Passagens sobre Gigantes

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Frases sobre gigantes, poemas sobre gigantes e outras passagens sobre gigantes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Nessa terra de gigantes que trocam vidas por diamantes,
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

O Brasil é um gigante eternamente à beira do abismo, porque nunca ninguém lhe disse que talvez a solução seja o abismo.

Carta à Minha Filha

Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos iguais. Na met√°fora dada
pela inf√Ęncia, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de raz√£o nessa cadeia em sonho de novelo.

Hoje, nesta noite t√£o quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo
e que o teu tempo ao meu se seguir√°.

Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda às vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas Рé sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua
de mentiras, em carinho de verso.

E o que queria dizer-te é dos nexos da vida,
de quem a habita para além do ar.

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Um Eu malformado terá grandes probabilidades de ser imaturo, ainda que seja um gigante na ciência; sem brilho, ainda que seja socialmente aplaudido; de viver de migalhas de prazer, ainda que tenha dinheiro para comprar o que bem desejar; rígido, ainda que tenha grande potencial criativo.

O Segredo do Mar

A ‚ÄúFlor do Mar‚ÄĚ avan√ßando
Navegava, navegava,
L√° para onde se via
O vulto que ela buscava.

Era t√£o grande, t√£o grande
Que a vista toda tapava.

E Bartolomeu erguido
Aos marinheiros bradava
Que ninguém tivesse medo
Do gigante que ali estava.

E mais perto agora est√£o
Do que procurando v√£o!

Bartolomeu que viu?
Que descobriu o valente?
– Que o gigante era um penedo
que tinha forma de gente?

Que era dantes o mar? Um quarto escuro
Onde os meninos tinham medo de ir.
Agora o mar é livre e é seguro
E foi um português que o foi abrir.

A idéia de que Deus é um gigante barbudo de pele branca sentado no céu é ridícula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que regem o Universo, então claramente existe um Deus. Só que Ele é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade!

Os filhos não precisam de pais gigantes, mas de seres humanos que falem a sua linguagem e sejam capazes de penetrar-se o coração.

Quando vemos um gigante, precisamos primeiro examinar a posição do sol e observar para termos certeza de que não se trata da sombra de um pigmeu.

Mensagem РMar Português

MAR PORTUGUÊS

Possessio Maris

I. O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, j√° n√£o separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

II. Horizonte

√ď mar anterior a n√≥s, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
’Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da long√≠nqua costa ‚ÄĒ
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em √°rvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, h√° aves,

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Tive um Cavalo de Cart√£o

Mulher. A tua pele branca foi um verão que quis viver e me foi negado. Um caminho que não me enganou. Enganou-me a luz e os olhos foscos das manhãs revividas. Enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui, a correr pelos campos todo o dia, a medir as searas pelo tamanho dos braços abertos; enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui no teu homem e no teu rosto, no teu filho, nosso. Não há manhãs para reviver, sei-o hoje. Não se podem construir dias novos sobre manhãs que se recordam. Inventei-te talvez, partindo de uma estrela como todas estas. Quis ter uma estrela e dar-lhe as manhãs de julho. As grandes manhãs de julho diante de casa e a minha mãe a acabar o almoço bom e o meu pai a chegar e a ralhar, sem ser a sério, por o almoço não estar pronto e eu sentado na terra, talvez a fazer um barroco, talvez a brincar com o cavalo de cartão. Tive um cavalo de cartão. Nunca te contei, pouco te contei, mas tive um cavalo de cartão. Brincava com ele e era bonito. Gostava muito dele. Tanto. Tanto. Tanto. Quando o meu pai mo trouxe,

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Todos os jardins da nossa inf√Ęncia s√£o o jardim do para√≠so. A pele suave desses tempos em que se corria com as pernas arqueadas soltando uma esp√©cie de luz pela respira√ß√£o. R√≠amos a correr para os bra√ßos dos adultos numa entrega absoluta. Eles, os adultos, atiravam-nos ao ar e apanhavam-nos com m√£os √°speras, e, talvez por isso, quando crescemos nunca mais deixamos de, esporadicamente, sonhar que voamos. E de sonhar com gigantes e an√Ķes, pois eram essas as nossas propor√ß√Ķes.

O Edifício Metafísico da Sociedade

Pode-se considerar o edifício metafísico da sociedade como um edifício material que seria composto de diferentes nichos ou compartimentos de grandeza mais ou menos considerável. Os lugares com as suas prerrogativas, os seus direitos, etc. formam esses diversos compartimentos, esses diferentes nichos. Eles são duráveis, e os homens passam. Aqueles que os ocupam são ora grandes, ora pequenos, e nenhum ou quase nenhum é feito para o seu lugar. Ali vemos um gigante, curvado ou agachado no seu nicho; lá vemos um anão sob uma arcada: raramente o nicho é feito para a estatura; em torno do edifício circula uma multidão de homens de diversos tamanhos. Todos esperam que haja um nicho vazio para ali se colocarem, qualquer que seja o nicho.

