétricos volteios,
Na cabeça, nos olhos e nos seios
FluĂ­am-lhe os venenos da serpente.

Ah! que agonia tenebrosa e ardente!
Que convulsĂ”es, que lĂșbricos anseios,
Quanta volĂșpia e quantos bamboleios,
Que brusco e horrĂ­vel sensualismo quente.

O ventre, em pinchos, empinava todo
Como reptil abjecto sobre o lodo,
Espolinhando e retorcido em fĂșria.

Era a dança macabra e multiforme
De um verme estranho, colossal, enorme,
Do demĂŽnio sangrento da luxĂșria!

De todas as doenças do espĂ­rito humano, a fĂșria de dominar Ă© a mais terrĂ­vel.

Afra

Ressurges dos mistĂ©rios da luxĂșria,
Afra, tentada pelos verdes pomos,
Entre os silfos magnéticos e os gnomos
Maravilhosos da paixĂŁo purpĂșrea.

Carne explosiva em pĂłlvoras e fĂșria
De desejos pagĂŁos, por entre assomos
Da virgindade–casquinantes momos
Rindo da carne jĂĄ votada a incĂșria.

Votada cedo ao lĂąnguido abandono,
Aos mĂłrbidos delĂ­quios como ao sono,
Do gozo haurindo os venenosos sucos.

Sonho-te a deusa das lascivas pompas,
A proclamar, impĂĄvida, por trompas,
Amores mais estéreis que os eunucos!