Depois Da Orgia

O prazer que na orgia a hetaíra goza
Produz no meu sensorium de bacante
O efeito de uma t√ļnica brilhante
Cobrindo ampla apostema escrofulosa!

Troveja! E anelo ter, s√īfrega e ansiosa,
O sistema nervoso de um gigante
Para sofrer na minha carne estuante
A dor da força cósmica furiosa.

Apraz-me, enfim, despindo a √ļltima alfaia
Que ao comércio dos homens me traz presa,
Livre deste cadeado de peçonha,

Semelhante a um cachorro de atalaia
√Äs decomposi√ß√Ķes da Natureza,
Ficar latindo minha dor medonha!

A Amizade Verdadeira e Genuína

Do mesmo modo que o papel-moeda circula no lugar da prata, tamb√©m no mundo, no lugar da estima verdadeira e da amizade aut√™ntica, circulam as suas demonstra√ß√Ķes exteriores e os seus gestos imitados do modo mais natural poss√≠vel. Por outro lado, poder-se-ia perguntar se h√° pessoas que de facto merecem essa estima e essa amizade. Em todo o caso, dou mais valor aos abanos de cauda de um c√£o leal do que a cem daquelas demonsta√ß√Ķes e gestos.
A amizade verdadeira e genu√≠na pressup√Ķe uma participa√ß√£o intensa, puramente objectiva e completamente desinteressada no destino alheio; participa√ß√£o que, por sua vez, significa identificarmo-nos de facto com o amigo. Ora, o ego√≠smo pr√≥prio √† natureza humana √© t√£o contr√°rio a tal sentimento, que a amizade verdadeira pertence √†quelas coisas que n√£o sabemos se s√£o mera f√°bula ou se de facto existem em algum lugar, como as serpentes marinhas gigantes. Todavia, h√° muitas rela√ß√Ķes entre os homens que, embora se baseiem essencialmente em motivos ego√≠stas e ocultos de diversos tipos, passam a ter um gr√£o daquela amizade verdadeira e genu√≠na, o que as enobrece ao ponto de poderem, com certa raz√£o, ser chamadas de amizade nesse mundo de imperfei√ß√Ķes. Elas elevam-se muito acima dos v√≠nculos ordin√°rios,

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Ninguém se contenta com a estatura que Deus lhe deu, e não há homem tão pigmeu ou tão formiga, que não aspire a ser gigante.

Não Te Leves Tão a Sério

Em todas as palestras que dou, reservo alguns minutos para este tema e, se poss√≠vel, logo no in√≠cio da conversa. Fa√ßo-o porque quero que a soma de todas as pessoas que me ouvem possam, rapidamente, ser um grupo. O objetivo √© aproxim√°-las da minha energia e desconstruir padr√Ķes. Muitas vezes, em certos indiv√≠duos, denoto uma forte resist√™ncia ao abra√ßo de um desconhecido, ao vibrar com uma m√ļsica que pede saltos e explos√Ķes de alegria e ao riso.
E porque √© que isto acontece? Porque est√£o a levar os padr√Ķes que gerem as suas vidas demasiado a s√©rio.

– ¬ęEu n√£o toco assim numa pessoa que n√£o conhe√ßo¬Ľ; ¬ęAi que vergonha, p√īr-me aqui aos saltos¬Ľ; ¬ęAlguma vez na vida, vou achar gra√ßa ao que ele disse? Convencido¬Ľ.
Estes exemplos são de gente real. De gente que se acha superior, mais educada e mais engraçada. Mas serão? Ou será esta gente de uma extrema insegurança? E estes exemplos de alguém que se sente ameaçado, com medo que lhe caia a máscara e extremamente vulnerável?

Aprendi que o palco, o microfone e as centenas de olhos na minha dire√ß√£o j√° me d√£o um status mais do que suficiente para criar a ilus√£o de que sou mais do que o meu p√ļblico.

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Em louvor do grande Cam√Ķes

Sobre os contr√°rios o terror e a morte
Dardeje embora Aquiles denodado,
Ou no r√°pido carro ensanguentado
Leve arrastos sem vida o Teuco forte:

Embora o bravo Macedónio corte
Coa fulminante espada o nó fadado,
Que eu de mais nobre estímulo tocado,
Nem lhe amo a glória, nem lhe invejo a sorte:

Invejo-te, Cam√Ķes, o nome honroso;
Da mente criadora o sacro lume,
Que exprime as f√ļrias de Lieu raivoso:

Os ais de Inês, de Vénus o queixume,
As pragas do gigante proceloso,
O c√©u de Amor, o inferno do Ci√ļme.